{"id":33419,"date":"2026-07-15T17:05:01","date_gmt":"2026-07-15T17:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=33419"},"modified":"2026-07-16T12:35:47","modified_gmt":"2026-07-16T12:35:47","slug":"copa-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/copa-do-mundo\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 dono da Copa do Mundo?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste fim de semana, Espanha e Argentina disputam a final da Copa do Mundo da FIFA de 2026. O an\u00fancio da sede, em 2018, j\u00e1 indicava que esta seria uma edi\u00e7\u00e3o sem precedentes: disputada em tr\u00eas pa\u00edses e dezesseis cidades, com um formato ampliado para quarenta e oito sele\u00e7\u00f5es e partidas distribu\u00eddas ao longo de cinco semanas. Oito anos depois, o cumprimento da promessa n\u00e3o se limitou ao campo. Essa foi a Copa mais <a href=\"https:\/\/www.newweather.org\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/FIFAs_climate_blind_spot.pdf\">intensiva em emiss\u00f5es<\/a> de carbono dos quase cem anos da competi\u00e7\u00e3o\u2014em parte gra\u00e7as ao uso do <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/sport\/football\/articles\/cgev5wy0zg3o\">jato particular<\/a> do presidente da FIFA, Gianni Infantino\u2014e a primeira que ocorreu enquanto um pa\u00eds-sede bombardeava um advers\u00e1rio\u2014os Estados Unidos iniciaram sua guerra contra o Ir\u00e3 apenas dois meses ap\u00f3s Infantino conceder ao presidente Donald Trump o <a href=\"https:\/\/inside.fifa.com\/campaigns\/football-unites-the-world\/news\/president-trump-peace-prize-football-unites-the-world\">primeiro Pr\u00eamio da Paz<\/a> da hist\u00f3ria da Federa\u00e7\u00e3o. A dimens\u00e3o econ\u00f4mica do torneio \u00e9 igualmente excepcional. Com previs\u00e3o de gerar receitas recordes para a FIFA, a Copa\u00a0 de 2026 representa um marco tanto na evolu\u00e7\u00e3o do turismo esportivo quanto na hist\u00f3ria da publicidade e do patroc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda edi\u00e7\u00e3o da Copa escreve um novo cap\u00edtulo de uma hist\u00f3ria mais discreta, cujos efeitos perduram muito al\u00e9m da cerim\u00f4nia de entrega da ta\u00e7a. Sediar um Mundial exige muito mais do que construir est\u00e1dios ou preparar a infraestrutura urbana. Governos concedem \u00e0 FIFA um regime jur\u00eddico e tribut\u00e1rio sob medida, com isen\u00e7\u00f5es fiscais e monop\u00f3lios comerciais, investem em policiamento, seguran\u00e7a e transporte e, frequentemente, aprovam leis desenhadas para acomodar exig\u00eancias da entidade. Os pa\u00edses e cidades que recebem a Copa do Mundo saem dela transformados. Enquanto a FIFA e seus parceiros levam para casa os benef\u00edcios, o legado fiscal e jur\u00eddico do torneio fica para tr\u00e1s.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A edi\u00e7\u00e3o de 2026 levou a integra\u00e7\u00e3o entre a FIFA e os pa\u00edses-sede a um novo patamar. Nunca antes o governo de um pa\u00eds anfitri\u00e3o havia coordenado a opera\u00e7\u00e3o da Copa diretamente do gabinete do chefe de Estado. Em mar\u00e7o de 2025, na presen\u00e7a de Infantino, Donald Trump criou a For\u00e7a-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo da FIFA 2026 por meio de uma <a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/2025\/03\/07\/sport\/white-house-task-force-world-cup\/index.html\">ordem executiva<\/a> que nomeava ele pr\u00f3prio como presidente e JD Vance como vice-presidente\u00a0 (fun\u00e7\u00f5es que ambos passaram a acumular com a presid\u00eancia e vice-presid\u00eancia dos pr\u00f3prios Estados Unidos). Ao mesmo tempo, a FIFA abandonou o tradicional modelo do Comit\u00ea Organizador Local e conduziu a Copa de 2026 por meio de suas pr\u00f3prias subsidi\u00e1rias, negociando diretamente com as cidades-sede e trabalhando em estreita coordena\u00e7\u00e3o com a for\u00e7a-tarefa da Casa Branca. Nesse arranjo, a FIFA controla as rela\u00e7\u00f5es com a imprensa, os contratos de patroc\u00ednio e a receita da venda de ingressos, enquanto as cidades-sede assumem os custos de organiza\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, mobilidade e atendimento ao p\u00fablico. A administra\u00e7\u00e3o do torneio \u00e9 conduzida do novo escrit\u00f3rio da FIFA em Nova York, inaugurado em 2025 nos andares superiores da <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/06\/09\/world\/europe\/world-cup-infantino-trump.html\">Trump Tower<\/a> (espa\u00e7o pelo qual a entidade afirma pagar \u201c<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/06\/09\/world\/europe\/world-cup-infantino-trump.html\">aluguel a pre\u00e7o de mercado<\/a>\u201d). A federa\u00e7\u00e3o, uma m\u00e1quina de transformar a audi\u00eancia global do futebol em rendas garantidas por acordos pol\u00edticos para seus parceiros comerciais, busca agora tornar esse processo ainda mais <em>fluido<\/em> por meio de um grau in\u00e9dito de proximidade com o Estado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O modelo Dassler<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Copa do Mundo \u00e9 um tit\u00e3 comercial<strong> <\/strong>que reflete a l\u00f3gica de funcionamento da FIFA: percorrer o mundo maximizando as receitas de seus parceiros corporativos e, com isso, garantir sua pr\u00f3pria longevidade e expans\u00e3o cont\u00ednua. O motor desse modelo \u00e9 a publicidade. Foi Horst Dassler, herdeiro da Adidas e considerado o pai do patroc\u00ednio esportivo, quem primeiro compreendeu que o verdadeiro dinheiro do futebol n\u00e3o estava na venda de chuteiras, mas no <a href=\"https:\/\/www.hbs.edu\/faculty\/Pages\/item.aspx?num=49345\">controle das federa\u00e7\u00f5es<\/a> que governavam o esporte. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As condi\u00e7\u00f5es ideais surgiram em 1974, quando a FIFA escolheu o <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/ballisroundgloba0000gold\">brasileiro Jo\u00e3o Havelange<\/a> como seu novo presidente, com a promessa de ampliar o alcance diplom\u00e1tico e comercial do torneio. Havelange derrotou o ent\u00e3o presidente ingl\u00eas, que ocupava o cargo havia anos, ao prometer uma Copa do Mundo com vinte e quatro sele\u00e7\u00f5es (at\u00e9 ent\u00e3o, salvo algumas <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/storyofworldcup0000glan\">exce\u00e7\u00f5es<\/a>, o torneio reunia apenas dezesseis equipes) e novos recursos para o desenvolvimento das federa\u00e7\u00f5es nacionais da \u00c1frica e da \u00c1sia. A FIFA, por\u00e9m, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de cumprir essas promessas. Para viabiliz\u00e1-las, Havelange recorreu a Horst Dassler e \u00e0 sua rede de contatos para convencer Adidas e Coca-Cola a se tornarem as principais patrocinadoras da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de uma nova fonte de receitas, o que emergiu dessa parceria foi uma nova arquitetura de patroc\u00ednio comercial baseada na concess\u00e3o de monop\u00f3lios publicit\u00e1rios. Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, a FIFA inaugurou o sistema de comercializa\u00e7\u00e3o dos direitos de publicidade em <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Patrick_Nally\">pacotes<\/a> exclusivos para determinadas categorias de produtos, como artigos esportivos e bebidas alco\u00f3licas. Para as marcas, esse modelo garantia muito mais alcance do que campanhas publicit\u00e1rias convencionais e, mais importante, exclu\u00eda completamente os concorrentes. \u00c9 esse mesmo sistema que mant\u00e9m a Pepsi fora da Copa do Mundo <a href=\"https:\/\/worldcupwiki.com\/fifa-world-cup-2026-sponsors-partners\/\">desde 1978 <\/a>e assegura \u00e0 Adidas a exclusividade no desenho da bola oficial do torneio h\u00e1 quase meio s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma gera\u00e7\u00e3o depois, os direitos de transmiss\u00e3o seguiram o mesmo caminho. Por d\u00e9cadas, a FIFA vendeu os direitos televisivos da Copa do Mundo \u00e0 Uni\u00e3o Europeia de Radiodifus\u00e3o (EBU, na sigla em ingl\u00eas), cons\u00f3rcio das emissoras p\u00fablicas europeias, por valores que tratavam o torneio como um bem p\u00fablico. As tr\u00eas Copas disputadas na d\u00e9cada de 1990 renderam, juntas, cerca de <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/304860108_Broadcasting_the_World_Cup\">US$ 310 milh\u00f5es<\/a> em direitos de transmiss\u00e3o em todo o mundo. Tudo mudou em 5 de julho de 1996, quando o comit\u00ea executivo da FIFA decidiu contornar a EBU e vender, em um \u00fanico <a href=\"https:\/\/api.parliament.uk\/historic-hansard\/commons\/2001\/apr\/26\/football-world-cup-television-coverage\">pacote<\/a>, os direitos das Copas de 2002 e 2006. Os direitos para a Europa foram concedidos ao grupo alem\u00e3o Kirch, enquanto a ag\u00eancia ISL ficou respons\u00e1vel pela comercializa\u00e7\u00e3o global, com a \u00fanica exig\u00eancia de que a final, as semifinais e os jogos das sele\u00e7\u00f5es nacionais permanecessem na televis\u00e3o aberta. O neg\u00f3cio foi avaliado em <a href=\"https:\/\/www.campaignlive.co.uk\/article\/campaign-report-football-france-98-broadcasting-bargain-multi-million-dollar-prices-world-cup-rights-seem-exorbitant-yet-broadcasters-advertisers\/16048\">2,8 bilh\u00f5es de francos su\u00ed\u00e7os<\/a>, cerca de dez vezes o valor pago pela EBU pelos direitos da Copa de 1998, na Fran\u00e7a, um aumento de mais de 1.000% no valor dos direitos por edi\u00e7\u00e3o do torneio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A f\u00f3rmula mostrou-se extraordinariamente rent\u00e1vel para a FIFA. No campo do patroc\u00ednio, garantir uma posi\u00e7\u00e3o exclusiva diante da maior audi\u00eancia recorrente do planeta \u00e9 um ativo t\u00e3o valioso que justifica cifras inalcan\u00e7\u00e1veis para uma campanha publicit\u00e1ria convencional. Nada revela melhor o peso dessa exclusividade do que as disputas travadas para preserv\u00e1-la. Em 2006, por exemplo, a FIFA vendeu \u00e0 Visa, por <a href=\"https:\/\/www.sec.gov\/Archives\/edgar\/data\/0001403161\/000119312507140569\/ds4.htm\">US$ 180 milh\u00f5es ao longo de oito anos<\/a>, os direitos exclusivos da categoria de cart\u00f5es de pagamento, apesar de a MasterCard, patrocinadora desde 1990, possuir direito de <a href=\"https:\/\/www.marketingweek.com\/mastercard-and-fifa-settle-sponsorship-dispute\/\">prefer\u00eancia<\/a> contratual na renova\u00e7\u00e3o. A MasterCard acionou a Justi\u00e7a Federal em Nova York, <a href=\"https:\/\/www.sec.gov\/Archives\/edgar\/data\/0001403161\/000119312507192104\/ds4a.htm\">ganhou<\/a> uma liminar que lhe devolvia o patroc\u00ednio e, ao fim da disputa, aceitou um <a href=\"https:\/\/www.sec.gov\/Archives\/edgar\/data\/0001141391\/000119312507139642\/dex991.htm\">acordo<\/a> de <a href=\"https:\/\/www.marketingweek.com\/mastercard-and-fifa-settle-sponsorship-dispute\/\">\u00a345 milh\u00f5es<\/a> com a FIFA, permitindo que a Visa mantivesse a exclusividade. Os direitos audiovisuais alcan\u00e7am uma escala ainda maior. Segundo estimativas, a disputa pela transmiss\u00e3o das Copas de 2030 e 2034 poder\u00e1 come\u00e7ar na casa de <a href=\"https:\/\/talksport.com\/football\/world-cup\/4400782\/fifa-tv-rights-bidding-war-netflix-fox-disney-youtube\/\">US$ 1 bilh\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a d\u00e9cada de 1970, o modelo concebido por Dassler passou a orientar praticamente todos os contratos de patroc\u00ednio da FIFA. O sistema sofreu um breve abalo em 2001, quando a ISL, ag\u00eancia de marketing criada por Dassler e que havia se tornado o bra\u00e7o comercial da entidade, entrou em colapso ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o de um <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/316478\/Foul_The_Secret_World_of_FIFA_Bribes_Vote_Rigging_and_Ticket_Scandals\">esquema de propinas<\/a> pagas a dirigentes esportivos por meio de contas offshore. Em 2012, concluiu-se que Jo\u00e3o Havelange havia <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/sport\/football\/18804464\">recebido<\/a> milh\u00f5es de d\u00f3lares em propinas relacionadas \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o, pela ISL, dos direitos de publicidade da FIFA. Mas a arquitetura comercial que possibilitou a corrup\u00e7\u00e3o de Havelange resistiu ao esc\u00e2ndalo, e a FIFA assegurou seu controle sobre a infraestrutura global do futebol por meio da consolida\u00e7\u00e3o desse modelo de gera\u00e7\u00e3o de rendas monopolistas para seus parceiros comerciais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As receitas publicit\u00e1rias continuaram a se multiplicar. O mercado global de patroc\u00ednio esportivo j\u00e1 movimenta mais de <a href=\"https:\/\/straitsresearch.com\/report\/sports-sponsorship-market\">US$ 70 bilh\u00f5es<\/a> por ano e a FIFA, principal protagonista desse setor, arrecadou <a href=\"https:\/\/mexicosolidarity.com\/fifa-flush-with-government-subsidies-will-distribute-only-5-of-2026-world-cup-profits\/\">US$ 5,7 bilh\u00f5es<\/a> no ciclo da Copa do Catar de 2022. Para o torneio de 2026, a entidade projeta mais do que dobrar esse valor, com uma receita recorde estimada em <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/5b79e86d-1df2-4bfa-9bde-f43eb692f11c?syn-25a6b1a6=1\">US$ 13 bilh\u00f5es<\/a>. Em 2024, a FIFA ampliou seu programa comercial com a cria\u00e7\u00e3o da categoria <em>Major Worldwide Partner<\/em>, inaugurada pela Saudi Aramco, a maior petroleira do mundo. Segundo a imprensa, o contrato vale cerca de <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1TSWq6dIX102OyEyeOLVhxcqpoH8H71Nq7FYSUkHzgyg\/edit?tab=t.0\">US$ 100 milh\u00f5es anuais<\/a> e deve durar quatro anos. De acordo com a pr\u00f3pria FIFA, antes mesmo da bola rolar, o programa comercial reformulado para a Copa de 2026 j\u00e1 havia gerado mais receitas de publicidade e patroc\u00ednio do que <a href=\"https:\/\/www.sgieurope.com\/brands\/adidas-only-sporting-goods-name-at-fifa-2026\/120293.article\">qualquer outro evento esportivo<\/a>. Parte dessas receitas publicit\u00e1rias \u00e9 redistribu\u00edda pela FIFA como moeda de patronagem. No atual ciclo da Copa, dos bilh\u00f5es arrecadados, cada uma de suas 211 associa\u00e7\u00f5es nacionais recebeu anualmente cerca de <a href=\"https:\/\/worldcupwiki.com\/fifa-world-cup-2026-sponsors-partners\/\">US$ 1,5 milh\u00e3o<\/a> por meio do programa FIFA Forward para desenvolver o futebol em sua regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Copa de 2026 tamb\u00e9m multiplicou as oportunidades de explora\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria. O exemplo mais controverso s\u00e3o os an\u00fancios exibidos durante as pausas para hidrata\u00e7\u00e3o. \u201cOs americanos v\u00e3o dividir o jogo em quatro tempos, em vez de dois, para colocar comerciais\u201d, <a href=\"https:\/\/youtu.be\/PCZO4vEBjVg?si=CJDam2QgYmHFL0Jx&amp;t=621\">previu<\/a> Diego Maradona em 2018. \u201cVoc\u00eas v\u00e3o ver.\u201d Embora essas pausas sejam curtas demais para refrescar efetivamente os jogadores\u2014e a FIFA sequer tenha aplicado de forma consistente seus j\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/sport\/football\/articles\/cy928q8engzo\">modestos protocolos<\/a> para partidas disputadas sob calor extremo\u2014, abriram novas e valiosas janelas para a publicidade. A emissora Fox dever\u00e1 arrecadar cerca de <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/sport\/football\/articles\/cp3xqn9zxdgo\">US$ 250 milh\u00f5es<\/a> apenas com os an\u00fancios exibidos nesses intervalos. \u00c0 medida que as empresas passaram a testar modelos de publicidade personalizada para espectadores em plataformas de streaming, a imprensa especializada registrou uma <a href=\"https:\/\/biz.chosun.com\/en\/en-industry\/2026\/07\/01\/PTURBGNX2BF5HNFQFDTVHCIEFU\/\">corrida<\/a> por investimentos em \u201c<a href=\"https:\/\/www.appsflyer.com\/pt\/glossary\/adtech\/\">adtech<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crescente substitui\u00e7\u00e3o do modelo tradicional de transmiss\u00e3o televisiva por plataformas de streaming tamb\u00e9m abriu novas oportunidades comerciais. No Brasil, a FIFA <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2026\/06\/cazetv-aporte-da-xp-e-dinheiro-das-bets-ajudam-canal\/\">contratou<\/a> a LiveMode Servi\u00e7os Digitais, empresa de m\u00eddia financiada por fundos de private equity, para negociar a venda dos direitos de transmiss\u00e3o no pa\u00eds. A LiveMode acabou licenciando-os \u00e0 Caz\u00e9TV, plataforma cuja opera\u00e7\u00e3o comercial tamb\u00e9m controla, em parceria com o YouTube. Pela primeira vez em d\u00e9cadas, a Rede Globo deixou de controlar a transmiss\u00e3o da Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, a expans\u00e3o das apostas esportivas impulsionou a Caz\u00e9TV. No Brasil, casas de apostas passaram a ocupar um espa\u00e7o de destaque no material promocional exibido durante a transmiss\u00e3o dos jogos, refor\u00e7ando a crescente integra\u00e7\u00e3o entre futebol, plataformas digitais e a ind\u00fastria das bets.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vantagens de jogar em casa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futebol, o ativo sobre o qual esse sistema se constr\u00f3i, s\u00f3 se valorizou. O alcance do esporte cresceu a ponto de o historiador David Goldblatt compar\u00e1-lo a uma <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/ballisroundgloba0000gold\">religi\u00e3o<\/a>, pela forma como permeia e organiza a vida cotidiana. Cerca de <a href=\"https:\/\/www.nielsen.com\/news-center\/2025\/nielsen-reveals-exclusive-new-data-and-insights-in-annual-tops-of-sports-report\/\">51% da popula\u00e7\u00e3o mundial<\/a> diz ser f\u00e3 de futebol. A final da Copa do Mundo de 2022, disputada entre Fran\u00e7a e Argentina no Catar, foi assistida por cerca de <a href=\"https:\/\/inside.fifa.com\/tournament-organisation\/audience-reports\/qatar-2022\">1,42 bilh\u00e3o de pessoas<\/a>. Tudo indica que a decis\u00e3o do torneio de 2026 superar\u00e1 esse n\u00famero com folga.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa capacidade da Copa do Mundo de mobilizar um p\u00fablico massivo e gerar receitas publicit\u00e1rias em escala planet\u00e1ria fez dela um ativo estrat\u00e9gico para os Estados. Sediar uma Copa do Mundo \u00e9 uma ambi\u00e7\u00e3o compartilhada por muitos pa\u00edses. Desde 1930, por\u00e9m, apenas dezenove receberam o torneio. A economia, por si s\u00f3, n\u00e3o explica esse interesse. Doze das \u00faltimas quatorze Copas realizadas desde 1966 geraram <a href=\"https:\/\/itep.org\/fifa-2026-world-cup-tickets-sales-tax-exemption\/\">preju\u00edzos financeiros<\/a> para seus anfitri\u00f5es, e as tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es mais recentes registraram um retorno m\u00e9dio sobre o investimento de <a href=\"https:\/\/itep.org\/fifa-2026-world-cup-tickets-sales-tax-exemption\">-31%<\/a>. At\u00e9 mesmo a Copa de 1994, realizada nos Estados Unidos e frequentemente lembrada como um sucesso comercial, arrecadou <a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/clementelisi\/2026\/06\/26\/world-cup-delivers-early-economic-boost-for-host-cities\/\">entre US$ 5,5 bilh\u00f5es e US$ 9,3 bilh\u00f5es menos<\/a> do que o previsto. Ainda assim, apesar dessas perdas amplamente documentadas, a disputa para sediar o torneio tornou-se cada vez mais acirrada desde a estrat\u00e9gia de expans\u00e3o adotada por Jo\u00e3o Havelange nos anos 1970, sugerindo que os pa\u00edses candidatos buscam objetivos que v\u00e3o muito al\u00e9m do retorno financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o primeiro meio s\u00e9culo da Copa do Mundo, sediar o torneio era menos um pr\u00eamio do que uma obriga\u00e7\u00e3o imposta pela FIFA. Em 1974, a Col\u00f4mbia foi escolhida para sediar a Copa do Mundo de 1986 sem enfrentar qualquer candidatura concorrente. Oito anos depois, por\u00e9m, tornou-se a primeira\u2014e at\u00e9 hoje a \u00fanica\u2014na\u00e7\u00e3o a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Colombian_withdrawal_from_hosting_the_1986_FIFA_World_Cup\">renunciar ao direito de sediar<\/a> o torneio. Diante das novas exig\u00eancias impostas pela amplia\u00e7\u00e3o da Copa para 24 sele\u00e7\u00f5es\u2014promovida por Havelange\u2014, o presidente Belisario Betancur anunciou em rede nacional que a Col\u00f4mbia n\u00e3o tinha tempo para \u201c<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Colombian_withdrawal_from_hosting_the_1986_FIFA_World_Cup\">atender \u00e0s extravag\u00e2ncias da FIFA e de seus membros<\/a>\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em menos de tr\u00eas d\u00e9cadas, esse c\u00e1lculo se inverteu completamente. Quando o comit\u00ea executivo da FIFA se reuniu, em dezembro de 2010, para escolher as sedes das Copas de 2018 e 2022, o direito de fazer precisamente as concess\u00f5es que Betancur havia recusado j\u00e1 era valioso o suficiente para ser comprado. Segundo a den\u00fancia apresentada pelo Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos em 2020, membros do comit\u00ea executivo da FIFA <a href=\"https:\/\/www.si.com\/soccer\/2020\/04\/06\/world-cup-bribery-votes-2018-russia-2022-qatar-jack-warner\">receberam propinas de governos<\/a> em troca de seus votos na escolha das sedes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00c1frica do Sul, em 2010, e no Brasil, em 2014, a Copa do Mundo foi transformada em uma vitrine de modernidade, desenvolvimento e credibilidade econ\u00f4mica. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, os ganhos ficaram menos com os governos do que com grupos de interesse que os cercavam: enquanto empreiteiras ganharam com a constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura, os\u00a0 \u201celefantes brancos\u201d\u2014est\u00e1dios caros e subutilizados\u2014<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/football\/2014\/sep\/23\/south-africa-2010-world-cup-what-happened\">drenaram os cofres p\u00fablicos<\/a>. J\u00e1 para a R\u00fassia, em 2018, e para o Catar, em 2022, sediar a Copa foi uma estrat\u00e9gia de proje\u00e7\u00e3o internacional em meio \u00e0s mudan\u00e7as na ordem geopol\u00edtica e nos mercados globais de energia. O Catar encarou abertamente os cerca de US$ 220 bilh\u00f5es destinados \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o torneio de 2022 como um <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/money\/economics-of-the-FIFA-World-Cup\">investimento<\/a> em sua reputa\u00e7\u00e3o internacional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Concess\u00f5es t\u00e1ticas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que um pa\u00eds \u00e9 escolhido para sediar a Copa do Mundo, a FIFA e as autoridades anfitri\u00e3s firmam um Acordo de Sede que estabelece uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. Longe de se limitar \u00e0 log\u00edstica de organizar um calend\u00e1rio de partidas, o <a href=\"https:\/\/cer.econ.columbia.edu\/news\/why-countries-overpay-world-cup-political-economy-mega-event-bidding\">acordo<\/a> pode prever a aprova\u00e7\u00e3o de novas leis em mat\u00e9ria empresarial e publicit\u00e1ria, a concess\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es fiscais, a adapta\u00e7\u00e3o do policiamento local \u00e0s exig\u00eancias operacionais do torneio e dispositivos que permitam \u00e0 FIFA contornar inst\u00e2ncias internacionais de arbitragem. Enquanto concentra a maior parte das receitas comerciais geradas pela competi\u00e7\u00e3o, a entidade transfere aos anfitri\u00f5es a totalidade dos custos com est\u00e1dios, seguran\u00e7a e prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizada como uma associa\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.ibanet.org\/Taxation-sports-players-teams-beyond\">sem fins lucrativos<\/a> de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a, a FIFA n\u00e3o paga impostos sobre as receitas obtidas com a Copa do Mundo. Suas subsidi\u00e1rias, por\u00e9m, s\u00e3o tributadas localmente, raz\u00e3o pela qual a escolha da sede depende, em boa parte, das isen\u00e7\u00f5es que cada governo se disp\u00f5e a conceder. No Brasil, a Lei Geral da Copa, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 2012, garantiu \u00e0 FIFA e a seus parceiros comerciais um <a href=\"https:\/\/www.slaw.ca\/2014\/07\/13\/the-laws-of-2014-fifa-world-cup\/\">amplo pacote<\/a> de benef\u00edcios fiscais, exclusividades comerciais no entorno dos est\u00e1dios e prote\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. A lei tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-latin-america-18348012\">suspendeu a proibi\u00e7\u00e3o nacional<\/a> da venda de bebidas alco\u00f3licas nos est\u00e1dios, introduzida em 2003 para conter epis\u00f3dios fatais de viol\u00eancia entre torcedores. A restri\u00e7\u00e3o foi derrubada porque a Budweiser, patrocinadora hist\u00f3rica da FIFA, assim exigia. O ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da entidade, J\u00e9r\u00f4me Valcke, <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-latin-america-16624823\">foi direto<\/a>: \u201cAs bebidas alco\u00f3licas fazem parte da Copa do Mundo e, portanto, ser\u00e3o vendidas. Desculpem se pare\u00e7o um pouco arrogante, mas isso n\u00e3o est\u00e1 sujeito a negocia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mesmas exig\u00eancias se repetem por onde quer que o torneio passe. A R\u00fassia aprovou um <a href=\"https:\/\/www.eisneramper.com\/insights\/blogs\/personal-wealth-advisors-blog\/fifa-tax-pw-blog-0618\/\">regime especial<\/a> de tributa\u00e7\u00e3o de renda para a Copa de 2018, com um custo estimado de US$ 80 milh\u00f5es em receitas n\u00e3o arrecadadas. No Catar, as <a href=\"https:\/\/www.sportbusy.com\/blog\/partner\/f2fa7b16-040b-4c88-9c37-29d3037389a9\/\">isen\u00e7\u00f5es<\/a> concedidas a todas as entidades envolvidas no evento em 2022 abrangeram impostos sobre a renda e o consumo e tarifas alfandeg\u00e1rias. O M\u00e9xico, por sua vez, havia concedido \u00e0 FIFA <a href=\"https:\/\/www.ibanet.org\/Taxation-sports-players-teams-beyond\">isen\u00e7\u00e3o integral<\/a> de imposto de renda em 2018 e, em 2020, aprovou uma reforma constitucional que proibia exatamente esse tipo de benef\u00edcio. Ainda assim, voltou a conceder \u00e0 entidade uma ampla isen\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.greenbacktaxservices.com\/blog\/world-cup-jock-tax-report\/\">Lei de Receitas de 2026<\/a>. O legado deixado pelas Copas, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 apenas fiscal. O aparato de seguran\u00e7a criado pelos pa\u00edses-sede tamb\u00e9m tende a sobreviver ao torneio. Foi o que ocorreu no Brasil, cuja primeira lei antiterrorismo de car\u00e1ter permanente foi aprovada em fun\u00e7\u00e3o de dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo e as Olimp\u00edadas. Uma salvaguarda destinada a proteger movimentos sociais e sindicatos foi <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/pt\/news\/2015\/11\/13\/283377\">retirada do texto no Senado<\/a>, e a lei permaneceu em vigor durante o governo Bolsonaro, quando aliados do presidente repetidamente tentaram <a href=\"https:\/\/mst.org.br\/2018\/11\/01\/lei-que-pode-tachar-movimentos-como-terroristas-retorna-ao-debate\/\">ampliar<\/a> seu alcance para incluir organiza\u00e7\u00f5es como o MST.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A bola de Trump<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a confirma\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo de 2026 na Am\u00e9rica do Norte, a FIFA deu in\u00edcio a uma estrat\u00e9gia de lobby que se estenderia por v\u00e1rios anos junto ao principal pa\u00eds-sede: os Estados Unidos. Desde a reelei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, Gianni Infantino passou a <a href=\"https:\/\/www.sportspro.com\/analysis\/sponsorship-marketing\/fifa-world-cup-2026-business-revenue-ticketing-broadcast-sponsorship\/\">frequentar assiduamente<\/a> a Casa Branca. Quando Mar\u00eda Corina Machado ganhou, <a href=\"https:\/\/thehill.com\/blogs\/in-the-know\/5721146-fifa-president-defends-trump-award\/\">apesar do lobby de Infantino<\/a>, o Nobel da Paz notoriamente cobi\u00e7ado pelo presidente americano, a FIFA tratou de criar seu pr\u00f3prio Pr\u00eamio da Paz e conced\u00ea-lo a Trump.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amizade \u00e9 rec\u00edproca. Em janeiro de 2025, Infantino foi recebido por Trump em sua resid\u00eancia de Mar-a-Lago e, poucos dias depois, esteve <a href=\"https:\/\/inside.fifa.com\/organisation\/president\/news\/us-president-donald-trump-meeting-gianni-infantino-reaffirms-support-fifa-tournaments?requester=MediaHub&amp;entryId=4hhfUFp1wz6zcFynf6PBVC\">presente<\/a> na cerim\u00f4nia de posse em Washington. Em um epis\u00f3dio ainda mais ins\u00f3lito, acompanhou o presidente em uma viagem pol\u00edtica ao Oriente M\u00e9dio e participou da chamada C\u00fapula de Paz realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito. Na ocasi\u00e3o, prometeu que a FIFA ajudaria a \u201c<a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/sports\/2025\/10\/14\/why-was-fifa-president-infantino-with-trump-at-gaza-peace-summit-in-egypt\">levar o futebol de volta<\/a>\u201d \u00e0 Palestina. \u201cO futebol leva esperan\u00e7a \u00e0s crian\u00e7as, e isso \u00e9 muito, muito importante\u201d, declarou. (Durante a Copa do Mundo, por\u00e9m, um ataque a\u00e9reo israelense matou o agente humanit\u00e1rio palestino <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/articles\/cwylznzjk04o\">Mohammed al-Wahidi<\/a>, conhecido por organizar exibi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas dos jogos em meio ao genoc\u00eddio apoiado pelos Estados Unidos que, desde outubro de 2023, <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2026\/06\/1167790\">matou mais de 20 mil crian\u00e7as e feriu outras 44 mil<\/a>.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na prepara\u00e7\u00e3o para a Copa de 2026, a FIFA exigiu, entre as condi\u00e7\u00f5es para a candidatura, uma <a href=\"https:\/\/stacker.com\/stories\/sports\/fifa-rules-vs-us-law-what-happens-when-they-conflict-during-world-cup\">isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria integral<\/a> sobre a renda, tarifas alfandeg\u00e1rias e a venda de ingressos. Missouri, Ge\u00f3rgia e Fl\u00f3rida aprovaram leis isentando a comercializa\u00e7\u00e3o de ingressos de impostos estaduais e municipais. Segundo <a href=\"https:\/\/stacker.com\/stories\/sports\/fifa-rules-vs-us-law-what-happens-when-they-conflict-during-world-cup\">estimativas<\/a> do Institute on Taxation and Economic Policy, a Ge\u00f3rgia deixar\u00e1 de arrecadar at\u00e9 US$ 25 milh\u00f5es com as partidas em Atlanta; a Fl\u00f3rida, cerca de US$ 7,4 milh\u00f5es com os jogos realizados em Miami; e o Missouri, aproximadamente US$ 1,9 milh\u00e3o para cada uma das seis disputas em Kansas City. Foi justamente por esse motivo que Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos, recusou-se a sediar jogos da Copa de 2026: as autoridades municipais conclu\u00edram que o evento <a href=\"https:\/\/stacker.com\/stories\/sports\/fifa-rules-vs-us-law-what-happens-when-they-conflict-during-world-cup\">deixaria um rombo<\/a> nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta Copa do Mundo, a FIFA introduziu a precifica\u00e7\u00e3o din\u00e2mica na venda de ingressos, modelo segundo o qual os pre\u00e7os variam em tempo real de acordo com a demanda. Os ingressos mais caros para a final, inicialmente vendidos por <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2026\/05\/28\/nx-s1-5836514\/2026-world-cup-fifa-ticket-prices\">US$ 6.730<\/a>, chegaram a US$ 10.990 durante a janela de vendas da primavera. Na plataforma oficial de revenda da pr\u00f3pria FIFA\u2014da qual a entidade ret\u00e9m uma <a href=\"https:\/\/time.com\/article\/2026\/05\/24\/why-2026-world-cup-ticket-prices-are-so-high\/\">comiss\u00e3o de 15% tanto do comprador quanto do vendedor<\/a>\u2014, alguns ingressos passaram a ser anunciados por valores na casa dos milh\u00f5es e, em alguns casos, dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Na Copa do Catar, em 2022, o ingresso mais caro custava cerca de US$ 1.600. Infantino defendeu as cifras, afirmando que refletiam os \u201c<a href=\"https:\/\/fortune.com\/2026\/06\/02\/fifa-dynamic-pricing-backfiring-soccer-fans-world-cup-ticket-costs\/\">valores de mercado<\/a>\u201d da ind\u00fastria do entretenimento nos Estados Unidos, mas at\u00e9 Donald Trump disse que <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2026\/05\/28\/nx-s1-5836514\/2026-world-cup-fifa-ticket-prices\">n\u00e3o pagaria os quatro d\u00edgitos cobrados<\/a> por alguns assentos para o jogo de estreia da sele\u00e7\u00e3o estadunidense. Em maio de 2026, as procuradoras-gerais dos estados de Nova York e Nova Jersey <a href=\"https:\/\/fortune.com\/2026\/06\/02\/fifa-dynamic-pricing-backfiring-soccer-fans-world-cup-ticket-costs\/\">intimaram<\/a> a FIFA e abriram uma investiga\u00e7\u00e3o conjunta sobre sua pol\u00edtica de venda de ingressos, alegando que os pre\u00e7os haviam \u201cultrapassado em muito os de qualquer Copa do Mundo anterior\u201d. Na ponta da publicidade, durante as quartas de final do torneio, na semana passada, os Minist\u00e9rios da Fazenda e da Justi\u00e7a do Brasil <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/esportes\/governo-lula-x-caze-tv-canal-esportivo-e-alvo-de-proibicao-antes-da-final-da-copa,4700b7004622048f3dea1551cd1878fekxwcpo6r.html\">anunciaram<\/a> novas regras para restringir recomenda\u00e7\u00f5es e incentivos a apostas esportivas por comentaristas e emissoras de televis\u00e3o. O setor concentra atualmente a maior parte dos an\u00fancios veiculados pelos detentores brasileiros dos direitos de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trump, por sua vez, nunca escondeu o valor pol\u00edtico que atribui ao torneio. A Copa de 2026 acontece enquanto seu governo trava uma guerra comercial contra os outros dois pa\u00edses que dividem a organiza\u00e7\u00e3o do evento. Questionado sobre essa tens\u00e3o, respondeu a jornalistas no Sal\u00e3o Oval: \u201c<a href=\"https:\/\/stacker.com\/stories\/sports\/fifa-rules-vs-us-law-what-happens-when-they-conflict-during-world-cup\">A tens\u00e3o \u00e9 uma coisa boa. Torna tudo muito mais emocionante.<\/a>\u201d Vendida ao mundo sob a bandeira da uni\u00e3o\u2014o slogan da FIFA \u00e9 \u201cO futebol une o mundo\u201d\u2014a Copa do Mundo tornou-se, para seu anfitri\u00e3o mais poderoso, um instrumento de barganha como qualquer outro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O jogo de longo prazo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Aramco, <em>Major Worldwide Partner<\/em> desta Copa, \u00e9 apenas a face empresarial de um Estado que desempenhar\u00e1 um papel central no futuro da FIFA. No fim de 2024, pouco depois da Aramco se tornar a maior patrocinadora da FIFA, a entidade ainda encontrava dificuldades para vender os direitos de transmiss\u00e3o de seu novo e ampliado Mundial de Clubes, que tamb\u00e9m seria realizado nos Estados Unidos. A solu\u00e7\u00e3o veio na \u00faltima hora: a plataforma de streaming DAZN, que acumulava preju\u00edzos anuais na casa de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, adquiriu os direitos globais por um valor estimado em cerca de <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/football\/2025\/jun\/12\/uncontested-dazns-1bn-story-reveals-why-the-club-world-cup-is-really-here\">US$ 1 bilh\u00e3o<\/a>. Poucas semanas depois, a SURJ Sports Investment, controlada pelo fundo soberano saudita PIF, comprou uma participa\u00e7\u00e3o inferior a 10% na DAZN por um <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/athletic\/6141769\/2025\/02\/17\/dazn-investment-pif-surj\/\">valor semelhante<\/a>. Na pr\u00e1tica, o fundo saudita passou a financiar a plataforma que, ao adquirir os direitos de transmiss\u00e3o, viabilizou o novo Mundial de Clubes da FIFA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pouco tempo depois, a FIFA concedeu \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita o direito de <a href=\"https:\/\/inside.fifa.com\/tournament-organisation\/world-cup-2034\">sediar a Copa do Mundo de 2034<\/a> como candidata \u00fanica. A aus\u00eancia de concorrentes esteve longe de ser obra do acaso. Ao repartir a Copa de 2030 entre tr\u00eas continentes\u2014Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul\u2014, a FIFA eliminou, por sua pr\u00f3pria regra de rod\u00edzio, quase todos os poss\u00edveis candidatos \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de 2034. <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/athletic\/5983648\/2024\/12\/10\/saudi-arabia-world-cup-2034-explained-fifa\/\">Restaram apenas \u00c1sia e Oceania<\/a>. Al\u00e9m disso, a janela para apresenta\u00e7\u00e3o de candidaturas permaneceu aberta por apenas 25 dias. A Ar\u00e1bia Saudita anunciou sua candidatura em quest\u00e3o de minutos, e a Austr\u00e1lia acabou retirando a sua. Para muitos observadores, a entidade simplesmente <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2024\/12\/10\/world\/middleeast\/saudi-world-cup-human-rights.html\">manipulou as pr\u00f3prias regras<\/a> para abrir caminho ao reino saudita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma mudan\u00e7a de natureza, e n\u00e3o apenas de escala. A estrutura criada por Horst Dassler permitia que empresas monopolistas comprassem acesso \u00e0 audi\u00eancia global do futebol para promover seus produtos. A Aramco utiliza hoje essa mesma estrutura\u2014por cerca de US$ 100 milh\u00f5es anuais\u2014para defender algo muito maior: a legitimidade do capital f\u00f3ssil. E o Estado saudita avan\u00e7ou ainda mais: passou de patrocinador a financiador de uma das emissoras da FIFA e, depois, a anfitri\u00e3o da Copa do Mundo. Primeiro comprou publicidade, depois financiou a transmiss\u00e3o e agora controla a organiza\u00e7\u00e3o do torneio: j\u00e1 n\u00e3o ocupa apenas um espa\u00e7o nos pain\u00e9is \u00e0 beira do campo, mas uma posi\u00e7\u00e3o no interior da pr\u00f3pria federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste fim de semana, Espanha e Argentina disputam a final da Copa do Mundo da FIFA de 2026. 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