{"id":32179,"date":"2026-05-15T08:01:51","date_gmt":"2026-05-15T08:01:51","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=32179"},"modified":"2026-05-30T08:43:09","modified_gmt":"2026-05-30T08:43:09","slug":"consequencias-economicas-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/consequencias-economicas-da-guerra\/","title":{"rendered":"As consequ\u00eancias econ\u00f4micas da guerra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto um cessar-fogo fr\u00e1gil e negocia\u00e7\u00f5es incertas mant\u00eam a guerra contra o Ir\u00e3 em um compasso de espera marcado por destrui\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria, pode parecer inadequado discutir os efeitos econ\u00f4micos do conflito sobre sociedades distantes da linha de frente. A possibilidade de conter uma nova escalada, no entanto, talvez dependa precisamente dos interesses afetados pela expans\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, incluindo os das classes dominantes do n\u00facleo capitalista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesses setores, a atual onda de agress\u00e3o imperial encontrou pouca resist\u00eancia, em parte porque um de seus efeitos tem sido intensificar a transfer\u00eancia de riqueza para o topo. Quando o com\u00e9rcio de petr\u00f3leo \u00e9 desorganizado, as gigantes do setor ampliam seu poder de mercado, elevando suas margens de lucro \u00e0 medida que compradores disputam cada barril dispon\u00edvel. \u00c9 o que Isabella Weber e Evan Wasner, retomando um conceito de Abba Lerner, descrevem como \u201c<a href=\"https:\/\/www.elgaronline.com\/view\/journals\/roke\/11\/2\/article-p183.xml\">infla\u00e7\u00e3o dos vendedores<\/a>\u201d. Os autores <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2214629625003020\">demonstraram<\/a> que os efeitos distributivos da crise energ\u00e9tica de 2022, desencadeada pela guerra na Ucr\u00e2nia, beneficiaram sobretudo os Estados Unidos: empresas sediadas no pa\u00eds responderam por cerca de um ter\u00e7o de todo o lucro l\u00edquido obtido pelas petroleiras e companhias de g\u00e1s de capital aberto naquele ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os grandes vencedores foram os que j\u00e1 estavam no topo. Mais da metade dos lucros do petr\u00f3leo em 2022 foi apropriada pelo 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o, enquanto a metade inferior da sociedade ficou com apenas 1% do total. Um desequil\u00edbrio obsceno: 50% para quem est\u00e1 no 1% do topo, 1% para quem est\u00e1 nos 50% da base. Em uma <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2026\/mar\/19\/oil-crisis-research-rich-costs-wealth-redistribute\">s\u00e9rie<\/a> de <a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/international-politics\/geopolitics\/2026\/03\/the-world-energy-shock-is-coming\">artigos<\/a> <a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/oil-buyers-club-can-limit-inflation-and-avert-recession-amid-iran-war-energy-crisis-by-isabella-m-weber-and-gregor-semieniuk-2026-04\">recentes<\/a> coautorados por Gregor Semieniuk, Weber vem argumentando que, na aus\u00eancia de uma resposta pol\u00edtica radicalmente diferente, a atual guerra contra o Ir\u00e3 tende a produzir resultados semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o setor do petr\u00f3leo \u00e9 sistemicamente relevante, seu pre\u00e7o afeta o de in\u00fameros outros bens e servi\u00e7os. Qualquer oscila\u00e7\u00e3o impacta rapidamente a infla\u00e7\u00e3o geral e desencadeia uma rea\u00e7\u00e3o dos bancos centrais. Mas o aumento das taxas de juros, instrumento convencional das autoridades monet\u00e1rias, faz pouco para enfrentar a crise energ\u00e9tica em si. Seu efeito \u00e9 apenas deslocar o custo do ajuste para as classes trabalhadoras, elevando o desemprego para conter a demanda e tentar moderar a alta dos pre\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em regi\u00f5es da periferia global, como a Am\u00e9rica Latina, os juros tendem a subir ainda mais, \u00e0 medida que os pa\u00edses correm para defender suas moedas diante da retra\u00e7\u00e3o da liquidez internacional. Nessas economias, o impacto da pol\u00edtica monet\u00e1ria sobre o desemprego costuma ser menos pronunciado, mas os juros elevados ainda assim preservam um claro car\u00e1ter de classe: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/cje\/bead053\">ampliam a fatia da renda apropriada pelos rentistas<\/a>, transferindo uma parcela crescente das receitas arrecadadas por sistemas tribut\u00e1rios regressivos para os mais ricos, ao mesmo tempo em que aprofundam a subordina\u00e7\u00e3o da maioria da popula\u00e7\u00e3o ao endividamento. Choques do petr\u00f3leo, portanto, promovem uma redistribui\u00e7\u00e3o regressiva de renda e riqueza tanto no Norte quanto no Sul global: de forma direta, pelos lucros do petr\u00f3leo; de forma indireta, pela resposta monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"947\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-947x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-32215\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-947x1024.png 947w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-278x300.png 278w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-768x830.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-1421x1536.png 1421w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/chart1-pt-d-7-1895x2048.png 1895w\" sizes=\"auto, (max-width: 947px) 100vw, 947px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria poss\u00edvel inverter essa l\u00f3gica por meio de pol\u00edticas alternativas ao regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, protegendo os de baixo e transferindo o \u00f4nus do ajuste para o topo? Medidas dessa natureza poderiam reduzir a rentabilidade econ\u00f4mica da guerra e enfraquecer as for\u00e7as que hoje se beneficiam de sua continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta coluna discutir\u00e1 brevemente os fundamentos te\u00f3ricos da pol\u00edtica monet\u00e1ria convencional, que tende a oferecer a mesma resposta a qualquer choque de pre\u00e7os. Em seguida, examinar\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o dos bancos centrais \u00e0 crise energ\u00e9tica de 2022, tanto nas economias centrais quanto nos pa\u00edses latino-americanos com regimes de metas de infla\u00e7\u00e3o consolidados\u2014segundo a <a href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/fe2fe9bb-4f85-4791-97bd-4e7cb154c3f4\/content\">classifica\u00e7\u00e3o da CEPAL<\/a>, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Peru. O objetivo \u00e9 esclarecer a din\u00e2mica da conjuntura atual e indicar os riscos da persist\u00eancia na mesma estrat\u00e9gia ao longo dos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Infla\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, a teoria<strong> <\/strong>econ\u00f4mica dominante fornece justificativa para pol\u00edticas monet\u00e1rias nocivas \u00e0 classe trabalhadora ao se apoiar em uma interpreta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da infla\u00e7\u00e3o sintetizada na chamada \u201cCurva de Phillips\u201d. No <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1468-0335.1958.tb00003.x\">artigo de 1958<\/a> que deu origem a esse debate, o economista A. W. Phillips n\u00e3o estava preocupado com a infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, mas sim com a rela\u00e7\u00e3o entre desemprego e varia\u00e7\u00f5es salariais. Sua an\u00e1lise partia de um argumento bastante plaus\u00edvel: baixos n\u00edveis de desemprego fortalecem o poder de barganha dos trabalhadores, criando condi\u00e7\u00f5es para aumentos salariais. \u201cQuando a demanda por trabalho \u00e9 alta e h\u00e1 pouqu\u00edssimos desempregados\u201d, escreveu Phillips, \u201cdevemos esperar que os empregadores elevem os sal\u00e1rios rapidamente, j\u00e1 que cada empresa e cada setor s\u00e3o continuamente tentados a oferecer um pouco acima da m\u00e9dia vigente para atrair os trabalhadores mais capacitados de outras empresas e setores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1960, quando <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/pdf\/1815021.pdf\">Paul Samuelson e Robert Solow<\/a> batizaram a curva em homenagem a Phillips, introduziram uma altera\u00e7\u00e3o decisiva na an\u00e1lise. A rela\u00e7\u00e3o que passaram a investigar j\u00e1 n\u00e3o era entre desemprego e infla\u00e7\u00e3o salarial, mas entre desemprego e infla\u00e7\u00e3o, entendida como aumento generalizado do n\u00edvel de pre\u00e7os. A hip\u00f3tese subjacente era que, sempre que mercados de trabalho aquecidos pressionassem os sal\u00e1rios nominais para cima, as empresas simplesmente repassariam esses custos aos pre\u00e7os. Nesse modelo, o poder dos trabalhadores de apropriar uma parcela maior da renda seria efetivamente contido pelo poder de mercado das empresas. De maneira crucial, consolidou-se a ideia de que a infla\u00e7\u00e3o seria, em ess\u00eancia, causada pela eleva\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esclarecer melhor esse contraste, vale recorrer \u00e0 formula\u00e7\u00e3o alternativa proposta por Richard Goodwin em 1967. O <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-1-349-05504-3_12\">modelo<\/a> de Goodwin retomava a rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica originalmente observada por Phillips (entre desemprego e sal\u00e1rios), abstraindo varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os. O resultado mostrava que, em per\u00edodos de expans\u00e3o econ\u00f4mica, quando o ex\u00e9rcito industrial de reserva era reduzido, os trabalhadores comprimiam os lucros. A crise subsequente restaurava a popula\u00e7\u00e3o excedente de trabalhadores e, assim, a rentabilidade. Nessa leitura, ciclos econ\u00f4micos aparecem como ciclos de lucratividade e desemprego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas economias capitalistas contempor\u00e2neas, abstrair completamente da infla\u00e7\u00e3o, como fez Goodwin, seria um equ\u00edvoco, j\u00e1 que as disputas distributivas se refletem, ao menos parcialmente, nas varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os. Mas a Curva de Phillips de Samuelson e Solow vai longe demais na dire\u00e7\u00e3o oposta, descartando a possibilidade de que os trabalhadores elevem seus sal\u00e1rios reais e, assim, eliminando da an\u00e1lise as compress\u00f5es c\u00edclicas da lucratividade. Isso abriu caminho para o argumento de que n\u00e3o haveria preju\u00edzo aos trabalhadores quando pol\u00edticas anti-inflacion\u00e1rias operassem por meio do mercado de trabalho, j\u00e1 que qualquer tentativa de pressionar por sal\u00e1rios mais altos seria inevitavelmente anulada pela infla\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Samuelson e Solow escreviam em uma \u00e9poca em que macroeconomistas acreditavam que seu principal desafio era garantir o pleno emprego. A sombra do desemprego em massa dos anos 1930\u2014e de suas consequ\u00eancias pol\u00edticas, sobretudo o fascismo\u2014permanecia viva na mem\u00f3ria social. Com a Curva de Phillips, os autores sugeriram que o pleno emprego era alcan\u00e7\u00e1vel, mas talvez implicasse um custo em termos de infla\u00e7\u00e3o. Os formuladores de pol\u00edtica econ\u00f4mica teriam, segundo eles, um \u201c<a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/pdf\/1815021.pdf\">card\u00e1pio de escolhas<\/a>\u201d: baixo desemprego com infla\u00e7\u00e3o mais alta, ou baixa infla\u00e7\u00e3o com desemprego mais elevado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim dos anos 1960, <a href=\"https:\/\/www.aeaweb.org\/aer\/top20\/58.1.1-17.pdf\">Milton Friedman<\/a> e <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/2552025\">Edmund Phelps<\/a> contestaram essa vis\u00e3o, argumentando que, uma vez que os governos passassem a explorar esse \u201ccard\u00e1pio\u201d, as expectativas de infla\u00e7\u00e3o se ajustariam e a pr\u00f3pria infla\u00e7\u00e3o tenderia a aumentar. O trabalho da dupla marcou o abandono do pleno emprego como objetivo da gest\u00e3o macroecon\u00f4mica. A partir da\u00ed, ganhou for\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que o desemprego deveria permanecer pr\u00f3ximo de sua \u201c<a href=\"https:\/\/www.aeaweb.org\/aer\/top20\/58.1.1-17.pdf\">taxa natural<\/a>\u201d, nos termos de Friedman. Um certo n\u00edvel de desemprego passou a ser visto como inevit\u00e1vel, ou, ao menos, estrangeiro ao escopo da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica. Para reduzir essa \u201ctaxa natural\u201d, os governos precisariam recorrer a outros instrumentos, sobretudo o enfraquecimento dos direitos trabalhistas. A inflex\u00e3o foi profunda: a estabilidade de pre\u00e7os substituiu o pleno emprego como prioridade da pol\u00edtica econ\u00f4mica, enquanto a pol\u00edtica de emprego passou a se confundir com reformas do mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/journal-of-the-history-of-economic-thought\/article\/abs\/friedmans-nobel-lecture-and-the-phillips-curve-myth\/53838048E89566D2757A43A488439814\">guinada<\/a> friedmaniana da pol\u00edtica monet\u00e1ria consolidou uma vis\u00e3o restrita da infla\u00e7\u00e3o, baseada na ideia, herdada da Curva de Phillips de Samuelson e Solow, de que aumentos salariais seriam seu principal motor. O regime de <a href=\"https:\/\/www.aeaweb.org\/articles?id=10.1257\/jep.11.2.97\">metas de infla\u00e7\u00e3o<\/a> que se tornou hegem\u00f4nico nos anos 2000\u2014isto \u00e9, o modelo no qual bancos centrais alteram as taxas de juros para tentar atingir uma meta de infla\u00e7\u00e3o previamente definida\u2014foi constru\u00eddo precisamente sobre essa teoria. Nessa perspectiva, toda vez que a infla\u00e7\u00e3o sobe, ainda que impulsionada, por exemplo, por um choque externo nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 elevar o desemprego para reduzir a infla\u00e7\u00e3o salarial e, assim, trazer a infla\u00e7\u00e3o de volta \u00e0 meta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma <a href=\"https:\/\/www.nber.org\/system\/files\/working_papers\/w32532\/w32532.pdf\">contribui\u00e7\u00e3o<\/a> recente de grande impacto, Olivier Blanchard e Ben Bernanke afirmaram que \u201ca infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo da pandemia foi causada principalmente por disrup\u00e7\u00f5es na oferta e por fortes aumentos nos pre\u00e7os de alimentos e energia\u201d. Ainda assim, as implica\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica que os autores extraem desse diagn\u00f3stico parecem curiosamente inalteradas: \u201co retorno da infla\u00e7\u00e3o \u00e0 meta pode exigir um per\u00edodo de desemprego modestamente mais elevado\u201d. Embora n\u00e3o interpretem a infla\u00e7\u00e3o recente como o proverbial prego da demanda excessiva, n\u00e3o conseguem deixar de defender como solu\u00e7\u00e3o o martelo das altas de juros produtoras de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a infla\u00e7\u00e3o fosse normalmente causada por mercados de trabalho excessivamente aquecidos, o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o funcionaria razoavelmente bem segundo seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios. Mas, em um contexto em que a infla\u00e7\u00e3o decorre de forma muito mais evidente de <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/icc\/dtad080\">choques de oferta<\/a>\u2014geopol\u00edticos, <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/review\/r220317b.htm\">clim\u00e1ticos<\/a> ou sanit\u00e1rios, por exemplo\u2014, os limites da teoria inflacion\u00e1ria tradicional tornam-se mais vis\u00edveis, e a necessidade de abordagens te\u00f3ricas e pol\u00edticas alternativas se torna mais urgente. Uma possibilidade seria analisar a infla\u00e7\u00e3o a partir de seus quatro principais vetores, como <a href=\"https:\/\/www.nber.org\/system\/files\/working_papers\/w32532\/w32532.pdf\">sugerem<\/a> Lance Taylor e Nelson Barbosa-Filho: custos salariais, lucros, pre\u00e7os de importa\u00e7\u00e3o e impostos indiretos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 compreendida dessa maneira, torna-se poss\u00edvel imaginar uma variedade de pol\u00edticas para enfrentar crises do petr\u00f3leo e outros choques de pre\u00e7os: da taxa\u00e7\u00e3o de lucros extraordin\u00e1rios \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o do setor energ\u00e9tico; de controles seletivos de pre\u00e7os a estrat\u00e9gias planejadas de descarboniza\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o passa, ent\u00e3o, a ser pol\u00edtica: como o aumento do custo do petr\u00f3leo ser\u00e1 distribu\u00eddo entre trabalhadores, ind\u00fastrias dependentes de energia, petroleiras e o Estado? N\u00e3o h\u00e1 resposta simples. Ainda assim, uma combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas cuidadosamente desenhadas poderia atenuar os efeitos dos choques sobre os grupos mais vulner\u00e1veis, ao mesmo tempo em que ampliaria a resili\u00eancia de longo prazo da economia e contribuiria para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Culpando a v\u00edtima<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como as economias centrais reagiram, em 2022, ao choque energ\u00e9tico desencadeado pela invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e pelas san\u00e7\u00f5es subsequentes impostas \u00e0 R\u00fassia? Diante da acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o provocada pelas disrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de oferta durante a pandemia, os bancos centrais inicialmente tentaram ganhar tempo, apostando em uma revers\u00e3o r\u00e1pida do problema. Sabiam que a taxa de juros, seu instrumento tradicional, era pouco adequada para lidar com aquela situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, temiam que um aumento dos juros em meio \u00e0 fr\u00e1gil recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia desencadeasse uma queda abrupta nos pre\u00e7os dos ativos, amea\u00e7ando a estabilidade financeira. Depois de mais de uma d\u00e9cada <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1468-0297.2012.02551.x\">comprando ativos em larga escala<\/a> para evitar a defla\u00e7\u00e3o quando os juros haviam atingido o chamado \u201climite inferior zero\u201d, os bancos centrais se viam agora administrando mais uma bolha de ativos e compelidos a atuar como <a href=\"https:\/\/transformative-responses.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/TR_Report_Gabor_FINAL.pdf\">formadores de mercado de \u00faltima inst\u00e2ncia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele momento, por\u00e9m, um poderoso bloco deflacion\u00e1rio mobilizou defensores da ortodoxia monet\u00e1ria para pressionar os bancos centrais a agir. O argumento era que uma rea\u00e7\u00e3o lenta poderia desancorar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o, mantidas est\u00e1veis por d\u00e9cadas de ades\u00e3o disciplinada ao regime de metas. Uma vez perdida essa \u00e2ncora, pre\u00e7os e sal\u00e1rios entrariam em uma espiral ascendente, repetindo a estagfla\u00e7\u00e3o dos anos 1970, e o controle da infla\u00e7\u00e3o seria perdido. Al\u00e9m da gest\u00e3o das expectativas, afirmavam, uma pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva seria necess\u00e1ria para conter os efeitos secund\u00e1rios do choque nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, impedindo sua dissemina\u00e7\u00e3o por toda a economia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Argumentos t\u00e9cnicos dessa natureza ignoravam a inadequa\u00e7\u00e3o da taxa de juros para lidar com esse tipo de choque. Afinal, juros mais altos em Nova York, Londres ou Frankfurt n\u00e3o colocariam fim \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia e, portanto, seriam incapazes de enfrentar a origem \u00faltima da infla\u00e7\u00e3o. Tampouco teriam efeito significativo sobre a demanda por energia a ponto de moderar a alta dos pre\u00e7os. Insistir em uma pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva como resposta a um choque de oferta significava, essencialmente, administrar a m\u00e9dia: como n\u00e3o se esperava que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s recuassem, trazer a infla\u00e7\u00e3o de volta \u00e0 meta exigia que os pre\u00e7os dos demais bens e servi\u00e7os fossem reduzidos em termos reais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como discutido anteriormente, esse ajuste deveria ocorrer por meio do mercado de trabalho. O objetivo era elevar o desemprego e enfraquecer o poder de barganha dos trabalhadores, que arcariam com o custo do ajuste enquanto as margens de lucro permaneceriam relativamente protegidas. Uma vez que seus efeitos tendem a ser profundamente impopulares, essa estrat\u00e9gia desinflacion\u00e1ria raramente era reconhecida explicitamente. Mas houve exce\u00e7\u00f5es. Em 2022, Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra, afirmou que os trabalhadores precisavam contribuir para o esfor\u00e7o de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o atenuando suas reivindica\u00e7\u00f5es salariais. Sem \u201cmodera\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es salariais\u201d, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2022\/feb\/04\/bank-of-england-boss-calls-for-wage-restraint-to-help-control-inflation\">disse ele<\/a>, a infla\u00e7\u00e3o \u201csair\u00e1 do controle\u201d. Culpando a v\u00edtima?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que os governos n\u00e3o deixaram a tarefa exclusivamente nas m\u00e3os dos bancos centrais. Em muitos pa\u00edses, um conjunto de medidas foi adotado para amortecer o choque. O Reino Unido e a Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, <a href=\"https:\/\/iea.blob.core.windows.net\/assets\/830fe099-5530-48f2-a7c1-11f35d510983\/WorldEnergyOutlook2022.pdf\">impuseram tetos de pre\u00e7os de energia<\/a>, com o governo brit\u00e2nico financiando parte desses subs\u00eddios por meio da taxa\u00e7\u00e3o dos lucros extraordin\u00e1rios das petroleiras. Ainda assim, prevaleceram os defensores da ortodoxia anti-inflacion\u00e1ria, e os efeitos dessas pol\u00edticas foram, em grande medida, anulados pelas tradicionais altas de juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meados de 2023, pouco mais de um ano ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, a taxa b\u00e1sica de juros nos Estados Unidos e no Reino Unido havia saltado de pouco acima de zero para 5%. Na zona do euro, os juros atingiram 4%, patamar sem precedentes desde a cria\u00e7\u00e3o da moeda comum. Os efeitos sobre o mercado de trabalho eram previs\u00edveis: nos Estados Unidos, a taxa de desemprego passou a subir a partir de 2023, enquanto no Reino Unido continuou a trajet\u00f3ria de alta iniciada no ano anterior. Os banqueiros centrais voltavam, mais uma vez, a honrar o legado de Friedman e Phelps.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para\u00edso dos rentistas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A brusca contra\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria inaugurou um novo momento de retra\u00e7\u00e3o no ciclo financeiro global. Em cen\u00e1rios como esse, argumentava Adam Tooze \u00e0 \u00e9poca, a pol\u00edtica monet\u00e1ria passa a operar sob uma esp\u00e9cie de \u201c<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2022\/10\/04\/opinion\/the-all-too-real-risk-of-a-global-recession.html\">efeito manada<\/a>\u201d: \u201cquando o Fed se move e o d\u00f3lar se fortalece, outros pa\u00edses ou elevam suas taxas de juros ou enfrentam uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, o que alimenta ainda mais a infla\u00e7\u00e3o\u201d. Desta vez, por\u00e9m, assistiu-se a nada menos que \u201co aperto monet\u00e1rio mais abrangente que o mundo j\u00e1 viu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina, os adeptos do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/en\/publications\/80596-economic-survey-latin-america-and-caribbean-2024-low-growth-trap-climate-change\">reagiram prontamente<\/a>. No Peru e no Chile, as taxas b\u00e1sicas de juros, que estavam abaixo de 1% no p\u00f3s-Covid, saltaram para, respectivamente, 7,75% e 11,25% em 2023. No Brasil e na Col\u00f4mbia, o piso p\u00f3s-pandemia havia sido um pouco mais alto, 2% e 1,75%, respectivamente, mas o aperto monet\u00e1rio levou as taxas para acima de 13% em 2023. No M\u00e9xico, os juros subiram de 4% para 11,25%. Em certo sentido, a estrat\u00e9gia pareceu funcionar, embora a um custo fiscal e distributivo enorme. Enquanto o d\u00f3lar se valorizava globalmente em 2022, atingindo <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/blogs\/articles\/2023\/07\/19\/emerging-market-economies-bear-the-brunt-of-a-stronger-dollar\">o maior n\u00edvel em vinte anos<\/a>, o real brasileiro, o peso mexicano e o sol peruano <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/blogs\/articles\/2022\/10\/14\/how-countries-should-respond-to-the-strong-dollar\">contrariaram a tend\u00eancia<\/a>, fortalecendo-se frente \u00e0 moeda americana. No Chile e na Col\u00f4mbia, as moedas se desvalorizaram, mas em grau menor do que em muitas outras economias perif\u00e9ricas. Ao evitar desvaloriza\u00e7\u00f5es cambiais mais acentuadas, essas economias latino-americanas colheram benef\u00edcios em termos inflacion\u00e1rios. Entre 2021 e 2022, a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia caiu no Brasil, subiu apenas moderadamente no M\u00e9xico e no Peru e s\u00f3 atingiu dois d\u00edgitos no Chile e na Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas economias centrais, juros mais elevados tendem a reduzir o cr\u00e9dito, desacelerar o consumo e o investimento e enfraquecer o mercado de trabalho. J\u00e1 na periferia, taxas de juros estruturalmente mais elevadas, mercados de cr\u00e9dito segmentados e a menor centralidade do endividamento fazem com que esse canal de transmiss\u00e3o seja mais fraco. Nesses casos, a pol\u00edtica monet\u00e1ria busca afetar a infla\u00e7\u00e3o principalmente por meio da <a href=\"https:\/\/www.phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/a-economia-politica-da-inflacao-brasileira\/\">taxa de c\u00e2mbio<\/a>, administrando os fluxos de entrada e sa\u00edda de capital. De fato, segundo <a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/en\/publications\/80596-economic-survey-latin-america-and-caribbean-2024-low-growth-trap-climate-change\">estimativas da CEPAL<\/a>, a desinfla\u00e7\u00e3o no Brasil e no M\u00e9xico ocorreu entre 2022 e 2024 sem desacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. Na Col\u00f4mbia e no Chile, por outro lado, a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial pressionou a demanda para baixo, reduzindo a infla\u00e7\u00e3o da maneira mais convencional. (O Peru foi a exce\u00e7\u00e3o nesse caso: evitou uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o, mas enfrentou desacelera\u00e7\u00e3o da atividade.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, sup\u00f5e-se que um aumento das taxas de juros tenha impacto negativo sobre os ativos de detentores de d\u00edvida p\u00fablica, j\u00e1 que reduz o valor de mercado dos t\u00edtulos existentes com taxas prefixadas. No caso brasileiro, por\u00e9m, uma parcela significativa dos t\u00edtulos p\u00fablicos possui remunera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-fixada, fazendo com que sejam <a href=\"https:\/\/www.phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/a-jabuticaba-financeira\/\">beneficiados pelo aperto monet\u00e1rio<\/a>. Al\u00e9m disso, a manuten\u00e7\u00e3o estrutural de taxas de juros extraordinariamente elevadas cria oportunidades abundantes para que os mais ricos capturem parcelas cada vez maiores das receitas tribut\u00e1rias. Assim, em economias financeiramente subordinadas, quando a pol\u00edtica monet\u00e1ria conseguiu defender o valor da moeda ap\u00f3s o choque de 2022, os trabalhadores acabaram sendo expropriados direta e indiretamente pela classe rentista, mesmo sem um enfraquecimento significativo do mercado de trabalho. Para enfrentar choques de pre\u00e7os sem reproduzir efeitos t\u00e3o destrutivos, as economias latino-americanas precisar\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/refem-do-antigo-consenso\/\">administrar suas contas de capital<\/a> de forma a limitar sua vulnerabilidade ao ciclo financeiro global.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ormuz e os ricos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resta saber se, em termos de infla\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o, 2026 lembrar\u00e1 2022. A magnitude do choque provocado pelos bloqueios do Estreito de Ormuz parece maior do que a da guerra na Ucr\u00e2nia. A extens\u00e3o de seus efeitos depender\u00e1 tanto da dura\u00e7\u00e3o dos bloqueios quanto da forma como os governos responder\u00e3o \u00e0 disrup\u00e7\u00e3o em curso. Do ponto de vista dos pre\u00e7os de bens de relev\u00e2ncia sist\u00eamica, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel: assim que os ataques come\u00e7aram, em mar\u00e7o, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo ultrapassou os 100 d\u00f3lares, exatamente como ocorreu em 2022. E n\u00e3o se trata <a href=\"https:\/\/www.newstatesman.com\/international-politics\/geopolitics\/2026\/03\/the-world-energy-shock-is-coming\">apenas do petr\u00f3leo<\/a>. A oferta de g\u00e1s natural, fertilizantes, h\u00e9lio, enxofre e diversas outras commodities tamb\u00e9m foi fortemente afetada. A alta dos pre\u00e7os voltar\u00e1 a colocar a quest\u00e3o de se o regime convencional de metas de infla\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de lidar com esse tipo de choque. Se os bancos centrais conclu\u00edrem que sim, \u00e9 prov\u00e1vel que interrompam o ciclo de afrouxamento monet\u00e1rio iniciado em 2024 e, mais uma vez, transfiram o custo do ajuste para os trabalhadores, sem enfrentar nem a emerg\u00eancia imediata nem suas causas mais profundas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina, muito depender\u00e1 dos mercados cambiais. Mesmo economias como as do Brasil e do M\u00e9xico, que podem se beneficiar do aumento das receitas provenientes das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, podem ser desestabilizadas caso o choque provoque uma revers\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.nber.org\/system\/files\/working_papers\/w29327\/w29327.pdf\">ciclo financeiro global<\/a>. At\u00e9 agora, as moedas brasileira e colombiana se valorizaram, enquanto a peruana sofreu leve desvaloriza\u00e7\u00e3o. Turbul\u00eancias cambiais e desvaloriza\u00e7\u00f5es mais expressivas se concentraram no Chile e no M\u00e9xico. Se os bancos centrais das economias centrais optarem por uma nova contra\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, as press\u00f5es de desvaloriza\u00e7\u00e3o tendem a se espalhar por toda a regi\u00e3o, levando os bancos centrais latino-americanos a elevar novamente os juros e canalizar receitas tribut\u00e1rias arduamente conquistadas para os rentistas, enquanto os pobres pagam a conta de mais uma guerra distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto um cessar-fogo fr\u00e1gil e negocia\u00e7\u00f5es incertas mant\u00eam a guerra contra o Ir\u00e3 em um compasso de espera marcado por destrui\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria, pode parecer inadequado discutir os efeitos econ\u00f4micos do conflito sobre sociedades distantes da linha de frente. 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