{"id":32073,"date":"2026-03-19T10:07:19","date_gmt":"2026-03-19T10:07:19","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/uncategorized\/pintos-lesson\/"},"modified":"2026-05-29T05:48:25","modified_gmt":"2026-05-29T05:48:25","slug":"as-licoes-de-anibal-pinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/as-licoes-de-anibal-pinto\/","title":{"rendered":"As li\u00e7\u00f5es de An\u00edbal Pinto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ascens\u00e3o mundial da extrema direita na \u00faltima d\u00e9cada \u00e9 um fen\u00f4meno recente demais para ser compreendido em sua totalidade, mas o aprofundamento das diferen\u00e7as materiais no interior das classes trabalhadoras parece ter desempenhado um papel fundamental ao desmantelar a solidariedade hist\u00f3rica que um dia constituiu a base da pol\u00edtica de esquerda. Se a busca obstinada do capital pela <a href=\"https:\/\/www.penguin.co.uk\/books\/321857\/caliban-and-the-witch-by-federici-silvia\/9780241532539\">acumula\u00e7\u00e3o<\/a> de \u201cdivis\u00f5es e diferen\u00e7as dentro da classe trabalhadora\u201d n\u00e3o \u00e9 novidade, \u00e9 certo que se intensificou significativamente sob o neoliberalismo. No caso dos pa\u00edses ricos, Dylan Riley <a href=\"https:\/\/newleftreview.org\/sidecar\/posts\/first-principles\">sugeriu<\/a> recentemente que o problema \u201cn\u00e3o \u00e9 exatamente que os trabalhadores como um todo estejam se voltando para a direita, mas que a classe est\u00e1 fundamentalmente fragmentada em raz\u00e3o das diferen\u00e7as de interesses materiais decorrentes da posi\u00e7\u00e3o de mercado de suas partes constituintes\u201d: uma fragmenta\u00e7\u00e3o que foi muito bem instrumentalizada pelo movimento MAGA nos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais ao sul, a din\u00e2mica de divis\u00e3o entre as classes trabalhadoras \u00e9 um tema presente no debate pol\u00edtico h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo. A tradi\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica cr\u00edtica na Am\u00e9rica Latina tem muito a dizer sobre o assunto. Na d\u00e9cada de 1970, quando estava no auge na regi\u00e3o, uma preocupa\u00e7\u00e3o central era compreender como as caracter\u00edsticas setoriais da acumula\u00e7\u00e3o de capital afetavam a estrutura de classes e como as mudan\u00e7as nesta \u00faltima, por sua vez, condicionavam a pol\u00edtica de desenvolvimento. As mudan\u00e7as na estratifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho estavam no cerne das investiga\u00e7\u00f5es sobre a transforma\u00e7\u00e3o da estrutura econ\u00f4mica e suas implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Altas expectativas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele tempo, o desenvolvimento era entendido essencialmente como industrializa\u00e7\u00e3o.\u00a0A vis\u00e3o dominante foi apresentada por Arthur Lewis, que, em seu cl\u00e1ssico <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/j.1467-9957.1954.tb00021.x\">artigo<\/a> de 1954, reuniu uma s\u00e9rie de conceitos de outros economistas para criar um modelo unificado. Lewis se baseava na suposi\u00e7\u00e3o de que as economias perif\u00e9ricas se dividiam em dois setores: um capitalista e outro de subsist\u00eancia. O setor capitalista era definido pelo uso de \u201ccapital reprodut\u00edvel\u201d, enquanto o setor de subsist\u00eancia se referia ao vasto contingente de trabalhadores subempregados, de camponeses a trabalhadores urbanos tempor\u00e1rios e dom\u00e9sticos, que Lewis via como uma oferta \u201cilimitada\u201d de m\u00e3o de obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse quadro, desenvolvimento significava realocar m\u00e3o de obra do setor de subsist\u00eancia para o setor capitalista; ou seja, cultivar uma ind\u00fastria manufatureira e promover uma transforma\u00e7\u00e3o capitalista da agricultura camponesa. A principal barreira a essa realoca\u00e7\u00e3o era a acumula\u00e7\u00e3o de capital, j\u00e1 que, para poder empregar m\u00e3o de obra no setor capitalista, seria preciso construir f\u00e1bricas e comprar maquin\u00e1rio. Uma vez iniciado, no entanto, o processo tendia a ganhar ritmo. Como a m\u00e3o de obra era ilimitada, os capitalistas podiam contratar trabalhadores pagando pouco mais que a renda m\u00e9dia\u2014muito baixa\u2014do setor de subsist\u00eancia, de modo que os lucros tendiam a ser elevados. Os recursos para aumentar o estoque de capital, na vis\u00e3o de Lewis, viriam precisamente desses lucros. Da\u00ed o processo cumulativo: os lucros permitiam a acumula\u00e7\u00e3o de capital que, por sua vez, absorvia m\u00e3o de obra para o setor capitalista, aumentando ainda mais os lucros e, assim, acelerando a acumula\u00e7\u00e3o. \u201cUma vez que um setor capitalista passe a existir\u201d, <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/j.1467-9957.1954.tb00021.x\">escreveu<\/a> Lewis, \u201c\u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que ele se torne expressivo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em partes da periferia global, os dados sugerem que, pelo menos por um tempo, o \u201csetor capitalista\u201d realmente cresceu. Entre 1950 e 1960, por exemplo, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria manufatureira no PIB <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/dech.12169\">aumentou<\/a> de 19% para 30% no Brasil, de 15% para 19% em Taiwan e de 16% para 20% na \u00c1frica do Sul. O Brasil alcan\u00e7ou a participa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das \u201ceconomias avan\u00e7adas\u201d que, na d\u00e9cada de 1950, havia subido de 29% para 30%. Cerca de dez anos depois, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria manufatureira na <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/19452829.2023.2264005\">Am\u00e9rica Latina como um todo<\/a> se aproximou desse n\u00edvel. Entre os anos de 1950 e 1970, os pa\u00edses pioneiros (como Brasil, Coreia do Sul, Taiwan e Turquia) viram seus n\u00edveis de PIB per capita e de produtividade do trabalho <a href=\"https:\/\/global.oup.com\/academic\/product\/the-rise-of-the-rest-9780195170597?cc=gb&amp;lang=en&amp;\">reduzir<\/a> a dist\u00e2ncia que os separava daqueles registrados no n\u00facleo capitalista. Mas enquanto alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos conseguiram manter essa trajet\u00f3ria da d\u00e9cada de 1980 adiante, a Am\u00e9rica Latina passou a andar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tens\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As implica\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas do desenvolvimento j\u00e1 come\u00e7avam a preocupar os cepalinos nos anos 1960, duas d\u00e9cadas antes da regress\u00e3o econ\u00f4mica. Apesar do avan\u00e7o cont\u00ednuo da produ\u00e7\u00e3o industrial, sua capacidade de absorver o excedente de m\u00e3o de obra foi rapidamente reduzida. Em 1968, Albert Hirschman <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/1882243\">registrou<\/a> um \u201cdesencanto consider\u00e1vel\u201d com a industrializa\u00e7\u00e3o como \u201csolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o problema do desenvolvimento\u201d, observando, com certa ironia, que \u201cesperava-se que a industrializa\u00e7\u00e3o mudasse a ordem social, mas tudo que ela fez foi fornecer bens manufaturados!\u201d. A experi\u00eancia hist\u00f3rica, aparentemente, refutou a previs\u00e3o fundamental do modelo b\u00e1sico de Lewis (ainda que o pr\u00f3prio autor fosse mais cauteloso em alguns de seus escritos). Enquanto, segundo o modelo, o dualismo entre os setores capitalista e de subsist\u00eancia era um fen\u00f4meno transit\u00f3rio e, eventualmente, o primeiro acabaria absorvendo o segundo, na pr\u00e1tica, essa polaridade persistiu. O setor capitalista continuou a crescer, mas atraiu cada vez menos m\u00e3o de obra do setor de subsist\u00eancia. Isso fez com que a divis\u00e3o das classes trabalhadoras perif\u00e9ricas, fragmentadas entre trabalhadores assalariados e grupos marginalizados, se tornasse um problema permanente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1964, An\u00edbal Pinto <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/20855758\">comentou<\/a> o \u201ccar\u00e1ter agudamente desequilibrado\u201d do desenvolvimento econ\u00f4mico latino-americano, particularmente ilustrado pela \u201cmarginaliza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es rurais e das periferias urbanas\u201d. Alguns anos depois, <a href=\"https:\/\/books.google.cl\/books?id=0dJqDwAAQBAJ&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">voltou a falar<\/a> do crescimento da \u201cmassa marginalizada das periferias urbanas\u201d como \u201co fen\u00f4meno mais significativo das \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d. Em vez da absor\u00e7\u00e3o gradual do setor de subsist\u00eancia pelo setor capitalista, a expans\u00e3o das ind\u00fastrias capitalistas levou \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o das favelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1961, um <a href=\"https:\/\/webapps.ilo.org\/public\/libdoc\/ilo\/ILO-SR\/ILO-SR_NS62_engl.pdf\">relat\u00f3rio<\/a> da OIT sugeriu que um fator determinante desse \u201cproblema de emprego\u201d era a \u201cescolha de t\u00e9cnicas\u201d: a industrializa\u00e7\u00e3o era excessivamente intensiva em capital, incompat\u00edvel com a estrutura de recursos da periferia (a hist\u00f3ria de Aaron Benanav sobre os <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1017\/S1740022818000372\">esfor\u00e7os da OIT<\/a> para lidar com esse assunto vale a leitura). Em termos simples, isso significava que a ind\u00fastria manufatureira dependia excessivamente da mecaniza\u00e7\u00e3o, em vez de aproveitar a abund\u00e2ncia de m\u00e3o de obra. Enquanto a mecaniza\u00e7\u00e3o\u2014ou o \u201caprofundamento\u201d do capital\u2014era esperada em modelos como o de Solow, que partem da hip\u00f3tese de escassez de trabalho, Lewis <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/j.1467-9957.1954.tb00021.x\">sustentava<\/a> explicitamente que uma oferta ilimitada de m\u00e3o de obra permitiria um alargamento igualmente ilimitado do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No universo dos economistas convencionais, isso podia at\u00e9 soar coerente, mas colidia frontalmente com a trajet\u00f3ria concreta do desenvolvimento\u2014e, claro, com as previs\u00f5es de autores como Nicholas Kaldor (basta lembrar suas \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/dech.12169\">leis do crescimento<\/a>\u201d). \u00c0 medida que as chamin\u00e9s industriais se multiplicavam pela periferia, vinham acompanhadas de uma eleva\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o capital\/trabalho. N\u00e3o fazia sentido supor que fosse poss\u00edvel produzir a\u00e7o, autom\u00f3veis ou eletrodom\u00e9sticos com ferramentas rudimentares, substituindo m\u00e1quinas caras e instala\u00e7\u00f5es modernas por mais m\u00e3o de obra. A tecnologia, na pr\u00e1tica, era muito menos flex\u00edvel do que se imaginava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meados da d\u00e9cada de 1960, Celso Furtado <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/BF02800594\">revisou<\/a> o modelo de Lewis para levar em conta o car\u00e1ter intensivo em capital da industrializa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica. Para Furtado, era importante considerar as condi\u00e7\u00f5es de demanda enfrentadas pelo \u201csetor capitalista\u201d: a oferta ilimitada de m\u00e3o de obra implicava rendas estagnadas para a grande maioria, o que inviabilizava a forma\u00e7\u00e3o de um mercado de consumo de massa din\u00e2mico. Em contrapartida, as rendas apropriadas pelos mais ricos e pelos trabalhadores de colarinho branco tendiam a crescer de forma significativa, criando um mercado lucrativo para bens de luxo\u2014cuja produ\u00e7\u00e3o, intensiva em capital, reduzia a capacidade da industrializa\u00e7\u00e3o de transformar a estrutura geral do emprego. Em outras palavras, Furtado antecipava que o esgotamento da oferta ilimitada de trabalho seria indefinidamente adiado. Em seu modelo, a estagna\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios polarizava o mercado consumidor, direcionando a industrializa\u00e7\u00e3o para setores intensivos em capital, desacelerando a gera\u00e7\u00e3o de empregos e, assim, perpetuando a pr\u00f3pria estagna\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00e3o cr\u00edtica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cepalinos n\u00e3o se preocupavam apenas com os aspectos econ\u00f4micos da experi\u00eancia latino-americana, mas tamb\u00e9m com a turbul\u00eancia pol\u00edtica que ent\u00e3o tomava conta da regi\u00e3o. Os cinco anos entre a tomada do poder pelas for\u00e7as revolucion\u00e1rias em Cuba (1959) e o golpe militar no Brasil (1964) foram decisivos para a CEPAL, como <a href=\"https:\/\/www.hup.harvard.edu\/books\/9780674260498\">mostra<\/a> Margarita Fajardo. Sob press\u00e3o dos membros mais \u00e0 esquerda de sua equipe, Ra\u00fal Prebisch, ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo da comiss\u00e3o, concordou em criar uma miss\u00e3o t\u00e9cnica para assessorar o governo de Fidel Castro. O plano seguia a linha de miss\u00f5es anteriores da CEPAL na Argentina, no Brasil e no Chile, oferecendo capacita\u00e7\u00e3o em t\u00e9cnicas de planejamento e apoio \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas. A miss\u00e3o cubana, no entanto, revelou-se muito mais controversa, colocando a CEPAL no centro do confronto entre a ilha caribenha e os Estados Unidos. Preocupado desde o in\u00edcio com as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dessa atua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em 1960, sob press\u00e3o do Departamento de Estado dos EUA, Prebisch decidiu unilateralmente encerrar o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano seguinte, o governo dos Estados Unidos lan\u00e7ou um programa de ajuda \u00e0 Am\u00e9rica Latina, a Alian\u00e7a para o Progresso, em resposta \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. O objetivo era conter a dissemina\u00e7\u00e3o de movimentos revolucion\u00e1rios na regi\u00e3o. A CEPAL foi inicialmente convidada a contribuir com sua formula\u00e7\u00e3o e aceitou a tarefa. Mas, ainda que a comiss\u00e3o tenha sido rapidamente marginalizada, o dano reputacional j\u00e1 estava feito. Como <a href=\"https:\/\/www.hup.harvard.edu\/books\/9780674260498\">observa<\/a> Fajardo, a \u201cposi\u00e7\u00e3o [da CEPAL] havia se deslocado de aliada da revolu\u00e7\u00e3o [cubana] para parceira de for\u00e7as contrarrevolucion\u00e1rias, sobretudo ao se alinhar ao programa de ajuda externa dos Estados Unidos\u201d. A imagem da institui\u00e7\u00e3o foi transformada: de express\u00e3o de uma luta contra a desigualdade global, passou a ser vista como um obst\u00e1culo a mudan\u00e7as radicais e \u00e0 justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, no Brasil, Celso Furtado, que havia deixado a CEPAL alguns anos antes, dirigia a SUDENE, \u00f3rg\u00e3o voltado ao desenvolvimento da regi\u00e3o mais pobre do pa\u00eds. Limitado pela escassez de recursos, apostava na obten\u00e7\u00e3o de financiamento por meio da Alian\u00e7a para o Progresso. O governo americano, por\u00e9m, tinha outros planos, direcionando recursos para o que Furtado <a href=\"https:\/\/www.hup.harvard.edu\/books\/9780674260498\">qualificou<\/a> como \u201copera\u00e7\u00f5es de fachada\u201d. De maneira ainda mais significativa, \u00e0 medida que o governo brasileiro se inclinava \u00e0 esquerda para lidar com um quadro de intensifica\u00e7\u00e3o do conflito de classes, os recursos da Alian\u00e7a <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1017\/S0022216X14000029\">minguaram<\/a> e a CIA passou a apoiar um golpe militar. Pouco depois, Furtado foi for\u00e7ado ao ex\u00edlio, retornando \u00e0 CEPAL em Santiago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desacreditados junto \u00e0 esquerda e descartados pelo governo estadunidense, os cepalinos perderam influ\u00eancia e se tornaram mais vulner\u00e1veis a cr\u00edticas vindas de posi\u00e7\u00f5es mais radicais, abrindo espa\u00e7o para os te\u00f3ricos da depend\u00eancia. \u201cA Alian\u00e7a para o Progresso\u201d, observou An\u00edbal Pinto em uma <a href=\"https:\/\/www.bibliotecanacionaldigital.gob.cl\/visor\/BND:234892\">entrevista de 1971<\/a>, \u201cfoi o canto do cisne da estrat\u00e9gia de industrializa\u00e7\u00e3o, da reforma agr\u00e1ria moderada\u201d. \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Cubana [e] a estagna\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina precipitaram a reflex\u00e3o cr\u00edtica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estilos de desenvolvimento<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interpreta\u00e7\u00e3o de Celso Furtado sobre o vi\u00e9s favor\u00e1vel da industrializa\u00e7\u00e3o aos bens de luxo, formulada no p\u00f3s-golpe militar no Brasil, foi uma tentativa inicial de ajustar seu arcabou\u00e7o te\u00f3rico \u00e0 experi\u00eancia da derrota pol\u00edtica. An\u00edbal Pinto, que havia dirigido o escrit\u00f3rio da CEPAL no Brasil na primeira metade dos anos 1960, acompanhou essa derrota de perto. Sua primeira rea\u00e7\u00e3o, em um <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/20855758\">artigo<\/a> publicado em 1964 sob o pseud\u00f4nimo \u201c<em>Espartaco<\/em>\u201d, foi enfatizar as din\u00e2micas pol\u00edticas, e n\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, que levaram \u00e0 tomada de poder. O ponto de partida era o argumento de Vladimir Lenin de que uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria exige tanto uma crise profunda da ordem vigente quanto um instrumento pol\u00edtico capaz de explor\u00e1-la, apoiado por uma parcela significativa das classes trabalhadoras. Para Pinto, a aus\u00eancia de tal instrumento no Brasil foi o que permitiu a interven\u00e7\u00e3o militar e a preserva\u00e7\u00e3o da ordem dominante. Isso decorreria, segundo ele, da incapacidade dos partidos de esquerda de lidar com o car\u00e1ter fragmentado das classes trabalhadoras. O Partido Comunista n\u00e3o havia alcan\u00e7ado o novo proletariado industrial nem as periferias urbanas, enquanto \u201co movimento pol\u00edtico nas \u00e1reas rurais permaneceu fragment\u00e1rio e espor\u00e1dico, sem conseguir se integrar organicamente \u00e0 fr\u00e1gil m\u00e1quina pol\u00edtica da esquerda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1970, de volta a Santiago para dirigir a Divis\u00e3o de Desenvolvimento da CEPAL, Pinto passou a se concentrar no conceito de \u201c<a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/20856116\">heterogeneidade estrutural<\/a>\u201d, resultado da \u201cgrande contradi\u00e7\u00e3o\u201d do modelo de desenvolvimento latino-americano sobre a qual Furtado havia escrito. A Am\u00e9rica Latina tentou reproduzir a estrutura produtiva da \u201csociedade de consumo opulento\u201d do centro capitalista em n\u00edveis muito inferiores de renda per capita. O resultado foi um crescimento cada vez mais dependente do consumo dos muito ricos, na aus\u00eancia de um mercado de massa capaz de absorver os bens produzidos. Ecoando Furtado, Pinto argumentou que isso implicava uma revers\u00e3o da tend\u00eancia esperada \u00e0 homogeneiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em termos de renda e produtividade: \u201ca capacidade de difus\u00e3o ou de est\u00edmulo do \u2018setor moderno\u2019 revelou-se, no m\u00ednimo, muito mais fraca do que o esperado. Assim, em vez de um avan\u00e7o rumo \u00e0 \u2018homogeneiza\u00e7\u00e3o\u2019 de toda a estrutura, observa-se um aprofundamento de sua heterogeneidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da metade dos anos 1960 \u00e0 metade dos anos 1970, algumas economias latino-americanas mostraram que, apesar de sua \u201cgrande contradi\u00e7\u00e3o\u201d, esse modelo podia se sustentar\u2014ao menos do ponto de vista do capital. Embora o processo cumulativo reproduzisse as fraturas nas classes trabalhadoras, impedindo o esgotamento da oferta ilimitada de m\u00e3o de obra, ele n\u00e3o conduziu \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o, como Furtado supunha. No in\u00edcio dos anos 1970, sob a orienta\u00e7\u00e3o de An\u00edbal Pinto, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares e Jos\u00e9 Serra <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/20856243\">analisaram<\/a> o chamado milagre econ\u00f4mico brasileiro\u2014o rompante de crescimento promovido pela ditadura militar\u2014como uma refuta\u00e7\u00e3o do estagnacionismo de Furtado. \u201cO capitalismo brasileiro se desenvolve de forma satisfat\u00f3ria\u201d, escreveram, enquanto \u201ca maioria da popula\u00e7\u00e3o permanece em condi\u00e7\u00f5es de grande priva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, resultado, sobretudo, do dinamismo do sistema, ou melhor, do tipo de dinamismo que o caracteriza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Furtado n\u00e3o havia considerado seriamente a possibilidade de que a Am\u00e9rica Latina pudesse continuar a crescer e se industrializar sem enfrentar a marginaliza\u00e7\u00e3o persistente da maior parte de sua popula\u00e7\u00e3o. Coube a Tavares, Serra e, sobretudo, Pinto separar o processo cumulativo por ele identificado da estagna\u00e7\u00e3o que havia previsto. N\u00e3o se tratava necessariamente de um c\u00edrculo vicioso de baixo crescimento; podia antes assumir a forma de uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/1884627\">espiral concentradora<\/a>, gerando elevadas taxas de acumula\u00e7\u00e3o de capital. Em seu c\u00e9lebre <a href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/2d75eb60-12b0-4d6c-8352-771a8a42e702\/content\">artigo de 1976<\/a> sobre \u201cestilos de desenvolvimento\u201d, Pinto exp\u00f4s sistematicamente esse argumento. Assim como Lewis havia sistematizado o otimismo dos anos 1950, duas d\u00e9cadas depois, Pinto fez o mesmo com o desencanto e a experi\u00eancia da derrota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00edbal Pinto definia \u201cestilo de desenvolvimento\u201d como um processo cumulativo entre as estruturas de demanda (o padr\u00e3o de consumo e a distribui\u00e7\u00e3o de renda) e de oferta (a composi\u00e7\u00e3o setorial da produ\u00e7\u00e3o e do emprego). Um aumento significativo da desigualdade\u2014 como o promovido pela ditadura brasileira, ao comprimir o sal\u00e1rio m\u00ednimo e reprimir os sindicatos\u2014deslocava o padr\u00e3o de consumo em dire\u00e7\u00e3o aos bens de luxo (que, \u00e0 \u00e9poca, inclu\u00edam autom\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos). Os dados apresentados pelo autor <a href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/server\/api\/core\/bitstreams\/2d75eb60-12b0-4d6c-8352-771a8a42e702\/content\">indicavam<\/a> que, em 1970, 85% dos ve\u00edculos na Am\u00e9rica Latina eram vendidos ao 10% mais rico da popula\u00e7\u00e3o, assim como 74% dos m\u00f3veis e 50% dos equipamentos el\u00e9tricos e mec\u00e2nicos. O aspecto mais importante de um estilo de desenvolvimento, portanto, era \u201cpara quem\u201d ele produzia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse padr\u00e3o de consumo enviesado se traduzia na estrutura setorial da produ\u00e7\u00e3o e do emprego: frente ao ritmo de crescimento, poucos empregos eram gerados, enquanto as posi\u00e7\u00f5es gerenciais se expandiam de forma desproporcional. Como resultado, a polariza\u00e7\u00e3o da renda se aprofundava\u2014de um lado, a maioria com sal\u00e1rios estagnados; de outro, uma minoria de capitalistas e profissionais integrados\u2014e o ciclo se renovava. Esse estilo de desenvolvimento constitu\u00eda \u201cum fen\u00f4meno cumulativo que refor\u00e7a progressivamente as tend\u00eancias \u00e0 maior\u2026 desigualdade\u201d. Em uma simula\u00e7\u00e3o apresentada ao final do artigo, Pinto indicava que a continuidade desse estilo reduziria a parcela da for\u00e7a de trabalho latino-americana subempregada de 53% para 45% entre 1970 e 2000. Nesse ritmo, o esgotamento da oferta ilimitada de m\u00e3o de obra s\u00f3 ocorreria em meados do s\u00e9culo XXII.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-29605\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Marxista keynesiano<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rejeitando o catastrofismo que <a href=\"https:\/\/books.google.cl\/books?id=0dJqDwAAQBAJ&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">atribu\u00eda<\/a> a alguns te\u00f3ricos da depend\u00eancia, An\u00edbal Pinto insistia em tra\u00e7ar alternativas poss\u00edveis. Mas, como analista pol\u00edtico cuidadoso (al\u00e9m de economista), n\u00e3o as avaliava apenas do ponto de vista t\u00e9cnico. Ao contr\u00e1rio, discutia longamente as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que poderiam viabiliz\u00e1-las\u2014gostava de evocar a famosa passagem de Karl Marx em <em>O 18 Brum\u00e1rio<\/em>, segundo a qual os homens fazem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, mas diante das circunst\u00e2ncias com que se defrontam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1968, por exemplo, o autor havia oferecido uma <a href=\"https:\/\/books.google.cl\/books?id=0dJqDwAAQBAJ&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">an\u00e1lise de classe<\/a> detalhada do caso chileno, mapeando as diferentes fra\u00e7\u00f5es das classes dominantes e trabalhadoras e examinando com cuidado os obst\u00e1culos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma maioria popular. Quando Salvador Allende foi eleito presidente em 1970 e iniciou a constru\u00e7\u00e3o da \u201cvia chilena ao socialismo\u201d, Pinto <a href=\"https:\/\/www.bibliotecanacionaldigital.gob.cl\/visor\/BND:234892\">observou<\/a> que \u201cAllende captou com grande clareza as tarefas fundamentais\u201d, acrescentando que estava \u201cimpressionado com a seriedade do processo chileno e de seus dirigentes, por sua rejei\u00e7\u00e3o ao populismo e \u00e0s solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis\u201d. <a href=\"https:\/\/books.google.cl\/books?id=0dJqDwAAQBAJ&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">Interpretou<\/a> a elei\u00e7\u00e3o de Allende como a chegada ao poder da fra\u00e7\u00e3o organizada das classes trabalhadoras e argumentou que a quest\u00e3o decisiva para o futuro do Chile era saber se a esquerda conseguiria cumprir a \u201ctarefa hist\u00f3rica\u201d da \u201cincorpora\u00e7\u00e3o real\u201d das massas marginalizadas \u00e0 sociedade. A resposta, como se sabe, foi interrompida pelo golpe de Augusto Pinochet em 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tipo de estudo, voltado \u00e0 din\u00e2mica das estruturas de classe nas sociedades perif\u00e9ricas e \u00e0s suas implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, hoje, \u00e9 geralmente associado aos te\u00f3ricos da depend\u00eancia. No entanto, Pinto <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/20855681\">j\u00e1 o desenvolvia desde 1963<\/a>, paralelamente a seus trabalhos sobre heterogeneidade estrutural e estilos de desenvolvimento. A import\u00e2ncia de conceituar estilos de desenvolvimento estava em oferecer uma forma de analisar, de maneira articulada, as caracter\u00edsticas setoriais da acumula\u00e7\u00e3o de capital (com suas implica\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas) e a transforma\u00e7\u00e3o da estrutura de classes e da luta de classes\u2014reunindo, assim, o que havia de mais potente nas formula\u00e7\u00f5es dos cepalinos e dos dependentistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abordagem de Pinto, em outras palavras, aponta para uma sofisticada economia pol\u00edtica do desenvolvimento, que realmente leva a s\u00e9rio tanto a pol\u00edtica quanto a economia\u2014algo cada vez mais raro, \u00e0 medida que a especializa\u00e7\u00e3o disciplinar tende a esterilizar o pensamento cr\u00edtico. Ao descrever sua forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, Pinto dizia ser \u201c<a href=\"https:\/\/www.bibliotecanacionaldigital.gob.cl\/visor\/BND:234892\">uma esp\u00e9cie de marxista keynesiano<\/a>\u201d e que, para ele e sua gera\u00e7\u00e3o, o pensamento da CEPAL oferecia uma \u201cgrande perspectiva para a interpreta\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno latino-americano\u201d. Seus disc\u00edpulos perceberam o potencial dessa combina\u00e7\u00e3o e souberam explor\u00e1-lo. \u201cTodo o meu pensamento her\u00e9tico\u201d, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.15446\/cuad.econ.v40n84.88471\">disse<\/a> Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares, \u201ceu herdei dele.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A for\u00e7a do legado de An\u00edbal Pinto se manifestou em algumas an\u00e1lises da chamada \u201cOnda Rosa\u201d latino-americana dos anos 2000 e in\u00edcio dos anos 2010, que recorreram \u00e0 tese dos estilos de desenvolvimento para examinar o padr\u00e3o setorial de acumula\u00e7\u00e3o e suas implica\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas, distributivas e pol\u00edticas. <a href=\"https:\/\/ideas.repec.org\/p\/spa\/wpaper\/2017wpecon29.html\">Estudos<\/a> <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/cje\/bez030\">sobre os casos<\/a> <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.25501\/SOAS.00030985\">do Brasil e da Argentina<\/a> identificaram uma espiral desconcentradora na qual, de forma paradoxal, a queda da desigualdade salarial e a regress\u00e3o estrutural interagiam de maneira cumulativa. Esse estilo de desenvolvimento tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/0486613420982083\">comprimia<\/a> os <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/cje\/bead053\">lucros<\/a> e a participa\u00e7\u00e3o da renda das <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/cje\/bez030\">classes m\u00e9dias<\/a>, trazendo o conflito de classes para o primeiro plano, ao mesmo tempo em que concentrava as classes trabalhadoras em setores com baixa organiza\u00e7\u00e3o sindical. Leituras da economia pol\u00edtica recente como essas oferecem uma chave importante para compreender a crise que se seguiu e a ascens\u00e3o da extrema direita nesses pa\u00edses. Enquanto isso, no centro capitalista, a <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/08911916.2017.1407742\">pesquisa<\/a> sobre <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/roiw.12487\">dualidade<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/o-que-foi-a-bidenomics\/\">din\u00e2mica<\/a> <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/08911916.2016.1185311\">setorial<\/a> tem se apoiado sobretudo nos trabalhos de Arthur Lewis\u2014que, embora perspicazes, tendem a negligenciar a intera\u00e7\u00e3o cumulativa entre as estruturas de demanda e de oferta, bem como suas implica\u00e7\u00f5es din\u00e2micas para a estrutura de classes. Meio s\u00e9culo ap\u00f3s seu ensaio mais c\u00e9lebre, An\u00edbal Pinto ainda tem muito a nos ensinar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao combinar o pensamento cepalino com a teoria da depend\u00eancia h\u00e1 50 anos, An\u00edbal Pinto formulou um arcabou\u00e7o te\u00f3rico eficaz para a compreens\u00e3o, at\u00e9 hoje, das fraturas internas da classe trabalhadora.<\/p>\n","protected":false},"author":285,"featured_media":29698,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[730],"tags":[764,775,789,765],"issue":[],"newsletter":[1283],"region":[1012],"sector":[],"theme":[1090,1108,1078],"series":[975],"class_list":["post-32073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analises","tag-desenvolvimento","tag-economia-pt-br","tag-historia-pt-br","tag-longform-pt-br","newsletter-meridional-pt-br","region-america-latina-e-caribe","theme-financiamento-desenvolvimento","theme-historia-economica","theme-politica-industrial","series-meridional-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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