{"id":29305,"date":"2026-02-24T17:04:29","date_gmt":"2026-02-24T17:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/uncategorized\/oil-wars-2\/"},"modified":"2026-02-24T17:04:29","modified_gmt":"2026-02-24T17:04:29","slug":"oil-wars-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/oil-wars-2\/","title":{"rendered":"Guerras do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 3 de janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos lan\u00e7ou um ataque militar contra Caracas, capturando o presidente venezuelano Nicol\u00e1s Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em flagrante viola\u00e7\u00e3o da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 150 aeronaves bombardearam infraestruturas essenciais em todo o norte da Venezuela, enquanto tropas invadiram o complexo fortificado onde estava Maduro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o aspecto mais surpreendente da interven\u00e7\u00e3o tenha sido a facilidade com que ela ocorreu. No rescaldo da opera\u00e7\u00e3o militar, a ent\u00e3o vice-presidente venezuelana Delcy Rodr\u00edguez assumiu o poder e deu in\u00edcio a uma ampla revis\u00e3o da Lei Org\u00e2nica de Hidrocarbonetos do pa\u00eds, abrindo caminho para a privatiza\u00e7\u00e3o de seu vasto setor petrol\u00edfero. O que explica a queda de Maduro e o que ela significa para a Am\u00e9rica Latina?\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya Adereth e Camilo Garz\u00f3n, editores da <em>Phenomenal World,<\/em> discutiram essas quest\u00f5es com Rafael Ram\u00edrez, ex-ministro de Energia da Venezuela. Como membro mais longevo do gabinete de Ch\u00e1vez e presidente da petroleira estatal da Venezuela, a PDVSA, Ram\u00edrez esteve \u00e0 frente das conquistas desenvolvimentistas do pa\u00eds e de sua crescente influ\u00eancia global. Sob Maduro, atuou como representante permanente do pa\u00eds na ONU, antes de renunciar ao cargo em meio a diverg\u00eancias com o governo. Nesta entrevista, ele reflete sobre a trajet\u00f3ria da economia de recursos naturais da Venezuela, sua reorienta\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e o futuro da causa bolivariana.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrevista com Rafael Ram\u00edrez<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">Maya adereth<\/span>: Vamos come\u00e7ar pela sua entrada no Minist\u00e9rio de Energia da Venezuela. Quais eram as prioridades estrat\u00e9gicas quando voc\u00ea ingressou no governo de Hugo Ch\u00e1vez em 2000 e como o senhor lidou com as greves dram\u00e1ticas no setor petrol\u00edfero entre\u00a0 2002 e 2003?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">rafael ramirez<\/span>: Quando me tornei presidente da Companhia Internacional de G\u00e1s da Venezuela (ENAGAS), a quest\u00e3o do petr\u00f3leo era motivo de um profundo conflito interno. \u00c0 \u00e9poca, a PVDSA, empresa petrol\u00edfera venezuelana, conduzia\u00a0 a chamada \u201c<em>apertura petroleira<\/em>\u201d, pol\u00edtica que entregava as melhores \u00e1reas petrol\u00edferas a empresas privadas, em sua maioria estadunidenses. A dire\u00e7\u00e3o da PVDSA apostava na aprova\u00e7\u00e3o de uma nova legisla\u00e7\u00e3o que conferisse amparo legal a esses contratos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o foi o caminho que seguimos, \u00e9 claro. Como resultado, um conflito violento eclodiu rapidamente, culminando na tentativa de golpe de Estado de abril de 2002. Meu principal objetivo como presidente da ENAGAS era impedir que o g\u00e1s venezuelano fosse privatizado, entregue a empresas estadunidenses como a Enron, e que o pa\u00eds perdesse o controle de sua explora\u00e7\u00e3o. Isso era fundamental n\u00e3o apenas porque n\u00e3o havia nenhuma raz\u00e3o t\u00e9cnica para privatizar o setor, mas tamb\u00e9m porque esse g\u00e1s era essencial para nossa pr\u00f3pria infraestrutura energ\u00e9tica e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das primeiras medidas tomadas pelo presidente Ch\u00e1vez em resposta \u00e0 tentativa de golpe foi reformular minist\u00e9rios-chave. Fui nomeado ministro do Petr\u00f3leo em julho de 2002 com dois objetivos centrais: trazer a ind\u00fastria petrol\u00edfera, que estava em confronto aberto com o governo, de volta para o seu controle e implementar\u00a0 a rec\u00e9m-promulgada Lei Org\u00e2nica de Hidrocarbonetos, que reservava ao Estado a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta a essas pol\u00edticas, a greve do petr\u00f3leo de 2002 paralisou a produ\u00e7\u00e3o com a exig\u00eancia de que Ch\u00e1vez deixasse o pa\u00eds e renunciasse. Como ministro, coube a mim restabelecer o controle da PDVSA e da produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. Em janeiro de 2003, produz\u00edamos 23 mil barris de petr\u00f3leo por dia. Em mar\u00e7o do mesmo ano, elevamos a produ\u00e7\u00e3o para 3 milh\u00f5es e passamos a ocupar o lugar de quarto maior exportador de petr\u00f3leo do mundo. Conseguimos estabilizar nossa produ\u00e7\u00e3o e mant\u00ea-la at\u00e9 Nicol\u00e1s Maduro chegar ao poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso dizer que a greve n\u00e3o foi um ato de sabotagem dos trabalhadores. Os trabalhadores estiveram conosco o tempo todo. Foi sabotagem da alta administra\u00e7\u00e3o, que facilitou um bloqueio naval da nossa costa e interrompeu a produ\u00e7\u00e3o. Foi um momento traum\u00e1tico, no qual perdemos 20 mil trabalhadores. Com os 20 mil que ficaram, conseguimos reativar a produ\u00e7\u00e3o e recuperar plena capacidade operacional. Esse foi o meu batismo de fogo na ind\u00fastria petrol\u00edfera e no governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">Camilo Garzon<\/span>: Qual papel empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips desempenharam nas disputas pol\u00edticas da \u00e9poca? O que aconteceu com essas empresas depois que voc\u00ea deixou o minist\u00e9rio, j\u00e1 no governo Maduro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: <\/strong>Imediatamente ap\u00f3s retomarmos o controle da PDVSA, que era o principal obst\u00e1culo \u00e0 Lei de Hidrocarbonetos, come\u00e7amos a reformular o arcabou\u00e7o jur\u00eddico do setor. A primeira medida foi substituir os chamados acordos operacionais por joint ventures. Os acordos operacionais eram um mecanismo pelo qual os governos anteriores haviam transferido a gest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para o setor privado. Rompemos com esse modelo e convidamos as empresas a formarem joint ventures com a PDVSA, de acordo com o novo marco legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2006, propusemos a grandes empresas internacionais, como ConocoPhillips, Exxon, Chevron, Total, Equinox, Eni e Repsol, que aderissem \u00e0 nova lei. Das 33 empresas internacionais, 21 concordaram com os novos termos, e ent\u00e3o Ch\u00e1vez assinou um decreto de nacionaliza\u00e7\u00e3o. No geral, foi um processo bem-sucedido que garantiu a migra\u00e7\u00e3o da maioria das empresas para o novo sistema e nos permitiu mant\u00ea-las como parceiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ConocoPhillips e a Exxon, no entanto, n\u00e3o aceitaram nossos termos. Apesar das vantagens propostas,\u00a0 elas n\u00e3o estavam dispostas a trabalhar sob a lei venezuelana. Assumimos o controle de suas \u00e1reas e elas recorreram a tribunais de arbitragem internacional. A ExxonMobil processou a Venezuela por US$ 16 bilh\u00f5es perante a C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Internacional (ICC) em Paris. Fomos \u00e0 defesa, vencemos a causa\u00a0 e a ICC determinou que s\u00f3 ter\u00edamos que pagar US$ 907 milh\u00f5es. Depois, eles entraram com outro processo de cerca de US$ 10 bilh\u00f5es perante o Tribunal do Centro Internacional de Arreglo de Difer\u00eancias Relativas a Investimentos (ICSID), em Washington. Defendemo-nos novamente e vencemos mais uma vez, acabando por pagar US$ 1,6 bilh\u00e3o, descontados os US$ 900 milh\u00f5es j\u00e1 pagos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, quando deixei o Minist\u00e9rio, a ConocoPhillips tamb\u00e9m processou a Venezuela perante a ICC. Dessa vez, o governo Maduro n\u00e3o defendeu os casos adequadamente. Perdemos a causa e o tribunal ordenou que a Venezuela pagasse US$ 2 bilh\u00f5es. Em seguida, a Conoco nos processou novamente perante o ICSID e, mais uma vez, fomos condenados a pagar um total de US$ 8,3 bilh\u00f5es. O governo de Maduro n\u00e3o pagou nada \u00e0 ConocoPhilips e tamb\u00e9m deixou grande parte da d\u00edvida com a Exxon em aberto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de ent\u00e3o, as empresas passaram a entrar com a\u00e7\u00f5es no exterior. A ConocoPhillips conseguiu que um tribunal de Delaware confiscasse os ativos da Citgo, uma refinaria que t\u00ednhamos nos Estados Unidos, avaliada em US$14 bilh\u00f5es em 2014, que acabou sendo apreendida. Teria sido suficiente para pagar \u00e0s empresas o que lhes dev\u00edamos, mas agora a Citgo est\u00e1 sendo leiloada por US$ 5 bilh\u00f5es para os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MA<\/span>: Em 2000, os l\u00edderes da OPEP se reuniram pela primeira vez desde 1975 e relan\u00e7aram a organiza\u00e7\u00e3o com o objetivo de promover uma vis\u00e3o pol\u00edtica comum. Em 2016, <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/opec-plus\/\">surgiu a OPEP+<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o mais poderosa, mas com um objetivo pol\u00edtico mais difuso. Qual tem sido a posi\u00e7\u00e3o da Venezuela nos debates internos da OPEP?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: A c\u00fapula de Caracas em 2000 foi uma reuni\u00e3o muito importante, durante a qual Ch\u00e1vez assumiu a lideran\u00e7a da OPEP e conseguiu, apesar da recente invas\u00e3o do Kuwait pelo Iraque e da guerra entre o Iraque e o Ir\u00e3, reunir os Estados-membros. Havia dois grupos importantes dentro da OPEP na \u00e9poca. Um era formado pelas monarquias do Golfo, como Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes Unidos, Kuwait e Catar, que eram mais alinhadas com os Estados Unidos. O outro era formado por pa\u00edses como Venezuela, Ir\u00e3, Arg\u00e9lia e L\u00edbia, que eram mais enf\u00e1ticos na defesa da soberania geopol\u00edtica e dos recursos. Com uma taxa de produ\u00e7\u00e3o renovada de 3 milh\u00f5es de barris, a Venezuela ganhou uma posi\u00e7\u00e3o importante nas decis\u00f5es pol\u00edticas da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo venezuelano j\u00e1 havia defendido a cria\u00e7\u00e3o de uma OPEP mais ampla, incluindo a R\u00fassia, mas, na \u00e9poca, a Ar\u00e1bia Saudita se op\u00f4s a isso por temer perder sua vantagem estrat\u00e9rica na organiza\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a morte de Ch\u00e1vez, Maduro negligenciou tanto a organiza\u00e7\u00e3o quanto a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de petr\u00f3leo da Venezuela, que caiu para 1,9 milh\u00e3o de barris em 2017. Desde ent\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo entrou em decl\u00ednio cont\u00ednuo, aprofundado pelas san\u00e7\u00f5es impostas pelos Estados Unidos. O pa\u00eds caiu da condi\u00e7\u00e3o de quarto maior produtor mundial para a 18\u00aa coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perda de influ\u00eancia pol\u00edtica na OPEP foi inevit\u00e1vel. Com a interven\u00e7\u00e3o militar na L\u00edbia, uma Venezuela enfraquecida e as san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3, a monarquia saudita j\u00e1 n\u00e3o temia mais a participa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia em uma estrutura ampliada da OPEP. De toda forma, o convite \u00e0 R\u00fassia para participar da OPEP+ continua sendo uma grande iniciativa: algu\u00e9m precisa defender os pre\u00e7os do petr\u00f3leo. \u00c9 muito revelador que, quando a Covid-19 fez os pre\u00e7os do petr\u00f3leo despencarem no mundo todo, tenha sido o pr\u00f3prio Donald Trump quem solicitou \u00e0 OPEP a redu\u00e7\u00e3o da\u00a0 produ\u00e7\u00e3o para estabilizar os pre\u00e7os. Isso, por si s\u00f3, confirma a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MA<\/span>: A PDVSA abriu seu primeiro escrit\u00f3rio na China em 2005. Hoje, a Corpora\u00e7\u00e3o Nacional de Petr\u00f3leo da China\u00a0 possui ativos de produ\u00e7\u00e3o na Venezuela e h\u00e1 relatos recentes de que a interven\u00e7\u00e3o de Trump causou problemas para o pa\u00eds no servi\u00e7o de sua d\u00edvida com a China. Como evoluiu a rela\u00e7\u00e3o entre Caracas e Pequim e quais s\u00e3o os interesses da China na crise atual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: Por um s\u00e9culo, a Venezuela foi um sat\u00e9lite da economia dos Estados Unidos. Toda a nossa produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo era vendida aos EUA, com descontos que ultrapassavam os 40%\u2014US$ 4 por barril quando o pre\u00e7o era US$ 11. \u00c9ramos um enclave petrol\u00edfero a servi\u00e7o de corpora\u00e7\u00f5es transnacionais norte-americanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o governo Ch\u00e1vez estabilizou o setor, buscou diversificar os destinos do petr\u00f3leo. Esse movimento come\u00e7ou na pr\u00f3pria regi\u00e3o, com a cria\u00e7\u00e3o da Petrocaribe em 2005, um acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses insulares pobres. Em seguida, Ch\u00e1vez buscou um acordo com a Argentina e, posteriormente, expandiu essa estrat\u00e9gia para o mercado europeu, com a celebra\u00e7\u00e3o de acordos com Portugal, Espanha, It\u00e1lia e Fran\u00e7a. Nesse processo de expans\u00e3o, tamb\u00e9m estabelecemos rela\u00e7\u00f5es com a China, com a perspectiva de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo multipolar. Em 2005, a Venezuela n\u00e3o vendia um \u00fanico barril de petr\u00f3leo \u00e0 China, de modo que essa rela\u00e7\u00e3o era inteiramente nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aproxima\u00e7\u00e3o com a China exigiu mudan\u00e7as log\u00edsticas, como a busca de navios petroleiros com capacidade para 2 milh\u00f5es de barris e o convite formal a empresas chinesas para produzir petr\u00f3leo venezuelano. Essas empresas passaram a ter acesso a \u00e1reas que lhes permitiam produzir at\u00e9 1 milh\u00e3o de barris por dia. Em 2014, quando deixei o Minist\u00e9rio, do total de 2,5 milh\u00f5es de barris exportados por dia, a Venezuela vendia 600 mil diretamente \u00e0 Corpora\u00e7\u00e3o Nacional de Petr\u00f3leo da China, ou seja, 24% da produ\u00e7\u00e3o total. A grande vantagem desse acordo era que, ao contr\u00e1rio do que ocorria em nossas rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, todos os pagamentos da China eram feitos a pre\u00e7o de mercado. Ainda assim, durante todo esse per\u00edodo, continuamos a enviar 1,2 milh\u00e3o de barris, quase metade das nossas exporta\u00e7\u00f5es, para os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o com a China tamb\u00e9m abriu outras frentes de coopera\u00e7\u00e3o. O Fundo Conjunto China-Venezuela, criado em 2007, oferecia financiamento dom\u00e9stico pag\u00e1vel em petr\u00f3leo. Outra parte do acordo envolvia o fornecimento de tecnologia e equipamentos. Incluindo a \u00cdndia, \u00e0 qual fornec\u00edamos 400 mil barris, t\u00ednhamos um mercado de 1 milh\u00e3o de barris na \u00c1sia com dois dos maiores importadores de petr\u00f3leo do mundo. Era uma rela\u00e7\u00e3o em que todos ganhavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Maduro chegou ao poder, esses planos e programas foram desmontados. A Petrocaribe entrou em colapso e o petr\u00f3leo deixou de ser fornecido por meio dessa alian\u00e7a. O acordo com a Argentina foi bloqueado ap\u00f3s a posse de Mauricio Macri. Os acordos de fornecimento com a \u00cdndia deixaram de ser cumpridos, assim como os com a Europa. Com a China, os fornecimentos foram bastante reduzidos. Maduro ainda contraiu uma enorme d\u00edvida com a China, estimada em at\u00e9 US$ 70 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos, embora n\u00e3o haja n\u00fameros oficiais dispon\u00edveis. Nos \u00faltimos anos, portanto, nossa rela\u00e7\u00e3o comercial com a China se enfraqueceu significativamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">CG<\/span>: Em que consistiu a interven\u00e7\u00e3o de Maduro na PDVSA e quais foram os efeitos sobre a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do pa\u00eds? Quais s\u00e3o as principais diferen\u00e7as entre o chavismo e o madurismo no que diz respeito \u00e0 gest\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: Maduro buscou o controle direto de todas as institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Come\u00e7ou pela economia, assumindo o controle do Minist\u00e9rio da Economia e Finan\u00e7as, do Banco Central e, \u00e9 claro, da PDVSA, nomeando pessoas leais a ele. Eu me opus a isso e, por essa raz\u00e3o, me expulsaram do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo ent\u00e3o passou a prender trabalhadores da organiza\u00e7\u00e3o. Mais de 150 gerentes e diretores foram mandados para a pris\u00e3o, muitos dos quais est\u00e3o l\u00e1 h\u00e1 mais de oito anos. O ex-ministro do Petr\u00f3leo Nelson Mart\u00ednez morreu na pris\u00e3o. Foi, sem d\u00favida, uma interven\u00e7\u00e3o violenta, coroada pela nomea\u00e7\u00e3o de um general da Guarda Nacional, Manuel Jos\u00e9 Quevedo, para o comando da empresa. \u00c0 frente da PDVSA, Quevedo perseguiu mais de 30 mil funcion\u00e1rios da ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a primeira coisa que se perdeu com o novo governo foi a capacidade humana. O governo de Maduro cometeu o erro de tentar controlar o or\u00e7amento operacional da empresa, algo que Ch\u00e1vez nunca fez. Isso deixou a PDVSA sem recursos e paralisou suas opera\u00e7\u00f5es. De uma produ\u00e7\u00e3o de 3 milh\u00f5es de barris em 2013, ca\u00edmos para 500 mil em 2020, e hoje estamos em 965 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que Maduro chegou ao poder, perdemos quase 75% de nossa capacidade de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Isso nunca havia acontecido em nenhum pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo no mundo, a menos que estivesse envolvido em uma guerra interna. Na Venezuela, aconteceu uma guerra interna do governo contra a ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Grande parte da produ\u00e7\u00e3o atual \u00e9 sustentada pela Chevron, que n\u00e3o paga royalties nem impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo com um modelo rentista imposto por corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, o colapso da ind\u00fastria petrol\u00edfera muitas vezes significa o colapso do pr\u00f3prio pa\u00eds. A economia venezuelana contraiu 80%, o sal\u00e1rio m\u00ednimo caiu de US$ 450 para US$ 2 por m\u00eas e 8 milh\u00f5es de pessoas deixaram o pa\u00eds porque se tornou imposs\u00edvel viver l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a fundamental entre Ch\u00e1vez e Maduro \u00e9 que o primeiro utilizava o petr\u00f3leo a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Maduro, por outro lado, privatizou o petr\u00f3leo e o colocou nas m\u00e3os de seus operadores pol\u00edticos. Todos os nossos programas sociais foram desmantelados. Passamos de um pa\u00eds que tinha um projeto nacional desenvolvimentista e redistributivo para um pa\u00eds devastado, isolado internacionalmente, sem legitimidade institucional e sem capacidade de influ\u00eancia estrat\u00e9gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MA<\/span>: Durante a d\u00e9cada de 1950, a Venezuela era o maior destino de investimentos estrangeiros dos EUA e uma de suas maiores fontes de receita. Trump estaria tentando restaurar o modelo dos anos\u00a0 1950? E, em caso afirmativo, devemos entender isso como puro controle de recursos, controle da fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ou outra coisa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: A primeira coisa a dizer \u00e9 que qualquer interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela deve ser firmemente rejeitada. Caracas foi bombardeada pela primeira vez desde que nos tornamos uma rep\u00fablica. A nova pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional dos EUA fala em reviver a Doutrina Monroe. Isso \u00e9 um claro retrocesso dos Estados Unidos aos anos 1950: \u00e9poca em que a Am\u00e9rica Latina era dominada por ditaduras militares no contexto da Guerra Fria. Hoje \u00e9 a Venezuela, amanh\u00e3 pode ser a Col\u00f4mbia e, depois disso, pode ser o M\u00e9xico ou qualquer outro pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tentativa de Trump de controlar a ind\u00fastria do petr\u00f3leo \u00e9 especialmente preocupante para a Venezuela, porque significaria um retorno ao per\u00edodo de concess\u00f5es. Empresas transnacionais exploraram o petr\u00f3leo no pa\u00eds de 1920 at\u00e9 1976, quando foi nacionalizado. Durante esses anos, os Estados Unidos fizeram o que quiseram com a Venezuela. Levaram mais de 50 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo sem pagar royalties ou impostos. Isso mudou com a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e, mais tarde, com Ch\u00e1vez, com a nacionaliza\u00e7\u00e3o da Faixa do Orinoco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A determina\u00e7\u00e3o dos EUA de que os lucros das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo venezuelano devem ir para um fundo administrado pelo Secret\u00e1rio de Estado dos EUA, com o que o governo interino concordou, \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ocorre em pa\u00eds nenhum desde a Segunda Guerra Mundial. N\u00e3o tem base pol\u00edtica ou jur\u00eddica. Isso n\u00e3o ser\u00e1 sustent\u00e1vel ao longo do tempo, mas, para resistir de forma eficaz, a Venezuela deve ter capacidade de aumentar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">CG<\/span>: A produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Venezuela j\u00e1 est\u00e1 comprometida com o consumo interno e com contratos bilaterais, principalmente com a China, o Ir\u00e3, a R\u00fassia e Cuba. Quais s\u00e3o, agora, as perspectivas de cumprimento desses contratos sob supervis\u00e3o dos Estados Unidos? E como o papel da OPEP est\u00e1 sendo reconfigurado \u00e0 luz dessa nova situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: Se os Estados Unidos controlassem a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Venezuela, a OPEP ficaria extremamente enfraquecida devido ao modelo que representa para os pa\u00edses produtores. A nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo na Venezuela teve impacto internacional: simbolizou uma afirma\u00e7\u00e3o de soberania para todos os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo que, ao assumirem controle sobre a produ\u00e7\u00e3o e as exporta\u00e7\u00f5es, puderam efetivamente implementar as pol\u00edticas da OPEP. Se um pa\u00eds t\u00e3o importante quanto a Venezuela recuar desse modelo, qualquer outro pa\u00eds poder\u00e1 seguir o mesmo caminho diante de uma confronta\u00e7\u00e3o militar: L\u00edbia, Iraque ou Ir\u00e3. Isso seria desastroso para a OPEP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rias empresas transnacionais estadunidenses j\u00e1 comunicaram \u00e0 Casa Branca que n\u00e3o retornar\u00e3o \u00e0 Venezuela. As empresas precisam responder a compromissos diretos e tomar decis\u00f5es que fa\u00e7am sentido do ponto de vista pr\u00e1tico. Portanto, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para Trump conseguir que as empresas invistam na Venezuela como ele deseja. O mercado petrol\u00edfero atual \u00e9 marcado por produ\u00e7\u00e3o abundante, e h\u00e1 muitas oportunidades para a Exxon e a Chevron aproveitarem\u2014a Guiana \u00e9 apenas um exemplo. L\u00e1, as empresas garantiram a produ\u00e7\u00e3o de 1 milh\u00e3o de barris de petr\u00f3leo at\u00e9 2027, com apenas 1% de royalties. Elas n\u00e3o est\u00e3o desesperadas por novos campos petrol\u00edferos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, de qualquer forma, a Venezuela continua sendo muito importante pelo simples fato de que pode certificar as maiores reservas de petr\u00f3leo do planeta. Os Estados Unidos t\u00eam cerca de 32 bilh\u00f5es de barris em reservas, que, na taxa atual de consumo, durar\u00e3o sete ou oito anos. Esse \u00e9 um problema estrat\u00e9gico para eles, especialmente porque descartaram as pol\u00edticas de substitui\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica da agenda de Biden. Eles precisam de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os atuais acordos de produ\u00e7\u00e3o da Venezuela s\u00e3o com a China e a R\u00fassia, cada uma das quais poderia produzir at\u00e9 1 milh\u00e3o de barris. Mas desde a morte de Ch\u00e1vez, ambos suspenderam seus investimentos. Os chineses produzem apenas 100 mil barris por meio da joint venture Petrosinovensa. Poderiam produzir 1 milh\u00e3o, mas n\u00e3o investiram sob Maduro. Os detalhes dos outros acordos com o Ir\u00e3 e Cuba, que n\u00e3o s\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o, mas para fornecimento, s\u00e3o secretos. Obviamente, os Estados Unidos est\u00e3o tentando minar esses acordos para que o petr\u00f3leo n\u00e3o chegue mais a Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A R\u00fassia e a China disseram, ainda que de forma muito t\u00edmida, que seus projetos no pa\u00eds continuam legalmente em vigor, mas acho que todos est\u00e3o esperando e provavelmente negociando com os EUA. Nem a R\u00fassia nem a China ir\u00e3o \u00e0 guerra para manter sua produ\u00e7\u00e3o na Venezuela, que j\u00e1 est\u00e1 em n\u00edveis muito baixos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">CG<\/span>: Quais voc\u00ea acredita que devam ser as diretrizes de um plano de reconstru\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera da Venezuela? Que esfor\u00e7os s\u00e3o necess\u00e1rios para garantir que os lucros sejam destinados \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, em vez de serem desviados para fora do pa\u00eds?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">RR<\/span>: O problema que enfrentamos com o petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico, \u00e9 pol\u00edtico. Na Venezuela, precisamos de um retorno ao Estado de Direito e a algum grau de normalidade. S\u00f3 ent\u00e3o nossa ind\u00fastria petrol\u00edfera poder\u00e1 passar por algum tipo de reconstru\u00e7\u00e3o, porque os danos causados foram muito grandes. Devemos libertar todos os presos pol\u00edticos, chamar de volta todos os gerentes e trabalhadores que deixaram a empresa por medo e fazer um acordo nacional para reconstruir a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Precisamos criar as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, dentro dos limites de uma na\u00e7\u00e3o soberana e unificada, que nos permitam focar nessa quest\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Faixa Petrol\u00edfera do Orinoco \u00e9 a mais recente grande \u00e1rea produtora de petr\u00f3leo do pa\u00eds. A capacidade existe, mas atualmente n\u00e3o \u00e9 explorada. Essa \u00e1rea deve ser priorizada e seus dividendos petrol\u00edferos devem ser usados para atender \u00e0s necessidades humanas, fluindo para sal\u00e1rios e alimentos; e ent\u00e3o poderemos passar para as \u00e1reas mais problem\u00e1ticas e antigas, como o Lago de Maracaibo. Trump, \u00e9 claro, quer aproveitar os ganhos monet\u00e1rios do petr\u00f3leo venezuelano. Mas mesmo antes de sua interven\u00e7\u00e3o, os aliados de Maduro estavam revendendo petr\u00f3leo para uma frota fantasma de compradores que o recebiam com um desconto de 25% e pagavam por ele em criptomoeda. O petr\u00f3leo precisa voltar a ser vendido a pre\u00e7os de mercado e esse dinheiro deve ir para o Banco Central da Venezuela, para que possa ser injetado na economia nacional, como exige a lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio um governo de unidade nacional para consagrar a reconstru\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera como prioridade nacional. Ent\u00e3o, a batalha pol\u00edtica poder\u00e1 ser travada sobre o que devemos fazer com essas receitas, se elas devem ir para a burguesia nacional ou para o povo. Mas essa conversa s\u00f3 poder\u00e1 ocorrer depois que tivermos resgatado a gest\u00e3o do petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a Venezuela seja um pa\u00eds produtor de petr\u00f3leo, domesticamente, ela n\u00e3o depende do seu consumo. Quase toda a sua energia vem de fontes h\u00eddricas. Mas, a curto e m\u00e9dio prazo, em n\u00edvel global, n\u00e3o h\u00e1 tecnologia ou fonte de energia capaz de substituir o petr\u00f3leo. A melhor prova disso foi quando a Covid paralisou a economia do mundo desenvolvido. Quando tentaram reinici\u00e1-la, a energia e\u00f3lica e os carros el\u00e9tricos n\u00e3o vieram em socorro. O que os pa\u00edses pediram foi petr\u00f3leo\u2014ainda mais do que antes. Isso indica que o petr\u00f3leo e a Venezuela continuar\u00e3o a desempenhar um papel importante na demanda energ\u00e9tica global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o essencial para a Venezuela ser\u00e1 sair do modelo rentista petrol\u00edfero. Fizemos um grande esfor\u00e7o nesse sentido durante o \u00faltimo ano de vida do presidente Ch\u00e1vez, preparamos o chamado <em>Plan de la Patria<\/em> com a ajuda do Banco de Desenvolvimento da China. Quando Ch\u00e1vez morreu, tudo isso ficou paralisado. Mas essa \u00e9 uma tarefa que as novas gera\u00e7\u00f5es de venezuelanos ter\u00e3o que concluir daqui para frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise dos recursos energ\u00e9ticos da Venezuela como terreno de disputa, das nacionaliza\u00e7\u00f5es de Ch\u00e1vez ao sequestro de Maduro. 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