{"id":27872,"date":"2025-10-29T21:45:27","date_gmt":"2025-10-29T21:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=27872"},"modified":"2026-05-28T13:12:54","modified_gmt":"2026-05-28T13:12:54","slug":"crescimento-politicamente-limitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/crescimento-politicamente-limitado\/","title":{"rendered":"Crescimento politicamente limitado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da mar\u00e9 contr\u00e1ria da alta de juros aqui e nos Estados Unidos, a economia brasileira vem se recuperando de um per\u00edodo prolongado de estagna\u00e7\u00e3o. Depois de crescer, em m\u00e9dia, 0,2% ao ano entre 2015 e 2022, o PIB brasileiro cresceu uma m\u00e9dia de 3,3% ao ano em 2023 e 2024\u2014a primeira metade do terceiro mandato presidencial de Lula. Ainda que esse seja um desempenho modesto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s enormes necessidades sociais de um pa\u00eds em desenvolvimento,<a data-contents=\"Para que os pa\u00edses em desenvolvimento alcancem o PIB per capita dos pa\u00edses desenvolvidos, n\u00e3o s\u00f3 o PIB, mas tamb\u00e9m o PIB per capita, devem crescer mais rapidamente por longos per\u00edodos de tempo. Em raz\u00e3o disso, declara\u00e7\u00f5es do governo de que o Brasil deve crescer na mesma taxa que o mundo s\u00e3o obviamente insatisfat\u00f3rias.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para que os pa\u00edses em desenvolvimento alcancem o PIB per capita dos pa\u00edses desenvolvidos, n\u00e3o s\u00f3 o PIB, mas tamb\u00e9m o PIB per capita, devem crescer mais rapidamente por longos per\u00edodos de tempo. Em raz\u00e3o disso, declara\u00e7\u00f5es do governo de que o Brasil deve crescer na mesma taxa que o mundo s\u00e3o obviamente insatisfat\u00f3rias.<\/span> a cifra supera expectativas. As exporta\u00e7\u00f5es foram um fator positivo, sem d\u00favidas, mas a maior parte do crescimento recente \u00e9 resultado de algo que o pr\u00f3prio governo reluta em reconhecer: a pol\u00edtica fiscal expansionista, que tem compensado for\u00e7as de contra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 motivos para comemorar esse resultado. Em primeiro lugar, o desempenho do PIB representa uma grande melhora em rela\u00e7\u00e3o ao passado recente do pa\u00eds. Entre 2015 e 2022, a austeridade fiscal e as reformas neoliberais reduziram a demanda dom\u00e9stica e levaram \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o do PIB: ao final de 2022, o mercado interno era menor do que em 2014. Mas, desde 2023, a economia brasileira voltou a crescer\u2014o que impulsionou tamb\u00e9m o investimento privado, que cresceu mais do que o pr\u00f3prio PIB em 2024. Al\u00e9m disso, devido a r\u00e1pidas mudan\u00e7as na din\u00e2mica demogr\u00e1fica, a taxa de crescimento do PIB per capita na primeira metade do terceiro mandato de Lula (2,9% ao ano) foi praticamente igual \u00e0quela registrada entre 2003 e 2010 (3% ao ano), durante os primeiros\u2014e relativamente pr\u00f3speros\u2014governos do presidente.<a data-contents=\"Recentemente, o crescimento populacional caiu bastante, de uma m\u00e9dia de 1% durante os dois primeiros mandatos de Lula (2003-2010) para 0,4% nos \u00faltimos anos.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Recentemente, o crescimento populacional caiu bastante, de uma m\u00e9dia de 1% durante os dois primeiros mandatos de Lula (2003-2010) para 0,4% nos \u00faltimos anos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tabela abaixo resume os principais componentes da demanda agregada no Brasil desde 2003.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"711\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-711x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27873\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-711x1024.png 711w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-208x300.png 208w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-768x1106.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-1067x1536.png 1067w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-1423x2048.png 1423w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart1PT-1-scaled.png 1778w\" sizes=\"auto, (max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m das exporta\u00e7\u00f5es, grande parte do recente desempenho positivo da economia brasileira foi resultado de uma pol\u00edtica fiscal expansionista\u2014ainda que essa expans\u00e3o n\u00e3o tenha sido exatamente intencional. As prioridades de pol\u00edtica econ\u00f4mica anunciadas pela terceira gest\u00e3o de Lula s\u00e3o uma pol\u00edtica monet\u00e1ria guiada pela meta de infla\u00e7\u00e3o e uma pol\u00edtica fiscal <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/orcamento-em-disputa\/\">orientada<\/a> \u00e0 estabiliza\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o d\u00edvida-PIB. Apesar disso, em 2023-24, uma conjun\u00e7\u00e3o peculiar de eventos acabou conduzindo a pol\u00edtica fiscal \u00e0 expans\u00e3o. Como ser\u00e1 detalhado a seguir, a transi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro para Lula abriu uma janela de oportunidade para que o governo aumentasse o n\u00edvel da demanda agregada\u2014ainda que a orienta\u00e7\u00e3o da Fazenda para conter o crescimento da d\u00edvida p\u00fablica, ao lado da taxa de juros, muito mais alta do que em qualquer momento da \u00faltima d\u00e9cada, atuassem em sentido contr\u00e1rio.<a data-contents=\"Vale lembrar que a raz\u00e3o d\u00edvida-PIB n\u00e3o \u00e9 um problema por si s\u00f3, dado que a d\u00edvida \u00e9 paga na moeda dom\u00e9stica de acordo com as taxas de juros definidas, sobretudo, pelo Banco Central do Brasil.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Vale lembrar que a raz\u00e3o d\u00edvida-PIB n\u00e3o \u00e9 um problema por si s\u00f3, dado que a d\u00edvida \u00e9 paga na moeda dom\u00e9stica de acordo com as taxas de juros definidas, sobretudo, pelo Banco Central do Brasil.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ministro da Fazenda Fernando Haddad j\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/macroeconomia\/haddad-defende-crescer-com-menos-impulso-fiscal-e-mais-investimento-privado\/\">argumentou<\/a> que o crescimento da economia brasileira pode continuar sem maiores expans\u00f5es do gasto p\u00fablico, sustentado pelo consumo das fam\u00edlias e pelo investimento privado\u2014como se esses fatores n\u00e3o dependessem da pol\u00edtica fiscal. Enquanto isso, o Banco Central (BC) recorrentemente culpa a pol\u00edtica fiscal expansionista por um suposto superaquecimento da economia para justificar aumentos da taxa b\u00e1sica de juros. Ao que tudo indica, o governo se baseia na teoria de que o PIB potencial cresce independentemente da demanda agregada (e a uma taxa de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/11\/planejamento-estima-que-pib-potencial-do-brasil-passou-de-1-para-ate-25.shtml\">apenas 2,5%<\/a>). O endurecimento das pol\u00edticas fiscal e monet\u00e1ria \u00e9 justificado por esses fatores e por alega\u00e7\u00f5es de que o mercado de trabalho estaria superaquecido simplesmente porque a taxa de desemprego est\u00e1 baixa e os sal\u00e1rios reais est\u00e3o crescendo\u2014apesar do enorme subemprego e informalidade registrados no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, o impacto da expans\u00e3o fiscal sobre a demanda foi mais forte do que os efeitos contracionistas de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais restritiva que, de fato, teve resultados negativos, ainda que limitados, especialmente sobre o investimento residencial. \u00c9 prov\u00e1vel que o impacto das taxas de juros mais altas tenha sido mais do que compensado pelas varia\u00e7\u00f5es na taxa de c\u00e2mbio, que contribu\u00edram para o aumento dos sal\u00e1rios reais e do consumo\u2014este \u00faltimo tamb\u00e9m impulsionado pela pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo e por taxas de desemprego mais baixas. Assim, mais do que empr\u00e9stimos mais caros e austeridade p\u00fablica, foram uma moeda mais forte e gastos do governo que estiveram por tr\u00e1s do crescimento brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para al\u00e9m da demanda: condi\u00e7\u00f5es externas e pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 2022, o aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve dos Estados Unidos aumentou a press\u00e3o sobre os balan\u00e7os de pagamentos de muitas economias emergentes e dificultou a sustenta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de est\u00edmulo \u00e0 demanda interna.<a data-contents=\"Serrano, F., Summa, R., e Aidar, G. (2021). Exogenous interest rate and exchange rate dynamics under elastic expectations. (<)em(>)Investigaci\u00f3n econ\u00f3mica(<)\/em(>), 80(318), 3-31.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-list-4\">4<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Serrano, F., Summa, R., e Aidar, G. (2021). Exogenous interest rate and exchange rate dynamics under elastic expectations. (<)em(>)Investigaci\u00f3n econ\u00f3mica(<)\/em(>), 80(318), 3-31.<\/span> O Brasil, entretanto, continuou a contar com condi\u00e7\u00f5es financeiras externas relativamente favor\u00e1veis. Desde meados dos anos 2000, apesar dos persistentes d\u00e9ficits em conta corrente, o pa\u00eds recebeu consider\u00e1veis fluxos de capital e acumulou um grande estoque de reservas internacionais. A raz\u00e3o entre a d\u00edvida externa de curto prazo e as reservas cambiais permanece abaixo de 30% e, na \u00faltima d\u00e9cada, o total da d\u00edvida externa correspondeu, em m\u00e9dia, a cerca de 71% das reservas, ou seja, a posi\u00e7\u00e3o externa do pa\u00eds se manteve relativamente confort\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto fundamental da melhoria nas contas externas brasileiras tem sido o processo de \u201cdesdolariza\u00e7\u00e3o\u201d do passivo externo, de modo que boa parte da d\u00edvida externa do pa\u00eds (t\u00edtulos p\u00fablicos e a\u00e7\u00f5es detidas por n\u00e3o-residentes) \u00e9 denominada em moeda nacional, transferindo o risco cambial para os credores. Isso permitiu ao Brasil financiar significativos d\u00e9ficits em conta corrente em 2023-24 sem criar novas vulnerabilidades.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura dos d\u00e9ficits em conta corrente do pa\u00eds reflete a sa\u00edda de lucros, dividendos e juros, que superam o super\u00e1vit comercial. O equil\u00edbrio do balan\u00e7o de pagamentos exige que os d\u00e9ficits sejam financiados por fluxos de financiamento e capital externos, que reagem ao diferencial de taxa de juros.<a data-contents=\"Para uma explica\u00e7\u00e3o detalhada: Summa, Ricardo; Haluska, Guilherme e Serrano, Franklin. Actual government spending and the resumption of growth in Brazil: 2023-24. Working paper (2025).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-list-5\">5<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para uma explica\u00e7\u00e3o detalhada: Summa, Ricardo; Haluska, Guilherme e Serrano, Franklin. Actual government spending and the resumption of growth in Brazil: 2023-24. Working paper (2025).<\/span>Em 2023, a redu\u00e7\u00e3o dos d\u00e9ficits em conta corrente e o aumento do diferencial de juros contribu\u00edram para que a taxa de c\u00e2mbio nominal se apreciasse em cerca de 10%, mas ambos os fatores foram revertidos em 2024: com a redu\u00e7\u00e3o do diferencial de juros e um aumento das importa\u00e7\u00f5es, puxado pelo crescimento econ\u00f4mico e pelo aumento dos investimentos privados, o c\u00e2mbio nominal se depreciou 10% entre janeiro e setembro. No final do ano, a taxa tinha desvalorizado em mais 13%.<a data-contents=\"\u00a0Isso pode ser explicado por tr\u00eas fatores: 1) o setor privado normalmente faz as remessas de lucros e dividendos para o exterior em dezembro; 2) uma \u201cfuga ao d\u00f3lar\u201d causada pelas incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es nos EUA; e 3) a demora do BC em interferir no c\u00e2mbio. Ver Summa, Haluska e Serrano (2025), citado acima.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-list-6\">6<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">\u00a0Isso pode ser explicado por tr\u00eas fatores: 1) o setor privado normalmente faz as remessas de lucros e dividendos para o exterior em dezembro; 2) uma \u201cfuga ao d\u00f3lar\u201d causada pelas incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es nos EUA; e 3) a demora do BC em interferir no c\u00e2mbio. Ver Summa, Haluska e Serrano (2025), citado acima.<\/span> Isso levou o BC a vender d\u00f3lares e aumentar significativamente a taxa b\u00e1sica de juros, o que novamente aumentou o diferencial de juros e ajudou o real a se valorizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o Brasil \u00e9 um tomador de pre\u00e7os na maior parte dos mercados internacionais, o modo como o BC administra a taxa de c\u00e2mbio \u00e9 importante para entender a din\u00e2mica inflacion\u00e1ria. Os custos nominais de produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds dependem fortemente dos pre\u00e7os de bens comercializados em d\u00f3lares. Assim, tanto a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os internacionais quanto as varia\u00e7\u00f5es da taxa de c\u00e2mbio nominal s\u00e3o importantes fontes de infla\u00e7\u00e3o de custos para o pa\u00eds.<a data-contents=\"Outros fatores que afetam os custos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o os pre\u00e7os controlados e os sal\u00e1rios.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-list-7\">7<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Outros fatores que afetam os custos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o os pre\u00e7os controlados e os sal\u00e1rios.<\/span> Isso explica por que a pol\u00edtica monet\u00e1ria foi t\u00e3o restritiva em 2023-2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pol\u00edtica monet\u00e1ria dos \u00faltimos anos foi substancialmente mais contracionista do que em 2015-2022, quando a economia estava estagnada. Em 2021-2022, o aumento dos pre\u00e7os das commodities em d\u00f3lares e a forte deprecia\u00e7\u00e3o do real contribu\u00edram para levar a infla\u00e7\u00e3o ao patamar de 12%. O BC reagiu aumentando a taxa b\u00e1sica de juros, que atingiu 13,75% no final de 2022. As figuras abaixo apresentam, respectivamente, a taxa de infla\u00e7\u00e3o, a meta de infla\u00e7\u00e3o (e seus limites m\u00ednimo e m\u00e1ximo) e a taxa b\u00e1sica de juros no Brasil de janeiro de 2015 a janeiro de 2025; e a taxa de juros nominal, ajustada pela infla\u00e7\u00e3o efetiva, para mostrar o comportamento da taxa de juros real ex-post de 2003 a 2024. Ela revela que a taxa de juros real atual \u00e9 muito mais alta que a m\u00e9dia observada em 2011-2014 e 2015-2022.<a data-contents=\"Seguimos a periodiza\u00e7\u00e3o proposta em Franklin Serrano and Ricardo Summa, &#8220;Aggregate Demand and the Slowdown of Brazilian Economic Growth from 2011-2014,&#8221; Center for Economic and Policy Research, August 2015. (<)a href='https:\/\/cepr.net\/documents\/publications\/Brazil-2015-08.pdf'(>)https:\/\/cepr.net\/documents\/publications\/Brazil-2015-08.pdf(<)\/a(>); e Haluska, G., Summa, R., &amp; Serrano, F. (2025). The bridge to stagnation: government expenditure cap, reforms and the fall in the business investment share in Brazil (2015-2022), Working Paper IPEBerlin N. 247. O per\u00edodo de 2003-2010 corresponde aos dois primeiros mandatos de Lula, no qual as taxas de crescimento do PIB eram maiores sobretudo por causa da pol\u00edtica fiscal expansionista, apesar de uma taxa real de juros mais alta. O per\u00edodo 2011-2014 corresponde \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico durante o primeiro mandato de Dilma, no qual houve uma tentativa de controlar a expans\u00e3o fiscal e compens\u00e1-la com o aumento do gasto privado, que resultaria de uma taxa de juros mais baixa e da desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. O terceiro per\u00edodo, 2015-2022, corresponde \u00e0 fase das pol\u00edticas de austeridade que foram iniciadas no segundo mandato de Dilma (interrompido pelo impeachment de 2016) e continuadas pelos governos Temer e Bolsonaro, levando a uma elevada taxa de desemprego e \u00e0 queda dos sal\u00e1rios reais e da infla\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a queda da taxa de juros real estava associada \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o do PIB. Finalmente, o per\u00edodo de 2023-2024 \u00e9 o foco deste artigo.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-list-8\">8<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Seguimos a periodiza\u00e7\u00e3o proposta em Franklin Serrano and Ricardo Summa, &#8220;Aggregate Demand and the Slowdown of Brazilian Economic Growth from 2011-2014,&#8221; Center for Economic and Policy Research, August 2015. (<)a href='https:\/\/cepr.net\/documents\/publications\/Brazil-2015-08.pdf'(>)https:\/\/cepr.net\/documents\/publications\/Brazil-2015-08.pdf(<)\/a(>); e Haluska, G., Summa, R., &amp; Serrano, F. (2025). The bridge to stagnation: government expenditure cap, reforms and the fall in the business investment share in Brazil (2015-2022), Working Paper IPEBerlin N. 247. O per\u00edodo de 2003-2010 corresponde aos dois primeiros mandatos de Lula, no qual as taxas de crescimento do PIB eram maiores sobretudo por causa da pol\u00edtica fiscal expansionista, apesar de uma taxa real de juros mais alta. O per\u00edodo 2011-2014 corresponde \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico durante o primeiro mandato de Dilma, no qual houve uma tentativa de controlar a expans\u00e3o fiscal e compens\u00e1-la com o aumento do gasto privado, que resultaria de uma taxa de juros mais baixa e da desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. O terceiro per\u00edodo, 2015-2022, corresponde \u00e0 fase das pol\u00edticas de austeridade que foram iniciadas no segundo mandato de Dilma (interrompido pelo impeachment de 2016) e continuadas pelos governos Temer e Bolsonaro, levando a uma elevada taxa de desemprego e \u00e0 queda dos sal\u00e1rios reais e da infla\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a queda da taxa de juros real estava associada \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o do PIB. Finalmente, o per\u00edodo de 2023-2024 \u00e9 o foco deste artigo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante 2023, os pre\u00e7os internacionais das commodities ca\u00edram e o real se valorizou, enfraquecendo as press\u00f5es inflacion\u00e1rias externas e permitindo que o BC come\u00e7asse a reduzir a taxa b\u00e1sica de juros, que atingiu 10,5% em meados de 2024. No entanto, \u00e0 medida que a taxa de c\u00e2mbio nominal se depreciou novamente em 2024,<a data-contents=\"Para mais detalhes sobre as causas da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em 2024: Marins, N., Summa, R., e Consul, D. (2025). The behavior of the nominal exchange rate between the Brazilian Real and the dollar in 2024. (<)a href='https:\/\/nakedkeynesianism.blogspot.com\/2025\/03\/the-behavior-of-nominal-exchange-rate.html'(>)Naked Keynesianism blogpost(<)\/a(>).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-9\" href=\"#footnote-list-9\">9<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para mais detalhes sobre as causas da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em 2024: Marins, N., Summa, R., e Consul, D. (2025). The behavior of the nominal exchange rate between the Brazilian Real and the dollar in 2024. (<)a href='https:\/\/nakedkeynesianism.blogspot.com\/2025\/03\/the-behavior-of-nominal-exchange-rate.html'(>)Naked Keynesianism blogpost(<)\/a(>).<\/span> a infla\u00e7\u00e3o\u2014sobretudo de alimentos e de bens <em>tradable<\/em>\u2014aumentou, for\u00e7ando o BC a elevar a taxa b\u00e1sica de juros mais uma vez.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"898\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-898x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27876\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-898x1024.png 898w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-263x300.png 263w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-768x875.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-1348x1536.png 1348w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1-1797x2048.png 1797w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart2PT-1.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 898px) 100vw, 898px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"995\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1-1024x995.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27879\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1-1024x995.png 1024w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1-300x292.png 300w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1-768x747.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1-1536x1493.png 1536w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart3PT-1.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alta da infla\u00e7\u00e3o brasileira que levou ao pico de 12% no in\u00edcio de 2022 resultou de choques de custo, especialmente nos bens comercializados internacionalmente. Com a infla\u00e7\u00e3o superando o crescimento dos sal\u00e1rios nominais, os trabalhadores sofreram com a queda do sal\u00e1rio real. No ano seguinte, a infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha voltado \u00e0 meta, o que mais uma vez foi reflexo de fatores de custo, e n\u00e3o da demanda agregada. A prova disso \u00e9 que, em 2023, \u00e0 medida que o desemprego caiu, o sal\u00e1rio m\u00ednimo aumentou e o PIB voltou a crescer, a infla\u00e7\u00e3o seguiu em queda. Em 2024, enquanto o real se desvalorizava e os pre\u00e7os internacionais aumentavam levemente em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, a infla\u00e7\u00e3o chegou a 4,8%, patamar quase igual ao de 2023. A aprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio e o decl\u00ednio do pre\u00e7o internacional das commodities, n\u00e3o a demanda agregada, t\u00eam sido os fatores determinantes do n\u00edvel de pre\u00e7os no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a crucial entre as baixas taxas de juros reais e a estagna\u00e7\u00e3o antes de 2021 e a situa\u00e7\u00e3o atual, em que uma elevada taxa de juros convive com um crescimento lento, \u00e9 a meta de infla\u00e7\u00e3o. Em 2018, a meta era de 4,5% com um limite m\u00e1ximo de 6%. Desde ent\u00e3o, a meta foi progressivamente reduzida, chegando a 3% com um limite m\u00e1ximo de 4,5% em 2024. Embora a infla\u00e7\u00e3o de 2024 tenha sido quase igual \u00e0 registrada em 2023, a meta n\u00e3o foi cumprida, e o BC aumentou a taxa de juros mais uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dia dos sal\u00e1rios reais no emprego formal, apesar de ter crescido 1,7% ao ano em 2023-2024, continua cerca de 3% menor que em 2014, ano anterior ao in\u00edcio do per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<a data-contents=\"\u00c9 importante notar que a redu\u00e7\u00e3o gradual da meta de infla\u00e7\u00e3o foi acompanhada pela estagna\u00e7\u00e3o e, posteriormente, redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-10\" href=\"#footnote-list-10\">10<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">\u00c9 importante notar que a redu\u00e7\u00e3o gradual da meta de infla\u00e7\u00e3o foi acompanhada pela estagna\u00e7\u00e3o e, posteriormente, redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais.<\/span> A redu\u00e7\u00e3o gradual das metas de infla\u00e7\u00e3o esteve associada \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o e, posteriormente, \u00e0 queda dos sal\u00e1rios reais. Em resposta a essas mudan\u00e7as, as taxas de juros reais aumentaram. Por que, nesse caso, o crescimento brasileiro foi retomado no terceiro mandato de Lula?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Decompondo a demanda agregada<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas uma parte da resposta. Apesar do c\u00e2mbio real mais valorizado em 2023-2024, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram 5,9% ao ano, superando as taxas de crescimento do PIB e do com\u00e9rcio mundiais (3,3% e 1,9%, respectivamente). O desempenho das exporta\u00e7\u00f5es foi especialmente impressionante em 2023, quando o Brasil se beneficiou de uma safra excepcionalmente boa e, em raz\u00e3o da guerra na Ucr\u00e2nia, do aumento das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo. No mesmo per\u00edodo, as importa\u00e7\u00f5es cresceram em m\u00e9dia 6,5%, sobretudo devido \u00e0 vigorosa\u2014embora tardia\u2014recupera\u00e7\u00e3o do investimento privado em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais e as exporta\u00e7\u00f5es correspondem a uma parcela relativamente pequena de seu PIB\u2014cerca de 18% em 2023-2024. O setor externo, sozinho, n\u00e3o \u00e9 capaz de induzir a altas taxas de crescimento da demanda agregada e do PIB.<a data-contents=\"Freitas, F. N., &amp; Dweck, E. (2013). The pattern of economic growth of the Brazilian economy 1970\u20132005: a demand-led growth perspective. In (<)em(>)Sraffa and the Reconstruction of Economic Theory: Volume Two: Aggregate Demand, Policy Analysis and Growth(<)\/em(>) (pp. 158-191). London: Palgrave Macmillan UK; Haluska, G. (2023). A economia brasileira no s\u00e9culo XXI: uma an\u00e1lise a partir do modelo do Supermultiplicador Sraffiano. (<)em(>)Economia e Sociedade(<)\/em(>), 32(2), 297-332; Campana, J. M., Vaz, J. E., Hein, E., &amp; Jungmann, B. (2024). Demand and growth regimes of the BRICs countries\u2013the national income and financial accounting decomposition approach and an autonomous demand-led growth perspective. (<)em(>)European Journal of Economics and Economic Policies(<)\/em(>), 21(1), 17-41.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-11\" href=\"#footnote-list-11\">11<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Freitas, F. N., &amp; Dweck, E. (2013). The pattern of economic growth of the Brazilian economy 1970\u20132005: a demand-led growth perspective. In (<)em(>)Sraffa and the Reconstruction of Economic Theory: Volume Two: Aggregate Demand, Policy Analysis and Growth(<)\/em(>) (pp. 158-191). London: Palgrave Macmillan UK; Haluska, G. (2023). A economia brasileira no s\u00e9culo XXI: uma an\u00e1lise a partir do modelo do Supermultiplicador Sraffiano. (<)em(>)Economia e Sociedade(<)\/em(>), 32(2), 297-332; Campana, J. M., Vaz, J. E., Hein, E., &amp; Jungmann, B. (2024). Demand and growth regimes of the BRICs countries\u2013the national income and financial accounting decomposition approach and an autonomous demand-led growth perspective. (<)em(>)European Journal of Economics and Economic Policies(<)\/em(>), 21(1), 17-41.<\/span> Ao decompor a demanda agregada entre o setor externo e a demanda dom\u00e9stica, observamos que as exporta\u00e7\u00f5es l\u00edquidas contribu\u00edram, em m\u00e9dia, com 1,1 ponto percentual do crescimento anual do PIB em 2023-2024, enquanto o mercado interno contribuiu com 2,2 pontos percentuais. Em outras palavras, dois ter\u00e7os do crescimento recente podem ser atribu\u00eddos \u00e0 expans\u00e3o da demanda interna.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"956\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-956x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27885\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-956x1024.png 956w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-280x300.png 280w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-768x822.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-1435x1536.png 1435w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1-1913x2048.png 1913w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart5PT-1.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 956px) 100vw, 956px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O papel da pol\u00edtica fiscal<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse contexto em mente, podemos voltar \u00e0 discuss\u00e3o de como a pol\u00edtica econ\u00f4mica levou a essa expans\u00e3o do mercado interno. Em 2023, o Brasil abandonou o teto de gastos aprovado pelo governo Temer e p\u00f4de gastar acima do teto. Em 2024, o governo Lula aprovou uma nova regra fiscal visando limitar o crescimento dos gastos p\u00fablicos entre 0,6 e 2,5%, e estabelecendo uma propor\u00e7\u00e3o entre o super\u00e1vit prim\u00e1rio e o PIB.<a data-contents=\"O teto de gastos do governo Temer foi aprovado como uma Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e impunha taxa zero de crescimento dos gastos reais do governo federal. Embora o teto tenha reduzido consideravelmente o crescimento dos gastos do governo, o mesmo nunca chegou a zero, como demonstramos em Haluska et al. (2025), citado anteriormente. A nova regra fiscal, estabelecida em 2023, foi aprovada como Lei Complementar.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-12\" href=\"#footnote-list-12\">12<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">O teto de gastos do governo Temer foi aprovado como uma Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e impunha taxa zero de crescimento dos gastos reais do governo federal. Embora o teto tenha reduzido consideravelmente o crescimento dos gastos do governo, o mesmo nunca chegou a zero, como demonstramos em Haluska et al. (2025), citado anteriormente. A nova regra fiscal, estabelecida em 2023, foi aprovada como Lei Complementar.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passando dos arranjos institucionais e das regras fiscais \u00e0 pr\u00e1tica, o governo Lula retomou a pol\u00edtica de aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que havia sido congelado em termos reais durante os governos Temer e Bolsonaro.<a data-contents=\"Durante o governo Temer, a regra de ajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo permitia a possibilidade de aumentos reais ao estabelecer que o reajuste seguiria a taxa de infla\u00e7\u00e3o e a taxa de crescimento do PIB de dois anos atr\u00e1s. Caso essa \u00faltima fosse negativa, o sal\u00e1rio m\u00ednimo seria reajustado apenas pela infla\u00e7\u00e3o. Como o PIB caiu tanto em 2015 como em 2016, o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o teve aumento real nos dois anos do governo Temer (2017 e 2018). J\u00e1 no governo Bolsonaro, a regra de reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo estabelecia que os aumentos seguiriam apenas a taxa de infla\u00e7\u00e3o, impedindo aumentos reais.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-13\" href=\"#footnote-list-13\">13<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Durante o governo Temer, a regra de ajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo permitia a possibilidade de aumentos reais ao estabelecer que o reajuste seguiria a taxa de infla\u00e7\u00e3o e a taxa de crescimento do PIB de dois anos atr\u00e1s. Caso essa \u00faltima fosse negativa, o sal\u00e1rio m\u00ednimo seria reajustado apenas pela infla\u00e7\u00e3o. Como o PIB caiu tanto em 2015 como em 2016, o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o teve aumento real nos dois anos do governo Temer (2017 e 2018). J\u00e1 no governo Bolsonaro, a regra de reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo estabelecia que os aumentos seguiriam apenas a taxa de infla\u00e7\u00e3o, impedindo aumentos reais.<\/span> Isso \u00e9 importante para a pol\u00edtica fiscal porque muitas das transfer\u00eancias diretas \u00e0s fam\u00edlias s\u00e3o indexadas ao sal\u00e1rio m\u00ednimo, que desde 2023 aumentou cerca de 3% ao ano (em termos reais). Combinado ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e ao correspondente incremento no n\u00famero de aposentados, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo traduz-se diretamente em um crescimento substancial das transfer\u00eancias diretas do governo \u00e0s fam\u00edlias. Por si s\u00f3, isso n\u00e3o seria suficiente para elevar o crescimento dos gastos do governo federal para al\u00e9m do novo limite de 2,5% adotado em 2024. Ainda assim, durante 2023, o limite de gastos foi suspenso pela chamada \u201cPEC da Transi\u00e7\u00e3o\u201d, aprovada para garantir o funcionamento do governo federal durante a transi\u00e7\u00e3o entre a antiga e a nova regra fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, na \u00faltima semana de 2023, o governo federal liberou o pagamento de pouco mais de R$ 90 bilh\u00f5es em precat\u00f3rios, o que aumentou ainda mais as transfer\u00eancias do setor p\u00fablico e se refletiu no aumento do consumo das fam\u00edlias logo no come\u00e7o de 2024.<a data-contents=\"Os precat\u00f3rios s\u00e3o d\u00edvidas p\u00fablicas estabelecidas por ordens judiciais. Em 2021, durante o governo Bolsonaro, foi aprovada uma lei limitando o valor total de pagamento de precat\u00f3rios a cada ano, atrasando os pagamentos que excederem esse limite para liberar espa\u00e7o fiscal para outros gastos. Em 2022, o Supremo Tribunal Federal declarou que o limite era inconstitucional. Como resultado, em 2023 o governo Lula teve que pagar tanto as d\u00edvidas novas quanto aquelas deixadas pelo governo anterior, o que aumentou significativamente o gasto fiscal daquele ano.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-14\" href=\"#footnote-list-14\">14<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Os precat\u00f3rios s\u00e3o d\u00edvidas p\u00fablicas estabelecidas por ordens judiciais. Em 2021, durante o governo Bolsonaro, foi aprovada uma lei limitando o valor total de pagamento de precat\u00f3rios a cada ano, atrasando os pagamentos que excederem esse limite para liberar espa\u00e7o fiscal para outros gastos. Em 2022, o Supremo Tribunal Federal declarou que o limite era inconstitucional. Como resultado, em 2023 o governo Lula teve que pagar tanto as d\u00edvidas novas quanto aquelas deixadas pelo governo anterior, o que aumentou significativamente o gasto fiscal daquele ano.<\/span> Pouco depois, foram aprovados gastos adicionais para responder a emerg\u00eancias clim\u00e1ticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul e os inc\u00eandios florestais em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. Pelo desenho da regra adotada em 2024, nem o pagamento dos precat\u00f3rios nem os gastos emergenciais foram considerados no c\u00e1lculo da meta fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, o aumento dos gastos p\u00fablicos tamb\u00e9m foi impulsionado pelos governos estaduais e municipais, cujos gastos cresceram em fun\u00e7\u00e3o do aumento das receitas e das elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024.<a data-contents=\"IPEA (2025) Carta de Conjuntura n. 66, jan.\/mar. 2025. BOX 3: O comportamento recente dos gastos dos entes subnacionais.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-15\" href=\"#footnote-list-15\">15<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">IPEA (2025) Carta de Conjuntura n. 66, jan.\/mar. 2025. BOX 3: O comportamento recente dos gastos dos entes subnacionais.<\/span> Al\u00e9m disso, houve uma expans\u00e3o dos investimentos das estatais da ordem de 28,6% ao ano, o que, novamente, n\u00e3o integra o c\u00e1lculo da meta fiscal. Como resultado, o consumo total do governo cresceu, em m\u00e9dia, 2,8% ao ano em 2023 e 2024, enquanto o investimento p\u00fablico total aumentou 9% ao ano e as transfer\u00eancias \u00e0s fam\u00edlias cresceram 5,4% ao ano. No fim das contas, em compara\u00e7\u00e3o com 2015-2022, os anos de 2023 e 2024 podem ter registrado uma taxa de juros real maior, mas foram marcados por uma pol\u00edtica fiscal muito mais expansionista.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"895\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-895x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27888\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-895x1024.png 895w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-262x300.png 262w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-768x879.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-1343x1536.png 1343w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3-1790x2048.png 1790w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart6PT-3.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 895px) 100vw, 895px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Demanda aut\u00f4noma, consumo induzido e investimento privado<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos gastos p\u00fablicos, \u00e9 importante levar em conta os outros tr\u00eas componentes da demanda agregada: as despesas aut\u00f4nomas das fam\u00edlias, o consumo induzido e os investimentos privados induzidos. O consumo induzido representa gastos com renda contratual (sal\u00e1rios e remunera\u00e7\u00f5es) gerados por decis\u00f5es empresariais relacionadas \u00e0 retomada da produ\u00e7\u00e3o. O investimento privado \u00e9 considerado induzido porque as empresas normalmente s\u00f3 investem para ajustar a produ\u00e7\u00e3o a n\u00edveis esperados de demanda efetiva (lucrativa). As despesas aut\u00f4nomas das fam\u00edlias incluem gastos n\u00e3o condicionados por decis\u00f5es produtivas das empresas, geralmente determinados pela cria\u00e7\u00e3o de poder de compra a partir da concess\u00e3o de cr\u00e9dito ou de gastos do governo.<a data-contents=\"Para uma discuss\u00e3o te\u00f3rica do conceito de demanda aut\u00f4noma e sua rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas: Serrano, F., Summa, R., e Freitas, F. (2023). Autonomous demand-led growth and the supermultiplier: the theory, the model and some clarifications. (<)em(>)Instituto de Economia UFRJ Working Paper(<)\/em(>).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-16\" href=\"#footnote-list-16\">16<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para uma discuss\u00e3o te\u00f3rica do conceito de demanda aut\u00f4noma e sua rela\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas: Serrano, F., Summa, R., e Freitas, F. (2023). Autonomous demand-led growth and the supermultiplier: the theory, the model and some clarifications. (<)em(>)Instituto de Economia UFRJ Working Paper(<)\/em(>).<\/span> Por despesas aut\u00f4nomas das fam\u00edlias, portanto, entendemos a soma do consumo aut\u00f4nomo e do investimento residencial, ambos sens\u00edveis \u00e0 taxa b\u00e1sica de juros e \u00e0 disponibilidade de cr\u00e9dito, al\u00e9m do consumo financiado por transfer\u00eancias p\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como vimos anteriormente, a taxa de juros real, embora mais alta que a m\u00e9dia hist\u00f3rica, sofreu uma pequena redu\u00e7\u00e3o entre o final de 2023 e o come\u00e7o de 2024. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de empregos formais aumentou consideravelmente (3,4% ao ano, em m\u00e9dia, em 2023-2024), enquanto a informalidade caiu de 49,8% para 48,5%.<a data-contents=\"De acordo com dados da PNAD Cont\u00ednua.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-17\" href=\"#footnote-list-17\">17<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">De acordo com dados da PNAD Cont\u00ednua.<\/span> Os trabalhadores do setor formal t\u00eam acesso facilitado ao cr\u00e9dito e obt\u00eam financiamento a taxas mais baixas. Paralelamente, o governo federal lan\u00e7ou um programa de renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, o <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/desenrola-brasil\/\">Desenrola Brasil<\/a>. Em conjunto, o crescimento do mercado de trabalho formal e a redu\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias contribu\u00edram para o aumento do consumo aut\u00f4nomo das fam\u00edlias\u2014em 2023-2024, o consumo de bens dur\u00e1veis cresceu em m\u00e9dia 12,7% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que se refere ao investimento residencial, o governo federal retomou os subs\u00eddios ao financiamento habitacional para fam\u00edlias de renda baixa ou m\u00e9dia, por meio do programa \u201cMinha Casa, Minha Vida\u201d, lan\u00e7ado em 2009 durante o segundo governo Lula e extinto em 2019 por Bolsonaro. Mas isso n\u00e3o foi suficiente para compensar o aumento da taxa de juros: o investimento residencial caiu, em m\u00e9dia, 1,8% ao ano em 2023-2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumo induzido das fam\u00edlias tamb\u00e9m aumentou no per\u00edodo, \u00e0 medida que o crescimento do PIB puxou o aumento dos sal\u00e1rios reais, a taxa de desemprego caiu, o sal\u00e1rio m\u00ednimo cresceu e a taxa de c\u00e2mbio real se valorizou (o que, como j\u00e1 discutido, foi um efeito colateral da alta da taxa de juros). O sal\u00e1rio real m\u00e9dio do setor formal cresceu cerca de 1,7% ao ano, como ilustra a figura abaixo. O rendimento real dos trabalhadores (tanto formais quanto informais) aumentou ainda mais, 4,8% ao ano, provavelmente porque, al\u00e9m do aumento dos sal\u00e1rios, o crescimento do PIB puxou um aumento da renda dos trabalhadores aut\u00f4nomos. Assim, o consumo induzido das fam\u00edlias cresceu tanto pelo aumento dos sal\u00e1rios quanto pelo aumento do emprego.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"968\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d-1024x968.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27891\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d-1024x968.png 1024w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d-300x284.png 300w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d-768x726.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d-1536x1452.png 1536w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/chart4PT-d.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, nos resta discutir o comportamento dos investimentos privados. Depois de uma queda em 2023, os investimentos privados induzidos aumentaram muito mais que o PIB em 2024, crescendo 7,1%. Isso ilustra como as empresas investem para ampliar a capacidade produtiva em expectativa de uma demanda futura. Em 2023, as expectativas de crescimento econ\u00f4mico eram baixas, mas a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica levou \u00e0 revis\u00e3o das estimativas.<a data-contents=\"Uma parte da queda dos investimentos privados em 2023 pode ser atribu\u00edda a um aumento tempor\u00e1rio dos investimentos em 2021-2022, quando v\u00e1rias empresas anteciparam compras de caminh\u00f5es, sobretudo porque sabia-se que, a partir de 2023, os pre\u00e7os dos caminh\u00f5es aumentariam devido \u00e0s novas regras sobre emiss\u00f5es de poluentes (IPEA, 2024; Haluska et al., 2025, citado acima).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-18\" href=\"#footnote-list-18\">18<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma parte da queda dos investimentos privados em 2023 pode ser atribu\u00edda a um aumento tempor\u00e1rio dos investimentos em 2021-2022, quando v\u00e1rias empresas anteciparam compras de caminh\u00f5es, sobretudo porque sabia-se que, a partir de 2023, os pre\u00e7os dos caminh\u00f5es aumentariam devido \u00e0s novas regras sobre emiss\u00f5es de poluentes (IPEA, 2024; Haluska et al., 2025, citado acima).<\/span> \u00c0 medida que a continuidade do crescimento ficou mais clara, o investimento privado come\u00e7ou a subir<a data-contents=\"Como era de se esperar, devido ao mecanismo do acelerador flex\u00edvel, cuja evid\u00eancia emp\u00edrica para o Brasil \u00e9 apresentada e discutida em: Braga, J. (2020). Investment rate, growth, and the accelerator effect in the supermultiplier model: the case of Brazil. (<)em(>)Review of Keynesian Economics(<)\/em(>), 8 (3), 454-466.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-19\" href=\"#footnote-list-19\">19<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Como era de se esperar, devido ao mecanismo do acelerador flex\u00edvel, cuja evid\u00eancia emp\u00edrica para o Brasil \u00e9 apresentada e discutida em: Braga, J. (2020). Investment rate, growth, and the accelerator effect in the supermultiplier model: the case of Brazil. (<)em(>)Review of Keynesian Economics(<)\/em(>), 8 (3), 454-466.<\/span> e a recupera\u00e7\u00e3o da demanda agregada compensou a elevada taxa de juros real.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Crescimento puxado pela demanda e limitado pela pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, a hesita\u00e7\u00e3o do governo federal em defender a pol\u00edtica fiscal expansionista e o crescimento do PIB se tornou ainda mais evidente. Em 2025, o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo foi limitado aos mesmos 2,5% que recaem sobre o crescimento dos gastos p\u00fablicos, com a justificativa de que era preciso segurar o volume das transfer\u00eancias do governo indexadas a ele. Desde 2022, os benef\u00edcios do Bolsa Fam\u00edlia, que impactam o or\u00e7amento de 20 milh\u00f5es de fam\u00edlias, tamb\u00e9m foram congelados em termos nominais (uma redu\u00e7\u00e3o real)\u2014e propostas de reajustes t\u00eam sido rejeitadas pelo Congresso.<a data-contents=\"O \u00faltimo aumento nominal relevante do principal benef\u00edcio do Bolsa Fam\u00edlia foi feito durante o governo Bolsonaro, embora em 2023 tenha sido criado um benef\u00edcio adicional aumentando as transfer\u00eancias em propor\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de crian\u00e7as com menos de 6 anos.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-20\" href=\"#footnote-list-20\">20<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">O \u00faltimo aumento nominal relevante do principal benef\u00edcio do Bolsa Fam\u00edlia foi feito durante o governo Bolsonaro, embora em 2023 tenha sido criado um benef\u00edcio adicional aumentando as transfer\u00eancias em propor\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de crian\u00e7as com menos de 6 anos.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que os gastos p\u00fablicos devem ser contidos para abrir espa\u00e7o a um crescimento mais r\u00e1pido liderado pelo setor privado, embora muito popular entre economistas brasileiros de diferentes correntes, n\u00e3o apenas \u00e9 baseada em argumentos te\u00f3ricos equivocados como levou \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira desde 2011 e \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o desde 2015.<a data-contents=\"Sobre a desacelera\u00e7\u00e3o: Serrano, F. e Summa, R. (2015). Aggregate demand and the slowdown of Brazilian economic growth in 2011-2014. Nova Economia, 25, 803-833. Sobre a estagna\u00e7\u00e3o: Haluska, G., Summa, R., e Serrano, F. (2025). The bridge to stagnation: government expenditure cap, reforms and the fall in the business investment share in Brazil (2015-2022). Working Paper No. 247\/2025.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-21\" href=\"#footnote-list-21\">21<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sobre a desacelera\u00e7\u00e3o: Serrano, F. e Summa, R. (2015). Aggregate demand and the slowdown of Brazilian economic growth in 2011-2014. Nova Economia, 25, 803-833. Sobre a estagna\u00e7\u00e3o: Haluska, G., Summa, R., e Serrano, F. (2025). The bridge to stagnation: government expenditure cap, reforms and the fall in the business investment share in Brazil (2015-2022). Working Paper No. 247\/2025.<\/span> O risco de adotar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica com essas caracter\u00edsticas \u00e9 evidente: se os atuais esfor\u00e7os para conter o crescimento dos gastos p\u00fablicos forem bem-sucedidos, o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds ser\u00e1, sem d\u00favida, reduzido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\">Tradu\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Marcolin<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m das exporta\u00e7\u00f5es, grande parte do recente desempenho positivo da economia brasileira foi resultado de uma pol\u00edtica fiscal 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