{"id":24888,"date":"2025-07-10T06:31:39","date_gmt":"2025-07-10T06:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=24888"},"modified":"2025-07-10T23:39:02","modified_gmt":"2025-07-10T23:39:02","slug":"xiaoyang-tang","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/xiaoyang-tang\/","title":{"rendered":"Caracter\u00edsticas chinesas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a China superou, em velocidade sem precedentes, a condi\u00e7\u00e3o de polo manufatureiro de baixo custo e se tornou a principal pot\u00eancia industrial e tecnol\u00f3gica do mundo. Para os Estados Unidos e seus aliados, isso \u00e9 um desafio direto \u00e0 ordem internacional do p\u00f3s-guerra. Em um cen\u00e1rio global em transforma\u00e7\u00e3o, o acirramento da disputa pelo controle de cadeias de suprimento, tecnologias cr\u00edticas e setores industriais estrat\u00e9gicos reflete uma competi\u00e7\u00e3o mais ampla: como e por quem ser\u00e3o definidas as din\u00e2micas de poder do futuro. Para muitos pa\u00edses do Sul global, por outro lado, a China representa tanto um mercado importador capaz de influenciar diretamente suas economias quanto um modelo de desenvolvimento soberano a ser seguido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na seguinte entrevista, Maria Sikorski, editora da Phenomenal World, e Xiaoyang Tang, chefe e professor do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Tsinghua e especialista do China Forum, buscam explorar essas quest\u00f5es sob uma perspectiva menos dicot\u00f4mica. A conversa abordou a trajet\u00f3ria de desenvolvimento da China, a complexidade das rela\u00e7\u00f5es entre Estado e mercado no pa\u00eds, sua influ\u00eancia sobre din\u00e2micas econ\u00f4micas mundiais e seu papel na governan\u00e7a global.<br><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma entrevista com Xiaoyang Tang<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">Maria Sikorski<\/span>: No debate ocidental, a estrat\u00e9gia de desenvolvimento da China \u00e9 comumente caracterizada pelas diferen\u00e7as que o pa\u00eds apresenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es do \u201cConsenso de Washington\u201d. A sua produ\u00e7\u00e3o intelectual, no entanto, <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/books\/coevolutionary-pragmatism\/1AE90D39B18C6AA276BFA159BC734587\">frequentemente<\/a> questiona a exist\u00eancia de algo como um \u201cConsenso de Pequim\u201d. Em vez disso, voc\u00ea trabalha com o conceito de \u201cpragmatismo coevolutivo\u201d. O que essa abordagem nos ensina sobre a hist\u00f3ria do desenvolvimento chin\u00eas? E em que medida ela pode servir de modelo para outros pa\u00edses?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xiaoyang tang<\/span>: O Consenso de Washington adota uma l\u00f3gica estrita de mecanismos causais e tenta generaliz\u00e1-los: estipula vari\u00e1veis est\u00e1ticas que devem levar a resultados espec\u00edficos, identifica rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito entre fatores como livre mercado e crescimento econ\u00f4mico. A experi\u00eancia chinesa, contudo, indica que essa abordagem \u00e9 excessivamente simplista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria da China sugere que o sucesso de um projeto nacional depende de que fatores culturais, institucionais e econ\u00f4micos, como o regime pol\u00edtico e o sistema educacional, se movam em conjunto e sejam capazes de se adaptar \u00e0s novas realidades de cada etapa do processo hist\u00f3rico de moderniza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entendo que essa rela\u00e7\u00e3o multidimensional e interativa fica mais clara quando descrita sob a \u00f3tica do pragmatismo coevolutivo. O regime pol\u00edtico, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 o fator determinante do crescimento econ\u00f4mico, mas um fator correlacionado a ele. Para que uma economia cres\u00e7a, o regime pol\u00edtico deve ser compat\u00edvel com as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas vigentes. Mas, \u00e0 medida que a economia cresce, ele deve ser capaz de se adaptar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es. Nessa din\u00e2mica, o desenvolvimento n\u00e3o resulta da ado\u00e7\u00e3o de um modelo fixo para o governo ou para a estrutura econ\u00f4mica. O que os pa\u00edses precisam \u00e9 de uma vis\u00e3o pragm\u00e1tica sobre como ajustar diferentes fatores que operam dentro de um sistema mais amplo para que se relacionem da maneira mais funcional poss\u00edvel em cada uma das etapas do processo de desenvolvimento. Ao inv\u00e9s de seguir prescri\u00e7\u00f5es generalistas como as do Consenso de Washington, cada pa\u00eds deve procurar, com dinamismo, a combina\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis adequada ao seu contexto nacional e \u00e0 sua etapa de desenvolvimento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que a China tem feito ao longo dos \u00faltimos cinquenta anos. Uma abordagem abordagem experimentalista e gradual, n\u00e3o um modelo previamente definido, foi o que permitiu \u00e0 China encontrar a combina\u00e7\u00e3o de fatores adequada para cada momento hist\u00f3rico.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: De que maneira a experi\u00eancia dom\u00e9stica da China se reflete na sua atua\u00e7\u00e3o internacional? O que orienta e estrat\u00e9gias de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e projetos de constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura no exterior? Quais s\u00e3o as prioridades do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio internacional e ao investimento estrangeiro direto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: No campo internacional, com\u00e9rcio, investimento e constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura s\u00e3o assuntos que remetem \u00e0 quest\u00e3o da moderniza\u00e7\u00e3o em solo nacional. Os impactos da moderniza\u00e7\u00e3o do ocidente sobre a capacidade produtiva mundial foram t\u00e3o profundos que obrigaram (e ainda obrigam) todos os pa\u00edses n\u00e3o ocidentais a seguir um caminho semelhante. Nenhum pa\u00eds p\u00f4de resistir a isso. A China levou um s\u00e9culo para aprender essa li\u00e7\u00e3o. As reformas e a abertura econ\u00f4mica de 1978 marcam o momento em que o pa\u00eds compreendeu que, para se modernizar, precisaria estimular a produtividade por meio da opera\u00e7\u00e3o no mercado internacional e do foco estrat\u00e9gico em infraestrutura e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A abordagem chinesa em rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio, ao investimento e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura no exterior \u00e9 relacionada a esse processo de moderniza\u00e7\u00e3o: aumentos de produtividade viabilizados pela atua\u00e7\u00e3o no mercado global demandam infraestruturas capazes de sustentar os fluxos de mercadorias, trabalho e informa\u00e7\u00e3o correspondentes. Esses fluxos, por sua vez, possibilitam que a produ\u00e7\u00e3o cres\u00e7a ainda mais. Isso favorece o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, estimula a economia e impulsiona novamente a expans\u00e3o do mercado. \u00c9 com basse nisso que a China se engaja economicamente no plano internacional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: As rela\u00e7\u00f5es sino-africanas s\u00e3o o seu principal foco de pesquisa. Como essa abordagem espec\u00edfica de desenvolvimento econ\u00f4mico que discutimos at\u00e9 agora influenciou a atua\u00e7\u00e3o chinesa no continente africano? At\u00e9 que ponto as iniciativas chinesas t\u00eam conseguido promover o desenvolvimento industrial e a transforma\u00e7\u00e3o estrutural das economias africanas, em vez de limitar seu papel \u00e0 absor\u00e7\u00e3o de um excesso de capacidade produtiva ou ao fornecimento de mat\u00e9rias-primas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: Eu comecei a pesquisar as rela\u00e7\u00f5es sino-africanas por meio da observa\u00e7\u00e3o direta, no territ\u00f3rio. Na virada do s\u00e9culo, a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre China e \u00c1frica cresceu tanto que passou a atrair a aten\u00e7\u00e3o global de formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas, agentes econ\u00f4micos e pesquisadores, e eu estive entre os primeiros a ter a oportunidade de fazer pesquisa de campo na regi\u00e3o. Fui para a \u00c1frica pela primeira vez em 2007 e tenho trabalhado com esse assunto desde ent\u00e3o, faz quase vinte anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ser o continente mais subdesenvolvido do mundo, a \u00c1frica tem muito potencial mas, \u00e9 claro, enfrenta enormes desafios. Diversas pot\u00eancias coloniais e antigas superpot\u00eancias, como os EUA e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, atuaram no continente com diferentes objetivos em suas rela\u00e7\u00f5es bilaterais, mas fizeram muito pouco para viabilizar o desenvolvimento africano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a China \u00e9 a principal parceira comercial da \u00c1frica, seguida pela \u00cdndia. A hist\u00f3ria recente do engajamento internacional no continente \u00e9 reflexo de um contexto mais amplo de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, que tem a ver com a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da estrutura econ\u00f4mica global. No s\u00e9culo XXI, economias desenvolvidas como as da Europa e a dos EUA compartilham poucos (se \u00e9 que algum) interesses comuns com a \u00c1frica. Hoje, esses pa\u00edses se limitam a oferecer alguma ajuda externa em troca de petr\u00f3leo e outros recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a China come\u00e7ou a trabalhar com as na\u00e7\u00f5es africanas, apesar de os recursos naturais serem uma parte importante da coopera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o eram a \u00fanica (os investimentos significativos da China no setor de minera\u00e7\u00e3o, por exemplo, representam menos da metade daqueles feitos por parceiros ocidentais). La\u00e7os diplom\u00e1ticos hist\u00f3ricos do per\u00edodo da descoloniza\u00e7\u00e3o foram fatores cr\u00edticos para o desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a industrializa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica pode contribuir com o crescimento chin\u00eas. Sucessivas iniciativas de governos ocidentais para desvincular suas economias do com\u00e9rcio com a China, al\u00e9m da satura\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio mercado dom\u00e9stico chin\u00eas, v\u00eam for\u00e7ando o pa\u00eds a buscar novas oportunidades. Nesse sentido, a industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos pode transform\u00e1-los em poderosos parceiros comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A China investe em infraestrutura, capacita\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o e apoia empresas locais com constru\u00e7\u00e3o de plantas de processamento de produtos agr\u00edcolas e min\u00e9rios. Na Z\u00e2mbia e no Malawi, por exemplo, a China-Africa Cotton Co. n\u00e3o apenas cultiva algod\u00e3o, mas investe na ind\u00fastria t\u00eaxtil e na constru\u00e7\u00e3o de unidades de extra\u00e7\u00e3o de oleaginosas.<a data-contents=\"Xiaoyang Tang (2021) Adaptation, innovation, and industrialization: the impact of Chinese investments on skill development in the Zambian and Malawian cotton sectors, Journal of Chinese Economic and Business Studies, 19:4, 295-313. DOI: 10.1080\/14765284.2021.1943734\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Xiaoyang Tang (2021) Adaptation, innovation, and industrialization: the impact of Chinese investments on skill development in the Zambian and Malawian cotton sectors, Journal of Chinese Economic and Business Studies, 19:4, 295-313. DOI: 10.1080\/14765284.2021.1943734<\/span> Dez anos atr\u00e1s, a China Nonferrous Metals Corporation j\u00e1 vinha desenvolvendo uma zona industrial de beneficiamento mineral na regi\u00e3o de Chambishi, na Z\u00e2mbia, com o objetivo de agregar valor \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de cobre bruto.<a data-contents=\"Deborah Br\u00e4utigam, Xiaoyang Tang. \u201cGoing Global in Groups\u201d: Structural Transformation and China\u2019s Special Economic Zones Overseas\/ World Development, Vol. 63, pp. 78-91, 2014.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Deborah Br\u00e4utigam, Xiaoyang Tang. \u201cGoing Global in Groups\u201d: Structural Transformation and China\u2019s Special Economic Zones Overseas\/ World Development, Vol. 63, pp. 78-91, 2014.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Essa rela\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica \u00e9 compar\u00e1vel com o padr\u00e3o de engajamento chin\u00eas com o resto do mundo? O caso da Am\u00e9rica Latina, em particular, me vem \u00e0 cabe\u00e7a: a China \u00e9 um parceiro comercial importante, mas seu desenvolvimento econ\u00f4mico vertiginoso no per\u00edodo recente est\u00e1 associado a um processo de reprimariza\u00e7\u00e3o das economias da regi\u00e3o, que se tornaram fornecedoras de produtos de baixo valor agregado, como soja, carne e minerais brutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: O caso da Am\u00e9rica Latina \u00e9 bem diferente do da \u00c1frica. A regi\u00e3o costumava ter n\u00edveis industriais muito mais avan\u00e7ados do que a China, mas passou por um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas\u2014 processo que j\u00e1 estava em curso desde antes da ascens\u00e3o chinesa. A desindustrializa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina foi impulsionada pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais nos anos 1980 e 1990, quando os pa\u00edses da regi\u00e3o abandonaram a antiga abordagem estruturalista de desenvolvimento econ\u00f4mico. O processo latino-americano \u00e9 extremamente diferente do africano. L\u00e1, a maioria dos pa\u00edses nunca chegou a ter n\u00edveis avan\u00e7ados de atividade industrial. As estruturas sociopol\u00edticas tamb\u00e9m s\u00e3o marcadamente distintas, assim como o n\u00edvel de mecaniza\u00e7\u00e3o produtiva e as rela\u00e7\u00f5es de trabalho em setores prim\u00e1rios como a minera\u00e7\u00e3o e a agricultura. O caso latino-americano n\u00e3o se assemelha em nada a uma industrializa\u00e7\u00e3o que parte do zero, como na \u00c1frica. S\u00e3o pa\u00edses que j\u00e1 t\u00eam estruturas modernas em muitos setores e agora, em fun\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, querem retomar seu processo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu diria que o envolvimento da China com a Am\u00e9rica Latina se acelerou na \u00faltima d\u00e9cada porque a industrializa\u00e7\u00e3o chinesa atingiu um patamar semelhante ao latino-americano, ultrapassando a regi\u00e3o em alguns setores, mas n\u00e3o em outros\u2014a ind\u00fastria aeron\u00e1utica brasileira, por exemplo, est\u00e1 \u00e0 frente da chinesa. Isso significa que ambos os parceiros ganharam novas oportunidades para trabalhar em conjunto. O setor de ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 um exemplo claro: a China tem ampla capacidade produtiva e a Am\u00e9rica Latina tem um grande mercado. O investimento chin\u00eas na regi\u00e3o, com a constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de ve\u00edculos el\u00e9tricos, pode ajudar na retomada da ind\u00fastria latino-americana. Dez anos atr\u00e1s, isso era absolutamente imposs\u00edvel: o setor automobil\u00edstico chin\u00eas era pouqu\u00edssimo desenvolvido. Agora, tendo atingido um n\u00edvel de desenvolvimento mais alto, consegue investir em projetos no exterior. A ferrovia que conecta o Brasil ao Peru e o porto de Chancay, por exemplo, s\u00e3o iniciativas de infraestrutura que permitem \u00e0 Am\u00e9rica Latina exportar ainda mais para a \u00c1sia, reduzindo sua depend\u00eancia do canal do Panam\u00e1 e do mercado norte-americano. A meu ver, essas s\u00e3o as novas tend\u00eancias para a rela\u00e7\u00e3o entre China e Am\u00e9rica Latina. Em um n\u00edvel industrial mais semelhante, s\u00e3o parceiros que podem encontrar novas complementaridades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: A coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica foi o aspecto central da sua an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es sino-africanas e sino-latino-americanas. Nas suas respectivas estrat\u00e9gias de rela\u00e7\u00f5es exteriores, de que forma os interesses do Estado e do setor privado na China convergem ou divergem? Como empres\u00e1rios chineses e oficiais do Partido compreendem o papel da China em assuntos internacionais?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: Os atores chineses n\u00e3o podem simplesmente ser divididos entre p\u00fablicos e privados. Em primeiro lugar, h\u00e1 muita competi\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria China, mesmo entre institui\u00e7\u00f5es do chamado setor p\u00fablico. Empresas estatais como a Sinopec e China Oil competem entre si. Prov\u00edncias inteiras competem entre si. Enquanto isso, o chamado setor privado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o privado assim. A Huawei \u00e9 um exemplo evidente. \u00c9 uma empresa privada que at\u00e9 tenta se distanciar do governo chin\u00eas por quest\u00f5es reputacionais e jur\u00eddicas no exterior. Contudo, essas tentativas n\u00e3o impedem que o governo dos EUA e de outros pa\u00edses ocidentais exerguem suas tecnologias cr\u00edticas como um fator relevante para a economia chinesa, e isso molda a forma como a comapanhia opera mundialmente. Isso n\u00e3o \u00e9 exclusividade da Huawei. Empresas como Alibaba, Tencent e mesmo a BYD, todas privadas, s\u00e3o componentes cr\u00edticos do sistema econ\u00f4mico chin\u00eas. Quando essas empresas investem no exterior, representam a imagem da China e contribuem com o seu projeto nacional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomemos a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota (Belt and Road Initiative &#8211; BRI), que tem um escopo amplo e uma estrat\u00e9gia bastante flex\u00edvel, como exemplo. Quando empresas chinesas investem em lugares como o Brasil e a Col\u00f4mbia, essa atividade pode ser registrada como parte da BRI. Isso ilustra qu\u00e3o complexo e diverso \u00e9 o sistema chin\u00eas. Ao mesmo tempo, para o observador externo, a atividade chinesa \u00e9 vista como monol\u00edtica justamente porque todos esses atores t\u00eam vis\u00f5es semelhantes de desenvolvimento. Quando o governo quer promover a coopera\u00e7\u00e3o internacional, conta com empresas estatais e privadas para implementar seus projetos, e quando elas tomam parte nesses projetos, passam a integrar a pr\u00f3pria pol\u00edtica externa chinesa. A China \u00e9 uma unidade composta por complexidades e diversidades, n\u00e3o se divide simplesmente entre setor p\u00fablico e setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Como voc\u00ea interpreta o fato de a China atuar, ao mesmo tempo, dentro da ordem internacional vigente e em iniciativas para reform\u00e1-la?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: A China trabalha com uma grande variedade de institui\u00e7\u00f5es internacionais, sejam elas parte da ordem mundial do p\u00f3s-guerra, sejam organiza\u00e7\u00f5es voltadas para a reforma da governan\u00e7a global. \u00c9 parte ativa do sistema ONU, por exemplo, para refor\u00e7ar o multilateralismo, a paz e a seguran\u00e7a. Figura entre os acionistas principais do FMI e do Banco Mundial, ainda que n\u00e3o esteja satisfeita com essas institui\u00e7\u00f5es por estarem, obviamente, promovendo vis\u00f5es dominadas por Washington. Segue membro da OMC, apesar dos conflitos comerciais e da recente campanha dos EUA para enfraquecer sua autoridade. A China vem explorando caminhos para trabalhar com pa\u00edses da Europa e de outras regi\u00f5es para, com sorte, recuperar a ordem comercial\u2014ainda que o atual presidente dos EUA personalize os motivos para tratar os resultados desse projeto nos pr\u00f3ximos anos de maneira pessimista.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo da China \u00e9 tornar o ambiente internacional mais favor\u00e1vel para o desenvolvimento econ\u00f4mico, n\u00e3o apenas para um pequeno n\u00famero de pa\u00edses avan\u00e7ados, mas para todos. Ent\u00e3o, de maneira consistente com a abordagem do pragmatismo coevolutivo, a China tamb\u00e9m toma parte nos esfor\u00e7os para expandir o horizonte da governan\u00e7a global. Exemplos disso s\u00e3o a ades\u00e3o aos BRICS, o estabelecimento do Banco Asi\u00e1tico de\u00a0Investimento\u00a0em Infraestrutura e o apoio \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai. Como eu disse, o desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 um objetivo que deve ser perseguido por meio da coordena\u00e7\u00e3o de diferentes vari\u00e1veis. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a China n\u00e3o adota um plano \u00fanico e linear para preservar ou reformar a ordem global existente. Em vez disso, trabalha de forma pragm\u00e1tica com as institui\u00e7\u00f5es existentes ao mesmo tempo em que investiga alternativas. O experimentalismo e o gradualismo orientam tamb\u00e9m a abordagem chinesa da governan\u00e7a global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: O que esperar da pol\u00edtica externa chinesa, particularmente em rela\u00e7\u00e3o ao Sul global, diante do atual acirramento de conflitos geopol\u00edticos e comerciais? Que pontos de inflex\u00e3o ou aprendizados devem moldar a pr\u00f3xima fase do engajamento externo chin\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: Nos \u00faltimos vinte anos, a China atribuiu muita import\u00e2ncia ao trabalho com os pa\u00edses do Sul global. Em 2024, pa\u00edses dos BRICS+, da \u00c1frica, da ASEAN e na\u00e7\u00f5es da \u00c1sia Central foram o destino de cerca de 34% das exporta\u00e7\u00f5es chinesas totais. A cifra <a href=\"https:\/\/wits.worldbank.org\/\">ultrapassou<\/a> as exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, a Europa e o Jap\u00e3o em conjunto, que responderam por 32% do total naquele ano. Hoje, em grande medida, os principais interesses chineses podem ser atendidos pelos mercados do \u201cresto do mundo\u201d, fomentando o engajamento Sul-Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pa\u00edses do Sul global expressam vis\u00f5es comuns, compartilham hist\u00f3rias e t\u00eam uma atitude mais igualit\u00e1ria e amistosa na forma\u00e7\u00e3o de parcerias. Para a China, portanto, \u00e9 muito mais f\u00e1cil continuar trabalhando com eles. Ainda, as rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul t\u00eam muito mais potencial do que as Norte-Sul. Os EUA e a Europa hoje enfrentam seus pr\u00f3prios problemas: desafios econ\u00f4micos e instabilidade pol\u00edtica s\u00e3o a ordem do dia. O Sul global, \u00e9 claro, ainda tem muitas regi\u00f5es de alto risco. Mesmo assim, diversos pa\u00edses demonstraram estabilidade e disposi\u00e7\u00e3o para receber investimentos chinses e trabalhar para o desenvolvimento comum. Dado esse cen\u00e1rio, a pol\u00edtica externa chinesa continuar\u00e1 engajada com o Sul global, n\u00e3o apenas em termos econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m para estimular a confian\u00e7a m\u00fatua e impulsionar trocas culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Finalmente, o que orienta a rea\u00e7\u00e3o da China \u00e0s restri\u00e7\u00f5es comerciais impostas pelos Estados Unidos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">xt<\/span>: No primeiro governo Trump, a resposta da China \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de novas tarifas concentrava-se na diversifica\u00e7\u00e3o de seus parceiros comerciais. Nesse segundo mandato, no entanto, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. A mira de Trump n\u00e3o est\u00e1 voltada exclusivamente para a China\u2014ao menos por enquanto. Ao contr\u00e1rio, Trump vem fomentando uma guerra tarif\u00e1ria de grande escala contra todo tipo de parceiro econ\u00f4mico dos EUA. O objetivo disso \u00e9 instrumentalizar o caos para garantir novos acordos comerciais bilaterais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia de Trump presume que a ordem existente pode ser rompida e que os pa\u00edses podem ser individual e diretamente amea\u00e7ados por restri\u00e7\u00f5es comerciais e, em raz\u00e3o do enorme mercado americano, for\u00e7ados a aceitar novos termos para a rela\u00e7\u00e3o com os EUA. Enquanto isso, a China quer usar seu pr\u00f3prio caso para mostrar ao mundo que ele n\u00e3o deve ser coagido por Trump. A China n\u00e3o tem medo da guerra comercial, mas isso n\u00e3o significa que esteja prestes a virar as costas para os EUA. Se os EUA quiserem atacar, vamos revidar. Mas se quiserem negociar, estaremos abertos, desde que seja uma negocia\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria, com respeito m\u00fatuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem que a China quer mandar para todas as regi\u00f5es do mundo, da Europa ao do Sul global, \u00e9: muitos de n\u00f3s nos beneficiamos do mercado global e dependemos dele para seguir crescendo\u2014a ordem comercial internacional \u00e9 o que nos permite promover a produtividade econ\u00f4mica e o bem-estar em nossos pa\u00edses. Devemos, assim, seguir apostando na coopera\u00e7\u00e3o internacional. Concordamos que a ordem global precisa de ajustes, mas eles devem ser feitos com respeito m\u00fatuo, e n\u00e3o por meio da atitude unilateral e condescendente de determinado presidente. A China deseja que suas a\u00e7\u00f5es ilustrem isso para o mundo. As negocia\u00e7\u00f5es entre o entre o vice-primeiro-ministro chin\u00eas e o secret\u00e1rio do Tesouro dos EUA em Genebra j\u00e1 explicitaram isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\">Tradu\u00e7\u00e3o: Lucia Del Picchia<br><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a China superou, em velocidade sem precedentes, a condi\u00e7\u00e3o de polo manufatureiro de baixo custo e se tornou a principal pot\u00eancia industrial e tecnol\u00f3gica do mundo. 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