{"id":22604,"date":"2025-04-03T05:55:00","date_gmt":"2025-04-03T05:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=22604"},"modified":"2025-04-04T20:03:41","modified_gmt":"2025-04-04T20:03:41","slug":"armadilha-neoextrativista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/","title":{"rendered":"A armadilha neoextrativista brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/\">ordem p\u00f3s-neoliberal<\/a> est\u00e1 em curso. Dado que n\u00e3o h\u00e1 horizonte p\u00f3s-capitalista em discuss\u00e3o, qualquer projeto progressista comprometido com tend\u00eancias concretas de desenvolvimento hist\u00f3rico tem que partir do fato de que o p\u00f3s-neoliberalismo n\u00e3o surgir\u00e1 da mesma maneira como surgiram, a partir do liberalismo, o New Deal estadunidense, o Welfare State europeu ou o nacional-desenvolvimentismo latino-americano\u2014cujos acordos foram constru\u00eddos justamente sobre a \u201camea\u00e7a comunista\u201d. Cem anos atr\u00e1s, eram tr\u00eas as possibilidades objetivas de desenvolvimento: capitalismo de tipo New Deal, capitalismo fascista e comunismo. Como a China n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel ao que foi a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u2014n\u00e3o \u00e9 um modelo \u201cexport\u00e1vel\u201d\u2014, o que sobra para os pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos de hoje \u00e9 uma escolha entre o p\u00f3s-neoliberalismo de tipo trumpista e um p\u00f3s-neoliberalismo de tipo progressista que ainda n\u00e3o encontrou um modelo para chamar de seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump enterrou o projeto progressista de <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/\">\u201ctransi\u00e7\u00e3o dentro da ordem\u201d<\/a>. A vit\u00f3ria do republicano deixou claro que os pontos fora da curva foram elei\u00e7\u00f5es como a de Biden ou Lula da Silva, e n\u00e3o o \u00eaxito de Bolsonaro e do pr\u00f3prio Trump. O p\u00f3s-neoliberalismo em sua vers\u00e3o trumpista tende a ser dominante. A chance do campo progressista est\u00e1 em construir um real programa oposicionista alternativo em vista dessa tend\u00eancia. Como <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/\">defendi anteriormente<\/a>, \u201calcan\u00e7ar novos padr\u00f5es de governan\u00e7a global pode significar a diferen\u00e7a entre a guerra e a paz\u201d\u2014e, para muitos pa\u00edses do sul global, \u201ccerto al\u00edvio de d\u00edvidas e algum financiamento para a obten\u00e7\u00e3o das tecnologias necess\u00e1rias para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica efetiva\u201d. Evitar guerras generalizadas e conseguir realizar algo de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 a tarefa premente das pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, pelo menos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como ocorreu na ascens\u00e3o do liberalismo e do neoliberalismo, a solidifica\u00e7\u00e3o de uma ordem p\u00f3s-neoliberal n\u00e3o acontecer\u00e1 de forma homog\u00eanea ao redor do mundo. Identificar os diferentes padr\u00f5es de depend\u00eancia de pa\u00edses do Sul global e suas poss\u00edveis tend\u00eancias de desenvolvimento exige encontrar bons pontos de apoio para estudos comparados entre equipes de diferentes pa\u00edses e regi\u00f5es.<a data-contents=\"Ver a esse respeito meu texto \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/'(>)Condicionalidades perif\u00e9ricas(<)\/a(>)\u201d, publicado pela PW em 26 de setembro de 2024.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Ver a esse respeito meu texto \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/'(>)Condicionalidades perif\u00e9ricas(<)\/a(>)\u201d, publicado pela PW em 26 de setembro de 2024.<\/span> Proponho como um tal ponto de apoio a ideia de \u201carmadilha neoextrativista\u201d e apresento aqui, em grandes linhas e de maneira lacunar e tentativa, meu entendimento de como se armou a armadilha neoextrativista no Brasil. Como defini\u00e7\u00e3o preliminar, sugiro entender por armadilha neoextrativista o conjunto de obst\u00e1culos estruturais que bloqueiam o caminho para uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica orientada pelo combate \u00e0s desigualdades. O que significa igualmente: o conjunto de obst\u00e1culos estruturais que bloqueiam uma interdepend\u00eancia por associa\u00e7\u00e3o livre e aut\u00f4noma entre pa\u00edses e regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Propor a ideia geral de \u201carmadilha neoextrativista\u201d como ponto de partida e foco de pesquisa significa p\u00f4r em quest\u00e3o formula\u00e7\u00f5es que utilizaram o termo \u201carmadilha\u201d com outros objetivos. Penso aqui em defini\u00e7\u00f5es como \u201carmadilha da renda m\u00e9dia\u201d ou \u201carmadilha do baixo crescimento\u201d. Superar usos como esses da ideia de \u201carmadilha\u201d significa, antes de mais nada, restabelecer a centralidade da depend\u00eancia e da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, quadro em que essas formula\u00e7\u00f5es parecem limitadas, para dizer o menos. Busca-se, em suma, a conex\u00e3o entre neoliberalismo e neoextrativismo, tanto em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos quarenta anos da hist\u00f3ria brasileira quanto \u00e0s atuais tend\u00eancias de reorganiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal do capitalismo que se desenham globalmente, pensando-as desde sua periferia. Assim como o neoliberalismo, tamb\u00e9m o neoextrativismo n\u00e3o pode ser pensado unicamente em termos econ\u00f4micos, mesmo que sob a ideia abrangente de \u201ceconomiza\u00e7\u00e3o\u201d ou outras similares. A no\u00e7\u00e3o de armadilha neoextrativista tem car\u00e1ter verdadeiramente multidimensional: ambiental, econ\u00f4mico, cultural, pol\u00edtico, social, geopol\u00edtico, tecnol\u00f3gico. O que deixa claro que a no\u00e7\u00e3o mesma de armadilha neoextrativista tem de ser entendida por meio de uma proposta de pesquisa de car\u00e1ter interdisciplinar e colaborativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse ponto de partida se apoia, por sua vez, em dois elementos de diagn\u00f3stico fundamentais. Em primeiro lugar, a emerg\u00eancia ambiental tem uma caracter\u00edstica in\u00e9dita quando se pensa em padr\u00f5es de depend\u00eancia: deixar pa\u00edses para tr\u00e1s na transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica significa comprometer a transi\u00e7\u00e3o a n\u00edvel planet\u00e1rio. N\u00e3o que n\u00e3o possa acontecer, evidentemente, j\u00e1 que n\u00e3o faltam ind\u00edcios de que esse caminho autodestrutivo esteja sendo tomado. Mas alcan\u00e7ar uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica bem-sucedida\u2014na medida em que o adjetivo couber\u2014 n\u00e3o deixar\u00e1 de produzir\u2014nas circunst\u00e2ncias atuais, ao menos\u2014novos padr\u00f5es de depend\u00eancia, mesmo que agora moldados e limitados pela emerg\u00eancia ambiental. E divisar tend\u00eancias de desenvolvimento dos novos padr\u00f5es de depend\u00eancia p\u00f3s-neoliberal atualmente em constru\u00e7\u00e3o exige compreender o legado da depend\u00eancia neoliberal em todas as suas dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo elemento de diagn\u00f3stico fundamental est\u00e1 em que o horizonte de a\u00e7\u00e3o atual se caracteriza por uma marcada divis\u00e3o pol\u00edtica que, nos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, encontra, de um lado, uma direita sem medo de se aliar \u00e0 extrema direita e, de outro, um novo progressismo. Essa aut\u00eantica divis\u00e3o\u2014<a href=\"https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/limites-da-democracia\">n\u00e3o se trata de mera \u201cpolariza\u00e7\u00e3o\u201d<\/a>\u2014\u00e9 parte integrante da pr\u00f3pria \u201carmadilha\u201d. \u00c9 uma divis\u00e3o que acirra ao mesmo tempo em que rebaixa o horizonte pol\u00edtico, criando uma verdadeira camisa de for\u00e7a a restringir o campo de a\u00e7\u00e3o da parte da esquerda que quer evitar a todo custo a vit\u00f3ria do autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se trata de agir e de pensar na situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em que nos encontramos, n\u00e3o temos o direito de ignorar essas limita\u00e7\u00f5es, sob pena de militarizar conflitos, perder a democracia que existe e, ao final, inviabilizar qualquer transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Ao mesmo tempo, n\u00e3o podemos permitir que o horizonte rebaixado da pol\u00edtica atual rebaixe ao mesmo n\u00edvel nosso horizonte te\u00f3rico, que deve se projetar para al\u00e9m da guerra de trincheiras do presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos quarenta anos, o Brasil experimentou uma mudan\u00e7a estrutural na correla\u00e7\u00e3o das for\u00e7as sociais, econ\u00f4micas e culturais. A globaliza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio das vantagens comparativas refor\u00e7ou a primariza\u00e7\u00e3o e produziu a desindustrializa\u00e7\u00e3o de diversas economias do Sul global, em especial as da Am\u00e9rica Latina, transformando os pa\u00edses da regi\u00e3o em <a href=\"https:\/\/unctad.org\/publication\/commodity-dependence-twenty-year-perspective\">dependentes de commodities<\/a>, nos termos da UNCTAD.<a data-contents=\"Segundo o crit\u00e9rio da UNCTAD, 17 pa\u00edses latino-americanos estariam nessa categoria, o Brasil entre eles. No caso brasileiro, \u201c(<)em(>)the share of commodity exports increased from 44.3 per cent in 1998-2002 to 62.8 per cent in 2013-2017. While all commodity groups increased their share in total merchandise exports, agricultural exports grew the most, by 390 per cent and accounted for 42.8 per cent of the increase in export value during the period. And even though non-commodity exports grew by 160 per cent, their share in total exports fell, accounting for 29.1 per cent of the growth of exports(<)\/em(>)\u201d (Commodity-Dependence: A Twenty-Year Perspective, UNCTAD, 2019, p. 28). Uma an\u00e1lise retrospectiva que abrange todo o s\u00e9culo XX e que chega at\u00e9 o momento atual em seus efeitos negativos pode ser encontrada em Jos\u00e9 Antonio Ocampo, \u201cCommodity-led Development in Latin America\u201d (in: Gilles Carbonnier; Humberto Campod\u00f3nico; Sergio Tezanos V\u00e1squez (orgs.), Alternative Pathways to Sustainable Development: Lessons From Latin America, Brill Nijhoff: Leiden\/Boston, 2027. Trata-se aqui de mera indica\u00e7\u00e3o da tarefa muito mais ampla e fundamental de apresentar a transforma\u00e7\u00e3o estrutural da economia brasileira no per\u00edodo neoliberal. Ressalte-se tamb\u00e9m que esta \u00e9 apenas uma das muitas dimens\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o do Brasil como pa\u00eds \u201cem armadilha neoextrativista\u201d, como procuro indicar ao longo deste texto.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Segundo o crit\u00e9rio da UNCTAD, 17 pa\u00edses latino-americanos estariam nessa categoria, o Brasil entre eles. No caso brasileiro, \u201c(<)em(>)the share of commodity exports increased from 44.3 per cent in 1998-2002 to 62.8 per cent in 2013-2017. While all commodity groups increased their share in total merchandise exports, agricultural exports grew the most, by 390 per cent and accounted for 42.8 per cent of the increase in export value during the period. And even though non-commodity exports grew by 160 per cent, their share in total exports fell, accounting for 29.1 per cent of the growth of exports(<)\/em(>)\u201d (Commodity-Dependence: A Twenty-Year Perspective, UNCTAD, 2019, p. 28). Uma an\u00e1lise retrospectiva que abrange todo o s\u00e9culo XX e que chega at\u00e9 o momento atual em seus efeitos negativos pode ser encontrada em Jos\u00e9 Antonio Ocampo, \u201cCommodity-led Development in Latin America\u201d (in: Gilles Carbonnier; Humberto Campod\u00f3nico; Sergio Tezanos V\u00e1squez (orgs.), Alternative Pathways to Sustainable Development: Lessons From Latin America, Brill Nijhoff: Leiden\/Boston, 2027. Trata-se aqui de mera indica\u00e7\u00e3o da tarefa muito mais ampla e fundamental de apresentar a transforma\u00e7\u00e3o estrutural da economia brasileira no per\u00edodo neoliberal. Ressalte-se tamb\u00e9m que esta \u00e9 apenas uma das muitas dimens\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o do Brasil como pa\u00eds \u201cem armadilha neoextrativista\u201d, como procuro indicar ao longo deste texto.<\/span> No caso brasileiro, a agropecu\u00e1ria e a extra\u00e7\u00e3o mineral ocuparam todo o espa\u00e7o perdido pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o\u2014ao ponto de alguns autores considerarem que a manufatura est\u00e1 \u201c<a href=\"https:\/\/portalibre.fgv.br\/sites\/default\/files\/2022-10\/texto-de-discussao-6-a-beira-da-extincao.pdf\">\u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d\u2014seja em termos de participa\u00e7\u00e3o no PIB, seja de produtividade e exporta\u00e7\u00f5es.<a data-contents=\"A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB brasileiro chegou a ser de 35,8% em 1985, passou a 13,8% em 1998 e baixou para 11,3% em 2021, ao mesmo tempo em que sua participa\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es caiu de um patamar pr\u00f3ximo a 80% em 1997 para outro em torno de 50%, esses pontos percentuais tendo sido tomados pela agropecu\u00e1ria (8,1 p.p.) e pela extra\u00e7\u00e3o mineral (19,7 p.p.). (Claudio Considera e Juliana Trece, \u201c(<)a href='https:\/\/portalibre.fgv.br\/sites\/default\/files\/2022-10\/texto-de-discussao-6-a-beira-da-extincao.pdf'(>)\u00c0 beira da extin\u00e7\u00e3o(<)\/a(>)\u201d, texto de discuss\u00e3o #6, IBRE\/FGV, 7 de outubro de 2022). Essa \u00e9 uma mera constata\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma proposta de \u201creindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d para retornar a um momento anterior ou algo similar. Porque o problema de um pa\u00eds como o Brasil \u00e9 antes a armadilha neoextrativista em que se encontra. Trata-se de uma armadilha pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social, cultural. N\u00e3o se trata, portanto, de \u201creindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d, sem mais, mas antes a de determinar quais pol\u00edticas industriais ser\u00e3o necess\u00e1rias e adequadas para buscar sair da armadilha neoextrativista. Sobre isso, ver o relat\u00f3rio de autoria de Adriana Mandacaru Guerra, Tim Sahay, Renato H. de Gaspi e Bentley Allan, \u201cNova pol\u00edtica industrial para um novo mundo: aproveitando as oportunidades do Brasil na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, de fevereiro de 2025.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB brasileiro chegou a ser de 35,8% em 1985, passou a 13,8% em 1998 e baixou para 11,3% em 2021, ao mesmo tempo em que sua participa\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es caiu de um patamar pr\u00f3ximo a 80% em 1997 para outro em torno de 50%, esses pontos percentuais tendo sido tomados pela agropecu\u00e1ria (8,1 p.p.) e pela extra\u00e7\u00e3o mineral (19,7 p.p.). (Claudio Considera e Juliana Trece, \u201c(<)a href='https:\/\/portalibre.fgv.br\/sites\/default\/files\/2022-10\/texto-de-discussao-6-a-beira-da-extincao.pdf'(>)\u00c0 beira da extin\u00e7\u00e3o(<)\/a(>)\u201d, texto de discuss\u00e3o #6, IBRE\/FGV, 7 de outubro de 2022). Essa \u00e9 uma mera constata\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma proposta de \u201creindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d para retornar a um momento anterior ou algo similar. Porque o problema de um pa\u00eds como o Brasil \u00e9 antes a armadilha neoextrativista em que se encontra. Trata-se de uma armadilha pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social, cultural. N\u00e3o se trata, portanto, de \u201creindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d, sem mais, mas antes a de determinar quais pol\u00edticas industriais ser\u00e3o necess\u00e1rias e adequadas para buscar sair da armadilha neoextrativista. Sobre isso, ver o relat\u00f3rio de autoria de Adriana Mandacaru Guerra, Tim Sahay, Renato H. de Gaspi e Bentley Allan, \u201cNova pol\u00edtica industrial para um novo mundo: aproveitando as oportunidades do Brasil na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, de fevereiro de 2025.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, depois de mais de trinta anos da democracia menos limitada que o pa\u00eds j\u00e1 teve, o Brasil viu o retorno de uma extrema direita desinibida que, aos trancos e barrancos, liderou uma nova coaliz\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica que chegou ao poder presidencial com Jair Bolsonaro. Desde ent\u00e3o, a direita sem medo de se aliar \u00e0 extrema direita tomou para si a posi\u00e7\u00e3o de representante dessa nova coaliz\u00e3o formada e consolidada ao longo de quarenta anos de neoliberalismo.<a data-contents=\"Uma tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o do processo de forma\u00e7\u00e3o dessa coaliz\u00e3o pode ser encontrada em (<)a href='https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/limites-da-democracia'(>)Limites da Democracia(<)\/a(>). Neste livro, procuro mostrar tamb\u00e9m que uma importante base de mobiliza\u00e7\u00e3o e engajamento dessa coaliz\u00e3o est\u00e1 em uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-institucionalizada que chamo de partido digital bolsonarista. A rela\u00e7\u00e3o entre essa organiza\u00e7\u00e3o e partidos formais, institucionalizados, com todas as suas tens\u00f5es e conflitos, \u00e9, na verdade, um dos pontos fortes da coaliz\u00e3o bolsonarista. Sobre a digitaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica a partir de meados dos anos 2000, ver igualmente Limites da democracia.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-list-4\">4<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o do processo de forma\u00e7\u00e3o dessa coaliz\u00e3o pode ser encontrada em (<)a href='https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/limites-da-democracia'(>)Limites da Democracia(<)\/a(>). Neste livro, procuro mostrar tamb\u00e9m que uma importante base de mobiliza\u00e7\u00e3o e engajamento dessa coaliz\u00e3o est\u00e1 em uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-institucionalizada que chamo de partido digital bolsonarista. A rela\u00e7\u00e3o entre essa organiza\u00e7\u00e3o e partidos formais, institucionalizados, com todas as suas tens\u00f5es e conflitos, \u00e9, na verdade, um dos pontos fortes da coaliz\u00e3o bolsonarista. Sobre a digitaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica a partir de meados dos anos 2000, ver igualmente Limites da democracia.<\/span> Esse \u00e9 o terreno sobre o qual se arma a armadilha neoextrativista no pa\u00eds hoje\u2014e sobre o qual se disputa seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Redemocratiza\u00e7\u00e3o e neoliberalismo no Brasil<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A marca caracter\u00edstica do neoliberalismo brasileiro est\u00e1 em que sua ascens\u00e3o coincide com o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em meados da d\u00e9cada de 1980, ap\u00f3s 21 anos de ditadura militar. Difere, portanto, de casos como o do Reino Unido, com a elei\u00e7\u00e3o de Margaret Thatcher, em 1979, ou dos Estados Unidos, em que o marcador hist\u00f3rico costuma ser associado \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Ronald Reagan, em 1980. O caso brasileiro difere, igualmente, de outro lado, da implanta\u00e7\u00e3o do neoliberalismo no Chile, realizada por uma ditadura militar em um pa\u00eds perif\u00e9rico. Essa marca caracter\u00edstica do processo brasileiro de implementa\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o neoliberal n\u00e3o \u00e9 exclusiva. Em outros pa\u00edses, como Portugal, Argentina e Espanha, neoliberalismo e redemocratiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m coincidiram. A quest\u00e3o \u00e9 compreender, portanto, a especificidade do caso brasileiro dentro do grupo de pa\u00edses que guardam essa marca hist\u00f3rica caracter\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985, quando o poder presidencial passou a uma coaliz\u00e3o civil de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar brasileira, quem liderou a transi\u00e7\u00e3o para a democracia foi o progressismo: uma alian\u00e7a de setores origin\u00e1rios da esquerda com setores da direita democr\u00e1tica\u2014al\u00e9m de tr\u00e2nsfugas do autoritarismo que renderam-se \u00e0 lideran\u00e7a progressista.<a data-contents=\"Uma reconstru\u00e7\u00e3o acurada desses desenvolvimentos nos \u00faltimos 40 anos pode ser encontrada em Perry Anderson, (<)em(>)Brazil Apart: 1964-2019(<)\/em(>), London: Verso, 2019.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-list-5\">5<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma reconstru\u00e7\u00e3o acurada desses desenvolvimentos nos \u00faltimos 40 anos pode ser encontrada em Perry Anderson, (<)em(>)Brazil Apart: 1964-2019(<)\/em(>), London: Verso, 2019.<\/span> Juntamente com for\u00e7as de uma nova esquerda\u2014da qual o Partido dos Trabalhadores (PT), fundado em 1980, pretendia ser o grande representante\u2014, elaborou-se a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988,\u00a0 documento por excel\u00eancia da lideran\u00e7a progressista. Para al\u00e9m do estabelecimento de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, a alian\u00e7a progressista que liderou a transi\u00e7\u00e3o estabeleceu o combate a todos os tipos de desigualdade como prioridade principal\u2014assim deve ser entendida a cria\u00e7\u00e3o, em 1990, de uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o extraordin\u00e1ria quanto o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que teve por modelo o NHS brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da hegemonia do progressismo no processo constituinte, o que restou \u00e0 direita herdeira da ditadura militar foi construir uma trincheira defensiva. N\u00e3o se trata de dizer que essa t\u00e1tica defensiva n\u00e3o tenha conseguido vit\u00f3rias importantes, a come\u00e7ar pela n\u00e3o responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agentes da ditadura por seus crimes. Trata-se apenas de enfatizar que, nesse primeiro momento da redemocratiza\u00e7\u00e3o, a base social e pol\u00edtica da ditadura em decl\u00ednio n\u00e3o teve for\u00e7a para controlar e dirigir o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O legado da ditadura militar foi uma profunda crise econ\u00f4mica marcada por hiperinfla\u00e7\u00e3o e por uma d\u00edvida externa impag\u00e1vel. Da\u00ed a grande turbul\u00eancia pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica de um processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem neoliberal que se deu simultaneamente a uma transi\u00e7\u00e3o para a democracia. O emblema dessa dificuldade \u00e9 o pr\u00f3prio texto da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, marcado por um nacional-desenvolvimentismo que prevaleceu por meio s\u00e9culo e que s\u00f3 posteriormente\u2014e aos poucos\u2014foi adaptado \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da era neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ocorre que o arranjo pol\u00edtico liderado pelo progressismo foi guiado por um princ\u00edpio de adi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de confronta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o apenas por causa da orienta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de abrir m\u00e3o de responsabilizar agentes da ditadura por seus crimes, mas especialmente porque o combate \u00e0s desigualdades lan\u00e7ou m\u00e3o de outros recursos que n\u00e3o uma mudan\u00e7a estrutural da tributa\u00e7\u00e3o da renda e do patrim\u00f4nio, por exemplo. Foi um arranjo que conseguiu fazer com que estratos pobres, marginalizados e discriminados fossem minimamente favorecidos, mas segundo a diretriz de que os demais estratos mantivessem as posi\u00e7\u00f5es dominantes conquistadas e preservadas durante o per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contrapartida de governo do arranjo acomodat\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o foi uma configura\u00e7\u00e3o peculiar do sistema pol\u00edtico. De 1994\u2014nas elei\u00e7\u00f5es marcadas pelo lan\u00e7amento do Plano Real de estabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica\u2014at\u00e9, pelo menos, a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff (PT, 2011-2016), em 2014, a grande maioria dos partidos formava uma massa relativamente indistinta de m\u00e1quinas pol\u00edticas: encastelados no Estado, nele se reproduziam, funcionando como empresas de venda de apoio parlamentar. Com raras exce\u00e7\u00f5es, todos os partidos sempre compuseram o governo, qualquer que fosse o governo e qualquer que fosse a candidatura que apoiaram na elei\u00e7\u00e3o presidencial. O que se teve nesse per\u00edodo foi um modelo de gest\u00e3o pol\u00edtica baseado na forma\u00e7\u00e3o de supercoaliz\u00f5es, limitando a oposi\u00e7\u00e3o nominal a uma franja parlamentar. A isso se deu o nome de presidencialismo de coaliz\u00e3o.<a data-contents=\"Esse paradigma explicativo sempre considerou como irrelevantes os tra\u00e7os que apontei aqui como centrais: forma\u00e7\u00e3o de supercoaliz\u00f5es parlamentares e de governo, e ades\u00e3o ao governo de plant\u00e3o seja qual for e seja qual for o candidato que o partido que adere tenha apoiado na elei\u00e7\u00e3o presidencial. Sobre minha proposta alternativa de caracteriza\u00e7\u00e3o desse modelo e outros pontos importantes desenvolvidos neste texto, ver Marcos Nobre, (<)a href='https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535923346\/imobilismo-em-movimento?idtag=c7625f0a-7620-45f8-9798-3593f7e505e5&amp;gad_source=1&amp;gclid=CjwKCAiAh6y9BhBREiwApBLHC6Admufy0tNtDAI-HIFhuWOsvsJ5UGKNw81a9CUWVeELK_UmlpNGLhoCAC4QAvD_BwE'(>)(<)em(>)Imobilismo em movimento: da redemocratiza\u00e7\u00e3o ao governo Dilma(<)\/em(>)(<)\/a(>), S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013 e (<)em(>)Limites da Democracia(<)\/em(>), obra citada.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-list-6\">6<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Esse paradigma explicativo sempre considerou como irrelevantes os tra\u00e7os que apontei aqui como centrais: forma\u00e7\u00e3o de supercoaliz\u00f5es parlamentares e de governo, e ades\u00e3o ao governo de plant\u00e3o seja qual for e seja qual for o candidato que o partido que adere tenha apoiado na elei\u00e7\u00e3o presidencial. Sobre minha proposta alternativa de caracteriza\u00e7\u00e3o desse modelo e outros pontos importantes desenvolvidos neste texto, ver Marcos Nobre, (<)a href='https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535923346\/imobilismo-em-movimento?idtag=c7625f0a-7620-45f8-9798-3593f7e505e5&amp;gad_source=1&amp;gclid=CjwKCAiAh6y9BhBREiwApBLHC6Admufy0tNtDAI-HIFhuWOsvsJ5UGKNw81a9CUWVeELK_UmlpNGLhoCAC4QAvD_BwE'(>)(<)em(>)Imobilismo em movimento: da redemocratiza\u00e7\u00e3o ao governo Dilma(<)\/em(>)(<)\/a(>), S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2013 e (<)em(>)Limites da Democracia(<)\/em(>), obra citada.<\/span> A administra\u00e7\u00e3o de supercoaliz\u00f5es ocorria em condi\u00e7\u00f5es de crescente fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria<a data-contents=\"Sobre a fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria entre 1991 e 2019, ver Andr\u00e9a Freitas e Glauco Peres da Silva, \u201cDas manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2018 no Brasil: Buscando uma abordagem institucional\u201d, (<)em(>)Novos Estudos Cebrap(<)\/em(>), v. 38, n. 1, jan.-abr. 2019.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-list-7\">7<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sobre a fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria entre 1991 e 2019, ver Andr\u00e9a Freitas e Glauco Peres da Silva, \u201cDas manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2018 no Brasil: Buscando uma abordagem institucional\u201d, (<)em(>)Novos Estudos Cebrap(<)\/em(>), v. 38, n. 1, jan.-abr. 2019.<\/span><sup> <\/sup>que tendia n\u00e3o apenas a ser ineficiente, mas tamb\u00e9m bloqueava a implementa\u00e7\u00e3o do programa de governo da coaliz\u00e3o vencedora da elei\u00e7\u00e3o presidencial. Ao mesmo tempo, servia ao arranjo pol\u00edtico acomodat\u00edcio que manteve o combate \u00e0s desigualdades e o pr\u00f3prio aprofundamento da democracia em ritmo lento e controlado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ajuste que controlou a infla\u00e7\u00e3o realizado pelo Plano Real, iniciado ainda em 1993, a sa\u00edda para essa limita\u00e7\u00e3o de base da estrat\u00e9gia de n\u00e3o confronta\u00e7\u00e3o foi um aumento da tributa\u00e7\u00e3o. Em 2002\u2014ao final de oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002)\u2014, a carga tribut\u00e1ria subiu de um patamar de 25% para cerca de 31,5% do PIB. O n\u00famero cresceu mais dois pontos percentuais at\u00e9 2006, j\u00e1 sob o governo Lula (PT, 2003-2010), quando o sistema pol\u00edtico estabeleceu que seria esse o limite do aumento. Com pequenas varia\u00e7\u00f5es, essa \u00e9 a carga tribut\u00e1ria que prevalece at\u00e9 hoje.<a data-contents=\"Manoel Pires, \u201c(<)a href='https:\/\/observatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br\/series-historicas\/carga-tributaria\/carga-tributaria-bruta-1990-2023'(>)Carga tribut\u00e1ria bruta: 1990-2023(<)\/a(>)\u201d, 13 de maio de 2024, Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal, IBRE\/FGV. Aprovada em etapas entre 2023 e 2024, uma Reforma Tribut\u00e1ria de amplo alcance passar\u00e1 a ser implementada a partir de 2026, passando a valer integralmente a partir de 2033. Ainda \u00e9 dif\u00edcil dizer com precis\u00e3o qual ser\u00e1 a carga tribut\u00e1ria que resultar\u00e1 dessa mudan\u00e7a de grande amplitude.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-list-8\">8<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Manoel Pires, \u201c(<)a href='https:\/\/observatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br\/series-historicas\/carga-tributaria\/carga-tributaria-bruta-1990-2023'(>)Carga tribut\u00e1ria bruta: 1990-2023(<)\/a(>)\u201d, 13 de maio de 2024, Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal, IBRE\/FGV. Aprovada em etapas entre 2023 e 2024, uma Reforma Tribut\u00e1ria de amplo alcance passar\u00e1 a ser implementada a partir de 2026, passando a valer integralmente a partir de 2033. Ainda \u00e9 dif\u00edcil dizer com precis\u00e3o qual ser\u00e1 a carga tribut\u00e1ria que resultar\u00e1 dessa mudan\u00e7a de grande amplitude.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fechado o caminho do aumento da tributa\u00e7\u00e3o, os governos do PT, especialmente entre 2003 e 2013, encontraram no boom de commodities (2003-2011) um novo meio de enfrentar desigualdades sem desafiar o arranjo acomodat\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o.<a data-contents=\"Para uma an\u00e1lise dos impactos do boom de commodities e de seu esgotamento no modelo econ\u00f4mico brasileiro, ver Laura Carvalho, (<)a href='https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/valsa-brasileira'(>)(<)em(>)Valsa Brasileira: do boom ao caos econ\u00f4mico(<)\/em(>)(<)\/a(>), S\u00e3o Paulo: Todavia, 2018.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-9\" href=\"#footnote-list-9\">9<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para uma an\u00e1lise dos impactos do boom de commodities e de seu esgotamento no modelo econ\u00f4mico brasileiro, ver Laura Carvalho, (<)a href='https:\/\/todavialivros.com.br\/livros\/valsa-brasileira'(>)(<)em(>)Valsa Brasileira: do boom ao caos econ\u00f4mico(<)\/em(>)(<)\/a(>), S\u00e3o Paulo: Todavia, 2018.<\/span> Apesar da crise de 2008, a estrat\u00e9gia seguiu operante at\u00e9 seu completo esgotamento em meados da d\u00e9cada de 2010. Uma severa recess\u00e3o, iniciada j\u00e1 no final de 2014, mas cujos efeitos s\u00f3 foram efetivamente sentidos a partir de 2015, se instalou e durou por dois longos anos, at\u00e9 o final de 2016. O PIB brasileiro recuou 7,2% no per\u00edodo, o PIB per capita, 9,1%, superando os n\u00fameros da crise de 1930-1931 no pa\u00eds. Simultaneamente, de 2015 at\u00e9 o in\u00edcio de 2019, uma opera\u00e7\u00e3o judicial \u201canticorrup\u00e7\u00e3o\u201d\u2014inspirada na Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3os Limpas italiana, de in\u00edcios dos anos 1990\u2014, a chamada Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, revelou e corroeu os il\u00edcitos fundamentos do sistema pol\u00edtico das \u00faltimas d\u00e9cadas, estabelecendo um estado de p\u00e2nico permanente na pol\u00edtica oficial, que entrou em modo de autodefesa m\u00e1xima. A partir da reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff em 2014 e passando por seu impeachment em 2016, seguiram-se dez anos de intensa crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<a data-contents=\"Em uma s\u00edntese gen\u00e9rica, mas \u00fatil e ilustrativa, da concentra\u00e7\u00e3o de renda, da desigualdade e da pobreza nas d\u00e9cadas de 2000 e 2010: \u201ca primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI fora a melhor j\u00e1 vivida pelo pa\u00eds em termos distributivos. Entre 2001 e 2011, a renda m\u00e9dia das fam\u00edlias cresceu mais de 30%, a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini caiu mais de 10%, e as taxas de extrema pobreza e de pobreza recuaram, respectivamente 4 e 12 pontos percentuais\u201d (Rog\u00e9rio J. Barbosa; Pedro H. G. Ferreira de Souza; Sergei S. D. Soares, \u201c(<)a href='https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/desigualdade-brasil\/'(>)Desigualdade de renda no Brasil de 2012 a 2019(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Dados(<)\/em(>), 16 de julho de 2020). Esse processo se inverteu na segunda metade da d\u00e9cada de 2010. Para que se tenha uma ideia desse recuo, segundo os n\u00fameros desse mesmo artigo, o coeficiente de Gini em 2019 (0,543) foi praticamente igual ao do ano de 2012 (0,541). Para fins comparativos, lembre-se que, em 2001, o coeficiente de Gini era de 0,593.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-10\" href=\"#footnote-list-10\">10<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Em uma s\u00edntese gen\u00e9rica, mas \u00fatil e ilustrativa, da concentra\u00e7\u00e3o de renda, da desigualdade e da pobreza nas d\u00e9cadas de 2000 e 2010: \u201ca primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI fora a melhor j\u00e1 vivida pelo pa\u00eds em termos distributivos. Entre 2001 e 2011, a renda m\u00e9dia das fam\u00edlias cresceu mais de 30%, a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini caiu mais de 10%, e as taxas de extrema pobreza e de pobreza recuaram, respectivamente 4 e 12 pontos percentuais\u201d (Rog\u00e9rio J. Barbosa; Pedro H. G. Ferreira de Souza; Sergei S. D. Soares, \u201c(<)a href='https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/desigualdade-brasil\/'(>)Desigualdade de renda no Brasil de 2012 a 2019(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Dados(<)\/em(>), 16 de julho de 2020). Esse processo se inverteu na segunda metade da d\u00e9cada de 2010. Para que se tenha uma ideia desse recuo, segundo os n\u00fameros desse mesmo artigo, o coeficiente de Gini em 2019 (0,543) foi praticamente igual ao do ano de 2012 (0,541). Para fins comparativos, lembre-se que, em 2001, o coeficiente de Gini era de 0,593.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o fim do arranjo acomodat\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o vem refletido no or\u00e7amento p\u00fablico do pa\u00eds: 95% do total est\u00e3o comprometidos, de partida, com despesas obrigat\u00f3rias. Um governo, seja qual for, disp\u00f5e apenas de 5% do or\u00e7amento para realizar o programa que o elegeu. A partir de 2015, o Congresso Nacional foi progressivamente abocanhando parte substantiva desses 5% de uso discricion\u00e1rio do governo, chegando hoje a 20% desse total (ou 1% de todo o or\u00e7amento federal). <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/marcos-mendes\/2024\/08\/brasil-foge-do-padrao-em-acao-do-legislativo-no-orcamento.shtml\">Trata-se de um <em>outlier<\/em><\/a> em qualquer compara\u00e7\u00e3o internacional. A aplica\u00e7\u00e3o dos recursos \u00e9 altamente <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/farra-ilimitada\/\">intransparente e ineficiente<\/a>, al\u00e9m de fortalecer a reprodu\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/eleicoes-2022\/centrao-colhe-os-votos-do-orcamento-secreto\/\">mesma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as<\/a> dominante no parlamento desde 2018. Essa mudan\u00e7a afetou profundamente o padr\u00e3o anterior de governo, reduzindo a domin\u00e2ncia do poder executivo.<a data-contents=\"Raul Bonfim; Joyce Hellen Luz; Vitor Vasquez, \u201c(<)a href='https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/rFmyNgZBFJgpFWrkWBrXhgQ\/'(>)Mandatory Individual Amendments: a Change in the Pattern of Executive Dominance in the Brazilian Budgetary and Financial Cycle(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Brazilian Political Science Review(<)\/em(>), 17 (2), 2023.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-11\" href=\"#footnote-list-11\">11<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Raul Bonfim; Joyce Hellen Luz; Vitor Vasquez, \u201c(<)a href='https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/rFmyNgZBFJgpFWrkWBrXhgQ\/'(>)Mandatory Individual Amendments: a Change in the Pattern of Executive Dominance in the Brazilian Budgetary and Financial Cycle(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Brazilian Political Science Review(<)\/em(>), 17 (2), 2023.<\/span> Como reflexo disso, o <a href=\"https:\/\/observatorio-politica-fiscal.ibre.fgv.br\/series-historicas\/investimentos-publicos\/investimentos-publicos-1947-2022\">investimento p\u00fablico no Brasil<\/a> atingiu m\u00ednimos hist\u00f3ricos na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"915\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-915x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22605\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-915x1024.png 915w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-268x300.png 268w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-768x859.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-1373x1536.png 1373w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1-1830x2048.png 1830w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/chart1-PT-1.png 2040w\" sizes=\"auto, (max-width: 915px) 100vw, 915px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale notar que a possibilidade de contornar o arranjo por meio do endividamento das fam\u00edlias j\u00e1 foi utilizada, tendo a configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da redemocratiza\u00e7\u00e3o atingido tamb\u00e9m sob esse aspecto seu limite.<a data-contents=\"Lena Lavinas, Eliane Ara\u00fajo e Pedro Rubin, \u201c(<)a href='https:\/\/centrodeeconomiapolitica.org.br\/repojs\/index.php\/journal\/article\/view\/2455'(>)Income transfers and household debt. The advancing collateralization of social policy in the midst of restructuring crises(<)\/a(>)\u201d ((<)em(>)Revista de Economia Pol\u00edtica(<)\/em(>), 44 (2), 2024), mostram que o endividamento das fam\u00edlias relativamente ao rendimento praticamente triplicou no per\u00edodo de 2005 a 2020, passando de um patamar de 20% para outro pr\u00f3ximo de 60%. Essa mudan\u00e7a afeta a estrutura mesma da pol\u00edtica social, como se mostra no texto.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-12\" href=\"#footnote-list-12\">12<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Lena Lavinas, Eliane Ara\u00fajo e Pedro Rubin, \u201c(<)a href='https:\/\/centrodeeconomiapolitica.org.br\/repojs\/index.php\/journal\/article\/view\/2455'(>)Income transfers and household debt. The advancing collateralization of social policy in the midst of restructuring crises(<)\/a(>)\u201d ((<)em(>)Revista de Economia Pol\u00edtica(<)\/em(>), 44 (2), 2024), mostram que o endividamento das fam\u00edlias relativamente ao rendimento praticamente triplicou no per\u00edodo de 2005 a 2020, passando de um patamar de 20% para outro pr\u00f3ximo de 60%. Essa mudan\u00e7a afeta a estrutura mesma da pol\u00edtica social, como se mostra no texto.<\/span> Cabe sublinhar, ainda, os efeitos da internaliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica a partir de meados dos anos 2000. Nesse momento, o Brasil n\u00e3o s\u00f3 praticamente eliminou sua d\u00edvida denominada em d\u00f3lares como acumulou reservas da ordem de US$ 330 bilh\u00f5es\u2014que protegem o pa\u00eds de crises cambiais como aquelas dos anos 1990. Ao mesmo tempo, em 2024, o servi\u00e7o da d\u00edvida correspondeu a cerca de 16% de todos os gastos p\u00fablicos. A internaliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida teve como contrapartida pol\u00edtica, portanto, um empoderamento ainda maior do mercado financeiro. Em um contexto de esgotamento das possibilidades de contornar o arranjo acomodat\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o, grandes detentores de t\u00edtulos p\u00fablicos s\u00e3o tamb\u00e9m atores decisivos para o congelamento de uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em que uma coaliz\u00e3o redistributivista se v\u00ea politicamente dominada por uma coaliz\u00e3o antiredistributivista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que, dentro da atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o fiscal para financiar uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no pa\u00eds, mesmo que sob a forma limitada de uma transi\u00e7\u00e3o meramente energ\u00e9tica.<a data-contents=\"Diante desse estado de coisas, n\u00e3o \u00e9 de espantar que tenham surgido propostas de \u201cflexibilizar\u201d o or\u00e7amento, ou seja, abandonar despesas obrigat\u00f3rias com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios sociais ligados ao sistema previdenci\u00e1rio, por exemplo. Trata-se de uma proposta coerente com a posi\u00e7\u00e3o antirredistributiva da coaliz\u00e3o Bolsonarista para al\u00e9m do (pouco) que foi realizado desde o come\u00e7o da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Mas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 a tal ponto restritiva que a proposta n\u00e3o deixa de encontrar eco em setores relevantes da coaliz\u00e3o do novo progressismo.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-13\" href=\"#footnote-list-13\">13<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Diante desse estado de coisas, n\u00e3o \u00e9 de espantar que tenham surgido propostas de \u201cflexibilizar\u201d o or\u00e7amento, ou seja, abandonar despesas obrigat\u00f3rias com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios sociais ligados ao sistema previdenci\u00e1rio, por exemplo. Trata-se de uma proposta coerente com a posi\u00e7\u00e3o antirredistributiva da coaliz\u00e3o Bolsonarista para al\u00e9m do (pouco) que foi realizado desde o come\u00e7o da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Mas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 a tal ponto restritiva que a proposta n\u00e3o deixa de encontrar eco em setores relevantes da coaliz\u00e3o do novo progressismo.<\/span> Igualmente, <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/marshall-plans\/\">n\u00e3o h\u00e1 perspectiva<\/a> de que haver\u00e1 o financiamento externo necess\u00e1rio para tanto.<a data-contents=\"No j\u00e1 mencionado (<)em(>)Valsa Brasileira(<)\/em(>), Laura Carvalho utiliza a figura ir\u00f4nica da \u201cfadinha da confian\u00e7a\u201d, criada por Paul Krugman em 2017, para lembrar que pol\u00edticas de austeridade n\u00e3o produziram as prometidas recompensas em termos de investimentos e gastos do setor privado.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-14\" href=\"#footnote-list-14\">14<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">No j\u00e1 mencionado (<)em(>)Valsa Brasileira(<)\/em(>), Laura Carvalho utiliza a figura ir\u00f4nica da \u201cfadinha da confian\u00e7a\u201d, criada por Paul Krugman em 2017, para lembrar que pol\u00edticas de austeridade n\u00e3o produziram as prometidas recompensas em termos de investimentos e gastos do setor privado.<\/span> E isso apesar do fato de ser dif\u00edcil <a href=\"https:\/\/www.netzeropolicylab.com\/brazil-new-world\">imaginar um pa\u00eds melhor posicionado em termos estrat\u00e9gicos<\/a> para realizar essa transi\u00e7\u00e3o do que o Brasil: mais de 80% da energia brasileira vem de fontes renov\u00e1veis, o pa\u00eds possui a segunda maior \u00e1rea de florestas do mundo (na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, em especial), tem as maiores reservas renov\u00e1veis de \u00e1gua doce do planeta, disp\u00f5e de enorme potencial em termos de gera\u00e7\u00e3o de energia solar e e\u00f3lica (que j\u00e1 representam quase um quarto de toda a energia el\u00e9trica produzida nacionalmente), al\u00e9m de outros recursos que podem ser mobilizados para a transi\u00e7\u00e3o.<a data-contents=\"Como mostra o j\u00e1 mencionado relat\u00f3rio de autoria de Adriana Mandacaru Guerra, Tim Sahay, Renato H. de Gaspi e Bentley Allan, \u201c(<)a href='https:\/\/www.netzeropolicylab.com\/brazil-new-world'(>)Nova pol\u00edtica industrial para um novo mundo: aproveitando as oportunidades do Brasil na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica(<)\/a(>)\u201d: \u201cNo novo cen\u00e1rio geopol\u00edtico, os pa\u00edses mais relevantes ser\u00e3o aqueles com grande potencial para energia solar e e\u00f3lica, reservas de minerais cr\u00edticos, recursos de biomassa, e capacidade de produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio. O tamanho do Brasil e a sua riqueza de recursos naturais conferem ao pa\u00eds o potencial de se tornar uma pot\u00eancia l\u00edder em recursos. Some-se a isso as suas capacidades em manufatura avan\u00e7ada e agricultura mecanizada, o Brasil pode ser uma pot\u00eancia de primeira ordem no novo sistema energ\u00e9tico mundial, ao lado da China, dos Estados Unidos e da R\u00fassia\u201d.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-15\" href=\"#footnote-list-15\">15<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Como mostra o j\u00e1 mencionado relat\u00f3rio de autoria de Adriana Mandacaru Guerra, Tim Sahay, Renato H. de Gaspi e Bentley Allan, \u201c(<)a href='https:\/\/www.netzeropolicylab.com\/brazil-new-world'(>)Nova pol\u00edtica industrial para um novo mundo: aproveitando as oportunidades do Brasil na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica(<)\/a(>)\u201d: \u201cNo novo cen\u00e1rio geopol\u00edtico, os pa\u00edses mais relevantes ser\u00e3o aqueles com grande potencial para energia solar e e\u00f3lica, reservas de minerais cr\u00edticos, recursos de biomassa, e capacidade de produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio. O tamanho do Brasil e a sua riqueza de recursos naturais conferem ao pa\u00eds o potencial de se tornar uma pot\u00eancia l\u00edder em recursos. Some-se a isso as suas capacidades em manufatura avan\u00e7ada e agricultura mecanizada, o Brasil pode ser uma pot\u00eancia de primeira ordem no novo sistema energ\u00e9tico mundial, ao lado da China, dos Estados Unidos e da R\u00fassia\u201d.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fim do arranjo acomodat\u00edcio: neoextrativismo e disputas redistributivas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Independentemente do car\u00e1ter ultrajante da concentra\u00e7\u00e3o de renda, das desigualdades, das discrimina\u00e7\u00f5es e da pobreza no pa\u00eds, a coaliz\u00e3o liderada pela direita sem medo estabeleceu como excessivo e inaceit\u00e1vel o limitado pacto acomodat\u00edcio da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Apesar dos efeitos redistributivos manifestamente restritos do arranjo da redemocratiza\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia das discrimina\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e das desigualdades persistentes, o lema impl\u00edcito dessa coaliz\u00e3o \u00e9: a redistribui\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 foi longe demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 assim que a divis\u00e3o pol\u00edtica se d\u00e1\u2014no Brasil, mas talvez n\u00e3o s\u00f3 no Brasil\u2014entre uma coaliz\u00e3o redistributivista e uma coaliz\u00e3o antirredistributivista.<a data-contents=\"Uma das principais tarefas quando se trata de identificar padr\u00f5es de depend\u00eancia \u00e9 circunscrever com o m\u00e1ximo de clareza poss\u00edvel esses blocos e coaliz\u00f5es em n\u00edvel nacional-perif\u00e9rico em suas conex\u00f5es internas com sociedades centrais, tarefa ainda por realizar. Nos limites deste texto e desta proposta, o m\u00e1ximo que posso fazer \u00e9 enunciar a quest\u00e3o e procurar indicar aqueles que considero serem alguns dos elementos estruturantes para formular hip\u00f3teses de pesquisa. Uma primeira vis\u00e3o de conjunto no que diz respeito especificamente ao investimento externo pode ser obtida com a consulta aos gr\u00e1ficos compilados em \u201c(<)a href='https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2025\/01\/governo-desenha-programa-para-tentar-impulsionar-investimento-estrangeiro-direto.shtml'(>)Governo desenha janela para atrair investimentos estrangeiros diretos(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Folha de S. Paulo(<)\/em(>), 11 de janeiro de 2025. Este quadro deve ser compreendido apenas em termos de uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o ilustrativa do argumento. \u00c9 fundamental realizar estudos detalhados sobre a evolu\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro direto no Brasil segundo a participa\u00e7\u00e3o por pa\u00eds sede do controlador final e relacion\u00e1-lo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es e \u00e0 corrente de com\u00e9rcio para alcan\u00e7ar um quadro de partida abrangente. E isso n\u00e3o apenas nas trocas entre o Norte e o Sul Global, mas tamb\u00e9m para trocas Sul-Sul, que apresentam igualmente suas cadeias de depend\u00eancia espec\u00edficas.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-16\" href=\"#footnote-list-16\">16<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma das principais tarefas quando se trata de identificar padr\u00f5es de depend\u00eancia \u00e9 circunscrever com o m\u00e1ximo de clareza poss\u00edvel esses blocos e coaliz\u00f5es em n\u00edvel nacional-perif\u00e9rico em suas conex\u00f5es internas com sociedades centrais, tarefa ainda por realizar. Nos limites deste texto e desta proposta, o m\u00e1ximo que posso fazer \u00e9 enunciar a quest\u00e3o e procurar indicar aqueles que considero serem alguns dos elementos estruturantes para formular hip\u00f3teses de pesquisa. Uma primeira vis\u00e3o de conjunto no que diz respeito especificamente ao investimento externo pode ser obtida com a consulta aos gr\u00e1ficos compilados em \u201c(<)a href='https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2025\/01\/governo-desenha-programa-para-tentar-impulsionar-investimento-estrangeiro-direto.shtml'(>)Governo desenha janela para atrair investimentos estrangeiros diretos(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Folha de S. Paulo(<)\/em(>), 11 de janeiro de 2025. Este quadro deve ser compreendido apenas em termos de uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o ilustrativa do argumento. \u00c9 fundamental realizar estudos detalhados sobre a evolu\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro direto no Brasil segundo a participa\u00e7\u00e3o por pa\u00eds sede do controlador final e relacion\u00e1-lo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es e \u00e0 corrente de com\u00e9rcio para alcan\u00e7ar um quadro de partida abrangente. E isso n\u00e3o apenas nas trocas entre o Norte e o Sul Global, mas tamb\u00e9m para trocas Sul-Sul, que apresentam igualmente suas cadeias de depend\u00eancia espec\u00edficas.<\/span> Ou seja, n\u00e3o se trata apenas de considerar o fosso entre \u201cprojetos de mundo\u201d incompat\u00edveis em termos de <em>valores<\/em>. Tamb\u00e9m no Brasil, as chamadas guerras culturais e no\u00e7\u00f5es catch-all como \u201cempreendedorismo\u201d n\u00e3o s\u00e3o \u201cguerras de valores\u201d, mas aut\u00eanticas guerras redistributivas. A disputa entre projetos de mundo \u00e9 uma disputa em torno de quais desigualdades merecem ou n\u00e3o ser combatidas\u2014e de que maneira.<a data-contents=\"Arlie R. Hochschild, no in\u00edcio de seu livro, faz a si mesma perguntas para as quais ainda n\u00e3o tem resposta \u00e0quela altura: \u201cSmall farmers voting with Monsanto? Corner drugstore owners voting with Walmart? The local bookstore owner voting with Amazon? If I were a small business owner, I would welcome lower company taxes, sure, but strengthening the monopolies that could force me out of business? I didn&#8217;t get it\u201d ((<)em(>)Strangers in Their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), New York: The New Press, 2016, p. 10). Entendo que a resposta, ao final do livro mostra a for\u00e7a das transforma\u00e7\u00f5es neoliberais, que fizeram com que a escassez de recursos p\u00fablicos para pol\u00edticas compensat\u00f3rias, produzida pela pr\u00f3pria regula\u00e7\u00e3o neoliberal, tenha se tornado fonte de divis\u00e3o entre grupos subalternizados e n\u00e3o disputas de classe em sentido tradicional. Em vista da escassez de recursos, grupos sociais subalternizados preferem se opor \u00e0 continuidade de pol\u00edticas de redistribui\u00e7\u00e3o em lugar de buscar um entendimento sobre pol\u00edticas redistributivas espec\u00edficas. Esses grupos visam a um congelamento da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as produzida pelo neoliberalismo. O que, ao mesmo tempo, exige sob muitos aspectos deixar o pr\u00f3prio neoliberalismo para tr\u00e1s. O segundo governo de Donald Trump surge aqui como padr\u00e3o e modelo.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-17\" href=\"#footnote-list-17\">17<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Arlie R. Hochschild, no in\u00edcio de seu livro, faz a si mesma perguntas para as quais ainda n\u00e3o tem resposta \u00e0quela altura: \u201cSmall farmers voting with Monsanto? Corner drugstore owners voting with Walmart? The local bookstore owner voting with Amazon? If I were a small business owner, I would welcome lower company taxes, sure, but strengthening the monopolies that could force me out of business? I didn&#8217;t get it\u201d ((<)em(>)Strangers in Their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), New York: The New Press, 2016, p. 10). Entendo que a resposta, ao final do livro mostra a for\u00e7a das transforma\u00e7\u00f5es neoliberais, que fizeram com que a escassez de recursos p\u00fablicos para pol\u00edticas compensat\u00f3rias, produzida pela pr\u00f3pria regula\u00e7\u00e3o neoliberal, tenha se tornado fonte de divis\u00e3o entre grupos subalternizados e n\u00e3o disputas de classe em sentido tradicional. Em vista da escassez de recursos, grupos sociais subalternizados preferem se opor \u00e0 continuidade de pol\u00edticas de redistribui\u00e7\u00e3o em lugar de buscar um entendimento sobre pol\u00edticas redistributivas espec\u00edficas. Esses grupos visam a um congelamento da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as produzida pelo neoliberalismo. O que, ao mesmo tempo, exige sob muitos aspectos deixar o pr\u00f3prio neoliberalismo para tr\u00e1s. O segundo governo de Donald Trump surge aqui como padr\u00e3o e modelo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, ambas as coaliz\u00f5es partilham do neoextravismo legado pelo per\u00edodo neoliberal.<a data-contents=\"Cada um \u00e0 sua maneira, ambos os representantes da divis\u00e3o atual s\u00e3o herdeiros leg\u00edtimos do neoliberalismo. Os termos em que Gary Gerstle ((<)em(>)The Rise and Fall of the Neoliberal Order: America and the World in the Free Market Era(<)\/em(>), Oxford: Oxford University Press, 2022) descreveu a configura\u00e7\u00e3o da disputa nos Estados Unidos aclaram os detalhes do processo sucess\u00f3rio: um dos lados lado \u00e9 herdeiro do \u201cneovitorianismo\u201d (o neoliberalismo conservador de Ronald Reagan na d\u00e9cada de 1980), o outro \u00e9 herdeiro do \u201ccosmopolitismo\u201d (o neoliberalismo progressista consolidado a partir da gest\u00e3o de Bill Clinton nos anos 1990). A diferen\u00e7a da nova gera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o \u00e9 que em muitos lugares a direita sem medo, herdeira do neovitorianismo, \u00e9 agora explicitamente controlada pela extrema direita. O novo progressismo, por sua vez, antes o pr\u00f3prio establishment em boa parte dos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, est\u00e1 ainda em busca de nova configura\u00e7\u00e3o em vista da nova hegemonia da direita sem medo.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-18\" href=\"#footnote-list-18\">18<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Cada um \u00e0 sua maneira, ambos os representantes da divis\u00e3o atual s\u00e3o herdeiros leg\u00edtimos do neoliberalismo. Os termos em que Gary Gerstle ((<)em(>)The Rise and Fall of the Neoliberal Order: America and the World in the Free Market Era(<)\/em(>), Oxford: Oxford University Press, 2022) descreveu a configura\u00e7\u00e3o da disputa nos Estados Unidos aclaram os detalhes do processo sucess\u00f3rio: um dos lados lado \u00e9 herdeiro do \u201cneovitorianismo\u201d (o neoliberalismo conservador de Ronald Reagan na d\u00e9cada de 1980), o outro \u00e9 herdeiro do \u201ccosmopolitismo\u201d (o neoliberalismo progressista consolidado a partir da gest\u00e3o de Bill Clinton nos anos 1990). A diferen\u00e7a da nova gera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o \u00e9 que em muitos lugares a direita sem medo, herdeira do neovitorianismo, \u00e9 agora explicitamente controlada pela extrema direita. O novo progressismo, por sua vez, antes o pr\u00f3prio establishment em boa parte dos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, est\u00e1 ainda em busca de nova configura\u00e7\u00e3o em vista da nova hegemonia da direita sem medo.<\/span> A coaliz\u00e3o da direita sem medo se sente \u00e0 vontade na posi\u00e7\u00e3o neoextrativista. Nem por isso, entretanto, o retorno de Lula \u00e0 presid\u00eancia, no in\u00edcio de 2023, por decisivo que seja (e \u00e9), representa um abandono da posi\u00e7\u00e3o neoextrativista por parte da coaliz\u00e3o do novo progressismo.<a data-contents=\"Sintetizando um esfor\u00e7o coletivo na Am\u00e9rica Latina de desenvolver a no\u00e7\u00e3o de \u201cneoextrativismo\u201d, Maristella Svampa ((<)em(>)Neo-extractivism in Latin\u00a0America. Socio-environmental Conflicts, the Territorial Turn, and New Political\u00a0Narratives(<)\/em(>), Cambridge: Cambridge University Press, 2019) resume esse estado de coisas nas f\u00f3rmulas \u201cneoextrativismo\u201d e \u201cneoextrativismo progressista\u201d. At\u00e9 onde sei, no entanto, as an\u00e1lises de Svampa n\u00e3o envolvem explicitamente a utiliza\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de \u201carmadilha\u201d, como procuro fazer aqui.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-19\" href=\"#footnote-list-19\">19<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sintetizando um esfor\u00e7o coletivo na Am\u00e9rica Latina de desenvolver a no\u00e7\u00e3o de \u201cneoextrativismo\u201d, Maristella Svampa ((<)em(>)Neo-extractivism in Latin\u00a0America. Socio-environmental Conflicts, the Territorial Turn, and New Political\u00a0Narratives(<)\/em(>), Cambridge: Cambridge University Press, 2019) resume esse estado de coisas nas f\u00f3rmulas \u201cneoextrativismo\u201d e \u201cneoextrativismo progressista\u201d. At\u00e9 onde sei, no entanto, as an\u00e1lises de Svampa n\u00e3o envolvem explicitamente a utiliza\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de \u201carmadilha\u201d, como procuro fazer aqui.<\/span> Hoje, se decidir abandonar essa posi\u00e7\u00e3o, o novo progressismo deixar\u00e1 de ser competitivo em elei\u00e7\u00f5es. E se as coaliz\u00f5es progressistas forem derrotadas, a coaliz\u00e3o opositora, liderada pela extrema-direita, n\u00e3o hesitar\u00e1 em pisar no acelerador do neoextrativismo, usando seus resultados imediatos para ganhos pol\u00edtico-eleitorais e, eventualmente, para um fechamento do regime. No entanto, se o progressismo n\u00e3o abrir m\u00e3o do neoextrativismo, a coaliz\u00e3o opositora liderada pela extrema-direita j\u00e1 ter\u00e1 vencido, pois seu programa econ\u00f4mico ter\u00e1 vencido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplo da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo \u00e9 tanto mais emblem\u00e1tico desse estado de coisas brasileiro em raz\u00e3o de seu papel crescentemente relevante na economia do pa\u00eds.<a data-contents=\"Outro exemplo emblem\u00e1tico aqui \u00e9 o da agropecu\u00e1ria. Sobre isso, ver o artigo de Fernando Rugitsky, \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/the-worlds-stockyard\/'(>)O curral do mundo: agroneg\u00f3cio e transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Brasil(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 21 de agosto de 2024, que tamb\u00e9m explora outros aspectos das contradi\u00e7\u00f5es da coaliz\u00e3o do novo progressismo no poder no pa\u00eds. Para uma complexa compreens\u00e3o antropol\u00f3gico-pol\u00edtica do \u201cmundo do agro\u201d, ver Caio Pompeia, (<)em(>)Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do agroneg\u00f3cio(<)\/em(>), S\u00e3o Paulo: Elefante, 2021.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-20\" href=\"#footnote-list-20\">20<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Outro exemplo emblem\u00e1tico aqui \u00e9 o da agropecu\u00e1ria. Sobre isso, ver o artigo de Fernando Rugitsky, \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/the-worlds-stockyard\/'(>)O curral do mundo: agroneg\u00f3cio e transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica no Brasil(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 21 de agosto de 2024, que tamb\u00e9m explora outros aspectos das contradi\u00e7\u00f5es da coaliz\u00e3o do novo progressismo no poder no pa\u00eds. Para uma complexa compreens\u00e3o antropol\u00f3gico-pol\u00edtica do \u201cmundo do agro\u201d, ver Caio Pompeia, (<)em(>)Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do agroneg\u00f3cio(<)\/em(>), S\u00e3o Paulo: Elefante, 2021.<\/span> Em 2016, o Brasil se tornou pela primeira vez exportador l\u00edquido de petr\u00f3leo e, em 2024, virou o <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/mundo\/noticia\/2024\/08\/05\/uso-politico-sucateou-petroleo-da-venezuela-desde-o-periodo-chavista.ghtml\">principal produtor da Am\u00e9rica Latina<\/a>. Em 2024, o petr\u00f3leo e seus derivados chegaram \u00e0 <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/12\/05\/petroleo-desbanca-soja-e-lidera-exportacoes-brasileiras-pela-primeira-vez.ghtml\">primeira posi\u00e7\u00e3o<\/a> do ranking em termos de valor exportado total. A Petrobras, companhia estatal e principal produtora, \u201cest\u00e1 planejando um aumento t\u00e3o r\u00e1pido na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo que pode se tornar a terceira maior produtora mundial at\u00e9 2030\u201d, sendo que \u201cj\u00e1 extrai quase tanto petr\u00f3leo bruto por ano quanto a ExxonMobil\u201d.<a data-contents=\"M. Bearak, \u201cBrazil\u2019s Clashing Goals: Protect the Amazon and Pump Lots More Oil\u201d, (<)em(>)The New York Times(<)\/em(>), 13 de mar\u00e7o de 2024.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-21\" href=\"#footnote-list-21\">21<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">M. Bearak, \u201cBrazil\u2019s Clashing Goals: Protect the Amazon and Pump Lots More Oil\u201d, (<)em(>)The New York Times(<)\/em(>), 13 de mar\u00e7o de 2024.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contradi\u00e7\u00e3o envolvida nesse projeto de expans\u00e3o pode ser observada na disputa dentro do governo em torno da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pr\u00f3ximo \u00e0 foz do Rio Amazonas. Em 2023, a Petrobras divulgou um estudo em que estima haver cerca de 5,6 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo no bloco da Margem Equatorial, no estado do Amap\u00e1. No entanto, o \u00f3rg\u00e3o regulador ambiental brasileiro, o Ibama, <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2023\/05\/licenca-nao-pode-ser-no-grito-diz-ex-presidente-do-ibama-sobre-petroleo-no-amazonas\/\">negou<\/a> a licen\u00e7a para a companhia iniciar qualquer tipo de explora\u00e7\u00e3o. A Ministra do Meio Ambiente Marina Silva defendeu o parecer do Ibama e ressaltou que o ponto de vista t\u00e9cnico do \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o deve sofrer interfer\u00eancias pol\u00edticas. Por sua vez, outros setores do governo brasileiro, e mesmo Lula, defendem a explora\u00e7\u00e3o e se movimentam em dire\u00e7\u00e3o a sua autoriza\u00e7\u00e3o.<a data-contents=\"\u00a0Como (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/cibele-viera\/'(>)afirmou(<)\/a(>) Cibele Vieira em entrevista a Hugo Fanton: \u201cAs Guianas j\u00e1 est\u00e3o explorando em torno da Margem Equatorial. A disputa com a Venezuela tem rela\u00e7\u00e3o com isso. No mundo de hoje, deixar de usar energia f\u00f3ssil ainda n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel. A Margem Equatorial ser\u00e1 explorada, pelo Brasil ou por outro pa\u00eds. Nosso entendimento \u00e9 de que novas fronteiras t\u00eam que ser exploradas, nessa concep\u00e7\u00e3o de que os ganhos devem ser investidos na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 7 de mar\u00e7o de 2024. Em sentido semelhante, ver a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/petropolitica\/'(>)entrevista(<)\/a(>) de C\u00e9sar Loza a Camilo Andr\u00e9s Garz\u00f3n, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 18 de setembro de 2024. O caso colombiano \u00e9 tanto mais interessante porque os resultados da decis\u00e3o do governo de Gustavo Petro de n\u00e3o celebrar novos acordos de explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo ser\u00e3o muito provavelmente paradigm\u00e1ticos para pensar a l\u00f3gica da armadilha neoextrativista, dada a depend\u00eancia da Col\u00f4mbia dessa commodity. Sobre isso, ver uma vez mais (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), que publicou a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/interviews\/salomon-kalmanovitz\/'(>)entrevista(<)\/a(>) de Salom\u00f3n Kalmanovitz a Camilo Andr\u00e9s Garz\u00f3n em 1 de agosto de 2024.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-22\" href=\"#footnote-list-22\">22<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">\u00a0Como (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/cibele-viera\/'(>)afirmou(<)\/a(>) Cibele Vieira em entrevista a Hugo Fanton: \u201cAs Guianas j\u00e1 est\u00e3o explorando em torno da Margem Equatorial. A disputa com a Venezuela tem rela\u00e7\u00e3o com isso. No mundo de hoje, deixar de usar energia f\u00f3ssil ainda n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel. A Margem Equatorial ser\u00e1 explorada, pelo Brasil ou por outro pa\u00eds. Nosso entendimento \u00e9 de que novas fronteiras t\u00eam que ser exploradas, nessa concep\u00e7\u00e3o de que os ganhos devem ser investidos na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 7 de mar\u00e7o de 2024. Em sentido semelhante, ver a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/petropolitica\/'(>)entrevista(<)\/a(>) de C\u00e9sar Loza a Camilo Andr\u00e9s Garz\u00f3n, (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), 18 de setembro de 2024. O caso colombiano \u00e9 tanto mais interessante porque os resultados da decis\u00e3o do governo de Gustavo Petro de n\u00e3o celebrar novos acordos de explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e petr\u00f3leo ser\u00e3o muito provavelmente paradigm\u00e1ticos para pensar a l\u00f3gica da armadilha neoextrativista, dada a depend\u00eancia da Col\u00f4mbia dessa commodity. Sobre isso, ver uma vez mais (<)em(>)Phenomenal World(<)\/em(>), que publicou a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/interviews\/salomon-kalmanovitz\/'(>)entrevista(<)\/a(>) de Salom\u00f3n Kalmanovitz a Camilo Andr\u00e9s Garz\u00f3n em 1 de agosto de 2024.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o que n\u00e3o falta em uma armadilha neoextrativista s\u00e3o contradi\u00e7\u00f5es, a Petrobras \u00e9 hoje, provavelmente, o \u00fanico polo de produ\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de tecnologia de amplo alcance instalado no pa\u00eds.<a data-contents=\"\u201cA Petrobras bateu, pelo terceiro ano consecutivo, o recorde de dep\u00f3sito de patentes, com 142 pedidos registrados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), superando as marcas obtidas nos dois \u00faltimos anos (&#8230;). A empresa tamb\u00e9m superou a marca de 1.200 patentes ativas, mantendo a lideran\u00e7a entre depositantes nacionais, incluindo empresas e universidades, e aguarda a confirma\u00e7\u00e3o do INPI para saber se alcan\u00e7ou o recorde nacional. O plano estrat\u00e9gico da empresa, divulgado recentemente, prev\u00ea investimentos de US$ 3,6 bilh\u00f5es em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o (P&amp;DI), de 2024 a 2028, o maior da hist\u00f3ria da empresa, com previs\u00e3o do aumento de aportes em descarboniza\u00e7\u00e3o e novas energias em torno de 30% em 2028\u201d. \u201c(<)a href='https:\/\/pesquisaparainovacao.fapesp.br\/petrobras_bate_recorde_de_deposito_de_patentes_em_2023\/2990'(>)Petrobras bate recorde de dep\u00f3sito de patentes em 2023(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Ag\u00eancia Fapesp(<)\/em(>), 16 de janeiro de 2024.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-23\" href=\"#footnote-list-23\">23<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">\u201cA Petrobras bateu, pelo terceiro ano consecutivo, o recorde de dep\u00f3sito de patentes, com 142 pedidos registrados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), superando as marcas obtidas nos dois \u00faltimos anos (&#8230;). A empresa tamb\u00e9m superou a marca de 1.200 patentes ativas, mantendo a lideran\u00e7a entre depositantes nacionais, incluindo empresas e universidades, e aguarda a confirma\u00e7\u00e3o do INPI para saber se alcan\u00e7ou o recorde nacional. O plano estrat\u00e9gico da empresa, divulgado recentemente, prev\u00ea investimentos de US$ 3,6 bilh\u00f5es em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o (P&amp;DI), de 2024 a 2028, o maior da hist\u00f3ria da empresa, com previs\u00e3o do aumento de aportes em descarboniza\u00e7\u00e3o e novas energias em torno de 30% em 2028\u201d. \u201c(<)a href='https:\/\/pesquisaparainovacao.fapesp.br\/petrobras_bate_recorde_de_deposito_de_patentes_em_2023\/2990'(>)Petrobras bate recorde de dep\u00f3sito de patentes em 2023(<)\/a(>)\u201d, (<)em(>)Ag\u00eancia Fapesp(<)\/em(>), 16 de janeiro de 2024.<\/span> O complexo do petr\u00f3leo no Brasil superou em muito, por exemplo, os impressionantes feitos da empresa estatal de produ\u00e7\u00e3o de tecnologia agropecu\u00e1ria, a Embrapa, e sua magnitude impede compara\u00e7\u00f5es com a din\u00e2mica e competitiva ind\u00fastria aeron\u00e1utica brasileira, representada pela Embraer. \u00c9 dif\u00edcil imaginar uma articula\u00e7\u00e3o entre empresa e universidade que possa competir com aquela consolidada pela Petrobras para liderar uma transi\u00e7\u00e3o (pelo menos) energ\u00e9tica no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constitui\u00e7\u00e3o eleitoral competitiva da coaliz\u00e3o antirredistributivista no Brasil mostra que o problema vai muito al\u00e9m de simples manipula\u00e7\u00e3o, desinforma\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia. A vit\u00f3ria do neoliberalismo sobre as formas anteriores de regula\u00e7\u00e3o do capitalismo foi definitiva: n\u00e3o h\u00e1 retorno poss\u00edvel a modelos anteriores de sociedade. Muito disso se deve ao fato de que o neoliberalismo estabeleceu ra\u00edzes sociais profundas,<a data-contents=\"Penso aqui em trabalhos como o de Camila Rocha ((<)em(>)Menos Marx, mais Mises: O liberalismo e a nova direita no Brasil(<)\/em(>), S\u00e3o Paulo: Todavia, 2021), Angela Nagle, (<)em(>)Kill All Normies: Online Culture Wars From 4Chan And Tumblr To Trump And The Alt-Right(<)\/em(>), Winchester, Reino Unido: Zero Books, 2017), Ver\u00f3nica Gago ((<)em(>)La raz\u00f3n neoliberal: Econom\u00edas barrocas y pragm\u00e1tica popular(<)\/em(>), Madri: Traficantes de Sue\u00f1os, 2015), Carlos Alba Vega; Gustavo Lins Ribeiro; Gordon Mathews (orgs., (<)em(>)La globalizaci\u00f3n desde abajo, la otra econom\u00eda mundial(<)\/em(>), Mexico City: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica\/El Colegio de M\u00e9xico, 2015), al\u00e9m do j\u00e1 mencionado livro de Arlie R. Hochschild ((<)em(>)Strangers in their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), N. York: The New Press, 2016).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-24\" href=\"#footnote-list-24\">24<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Penso aqui em trabalhos como o de Camila Rocha ((<)em(>)Menos Marx, mais Mises: O liberalismo e a nova direita no Brasil(<)\/em(>), S\u00e3o Paulo: Todavia, 2021), Angela Nagle, (<)em(>)Kill All Normies: Online Culture Wars From 4Chan And Tumblr To Trump And The Alt-Right(<)\/em(>), Winchester, Reino Unido: Zero Books, 2017), Ver\u00f3nica Gago ((<)em(>)La raz\u00f3n neoliberal: Econom\u00edas barrocas y pragm\u00e1tica popular(<)\/em(>), Madri: Traficantes de Sue\u00f1os, 2015), Carlos Alba Vega; Gustavo Lins Ribeiro; Gordon Mathews (orgs., (<)em(>)La globalizaci\u00f3n desde abajo, la otra econom\u00eda mundial(<)\/em(>), Mexico City: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica\/El Colegio de M\u00e9xico, 2015), al\u00e9m do j\u00e1 mencionado livro de Arlie R. Hochschild ((<)em(>)Strangers in their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), N. York: The New Press, 2016).<\/span> tornando ilus\u00f3rio o voluntarismo pol\u00edtico de \u201cvoltar\u201d a uma forma pregressa de regula\u00e7\u00e3o capitalista. Enquanto o campo da direita sem medo se sente \u00e0 vontade com o neoextrativismo, o campo do novo progressismo perpetua esse modelo consciente de que se trata de uma contradi\u00e7\u00e3o flagrante com seu pr\u00f3prio programa. \u00c9 nessa disputa entre a coer\u00eancia neoextrativista da direita sem medo e as contradi\u00e7\u00f5es do novo progressismo que se jogar\u00e1 o futuro do pa\u00eds\u2014um futuro que depende cada vez menos dele mesmo, como \u00e9 pr\u00f3prio de um pa\u00eds dependente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\">Esse ensaio retoma,\u00a0 em parte, desenvolvimentos presentes nos textos \u201cA New Dependency Theory Moment\u201d<em> (The Ideas Letter<\/em>, 18 de abril de 2024), \u201cWhy It Is So Hard for Latin America to Move Away from Neoliberalism and Neoextractivism: The Case of Brazil\u201d (Carnegie Endowment for International Peace, 31 de julho de 2024) e \u201cO Centr\u00e3o sem medo e a encruzilhada do PT\u201d (revista <em>piau\u00ed<\/em>, no. 204, setembro de 2023).<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o campo da direita sem medo se sente \u00e0 vontade com o neoextrativismo, o campo do novo progressismo perpetua esse modelo consciente de que se trata de uma contradi\u00e7\u00e3o flagrante com seu pr\u00f3prio programa. \u00c9 na disputa entre a coer\u00eancia neoextrativista da direita sem medo e as contradi\u00e7\u00f5es do novo progressismo que se jogar\u00e1 o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":290,"featured_media":22611,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[730],"tags":[764,765,766],"issue":[],"newsletter":[],"region":[],"sector":[],"theme":[1081,1096],"series":[],"class_list":["post-22604","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analises","tag-desenvolvimento","tag-longform-pt-br","tag-politica-pt-br","theme-comercio","theme-governanca-e-politica-partidaria"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A armadilha neoextrativista brasileira - Marcos Nobre<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Armadilha neoextrativista | Marcos Nobre\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Phenomenal World\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-04-03T05:55:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-04-04T20:03:41+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Copia-de-Copia-de-2024-NEW-PW-Twitter-Vertical-Article-Preview.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"628\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Marcos Nobre\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Armadilha neoextrativista | Marcos Nobre\" \/>\n<meta name=\"twitter:description\" content=\"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Copia-de-Copia-de-2024-NEW-PW-Twitter-Vertical-Article-Preview.png\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Marcos Nobre\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"26 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Marcos Nobre\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908\"},\"headline\":\"A armadilha neoextrativista brasileira\",\"datePublished\":\"2025-04-03T05:55:00+00:00\",\"dateModified\":\"2025-04-04T20:03:41+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/\"},\"wordCount\":6442,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/03\\\/nobre_armadilha.jpeg\",\"keywords\":[\"desenvolvimento\",\"longform\",\"pol\u00edtica\"],\"articleSection\":[\"An\u00e1lises\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/\",\"name\":\"A armadilha neoextrativista brasileira - Marcos Nobre\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/03\\\/nobre_armadilha.jpeg\",\"datePublished\":\"2025-04-03T05:55:00+00:00\",\"dateModified\":\"2025-04-04T20:03:41+00:00\",\"description\":\"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/03\\\/nobre_armadilha.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/03\\\/nobre_armadilha.jpeg\",\"width\":596,\"height\":314},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/armadilha-neoextrativista\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A armadilha neoextrativista brasileira\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"description\":\"A publication focused on political economy.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"width\":1738,\"height\":163,\"caption\":\"Phenomenal World\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/WorldPhenomenal\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908\",\"name\":\"Marcos Nobre\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Marcos Nobre\"},\"description\":\"Professor of political philosophy at the State University of Campinas (Unicamp) and director of the Center for Critical Imagination (CCI), based at the Brazilian Center for Analysis and Planning (Cebrap).\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/author\\\/marcos_nobre\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A armadilha neoextrativista brasileira - Marcos Nobre","description":"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Armadilha neoextrativista | Marcos Nobre","og_description":"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro","og_url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/","og_site_name":"Phenomenal World","article_published_time":"2025-04-03T05:55:00+00:00","article_modified_time":"2025-04-04T20:03:41+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":628,"url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Copia-de-Copia-de-2024-NEW-PW-Twitter-Vertical-Article-Preview.png","type":"image\/png"}],"author":"Marcos Nobre","twitter_card":"summary_large_image","twitter_title":"Armadilha neoextrativista | Marcos Nobre","twitter_description":"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro","twitter_image":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Copia-de-Copia-de-2024-NEW-PW-Twitter-Vertical-Article-Preview.png","twitter_creator":"@WorldPhenomenal","twitter_site":"@WorldPhenomenal","twitter_misc":{"Escrito por":"Marcos Nobre","Est. tempo de leitura":"26 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/"},"author":{"name":"Marcos Nobre","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908"},"headline":"A armadilha neoextrativista brasileira","datePublished":"2025-04-03T05:55:00+00:00","dateModified":"2025-04-04T20:03:41+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/"},"wordCount":6442,"publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/nobre_armadilha.jpeg","keywords":["desenvolvimento","longform","pol\u00edtica"],"articleSection":["An\u00e1lises"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/","name":"A armadilha neoextrativista brasileira - Marcos Nobre","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/nobre_armadilha.jpeg","datePublished":"2025-04-03T05:55:00+00:00","dateModified":"2025-04-04T20:03:41+00:00","description":"Padr\u00f5es de depend\u00eancia no entardecer do neoliberalismo brasileiro","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#primaryimage","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/nobre_armadilha.jpeg","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/nobre_armadilha.jpeg","width":596,"height":314},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/armadilha-neoextrativista\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A armadilha neoextrativista brasileira"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","name":"Phenomenal World","description":"A publication focused on political economy.","publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization","name":"Phenomenal World","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","width":1738,"height":163,"caption":"Phenomenal World"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/WorldPhenomenal"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908","name":"Marcos Nobre","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","caption":"Marcos Nobre"},"description":"Professor of political philosophy at the State University of Campinas (Unicamp) and director of the Center for Critical Imagination (CCI), based at the Brazilian Center for Analysis and Planning (Cebrap).","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/author\/marcos_nobre\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/290"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22604"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22604\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22687,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22604\/revisions\/22687"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22604"},{"taxonomy":"issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/issue?post=22604"},{"taxonomy":"newsletter","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/newsletter?post=22604"},{"taxonomy":"region","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/region?post=22604"},{"taxonomy":"sector","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/sector?post=22604"},{"taxonomy":"theme","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/theme?post=22604"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=22604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}