{"id":21808,"date":"2025-02-17T15:11:16","date_gmt":"2025-02-17T15:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=21808"},"modified":"2025-02-17T16:34:14","modified_gmt":"2025-02-17T16:34:14","slug":"a-transicao-verde-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/a-transicao-verde-possivel\/","title":{"rendered":"A transi\u00e7\u00e3o verde poss\u00edvel\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 redefinindo a geopol\u00edtica e reconfigurando as cadeias produtivas globais: haver\u00e1 vencedores e perdedores. Pa\u00edses com vantagens estruturais\u2014como possibilidade de produ\u00e7\u00e3o abundante de energia renov\u00e1vel, potencial em biocombust\u00edveis, hidrog\u00eanio verde e reservas de minerais cr\u00edticos\u2014emergir\u00e3o como l\u00edderes nesse novo cen\u00e1rio mundial. As transi\u00e7\u00f5es industriais costumam ocorrer em <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/1467-923X.12240\">longos ciclos<\/a>, mas a atual tende a favorecer o Brasil, por conta de seu vasto territ\u00f3rio, matriz energ\u00e9tica limpa e base industrial que, apesar dos desafios, mant\u00e9m capacidades relevantes. O pa\u00eds re\u00fane todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se consolidar como uma grande pot\u00eancia na nova ordem energ\u00e9tica mundial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse potencial, contudo, n\u00e3o ser\u00e1 aproveitado se deixado ao acaso: sem uma estrat\u00e9gia clara, o Brasil corre o risco de continuar preso <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/estado-e-desenvolvimento\/\">\u00e0 hist\u00f3rica depend\u00eancia<\/a> de commodities e perda de capacidade industrial. Para romper esse ciclo, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica industrial focalizada e bem direcionada\u2014uma que enfrente restri\u00e7\u00f5es fiscais, juros elevados e a volatilidade cambial sem repetir os erros do passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma vis\u00e3o global, quatro pa\u00edses com economias pol\u00edticas muito diferentes\u2014China, Estados Unidos, R\u00fassia e Brasil\u2014possuem vantagens estruturais na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Enquanto a China avan\u00e7a com investimentos massivos, EUA e R\u00fassia veem sua competitividade futura amea\u00e7ada pelos lobbies do petr\u00f3leo e do agroneg\u00f3cio, que retardam suas transi\u00e7\u00f5es. No atual tabuleiro global, a competi\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta, mas o tempo \u00e9 curto. As escolhas de hoje definir\u00e3o n\u00e3o apenas o lugar do Brasil no novo mapa energ\u00e9tico mundial, mas tamb\u00e9m seu papel na constru\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do governo brasileiro foi o lan\u00e7amento, em janeiro de 2024, do programa <a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202401\/brasil-ganha-nova-politica-industrial-com-metas-e-acoes-para-o-desenvolvimento-ate-2033-1\">Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB)<\/a>, um plano industrial orientado por miss\u00f5es que surge num cen\u00e1rio econ\u00f4mico e geopol\u00edtico bastante diferente daquele que marcou os governos anteriores de Lula (2003-2010) e o primeiro mandato de Dilma Rousseff (2011-2014). Se for bem-sucedida, a NIB alcan\u00e7ar\u00e1 o delicado equil\u00edbrio necess\u00e1rio para aumentar o valor agregado da ind\u00fastria dom\u00e9stica, reestruturar o com\u00e9rcio Brasil-China em bases setoriais mais igualit\u00e1rias\u2014sem perder a posi\u00e7\u00e3o superavit\u00e1ria\u2014e adaptar o pa\u00eds ao novo e err\u00e1tico papel dos Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa not\u00edcia \u00e9 que, diferente de ciclos anteriores, em que a pol\u00edtica industrial operava sob maior incerteza setorial, a urg\u00eancia da descarboniza\u00e7\u00e3o e da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica oferece um caminho mais claro para o desenvolvimento produtivo\u2014e h\u00e1 oportunidades evidentes para o Brasil. Somente a diversifica\u00e7\u00e3o produtiva j\u00e1 contribuiria para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es: a diminui\u00e7\u00e3o do peso relativo da agropecu\u00e1ria e do desmatamento na economia limitaria as <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/the-worlds-stockyard\/\">principais fontes<\/a> de gases de efeito estufa do pa\u00eds. Mas o Brasil tamb\u00e9m tem vantagens competitivas na descarboniza\u00e7\u00e3o industrial e em setores cr\u00edticos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que o posicionam como potencial l\u00edder e n\u00e3o mero espectador dessa transforma\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi esse o diagn\u00f3stico que orientou o relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.netzeropolicylab.com\/brazil-new-world\">Nova Pol\u00edtica Industrial para um Novo Mundo<\/a>, produzido pelo Net Zero Industrial Policy Lab (NZIPL), que analisa as diretrizes da NIB e mapeia as principais oportunidades para que o Brasil se consolide como um ator central na transi\u00e7\u00e3o verde. No relat\u00f3rio, argumentamos que, para cada miss\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio um direcionamento estrat\u00e9gico que alinhe investimentos p\u00fablicos e privados a metas claras de adensamento produtivo, inova\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o nas cadeias globais de valor. Tamb\u00e9m apontamos que os pr\u00f3ximos passos de implementa\u00e7\u00e3o demandam a defini\u00e7\u00e3o de alvos espec\u00edficos (<em>microtargeting<\/em>) da pol\u00edtica industrial, identificando n\u00e3o s\u00f3 as grandes oportunidades setoriais, mas os elos das cadeias produtivas que integram a atividade produtiva como um todo, catalisando o papel de lideran\u00e7a do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Nova Ind\u00fastria Brasil: entre miss\u00f5es e setores<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A organiza\u00e7\u00e3o da NIB por miss\u00f5es foi uma inova\u00e7\u00e3o no modelo de governan\u00e7a tradicional das pol\u00edticas industriais brasileiras. A ideia \u00e9 articular setores e atores em torno de objetivos estrat\u00e9gicos, como a descarboniza\u00e7\u00e3o e a digitaliza\u00e7\u00e3o, superando um problema cr\u00f4nico de pol\u00edticas anteriores. O Plano Brasil Maior (2011-2014), por exemplo, contava com Conselhos de Competitividade setoriais\u2014grupos de di\u00e1logo entre governo, empresariado e trabalhadores\u2014, mas acabava fragmentando as cadeias produtivas e limitando a coordena\u00e7\u00e3o dos encadeamentos necess\u00e1rios para catalisar os resultados da pol\u00edtica industrial. As miss\u00f5es oferecem uma linha mestra para a pol\u00edtica. No entanto, como destaca o relat\u00f3rio, a sua efetiva implementa\u00e7\u00e3o exige tamb\u00e9m um mapeamento detalhado das oportunidades setoriais e das atividades espec\u00edficas dentro das cadeias de valor, seguido de iniciativas altamente focalizadas. Para que os investimentos p\u00fablicos e privados gerem impacto real, essas iniciativas precisam estar ancoradas em m\u00e9tricas claras e condicionalidades que garantam adensamento produtivo e tecnol\u00f3gico. N\u00e3o se trata, portanto, de abandonar as miss\u00f5es, e tampouco se trata de resgatar o antigo foco setorial: a proposta \u00e9 transformar o amplo arcabou\u00e7o da NIB em uma estrat\u00e9gia de execu\u00e7\u00e3o precisa e orientada a resultados. S\u00f3 assim os ambiciosos\u2014e vitais\u2014objetivos das miss\u00f5es poder\u00e3o se concretizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como contribui\u00e7\u00e3o a essa abordagem, o relat\u00f3rio faz um mapeamento inicial de sete oportunidades setoriais estrat\u00e9gicas para o Brasil. Analisamos as pol\u00edticas j\u00e1 implementadas no \u00e2mbito da NIB, seus avan\u00e7os e limita\u00e7\u00f5es, e apontamos os caminhos para que o pa\u00eds transforme seu potencial em competitividade real na economia verde. Os setores escolhidos s\u00e3o resultado de uma an\u00e1lise que considera o potencial de recursos naturais e de manufatura do pa\u00eds. Cada an\u00e1lise setorial do relat\u00f3rio levou em considera\u00e7\u00e3o tr\u00eas fatores primordiais: 1. a posi\u00e7\u00e3o do Brasil no cen\u00e1rio competitivo do mercado global; 2. a base de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica existente e 3. as iniciativas da pol\u00edtica industrial brasileira e as rea\u00e7\u00f5es do setor privado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-21812\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1-300x169.png 300w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1-768x432.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1-1536x864.png 1536w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Mapeamento-de-oportunidades-setoriais-1.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Oportunidades setoriais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tr\u00eas primeiros setores abordados no relat\u00f3rio est\u00e3o intimamente conectados: s\u00e3o elos de uma longa cadeia de suprimentos que vai desde os minerais tirados do solo at\u00e9 os ve\u00edculos eletrificados. Os minerais cr\u00edticos s\u00e3o um pilar fundamental da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global, e o Brasil tem um papel estrat\u00e9gico a desempenhar nessa cadeia. O pa\u00eds j\u00e1 \u00e9 um dos principais produtores de ferro, bauxita, mangan\u00eas, grafite e n\u00edquel, al\u00e9m de contar com reservas promissoras de l\u00edtio. A n\u00edvel global, por\u00e9m, recentes pol\u00edticas anunciadas pela Indon\u00e9sia aumentaram a oferta de certos min\u00e9rios, fazendo com que as perspectivas de pre\u00e7o para n\u00edquel e l\u00edtio se tornem menos promissoras. Diante desse cen\u00e1rio, direcionar investimentos para o processamento de grafite para \u00e2nodos de baterias, por exemplo, n\u00e3o apenas aumentaria o valor agregado na economia brasileira, mas tamb\u00e9m fortaleceria a resili\u00eancia das cadeias de suprimento de seus parceiros comerciais. O objetivo est\u00e1 presente na Miss\u00e3o 3 da NIB, focada em \u201cagrega\u00e7\u00e3o de valor sobre recursos minerais no pa\u00eds\u201d. A reestrutura\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Mineral (CNPM), o novo Fundo de Minerais Cr\u00edticos do BNDES e a chamada p\u00fablica de parceria entre BNDES e Finep para projetos de transforma\u00e7\u00e3o de minerais mostram que o Brasil j\u00e1 vem criando incentivos nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo essa mesma l\u00f3gica, o foco em baterias \u00e9 estrat\u00e9gico para o Brasil, pois pode estimular encadeamentos produtivos tanto a montante\u2014via explora\u00e7\u00e3o e processamento de minerais cr\u00edticos\u2014quanto a jusante, com a fabrica\u00e7\u00e3o de componentes, a montagem final das baterias e o posterior encadeamento com o setor automotivo. Nesse contexto, o programa de Mobilidade Verde (Mover) emerge como pe\u00e7a central da pol\u00edtica atual ao vincular est\u00edmulos ao aumento do conte\u00fado local na produ\u00e7\u00e3o de baterias e incentivos fiscais para atrair etapas de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) para o pa\u00eds. A iniciativa busca revitalizar um setor automotivo abalado por uma d\u00e9cada de estagna\u00e7\u00e3o, posicionando as baterias e a produ\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos-flex como eixo de revitaliza\u00e7\u00e3o industrial. Os resultados iniciais da pol\u00edtica s\u00e3o positivos e trouxeram um forte fluxo de investimentos privados ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">F\u00e1bricas de carros el\u00e9tricos e h\u00edbridos-flex de empresas dom\u00e9sticas e multinacionais: 2022-2024<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th>Empresa<\/th><th>Tipo de planta<\/th><th>Investimento<\/th><th>Local<\/th><th>Capacidade (ve\u00edculos p.a)<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td>Toyota<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 13,2 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>100.000<\/td><\/tr><tr><td>Hyundai<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 22,8 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>210.000<\/td><\/tr><tr><td>GM<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 8,4 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>330.000<\/td><\/tr><tr><td>Volkswagen<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 10,8 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>140.000<\/td><\/tr><tr><td>Stellantis<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 30 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>1,1 mi motores<\/td><\/tr><tr><td>Renault<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 5,1 bi<\/td><td>Paran\u00e1<\/td><td>178.000<\/td><\/tr><tr><td>CAOA Chery<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 4,5 bi<\/td><td>Goi\u00e1s<\/td><td>72.000<\/td><\/tr><tr><td>BYD<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 5,46 bi<\/td><td>Bahia<\/td><td>150.000<\/td><\/tr><tr><td>Great Wall Motors<\/td><td>H\u00edbridos<\/td><td>R$ 9,96 bi<\/td><td>S\u00e3o Paulo<\/td><td>50.000<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Fonte: an\u00e1lise do NZIPL com dados da FDI Intelligence<\/h6>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">O programa mover atraiu um grande volume de investimentos para a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos eletrificados, especialmente h\u00edbridos-flex<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o Brasil tenha potencial geol\u00f3gico e demanda crescente, sua cadeia produtiva de baterias ainda \u00e9 fr\u00e1gil. Faltam empresas capazes de produzir componentes intermedi\u00e1rios (como \u00e2nodos, c\u00e1todos e separadores) essenciais para agregar valor e reduzir a depend\u00eancia externa. Sem investimentos nesses elos, corre-se o risco de concentrar a produ\u00e7\u00e3o nas etapas finais, criando uma economia de enclave: ilhas de produ\u00e7\u00e3o desconectadas do tecido produtivo local, sem transfer\u00eancia efetiva de conhecimento ou est\u00edmulo a fornecedores nacionais. Para evitar esse cen\u00e1rio, pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ir al\u00e9m do conte\u00fado local gen\u00e9rico, focando em gargalos espec\u00edficos da cadeia. A op\u00e7\u00e3o do Brasil pela prioriza\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos h\u00edbridos-flex\u2014produto com mercado quase exclusivamente nacional\u2014, pode atrair polos de P&amp;D, mas arrisca prejudicar a posterior capacidade de explora\u00e7\u00e3o de mercados externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de mapear os elos entre minerais cr\u00edticos, baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos, o relat\u00f3rio trata tamb\u00e9m dos biocombust\u00edveis. Os recentes mandatos de descarboniza\u00e7\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o\u2014adotados pela Uni\u00e3o Europeia, EUA, Canad\u00e1, China e pelo programa Combust\u00edvel do Futuro no Brasil\u2014devem ampliar significativamente a demanda global por combust\u00edveis sustent\u00e1veis de avia\u00e7\u00e3o (SAFs, na sigla em ingl\u00eas). O Brasil desponta como protagonista nesse mercado, combinando rotas tecnol\u00f3gicas diversificadas, capacidade instalada e ampla experi\u00eancia no desenvolvimento de biocombust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O agroneg\u00f3cio nacional j\u00e1 fornece insumos como sebo bovino, \u00f3leo de soja e \u00f3leo de palma, mat\u00e9rias-primas para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e9steres e \u00e1cidos graxos hidroprocessados (HEFA, na sigla em ingl\u00eas), e h\u00e1 projetos em andamento encabe\u00e7ados por empresas como a Brasil BioFuels, a Essential Energy USA e a Petrobras. Paralelamente, a produ\u00e7\u00e3o anual de 35,4 bilh\u00f5es de litros de etanol de cana de a\u00e7\u00facar viabiliza e pode ampliar as possibilidades da tecnologia Alcohol-to-Jet (AtJ), j\u00e1 explorada e exportada por empresas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conta desse potencial, o pa\u00eds se tornou um im\u00e3 de investimentos em SAFs, atraindo petrol\u00edferas como a Shell e fundos soberanos como o Mubadala (dono da Acelen). O setor tamb\u00e9m tem o incentivo de programas de financiamento p\u00fablico\u2014um exemplo \u00e9 a iniciativa conjunta entre BNDES e Finep, que abriram uma chamada p\u00fablica de R$ 6 bilh\u00f5es para projetos relacionados a SAFs e receberam propostas totalizando R$ 120 bilh\u00f5es em investimentos potenciais. O desafio agora \u00e9 garantir que o valor agregado permane\u00e7a no Brasil, fortalecendo a cadeia produtiva nacional e evitando a exporta\u00e7\u00e3o de insumos pouco processados para a fabrica\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis de avia\u00e7\u00e3o no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que o Brasil \u00e9 o terceiro maior mercado e\u00f3lico do mundo, o relat\u00f3rio tamb\u00e9m explora o potencial do pa\u00eds ampliar seu parque produtivo na manufatura de aerogeradores e seus componentes. A constru\u00e7\u00e3o dessa ind\u00fastria nacional foi impulsionada pela estrat\u00e9gia do BNDES que, com flexibilidade e focaliza\u00e7\u00e3o, ajustou suas pol\u00edticas em um processo cont\u00ednuo de aprendizado. O banco mapeou componentes cr\u00edticos\u2014como torres, l\u00e2minas, rodas e naceles\u2014e flexibilizou os requisitos de conte\u00fado local para adequ\u00e1-los \u00e0 complexidade tecnol\u00f3gica de cada pe\u00e7a. Essa abordagem adaptativa permitiu equilibrar a promo\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional e a viabilidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica do setor, resultando em avan\u00e7os significativos. Hoje, o Brasil produz localmente de 85% a 95% dos componentes, importando apenas a caixa multiplicadora (<em>gearbox<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, apesar dos progressos, a ind\u00fastria ainda enfrenta desafios para se tornar competitiva globalmente. Gargalos de infraestrutura limitam a exporta\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de grande porte, e a demanda no setor tem sido reduzida. Recentemente, o aumento das tarifas de importa\u00e7\u00e3o para aerogeradores (com isen\u00e7\u00e3o apenas at\u00e9 2025) e o Marco Legal das E\u00f3licas Offshore representam passos importantes para fortalecer o setor, com potencial de suprir at\u00e9 19% da demanda el\u00e9trica nacional. Contudo, para consolidar uma cadeia produtiva integrada e competitiva, \u00e9 essencial uma estrat\u00e9gia coordenada, com metas claras e apoio estatal robusto, capaz de superar desafios hist\u00f3ricos e aproveitar as oportunidades que vir\u00e3o com a expans\u00e3o offshore.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio tamb\u00e9m aponta dois setores de dif\u00edcil descarboniza\u00e7\u00e3o (<em>hard-to-abate<\/em>) no campo de oportunidades para o pa\u00eds: a\u00e7o de baixo carbono e fertilizantes verdes. Gra\u00e7as \u00e0 matriz energ\u00e9tica limpa, setor de minera\u00e7\u00e3o consolidado e ind\u00fastria sider\u00fargica instalada, o Brasil possui uma base s\u00f3lida para se tornar l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o de baixo carbono. No entanto, o pa\u00eds ainda exporta min\u00e9rio de ferro e reimporta a\u00e7o, perdendo o valor agregado nas etapas intermedi\u00e1rias. O cen\u00e1rio global parece trazer incentivos para a descarboniza\u00e7\u00e3o do material, inclusive atrav\u00e9s de medidas protecionistas baseadas em emiss\u00f5es, como o mecanismo de ajuste fronteiri\u00e7o de carbono da Uni\u00e3o Europeia (CBAM, na sigla em ingl\u00eas). De fato, o Brasil aparece como poss\u00edvel l\u00edder em cen\u00e1rios projetados por especialistas.<a data-contents=\"Hasanbeigi, Ali, Bonnie Zuo, Daseul Kim, Cecilia Springer, Alastair Jackson, and Esther Haerim Heo. \u201cGreen Steel Economics: Comparing Economics of Green H2-DRI and Traditional Steelmaking Around the World.\u201d Global Efficiency Intelligence, TransitionAsia, Solutions for Our Climate, 2024.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Hasanbeigi, Ali, Bonnie Zuo, Daseul Kim, Cecilia Springer, Alastair Jackson, and Esther Haerim Heo. \u201cGreen Steel Economics: Comparing Economics of Green H2-DRI and Traditional Steelmaking Around the World.\u201d Global Efficiency Intelligence, TransitionAsia, Solutions for Our Climate, 2024.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do potencial, o setor enfrenta desafios significativos. Atualmente, 74% da produ\u00e7\u00e3o nacional de a\u00e7o ainda depende de altos-fornos, um processo intensivo em carbono. Iniciativas como o uso de carv\u00e3o vegetal (empregadas por empresas como a Vallourec) e parcerias para produ\u00e7\u00e3o de ferro briquetado a quente (HBI, na sigla em ingl\u00eas) com hidrog\u00eanio (a exemplo daquela firmada entre Vale e H2 Green Steel) s\u00e3o passos importantes. No entanto, a rota de descarboniza\u00e7\u00e3o mais completa de redu\u00e7\u00e3o direta a hidrog\u00eanio (DRI-H2-EAF) exigiria investimentos massivos em redu\u00e7\u00e3o direta e eletrolisadores. Enquanto isso, o governo poderia acelerar a transi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o a partir de sucata em fornos el\u00e9tricos combinados com pol\u00edticas robustas de reciclagem. Apesar de o governo atual reconhecer a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do setor, ainda falta uma estrat\u00e9gia integrada, clara e direcionada para o a\u00e7o de baixo carbono, essencial para aproveitar a janela de oportunidade\u2014que pode ser curta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra possibilidade derivada do potencial do Brasil para a produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde \u00e9 a descarboniza\u00e7\u00e3o do setor de fertilizantes. Atualmente, o pa\u00eds importa 85% do que consome, o que limita sua capacidade de escolher fontes de baixo carbono. Para um pa\u00eds que \u00e9 o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, a nacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o tende a ser a prioridade, mas deve ser aliada \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o. Um exemplo dessa tend\u00eancia \u00e9 o projeto da Atlas Agro em Uberaba, que investir\u00e1 R$ 7 bilh\u00f5es para produzir hidrog\u00eanio verde, am\u00f4nia e fertilizantes nitrogenados, utilizando 300 MW de energia renov\u00e1vel. Al\u00e9m de reduzir as emiss\u00f5es, o projeto diminui a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es e gera valor agregado local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa transi\u00e7\u00e3o, no entanto, depende de pol\u00edticas claras e investimentos em P&amp;D. A reativa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas como a Arauc\u00e1ria Nitrogenados, com parcerias entre Petrobras, Embrapa e Yara, \u00e9 um passo importante, mas insuficiente para alcan\u00e7ar a meta de 55% de produ\u00e7\u00e3o nacional at\u00e9 2050. Ao integrar a nacionaliza\u00e7\u00e3o com a descarboniza\u00e7\u00e3o, o Brasil pode n\u00e3o apenas fortalecer sua seguran\u00e7a alimentar, mas tamb\u00e9m se posicionar como l\u00edder global em fertilizantes sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os setores descritos representam algumas das principais frentes em que o Brasil pode alavancar sua base produtiva para se posicionar na economia verde. No entanto, a materializa\u00e7\u00e3o desse potencial n\u00e3o ser\u00e1 autom\u00e1tica. A NIB oferece um arcabou\u00e7o promissor e j\u00e1 deu passos importantes em sua implementa\u00e7\u00e3o, com incentivos e diretrizes bem definidos.&nbsp; Sua efetividade, por\u00e9m, depender\u00e1 da capacidade de transformar essas diretrizes em estrat\u00e9gias setoriais concretas, garantindo coordena\u00e7\u00e3o, financiamento e metas claras para consolidar novas especializa\u00e7\u00f5es produtivas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Oportunidades e condicionantes da nova pol\u00edtica industrial brasileira<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a estrutural \u00e9 historicamente um fator propulsor do desenvolvimento econ\u00f4mico. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de um projeto industrializante fortemente liderado pelo Estado, a partir dos anos 1980, o Brasil passou por uma intensa abertura comercial e financeira, levando a um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico adverso e a uma perda de complexidade econ\u00f4mica, o que tamb\u00e9m impactou o papel do pa\u00eds na geopol\u00edtica das cadeias produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O boom de commodities promoveu um ciclo de especializa\u00e7\u00e3o regressiva do parque produtivo brasileiro\u2014que se voltou ao fornecimento de produtos baseados em recursos naturais para a ind\u00fastria externa\u2014e fomentou a expans\u00e3o do mercado interno, favorecendo a importa\u00e7\u00e3o de produtos de maior valor agregado. O esgotamento do boom e a queda internacional do pre\u00e7o das commodities desaqueceu tanto o setor prim\u00e1rio-exportador quanto o mercado consumidor interno. O primeiro governo Dilma (2011-2014) lan\u00e7ou uma estrat\u00e9gia de reindustrializa\u00e7\u00e3o que se mostrou ineficaz em raz\u00e3o da sobreaprecia\u00e7\u00e3o cambial, do car\u00e1ter defensivo<a data-contents=\"Schapiro, Mario G. \u201cAtivismo Estatal e Industrialismo Defensivo: instrumentos e capacidades na pol\u00edtica industrial brasileira.\u201d (<)em(>)IPEA &#8211; Texto para Discuss\u00e3o(<)\/em(>) 1856 (2013).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Schapiro, Mario G. \u201cAtivismo Estatal e Industrialismo Defensivo: instrumentos e capacidades na pol\u00edtica industrial brasileira.\u201d (<)em(>)IPEA &#8211; Texto para Discuss\u00e3o(<)\/em(>) 1856 (2013).<\/span> das pol\u00edticas e da perda de foco setorial,<a data-contents=\"De Gaspi, Renato H. \u201cForging Alliances: Political Competition and Industrial Policy in Democratic Brazil.\u201d (<)em(>)Third World Quarterly(<)\/em(>) 45, no. 5 (March 23, 2024): 981\u20131002.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">De Gaspi, Renato H. \u201cForging Alliances: Political Competition and Industrial Policy in Democratic Brazil.\u201d (<)em(>)Third World Quarterly(<)\/em(>) 45, no. 5 (March 23, 2024): 981\u20131002.<\/span> fatores que impossibilitaram a transforma\u00e7\u00e3o estrutural do pa\u00eds. Depois de um ciclo de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial acompanhado da profunda reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de valor, a transi\u00e7\u00e3o para uma economia verde significa uma janela hist\u00f3rica de oportunidade para que o Brasil promova uma mudan\u00e7a estrutural efetiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se bem executada, a NIB pode mesclar sua organiza\u00e7\u00e3o por miss\u00f5es com uma implementa\u00e7\u00e3o bem focalizada, posicionando o pa\u00eds de forma competitiva em setores estrat\u00e9gicos, impulsionando a agrega\u00e7\u00e3o de valor e uma inser\u00e7\u00e3o mais qualificada nas cadeias globais. Oportunidades desse porte s\u00e3o raras\u2014e a ina\u00e7\u00e3o, ou mesmo um erro de pol\u00edtica industrial, podem custar ao Brasil mais uma chance de mudar de patamar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica j\u00e1 come\u00e7ou, e o Brasil, depois de anos de completa omiss\u00e3o do Estado e aposta em vantagens comparativas est\u00e1ticas\u2014sob o pretexto de perseguir uma ideologia de mercado\u2014, chega atrasado no planejamento. A NIB vem tarde e precisa fazer muito para correr atr\u00e1s do preju\u00edzo, reconstruindo a capacidade estatal, trazendo novas ideias de desenvolvimento e garantindo que esse desenvolvimento seja sustent\u00e1vel e inclusivo. A chegada tardia atrapalha, mas o potencial do Brasil \u00e9 enorme e ainda pode ser aproveitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Transformar esse potencial em realidade, no entanto, depender\u00e1 da supera\u00e7\u00e3o de desafios persistentes. O espa\u00e7o fiscal limitado e os mercados financeiros avessos ao risco restringem a capacidade do governo de ampliar investimentos estrat\u00e9gicos. Al\u00e9m disso, fatores macroecon\u00f4micos como c\u00e2mbio e taxa de juros podem minar a competitividade da ind\u00fastria, reduzindo a efic\u00e1cia das pol\u00edticas setoriais. No plano externo, a fragmenta\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e o protecionismo verde das grandes economias adicionam incertezas, tornando ainda mais necess\u00e1rio um posicionamento estrat\u00e9gico do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, a pol\u00edtica industrial verde e focalizada n\u00e3o \u00e9 apenas uma escolha estrat\u00e9gica, mas um imperativo para proteger o Brasil de choques macroecon\u00f4micos e geopol\u00edticos, garantindo que os investimentos do Estado sejam mais seguros e eficazes e que gerem engajamento do setor privado. O sucesso da NIB depender\u00e1 da capacidade do pa\u00eds de apoiar a sua pol\u00edtica industrial com pre\u00e7os macroecon\u00f4micos est\u00e1veis e com uma diplomacia pragm\u00e1tica, garantindo acesso a mercados, estimulando a expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de sua base produtiva e alavancando o potencial do pa\u00eds. O \u00eaxito do atual projeto industrializante, portanto, n\u00e3o depende apenas de escolhas de pol\u00edtica econ\u00f4mica e setorial, mas tamb\u00e9m da capacidade do Brasil de navegar em um ambiente global em transforma\u00e7\u00e3o\u2014cujo ciclo atual, a princ\u00edpio, o favorece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-left\">Leia o relat\u00f3rio completo: \u201c<a href=\"https:\/\/www.netzeropolicylab.com\/brazil-new-world\">Nova pol\u00edtica industrial para um novo mundo: aproveitando as oportunidades do Brasil na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/a>\u201d.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o para uma economia verde significa uma janela hist\u00f3rica de oportunidade para que o Brasil promova uma mudan\u00e7a estrutural efetiva. 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