{"id":21605,"date":"2025-02-06T14:23:31","date_gmt":"2025-02-06T14:23:31","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=21605"},"modified":"2025-02-06T21:30:52","modified_gmt":"2025-02-06T21:30:52","slug":"marta-castilho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/","title":{"rendered":"Liberalismo reciclado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 1999, Mercosul e Uni\u00e3o Europeia (UE) negociavam um acordo de parceria birregional sobre tr\u00eas aspectos: comercial, pol\u00edtico e de coopera\u00e7\u00e3o. Em dezembro de 2024, um quarto de s\u00e9culo depois, as negocia\u00e7\u00f5es foram conclu\u00eddas, com an\u00fancio durante a c\u00fapula do Mercosul\u2014em que Ursula von der Leyen, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, esteve presente. O acordo ainda passar\u00e1 por revis\u00e3o jur\u00eddica e, em seguida, ser\u00e1 encaminhado para aprova\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os competentes. Por decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, a aprova\u00e7\u00e3o foi repartida: a fatia comercial do acordo depende apenas da aprova\u00e7\u00e3o do Parlamento Europeu, enquanto as partes pol\u00edtica e de coopera\u00e7\u00e3o precisam tramitar nos parlamentos nacionais. Do lado do Mercosul, o texto precisa passar por todos os parlamentos nacionais, mas o acordo pode ter vig\u00eancia bilateral entre a UE e qualquer pa\u00eds do bloco sul-americano que o aprovar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vers\u00e3o anterior do acordo havia sido anunciada em 2019, sob a particular lideran\u00e7a, do lado do Mercosul, de Jair Bolsonaro. As tratativas daquele ano foram abandonadas, no entanto, ap\u00f3s novas exig\u00eancias de car\u00e1ter ambiental da Uni\u00e3o Europeia\u2014que sofreram resist\u00eancia do ent\u00e3o presidente brasileiro, mas foram lidas como protecionistas inclusive por setores progressistas do Mercosul. Com o novo governo de Lula, as negocia\u00e7\u00f5es foram reabertas em 2023. O <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/siscomex\/pt-br\/acordos-comerciais\/mercosul-uniao-europeia\">novo texto<\/a>, apesar de mais moderado, ainda \u00e9 criticado por organiza\u00e7\u00f5es e governos de ambos os lados. Na Uni\u00e3o Europeia, a resist\u00eancia vem principalmente de setores agr\u00edcolas da Fran\u00e7a, Holanda e Pol\u00f4nia, que temem a competi\u00e7\u00e3o com os produtores do Mercosul. Deste lado do Atl\u00e2ntico, as preocupa\u00e7\u00f5es v\u00eam, em sua maioria, da <a href=\"https:\/\/rebrip.org\/precisamos-barrar-a-ratificacao-do-acordo-ue-mercosul\/\">sociedade civil<\/a> e da <a href=\"https:\/\/www.ie.ufrj.br\/images\/IE\/grupos\/GIC\/publica%C3%A7%C3%B5es\/2024\/Nota%20UE-MS%20VF_RESUMO.pdf\">academia<\/a>, e giram em torno do potencial que a parceria tem de refor\u00e7ar a primariza\u00e7\u00e3o da pauta exportadora dos pa\u00edses do bloco e minar esfor\u00e7os presentes de reindustrializa\u00e7\u00e3o. Algumas das <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/noticias\/2024\/12\/factsheet-acordo-de-parceria-mercosul-uniao-europeia\">mudan\u00e7as<\/a> da vers\u00e3o atual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de 2019 se referem \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de maior espa\u00e7o para a implementa\u00e7\u00e3o nacional de pol\u00edticas p\u00fablicas e requisitos de compras p\u00fablicas, maiores compromissos ambientais e novos instrumentos de revis\u00e3o e reequil\u00edbrio, al\u00e9m de prazos maiores na liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio ou redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria para determinados setores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Fernanda Sikorski, editora da Phenomenal World, conversou com Marta Castilho, coordenadora do Grupo de Ind\u00fastria e Competitividade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GIC-IE\/UFRJ) e professora de Economia da mesma institui\u00e7\u00e3o, sobre as perspectivas do acordo para o Mercosul e, em particular, para o Brasil, e os riscos que a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial representa para o desenvolvimento nacional e regional do lado sul-americano.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrevista com Marta Castilho<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">Maria Sikorski<\/span>: Voc\u00ea pode descrever as mudan\u00e7as no ambiente pol\u00edtico e econ\u00f4mico ocorridas desde o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es de parceria, em 1999, at\u00e9 a conclus\u00e3o, em 2024? Por que o acordo permaneceu relevante e como as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia (UE) mudaram ao longo desse tempo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">Marta Castilho<\/span>: Esse acordo come\u00e7ou a ser negociado num momento em que a Uni\u00e3o Europeia era um bloco de 15 pa\u00edses. A perspectiva do Mercosul era ter acesso \u00e0 Uni\u00e3o Europeia de ent\u00e3o com algumas vantagens em rela\u00e7\u00e3o ao Leste Europeu, por exemplo, que na \u00e9poca tinha uma estrutura industrial relativamente parecida com a nossa\u2014mas que, ao longo do tempo, se articulou muito com a ind\u00fastria da Europa Ocidental. Essa talvez tenha sido a mudan\u00e7a mais importante em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es, porque o cen\u00e1rio era um pouco mais alentador para a nossa ind\u00fastria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o in\u00edcio, no entanto, sempre ficou claro\u2014e essa foi uma das raz\u00f5es para a demora nas negocia\u00e7\u00f5es, ao menos at\u00e9 meados dos anos 2010\u2014que o Mercosul via uma possibilidade de aumento das exporta\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas. Ent\u00e3o, internamente, os apoios ao acordo vinham das classes ligadas ao agroneg\u00f3cio, enquanto a ind\u00fastria, ao contr\u00e1rio, ficava numa posi\u00e7\u00e3o um pouco receosa, defendendo uma abertura comercial mais gradual, preocupada com a possibilidade de sofrer com a concorr\u00eancia europeia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante lembrar que as empresas europeias s\u00e3o muito presentes aqui, h\u00e1 muitas filiais de multinacionais deles na nossa regi\u00e3o, e elas tamb\u00e9m tiveram, digamos, flutua\u00e7\u00f5es de humor ao longo das negocia\u00e7\u00f5es. Por exemplo, uma das maiores produtoras de frango do mundo \u00e9 uma empresa francesa que tem implementa\u00e7\u00f5es aqui. Houve um momento em que essa empresa defendia a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio\u2014o que pode contrastar com a reclama\u00e7\u00e3o atual dos franceses\u2014porque interessava a eles criar o frango aqui e exportar a carne de frango para l\u00e1. Essas flutua\u00e7\u00f5es aconteceram em diversos setores. O setor automobil\u00edstico tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo importante, assim como o qu\u00edmico e v\u00e1rios de seus subsetores, porque h\u00e1 uma presen\u00e7a forte de empresas europeias aqui. Em geral, na Europa, havia um interesse grande pela abertura do mercado de produtos industriais do Mercosul, al\u00e9m de um interesse de facilitar os fluxos de servi\u00e7os. E, em compensa\u00e7\u00e3o, uma resist\u00eancia maior \u00e0 entrada de produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Uma vers\u00e3o anterior do acordo chegou a ser anunciada em 2019, mas n\u00e3o foi ratificada pelo Parlamento Europeu. Quais as principais mudan\u00e7as do texto atual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Um fator relevante \u00e9 que, nos \u00faltimos cinco anos, entre a vers\u00e3o de 2019 e a de 2024, aconteceu a pandemia. Em 2019, os pa\u00edses europeus j\u00e1 davam sinais de uma retomada das pol\u00edticas industriais: novas estrat\u00e9gias relacionadas \u00e0 ind\u00fastria 4.0, \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e afins. A pandemia evidenciou algumas vulnerabilidades desses pa\u00edses e os levou a incorporar explicitamente pol\u00edticas voltadas \u00e0 internaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da autonomia de determinados setores e segmentos em rela\u00e7\u00e3o ao exterior. Isso mudou os interesses comerciais da UE sobre o acordo e tamb\u00e9m os termos da negocia\u00e7\u00e3o entre os dois blocos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um reflexo disso \u00e9 o interesse pelos minerais em geral e, particularmente, pelos minerais cr\u00edticos\u2014ligado \u00e0 quest\u00e3o do desenvolvimento de baterias e outras tecnologias associadas \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 descarboniza\u00e7\u00e3o. Nesse aspecto, o Mercosul \u00e9 um para\u00edso, \u00e9 uma fonte&nbsp; riqu\u00edssima de minerais. Uma das mudan\u00e7as mais recentes \u00e9 o crescente apetite da Europa por minerais provenientes daqui e, nesse sentido, o fato de que a UE passou a ver com maus olhos qualquer iniciativa de proteger ou taxar as exporta\u00e7\u00f5es desses bens. Isso \u00e9 um aspecto novo que passou a ser tratado nas negocia\u00e7\u00f5es entre 2019 e 2024, e um ponto importante \u00e9 que o Mercosul conseguiu pensar prospectivamente no setor de minerais cr\u00edticos e assegurar a possibilidade de impor algumas condicionalidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, h\u00e1 um debate posto a respeito disso. N\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o j\u00e1 conclu\u00edda, h\u00e1 vis\u00f5es contrastantes, por exemplo, entre o governo de Minas Gerais e setores do governo federal, mas h\u00e1 um debate sobre o desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia para os minerais cr\u00edticos que v\u00e1 al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o como mat\u00e9ria-prima, no sentido de tentar aumentar o grau de beneficiamento e, eventualmente, produzir baterias e outros bens internamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra mudan\u00e7a entre o texto de 2019 e o de 2024 foi a quest\u00e3o das compras p\u00fablicas. O Mercosul conseguiu assegurar a utiliza\u00e7\u00e3o desse instrumento como pol\u00edtica de desenvolvimento produtivo. A Europa usa as compras p\u00fablicas h\u00e1 muito tempo, mas o acordo de 2019 retirava a possibilidade de o Mercosul empregar determinados mecanismos. O Mercosul conseguiu rever isso e aproximar bastante os termos do acordo das regras j\u00e1 existentes no bloco. Essa foi uma das partes mais positivas dessa renegocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Quais os efeitos do desmembramento das partes comercial, pol\u00edtica e de coopera\u00e7\u00e3o do acordo, considerando que as cl\u00e1usulas comerciais entram em vig\u00eancia a partir da aprova\u00e7\u00e3o do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais do Mercosul, mas as cl\u00e1usulas pol\u00edticas e de coopera\u00e7\u00e3o dependem da aprova\u00e7\u00e3o de cada parlamento nacional da UE?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: O acordo de parceria reflete uma tradi\u00e7\u00e3o europeia de tratar de aspectos que v\u00e3o al\u00e9m do com\u00e9rcio em negocia\u00e7\u00f5es dessa natureza, diferentemente da tradi\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00e3, por exemplo. Ent\u00e3o, o acordo com o Mercosul tem uma parte comercial, uma parte de coopera\u00e7\u00e3o e outra de di\u00e1logo pol\u00edtico. Esse \u00e9 um aspecto positivo, porque, por exemplo, a parte de coopera\u00e7\u00e3o pode compensar determinadas perdas das cl\u00e1usulas comerciais. A abertura comercial pode ser compensada por perspectivas de coopera\u00e7\u00e3o para desenvolvimento t\u00e9cnico em \u00e1reas nas quais os europeus sejam mais avan\u00e7ados, como a tecnologia, e em \u00e1reas nas quais n\u00f3s tenhamos possibilidade de trocar, como a bioeconomia e a sa\u00fade tropical.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acontece que agora, por uma quest\u00e3o pragm\u00e1tica, estrat\u00e9gica, o acordo foi desmembrado. Isso porque um acordo comercial \u00e9 mais facilmente negoci\u00e1vel e aprov\u00e1vel. O tr\u00e2mite, inclusive dentro da UE, \u00e9 mais r\u00e1pido: se for s\u00f3 a parte comercial, n\u00e3o exige a aprova\u00e7\u00e3o de todos os parlamentos de cada membro. Um acordo de parceria em seu conjunto precisaria passar por todas as inst\u00e2ncias nacionais, um processo que poderia ser atrasado pelas discord\u00e2ncias que temos visto, por exemplo, da Fran\u00e7a, da Pol\u00f4nia e da Holanda. Para os europeus, \u00e9 uma quest\u00e3o pragm\u00e1tica. Mas, para o Mercosul, a meu ver, \u00e9 uma miopia, porque o bloco perde a oportunidade de aproveitar eventuais ganhos que seriam possibilitados pelos outros aspectos do acordo, sobretudo o de coopera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Porque \u00e9 poss\u00edvel que apenas o acordo comercial seja aprovado e os outros aspectos sejam protelados indefinidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Isso, porque n\u00e3o tem necessidade de aprovar. Voc\u00ea n\u00e3o vai colocar em vota\u00e7\u00e3o uma coisa que sabe que n\u00e3o ser\u00e1 aprovada. Os interesses europeus j\u00e1 est\u00e3o contemplados pelo acordo comercial. Por exemplo, algumas regras ambientais inclu\u00eddas no texto atual n\u00e3o comprometem as principais legisla\u00e7\u00f5es europeias, como o mecanismo de taxa\u00e7\u00e3o de carbono na fronteira\u2014o CBAM\u2014e o mecanismo de reflorestamento: eles est\u00e3o livres do acordo comercial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Quero conversar sobre os principais aspectos do acordo comercial e como eles impactam diferentes setores do Mercosul. Podemos come\u00e7ar pela parte de tarifas e cotas tarif\u00e1rias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: O acordo comercial cobre in\u00fameras disciplinas. Uma delas \u00e9 a de tarifas e cotas tarif\u00e1rias (ainda que as cotas sejam, tecnicamente, barreiras n\u00e3o-tarif\u00e1rias, as duas mat\u00e9rias costumam ser tratadas conjuntamente). As cotas s\u00e3o muito utilizadas para produtos agr\u00edcolas: uma tarifa baixa \u00e9 aplicada para determinada quantidade de exporta\u00e7\u00f5es no interior do acordo e, ultrapassada essa quantidade, a tarifa passa a ser a mesma cobrada para outros parceiros. Entre os pa\u00edses do Mercosul, adota-se uma tarifa comum para produtos agr\u00edcolas. H\u00e1 uma variedade de cotas tarif\u00e1rias para diferentes produtos no acordo atual com a UE, um aspecto que foi preservado do texto de 2019. H\u00e1 bens em que a cota aumentou e a tarifa intracota diminuiu, mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que a tarifa intracota foi reduzida, por\u00e9m a quantidade estabelecida \u00e9 inferior ao que j\u00e1 export\u00e1vamos em 2019 e 2020. Al\u00e9m disso, h\u00e1 mecanismos que permitem aos europeus rever essas quantidades\u2014outro aspecto do texto de 2019 que foi mantido. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma possibilidade de melhor acesso do Mercosul ao mercado de produtos agr\u00edcolas da UE, mas a liberaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande quanto alguns setores esperam ou anunciam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Considerando o volume que a gente j\u00e1 exporta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Exato. Mas alguns segmentos ganham. Os produtores de carne bovina, por exemplo\u2014n\u00e3o \u00e0 toa, os produtores franceses est\u00e3o muito reticentes, porque \u00e9 um dos produtos em que se ampliou a cota e a tarifa. Arroz, por exemplo, \u00e9 um produto que teve redu\u00e7\u00e3o de cota e redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es diversas entre os produtos agr\u00edcolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: E em rela\u00e7\u00e3o aos produtos industriais do Mercosul?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Esse \u00e9 o nosso maior problema, por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es. As tarifas para produtos industriais na Europa j\u00e1 s\u00e3o muito baixas: em geral, giram em torno de 5%, enquanto as nossas v\u00e3o girar em torno de 13%. O que ganhamos de redu\u00e7\u00e3o l\u00e1 \u00e9 muito menor, e eles j\u00e1 t\u00eam acordos comerciais com muitos outros pa\u00edses. A nossa margem de prefer\u00eancia \u00e9 menor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 um problema de assimetria muito grande. Tanto em termos de competitividade quanto em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho dos setores industriais. N\u00f3s n\u00e3o temos competitividade para \u201cinvadir\u201d os mercados europeus, o potencial de ganho deles com a liberaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: A impress\u00e3o geral das avalia\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ao acordo \u00e9 que, no caso do Mercosul, o agroneg\u00f3cio se beneficiaria sobremaneira e a ind\u00fastria sairia prejudicada. Mas, pelo que voc\u00ea est\u00e1 falando, o setor agr\u00edcola n\u00e3o necessariamente se beneficia tanto assim, com exce\u00e7\u00e3o de determinados produtos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, quais seriam as condi\u00e7\u00f5es de implementa\u00e7\u00e3o desse acordo para que a ind\u00fastria sul-americana fosse beneficiada ou para que o impacto negativo da competi\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria europeia fosse mitigado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: A liberaliza\u00e7\u00e3o comercial, tarif\u00e1ria, j\u00e1 est\u00e1 acordada e provavelmente ser\u00e1 implementada. Quer dizer que, do ponto de vista comercial, existe pouco a fazer. O que precisamos fazer \u00e9, por um lado, incentivar a produtividade e a competitividade da ind\u00fastria dom\u00e9stica\u2014e isso \u00e9 um dever de casa nosso, de elaborar pol\u00edticas industriais e de desenvolvimento produtivo, de usar as compras p\u00fablicas de maneira estrat\u00e9gica, de implementar pol\u00edticas tecnol\u00f3gicas\u2014e, por outro, eventualmente empregar algumas ferramentas de ajuste presentes no pr\u00f3prio acordo, como o mecanismo de reequil\u00edbrio. Nessa \u00faltima vers\u00e3o do texto, foram adicionados determinados mecanismos destinados a corrigir eventuais \u201cenxurradas\u201d de produtos, entradas repentinas e abruptas de produtos em determinados setores. Os instrumentos espec\u00edficos ainda n\u00e3o foram definidos, mas, pelo menos, o acordo prev\u00ea a possibilidade de ajustes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, de qualquer maneira, haver\u00e1 competi\u00e7\u00e3o entre a nossa produ\u00e7\u00e3o industrial e a europeia. O que podemos fazer \u00e9 usar os instrumentos dom\u00e9sticos dispon\u00edveis para melhorar a competitividade da nossa produ\u00e7\u00e3o e os mecanismos comerciais dispon\u00edveis, nacionais ou previstos no acordo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Ainda falando sobre competitividade, as tarifas aduaneiras, especialmente para pa\u00edses como os da Am\u00e9rica do Sul, s\u00e3o um importante instrumento de prote\u00e7\u00e3o e fortalecimento da ind\u00fastria nacional. Um acordo comercial dessa natureza com a UE n\u00e3o mina os esfor\u00e7os de reindustrializa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As empresas europeias t\u00eam superioridade tecnol\u00f3gica, produtiva, acesso a cr\u00e9dito mais favor\u00e1vel, mais incentivo estatal. As empresas brasileiras, por exemplo, entram nesse jogo com juros muito altos, cr\u00e9dito escasso, instabilidade cambial e defici\u00eancias log\u00edsticas e de infraestrutura. As tarifas poderiam compensar, ainda que parcialmente, a defici\u00eancia de competitividade da ind\u00fastria brasileira e sul-americana. N\u00e3o abrimos m\u00e3o de um relevante instrumento de pol\u00edtica industrial? H\u00e1 um risco de que o acordo reforce o padr\u00e3o de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia brasileira que se afirmou nas \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Totalmente. O acordo faz isso no curto e no longo prazo. No curto, atrav\u00e9s dessa redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria. Ainda que tenha se alongado um pouco o calend\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o das tarifas para autom\u00f3veis, particularmente para aqueles com novas tecnologias\u2014o calend\u00e1rio de redu\u00e7\u00e3o para ve\u00edculos el\u00e9tricos, por exemplo, pode chegar a 30 anos\u2014, a vers\u00e3o atual n\u00e3o buscou rever a redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria que havia sido prometida em 2019. Aabrimos m\u00e3o de um instrumento que nos permitiria fortalecer a ind\u00fastria dom\u00e9stica em rela\u00e7\u00e3o a um parceiro comercial forte, o que torna a tarefa da reindustrializa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, para al\u00e9m das tarifas, s\u00e3o importantes outras disciplinas, como as compras p\u00fablicas, as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 propriedade intelectual, etc. Essas outras quest\u00f5es t\u00eam mais a ver com estrat\u00e9gias de longo prazo. \u00c9 uma vit\u00f3ria do Mercosul ter salvaguardado o instrumento de compras p\u00fablicas. E vale a pena dizer que \u00e9 uma marca do atual governo brasileiro, que bateu bastante nessa tecla. Agora passaremos a usar esse instrumento de maneira expl\u00edcita, como fazem os pa\u00edses desenvolvidos. E ele \u00e9 muito interessante, porque n\u00e3o s\u00f3 permite que o Estado incentive determinados setores atrav\u00e9s de margens de prefer\u00eancia e condicionalidades, mas tamb\u00e9m induza determinados comportamentos\u2014por exemplo, uma exig\u00eancia de que as compras p\u00fablicas sejam sustent\u00e1veis faz com que as empresas que fornecem insumos para o Estado tenham condutas sustent\u00e1veis. E isso vale tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas estrangeiras, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s nacionais: se uma empresa de fora quiser virar fornecedora do Estado, pode-se exigir, por exemplo, que fa\u00e7a transfer\u00eancias tecnol\u00f3gicas.<a data-contents=\"N.E.: Os mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o nas compras p\u00fablicas de empresas estrangeiras s\u00e3o chamados de (<)a href='https:\/\/www.gov.br\/gestao\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/dezembro\/capitulo-sobre-compras-governamentais-no-acordo-mercosul-e-uniao-europeia-garante-politica-que-vem-sendo-desenvolvida-no-mgi'(>)offsets(<)\/a(>).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">N.E.: Os mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o nas compras p\u00fablicas de empresas estrangeiras s\u00e3o chamados de (<)a href='https:\/\/www.gov.br\/gestao\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/dezembro\/capitulo-sobre-compras-governamentais-no-acordo-mercosul-e-uniao-europeia-garante-politica-que-vem-sendo-desenvolvida-no-mgi'(>)offsets(<)\/a(>).<\/span>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte de propriedade intelectual, fico com a impress\u00e3o de que n\u00e3o houve avan\u00e7os ou revers\u00f5es das tend\u00eancias de 2019, que previam simplesmente compromissos um pouco mais fortes do que os j\u00e1 assumidos pelos pa\u00edses no \u00e2mbito da OMC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fazendo uma compara\u00e7\u00e3o com vers\u00f5es anteriores, parece que at\u00e9 2013 ou 2014 havia uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica do governo brasileiro nas negocia\u00e7\u00f5es, marcada por uma perspectiva de desenvolvimento produtivo, de autonomia. Isso foi se revertendo at\u00e9 2019. \u00c9 poss\u00edvel que agora melhore um pouco, mas, ainda assim, uma s\u00e9rie de elementos negociados a partir de pressupostos bastante liberais seguem presentes no texto. O cap\u00edtulo comercial quase n\u00e3o foi tocado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: Qual o poss\u00edvel efeito do acordo sobre as tentativas de reindustrializa\u00e7\u00e3o no Brasil?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: A quest\u00e3o da reindustrializa\u00e7\u00e3o, da tentativa de ter um desenvolvimento produtivo mais din\u00e2mico tecnologicamente, autonomamente, \u00e9 comprometida pela parte comercial do acordo. Algumas disciplinas\u2014como as compras governamentais, por exemplo\u2014e alguns mecanismos de salvaguarda e de reequil\u00edbrio representam avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns fatores importantes para o Brasil s\u00e3o o fato de que temos um mercado consumidor grande e somos uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica do Sul. Ent\u00e3o, cabe aos governos brasileiros tentar impor algumas condicionalidades para compensar as perdas ao longo da vig\u00eancia do acordo. O setor de minerais \u00e9 exemplificativo. O governo pode ter inger\u00eancia sobre as condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o de minerais em solo nacional. H\u00e1 alguma margem de manobra para negociar com investidores: por exemplo, impondo que determinadas vantagens s\u00f3 podem ser exploradas se houver mais etapas de produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Mas isso depender\u00e1 do manejo, aqui, dos instrumentos de pol\u00edtica industrial, tecnol\u00f3gica, fiscal e tribut\u00e1ria. E depender\u00e1 tamb\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas, de crescimento, de taxas de juros, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante que o governo brasileiro compartilhe as vantagens que tem com os demais pa\u00edses do Mercosul. O problema desse acordo \u00e9 que ele tende a refor\u00e7ar uma especializa\u00e7\u00e3o regressiva crescente que tem se aprofundado desde os anos 2000 no Brasil e na regi\u00e3o. Se compararmos as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a UE em 2003, 2013 e 2023, fica clara a crescente primariza\u00e7\u00e3o da pauta exportadora. E o acordo tende a refor\u00e7ar a nossa especializa\u00e7\u00e3o em produtos agr\u00edcolas e minerais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Principais produtos exportados pelo Brasil para a Uni\u00e3o Europeia em 2003, 2013 e 2023<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-stripes\" style=\"font-style:normal;font-weight:300;letter-spacing:px\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Posi\u00e7\u00e3o<\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2003<\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2013<\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2023<\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Soja, mesmo triturada<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Min\u00e9rios de ferro e seus concentrados, inclu\u00eddas as pirites de ferro ustuladas (cinzas de pirites)<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">\u00d3leos brutos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">2<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Tortas e outros res\u00edduos s\u00f3lidos da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de soja<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Tortas e outros res\u00edduos s\u00f3lidos da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de soja<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Tortas e outros res\u00edduos s\u00f3lidos da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de soja<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">3<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Min\u00e9rios de ferro e seus concentrados, inclu\u00eddas as pirites de ferro ustuladas (cinzas de pirites)<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Soja, mesmo triturada<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Caf\u00e9, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e pel\u00edculas de caf\u00e9; suced\u00e2neos do caf\u00e9 contendo caf\u00e9 em qualquer propor\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">4<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Sumos de frutas (inclu\u00eddos os mostos de uvas) ou de produtos hort\u00edcolas, n\u00e3o fermentados, sem adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, com ou sem adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar ou de outros edulcorantes<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Caf\u00e9, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e pel\u00edculas de caf\u00e9; suced\u00e2neos do caf\u00e9 contendo caf\u00e9 em qualquer propor\u00e7\u00e3o<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Soja, mesmo triturada<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">5<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Caf\u00e9, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e pel\u00edculas de caf\u00e9; suced\u00e2neos do caf\u00e9 contendo caf\u00e9 em qualquer propor\u00e7\u00e3o<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Pastas qu\u00edmicas de madeira, \u00e0 soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolu\u00e7\u00e3o<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Min\u00e9rios de cobre e seus concentrados<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">6<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Pastas qu\u00edmicas de madeira, \u00e0 soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolu\u00e7\u00e3o<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">\u00d3leos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos, exceto \u00f3leos brutos; prepara\u00e7\u00f5es n\u00e3o especificadas nem compreendidas noutras posi\u00e7\u00f5es, contendo, em peso, 70% ou mais de \u00f3leos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Min\u00e9rios de ferro e seus concentrados, inclu\u00eddas as pirites de ferro ustuladas (cinzas de pirites)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">7<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Carnes e miudezas comest\u00edveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posi\u00e7\u00e3o&nbsp;0105<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">\u00d3leos brutos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Pastas qu\u00edmicas de madeira, \u00e0 soda ou ao sulfato, exceto pastas para dissolu\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">8<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Alum\u00ednio em formas brutas<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Sumos de frutas (inclu\u00eddos os mostos de uvas) ou de produtos hort\u00edcolas, n\u00e3o fermentados, sem adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, com ou sem adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar ou de outros edulcorantes<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Sumos de frutas (inclu\u00eddos os mostos de uvas) ou de produtos hort\u00edcolas, n\u00e3o fermentados, sem adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, com ou sem adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar ou de outros edulcorantes<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">9<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">\u00d3leos brutos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Tabaco n\u00e3o manufaturado; desperd\u00edcios de tabaco<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">\u00d3leos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos, exceto \u00f3leos brutos; prepara\u00e7\u00f5es n\u00e3o especificadas nem compreendidas noutras posi\u00e7\u00f5es, contendo, em peso, 70% ou mais de \u00f3leos de petr\u00f3leo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Tabaco n\u00e3o manufaturado; desperd\u00edcios de tabaco<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Min\u00e9rios de cobre e seus concentrados<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">Ferro-ligas<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Elabora\u00e7\u00e3o: GIC-IE\/UFRJ com dados da SECEX.<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"938\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1-938x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-21606\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1-938x1024.png 938w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1-275x300.png 275w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1-768x838.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1-1407x1536.png 1407w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-1.png 1876w\" sizes=\"auto, (max-width: 938px) 100vw, 938px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2-850x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-21621\" srcset=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2-850x1024.png 850w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2-249x300.png 249w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2-768x925.png 768w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2-1275x1536.png 1275w, https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/figura-2.png 1700w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, \u00e9 importante que haja um fortalecimento da articula\u00e7\u00e3o industrial regional no Mercosul. Ainda que haja dificuldades pol\u00edticas evidentes, em alguns setores, h\u00e1 uma boa articula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o pode ser perdida, mas deve ser refor\u00e7ada, inclusive por meio dos mecanismos de compras p\u00fablicas, ou de fundos regionais, para que o bloco entre nessa \u201cparceria\u201d com a UE de forma mais coesa. O governo uruguaio, por exemplo, est\u00e1 super contente com o acordo\u2014at\u00e9 porque o governo liberal que participou das negocia\u00e7\u00f5es<a data-contents=\"N.E.: O mandato do presidente uruguaio Lacalle Pou, de orienta\u00e7\u00e3o neoliberal, se encerra em mar\u00e7o deste ano, quando Yamand\u00fa Orsi, candidato progressista aliado ao ex-presidente Pepe Mujica, toma posse.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">N.E.: O mandato do presidente uruguaio Lacalle Pou, de orienta\u00e7\u00e3o neoliberal, se encerra em mar\u00e7o deste ano, quando Yamand\u00fa Orsi, candidato progressista aliado ao ex-presidente Pepe Mujica, toma posse.<\/span> via com bons olhos a especializa\u00e7\u00e3o. Eles exportam carne e o setor deles n\u00e3o enfrenta os problemas ambientais que marcam a produ\u00e7\u00e3o brasileira na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. Ent\u00e3o, se o Brasil quiser tirar benef\u00edcios do acordo, \u00e9 desej\u00e1vel que se articule com seus vizinhos e crie estrat\u00e9gias que possam transferir parte dos ganhos, de forma a favorecer alian\u00e7as com esses pa\u00edses e incentivar a produ\u00e7\u00e3o industrial do bloco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MS<\/span>: A posi\u00e7\u00e3o oficial do governo brasileiro \u00e9 de que o acordo traz uma s\u00e9rie de vantagens para o Mercosul. Entre elas, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdic\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/dezembro\/perguntas-e-respostas-acordo-de-parceria-mercosul-uniao-europeia\">destaca<\/a> um maior acesso ao mercado europeu\u2014o que tamb\u00e9m atrairia mais investimentos diretos estrangeiros\u2014, a queda do custo dom\u00e9stico de insumos e bens de capital para a ind\u00fastria\u2014j\u00e1 que poder\u00edamos import\u00e1-los sem tarifas\u2014, o aumento da competitividade dos nossos produtos no mercado internacional, fortalecendo a diversifica\u00e7\u00e3o de parcerias comerciais, a moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, a integra\u00e7\u00e3o com as cadeias produtivas da UE e o interesse de outros atores em firmar novos acordos com o Mercosul para ter acesso a esse mercado. Como voc\u00ea v\u00ea essa defesa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">MC<\/span>: Esse \u00e9 um argumento muito antigo sobre a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial. \u00c9 o mesmo argumento usado nos anos 1990, de que podemos importar para exportar, de que liberalizar as importa\u00e7\u00f5es pode trazer ganhos de produtividade em raz\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de insumos e bens de capital mais baratos, fazendo com que a ind\u00fastria dom\u00e9stica ganhe competitividade e com que o pa\u00eds se torne exportador de produtos industrializados. O que aconteceu de l\u00e1 para c\u00e1 \u00e9 que o Brasil e a regi\u00e3o foram progressivamente se tornando exportadores de bens menos sofisticados. Ou seja, desde que fizemos um importante experimento de liberaliza\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, n\u00e3o temos evid\u00eancias dos efeitos positivos de uma abertura comercial sobre as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o acredito que agora observaremos um grande c\u00edrculo virtuoso de crescimento da economia brasileira, impulsionado pelos investimentos diretos ou pelo ganho de competitividade das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em raz\u00e3o de maior acesso a insumos europeus, especialmente no cen\u00e1rio atual. Vamos participar das cadeias europeias de valor? N\u00e3o. A Europa j\u00e1 tem suas cadeias formadas e est\u00e1 tentando se proteger da entrada dos chineses e de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, est\u00e1 tentando consolidar as cadeias, o quanto for poss\u00edvel, dentro do espa\u00e7o europeu. O que faremos \u00e9 nos especializar ainda mais em fornecer mat\u00e9rias-primas para essas cadeias. O investimento estrangeiro que podemos receber \u00e9 relacionado \u00e0s empresas que v\u00eam para c\u00e1 aproveitar de alguns fatores que temos internamente, como os recursos naturais e significativo mercado consumidor regional. Mas isso n\u00e3o implica uma moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e uma integra\u00e7\u00e3o com cadeias produtivas europeias automaticamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema desse acordo \u00e9 que ele tende a refor\u00e7ar uma especializa\u00e7\u00e3o regressiva crescente que tem se aprofundado desde os anos 2000 no Brasil e na regi\u00e3o. Se compararmos as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a UE em 2003, 2013 e 2023, fica clara a crescente primariza\u00e7\u00e3o da pauta exportadora. <\/p>\n","protected":false},"author":223,"featured_media":21617,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[733],"tags":[764,765],"issue":[],"newsletter":[],"region":[],"sector":[],"theme":[1081],"series":[],"class_list":["post-21605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-br","tag-desenvolvimento","tag-longform-pt-br","theme-comercio"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Liberalismo reciclado - Entrevista com Marta Castilho<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Liberalismo reciclado | Entrevista com Marta Castilho\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Phenomenal World\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-02-06T14:23:31+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-02-06T21:30:52+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2400\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1600\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Maria Fernanda Sikorski\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Liberalismo reciclado | Entrevista com Marta Castilho\" \/>\n<meta name=\"twitter:description\" content=\"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Maria Fernanda Sikorski\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Maria Fernanda Sikorski\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/8f98f23658f8b97628e1d73abdc3dd4a\"},\"headline\":\"Liberalismo reciclado\",\"datePublished\":\"2025-02-06T14:23:31+00:00\",\"dateModified\":\"2025-02-06T21:30:52+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/\"},\"wordCount\":4443,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/lula-ursula.jpg\",\"keywords\":[\"desenvolvimento\",\"longform\"],\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/\",\"name\":\"Liberalismo reciclado - Entrevista com Marta Castilho\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/lula-ursula.jpg\",\"datePublished\":\"2025-02-06T14:23:31+00:00\",\"dateModified\":\"2025-02-06T21:30:52+00:00\",\"description\":\"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/lula-ursula.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/lula-ursula.jpg\",\"width\":2400,\"height\":1600},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/marta-castilho\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Liberalismo reciclado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"description\":\"A publication focused on political economy.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"width\":1738,\"height\":163,\"caption\":\"Phenomenal World\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/WorldPhenomenal\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/8f98f23658f8b97628e1d73abdc3dd4a\",\"name\":\"Maria Fernanda Sikorski\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Maria Fernanda Sikorski\"},\"description\":\"Maria Fernanda Sikorski is a lawyer and an editor at Phenomenal World.\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/author\\\/maria-sikorski\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Liberalismo reciclado - Entrevista com Marta Castilho","description":"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Liberalismo reciclado | Entrevista com Marta Castilho","og_description":"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o","og_url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/","og_site_name":"Phenomenal World","article_published_time":"2025-02-06T14:23:31+00:00","article_modified_time":"2025-02-06T21:30:52+00:00","og_image":[{"width":2400,"height":1600,"url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Maria Fernanda Sikorski","twitter_card":"summary_large_image","twitter_title":"Liberalismo reciclado | Entrevista com Marta Castilho","twitter_description":"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o","twitter_image":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","twitter_creator":"@WorldPhenomenal","twitter_site":"@WorldPhenomenal","twitter_misc":{"Escrito por":"Maria Fernanda Sikorski","Est. tempo de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/"},"author":{"name":"Maria Fernanda Sikorski","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/8f98f23658f8b97628e1d73abdc3dd4a"},"headline":"Liberalismo reciclado","datePublished":"2025-02-06T14:23:31+00:00","dateModified":"2025-02-06T21:30:52+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/"},"wordCount":4443,"publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","keywords":["desenvolvimento","longform"],"articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/","name":"Liberalismo reciclado - Entrevista com Marta Castilho","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","datePublished":"2025-02-06T14:23:31+00:00","dateModified":"2025-02-06T21:30:52+00:00","description":"Conversa sobre os impactos do acordo de parceria entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia para o Brasil e a regi\u00e3o","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#primaryimage","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lula-ursula.jpg","width":2400,"height":1600},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/marta-castilho\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Liberalismo reciclado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","name":"Phenomenal World","description":"A publication focused on political economy.","publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization","name":"Phenomenal World","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","width":1738,"height":163,"caption":"Phenomenal World"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/WorldPhenomenal"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/8f98f23658f8b97628e1d73abdc3dd4a","name":"Maria Fernanda Sikorski","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/f5fe56e24622b12a755b495c5607f99139120f2a1fbd3912f0257c63630db153?s=96&d=mm&r=g","caption":"Maria Fernanda Sikorski"},"description":"Maria Fernanda Sikorski is a lawyer and an editor at Phenomenal World.","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/author\/maria-sikorski\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/223"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21605"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21686,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21605\/revisions\/21686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21605"},{"taxonomy":"issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/issue?post=21605"},{"taxonomy":"newsletter","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/newsletter?post=21605"},{"taxonomy":"region","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/region?post=21605"},{"taxonomy":"sector","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/sector?post=21605"},{"taxonomy":"theme","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/theme?post=21605"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=21605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}