{"id":20987,"date":"2024-12-12T15:04:25","date_gmt":"2024-12-12T15:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=20987"},"modified":"2025-02-11T13:05:32","modified_gmt":"2025-02-11T13:05:32","slug":"energia-em-transicao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/energia-em-transicao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Energia em transi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Gilberto Cervinski, lideran\u00e7a do Movimento dos Atingidos por Barragens, analisa o setor el\u00e9trico brasileiro e os desafios para uma transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica justa e popular<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O setor energ\u00e9tico de baixo carbono do Brasil \u00e9 frequentemente destacado nos f\u00f3runs internacionais que debatem resolu\u00e7\u00f5es para a emerg\u00eancia clim\u00e1tica mundial. Enquanto <a href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/the-worlds-stockyard\/\">o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria extrativista<\/a> s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es poluentes no pa\u00eds, na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica que abastece instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, domic\u00edlios e ind\u00fastrias prevalecem as fontes renov\u00e1veis, sobretudo a h\u00eddrica. Mas, ainda que o setor el\u00e9trico brasileiro seja considerado amplamente \u201climpo\u201d, h\u00e1 aspectos do seu modelo de organiza\u00e7\u00e3o produtiva que n\u00e3o podem ser ignorados num projeto de transi\u00e7\u00e3o verdadeiramente justo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expans\u00e3o da matriz produtiva de energia el\u00e9trica no Brasil foi impulsionada pelo nascimento das ind\u00fastrias de base e o consequente aumento exponencial da demanda por eletricidade nas \u00e1reas urbanas entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1930. O aproveitamento da abund\u00e2ncia de recursos h\u00eddricos na produ\u00e7\u00e3o de energia para expans\u00e3o da oferta de eletricidade em termos quantitativos e regionais s\u00f3 foi poss\u00edvel em raz\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o estatal do setor. O C\u00f3digo das \u00c1guas de 1934 foi o primeiro grande instrumento normativo que permitiu ao Estado brasileiro estabelecer os crit\u00e9rios de amplia\u00e7\u00e3o da matriz hidrel\u00e9trica. Em meados da d\u00e9cada de 1940, o pa\u00eds j\u00e1 contava com marcos regulat\u00f3rios que asseguravam \u00e0 Uni\u00e3o e aos estados da federa\u00e7\u00e3o a maior parte da propriedade e o controle cadeia produtiva hidrel\u00e9trica e, ao longo das d\u00e9cadas seguintes, notadamente em raz\u00e3o dos projetos desenvolvimentistas implementados entre as gest\u00f5es de Get\u00falio Vargas e Juscelino Kubitschek, uma s\u00e9rie de investimentos p\u00fablicos em infraestrutura ampliou a capacidade instalada do pa\u00eds significativamente. Em 1962, na gest\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart, criou-se a Eletrobr\u00e1s, empresa estatal destinada a coordenar, fiscalizar e executar projetos relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O golpe militar de 1964 n\u00e3o descontinuou o investimento na pol\u00edtica energ\u00e9tica, mas alterou significativamente a forma. A depend\u00eancia do capital privado internacional para a expans\u00e3o produtiva foi significativamente ampliada. Ao longo da ditadura, 61 grandes barragens foram constru\u00eddas. A matriz hidrel\u00e9trica foi crucial para o chamado \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d do regime autorit\u00e1rio: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/vh\/a\/ChCpxyx8Xg6w74xRTmNBRvJ\/?format=pdf&amp;lang=pt\">no momento da crise do petr\u00f3leo de 1973, 90% da eletricidade gerada no Brasil era proveniente de fontes h\u00eddricas<\/a>. A deteriora\u00e7\u00e3o do ambiente econ\u00f4mico internacional, no entanto, exp\u00f4s a fragilidade do milagre: o crescimento exponencial legado pela ditadura foi, na verdade, de o das desigualdades sociais e da d\u00edvida externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resgatar a hist\u00f3ria da matriz el\u00e9trica limpa do Brasil \u00e9 essencial para estabelecer os termos da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica no pa\u00eds. A constru\u00e7\u00e3o de usinas el\u00e9tricas, especialmente durante a ditadura militar, implicou danos sociais e ambientais t\u00e3o significativos quanto os avan\u00e7os estruturais alcan\u00e7ados. Nas geografias em que foram instaladas, as barragens impactaram enormemente popula\u00e7\u00f5es e biomas. Milhares de pessoas foram deslocadas, cidades inteiras foram inundadas, a perda de biodiversidade alcan\u00e7ou imensas \u00e1reas no entorno das instala\u00e7\u00f5es. Nesse contexto, nos anos 1980, surgiu o <a href=\"https:\/\/mab.org.br\/\">Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o voltada a defender os interesses das popula\u00e7\u00f5es atingidas pelo sistema de gera\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda da energia el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investimentos p\u00fablicos em infraestrutura garantiram soberania energ\u00e9tica ao Brasil, mas a amplia\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia internacional escondida do escrut\u00ednio p\u00fablico pela repress\u00e3o pol\u00edtica do per\u00edodo militar e a ampla aus\u00eancia de contrapartida social e ambiental que marcaram os anos de consolida\u00e7\u00e3o da matriz hidrel\u00e9trica do pa\u00eds expuseram as fal\u00eancias de um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico injusto. A redemocratiza\u00e7\u00e3o promoveu uma perversa invers\u00e3o do desenvolvimentismo energ\u00e9tico do per\u00edodo hist\u00f3rico anterior. A partir dos anos 1990, o setor el\u00e9trico foi amplamente privatizado. Desde ent\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o produtiva se caracteriza pelo controle privado, forte presen\u00e7a do capital portador de juros, endividamento das companhias e internacionaliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e tarifas. As viola\u00e7\u00f5es de direitos das popula\u00e7\u00f5es atingidas pelas estruturas produtivas, no entanto, seguiram como nefasta continuidade do modelo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 luz da hist\u00f3ria, a urg\u00eancia da crise clim\u00e1tica hoje torna imprescind\u00edvel o contraponto feito h\u00e1 anos pelos setores organizados da sociedade brasileira: a reivindica\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica efetivamente popular. Para tratar do tema, Hugo Fanton, editor da Phenomenal World, conversou com Gilberto Cervinski, lideran\u00e7a do MAB\u2014movimento que recentemente passou a congregar tamb\u00e9m fam\u00edlias atingidas por barragens de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o e por eventos relacionados a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como as inunda\u00e7\u00f5es que atingiram neste ano o Sul do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cervinski \u00e9 mestre em Energia pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e professor colaborador no curso de especializa\u00e7\u00e3o Energia e Sociedade no Capitalismo Contempor\u00e2neo, promovido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR\/UFRJ). Na entrevista, ele relaciona o tema da transi\u00e7\u00e3o com a necessidade de mudan\u00e7as profundas na estrutura produtiva do setor energ\u00e9tico, trata da rea\u00e7\u00e3o financista \u00e0s tentativas recentes de controle estatal sobre o setor\u2014como o caso da Medida Provis\u00f3ria n. 579, editada por Dilma Rousseff em 2012, com o objetivo de reduzir o pre\u00e7o da energia\u2014e prop\u00f5e a luta por um projeto energ\u00e9tico popular.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entrevista com Gilberto Cervinski<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hugo fanton<\/span>: Qual \u00e9 o modelo prevalente de organiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico no Brasil e por que o tema da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica depende de sua transforma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GILBERTO CERVINSKI<\/span>: O setor el\u00e9trico no Brasil, que representa uma parte da quest\u00e3o energ\u00e9tica, foi conformado basicamente pelo Estado e por empresas p\u00fablicas\u2014como a Eletrobr\u00e1s e companhias estaduais\u2014que constru\u00edram as usinas, as linhas de transmiss\u00e3o e organizaram o processo de distribui\u00e7\u00e3o da eletricidade nas cidades. Esse modelo durou at\u00e9 os anos 1990, quando foi iniciado um processo de privatiza\u00e7\u00e3o do setor. As melhores partes do complexo industrial foram privatizadas: as melhores usinas e linhas de transmiss\u00e3o. Consequentemente, aumentaram as tarifas e os pre\u00e7os finais para a popula\u00e7\u00e3o. Agora temos um setor el\u00e9trico privatizado. Quem controla as <a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiNGE3NjVmYjAtNDFkZC00MDY4LTliNTItMTVkZTU4NWYzYzFmIiwidCI6IjQwZDZmOWI4LWVjYTctNDZhMi05MmQ0LWVhNGU5YzAxNzBlMSIsImMiOjR9\">usinas<\/a>, as <a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiNDFmY2U1ODgtNjkyYy00OWI5LWJhOGItNmIyNDhmY2NmYjdjIiwidCI6IjQwZDZmOWI4LWVjYTctNDZhMi05MmQ0LWVhNGU5YzAxNzBlMSIsImMiOjR9\">linhas de transmiss\u00e3o e as distribuidoras<\/a> s\u00e3o os grandes bancos e fundos de investimento especulativos: hoje, o detentor da propriedade de todas as usinas de produ\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 o capital portador de juros, que a gente chama de capital parasit\u00e1rio. A segunda caracter\u00edstica do modelo atual \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o das tarifas: <a href=\"https:\/\/iclnoticias.com.br\/economia\/contas-de-luz-brasil-mais-caras-bolsonaro\/\">temos o menor custo de produ\u00e7\u00e3o de energia, e um dos pre\u00e7os mais altos do mundo para a popula\u00e7\u00e3o<\/a>. \u00c9 uma grande contradi\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o modelo que se consolidou desde os anos 1990.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando falamos da necessidade de um projeto energ\u00e9tico popular, estamos dizendo que \u00e9 preciso mudar profundamente a pol\u00edtica de pre\u00e7os, recuperar a soberania e garantir os direitos e a repara\u00e7\u00e3o adequada das popula\u00e7\u00f5es atingidas. \u00c9 preciso, ainda, fazer uma mudan\u00e7a de matriz, que n\u00e3o pode estar reduzida a hidroel\u00e9tricas. A luta por um projeto energ\u00e9tico popular \u00e9, ent\u00e3o, a defesa da mudan\u00e7a na pol\u00edtica energ\u00e9tica nacional em todas essas bases que caracterizam o atual modelo, desde as matrizes at\u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica com o meio ambiente. Vivemos neste ano a maior seca da hist\u00f3ria na Amaz\u00f4nia, que est\u00e1 sendo queimada em grandes extens\u00f5es. E por qu\u00ea? Porque os grandes produtores rurais est\u00e3o botando fogo para criar boi. Essas s\u00e3o as quest\u00f5es que precisam mudar a fundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: Por que existe essa grande distor\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de energia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: Com a privatiza\u00e7\u00e3o, passou-se a aplicar uma tarifa baseada na energia t\u00e9rmica a carv\u00e3o, que \u00e9 o modo como os pre\u00e7os internacionais de energia s\u00e3o definidos. S\u00f3 que aqui a energia \u00e9 produzida por hidroel\u00e9tricas. Temos bacias hidrogr\u00e1ficas com vinte usinas, uma embaixo da outra. A mesma \u00e1gua produz eletricidade vinte vezes no curso de uma bacia\u2014essa \u00e1gua se renova sem custo. Ou seja, dispomos de um custo de produ\u00e7\u00e3o baix\u00edssimo. Mas isso n\u00e3o se reverte em benef\u00edcio para o povo. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um mecanismo de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza baseado na diferen\u00e7a entre o baixo custo de produ\u00e7\u00e3o e as altas tarifas. Isso acontece porque estruturas e organismos de Estado que coordenam a pol\u00edtica energ\u00e9tica est\u00e3o capturados pelo sistema financeiro, pelos bancos, que controlam as ag\u00eancias reguladoras. Al\u00e9m disso, h\u00e1 viola\u00e7\u00f5es de direitos tanto dos trabalhadores do setor quanto das popula\u00e7\u00f5es atingidas pelos projetos, sempre visando o aumento das margens de lucro. Constr\u00f3i-se usinas e as popula\u00e7\u00f5es atingidas s\u00e3o expulsas de seus territ\u00f3rios sem indeniza\u00e7\u00f5es e repara\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 80% da energia el\u00e9trica produzida no Brasil \u00e9 de fonte renov\u00e1vel, a maior parte hidroel\u00e9trica, que chega a 70% da produ\u00e7\u00e3o real de eletricidade. Os outros 10% v\u00eam de fontes e\u00f3licas e solares. A \u00e1gua n\u00e3o tem custo como o carv\u00e3o, o petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural. Na Europa, por exemplo, os produtores precisam comprar a fonte e queimar em termoel\u00e9trica para produzir eletricidade. Aqui no Brasil, temos os grandes lagos de acumula\u00e7\u00e3o. Como a \u00e1gua se renova, o custo \u00e9 praticamente nulo, \u00e9 s\u00f3 de manuten\u00e7\u00e3o dessas usinas, que hoje est\u00e3o praticamente automatizadas. Portanto, \u00e9 o menor custo de produ\u00e7\u00e3o quando se compara com outras fontes renov\u00e1veis ou com as termoel\u00e9tricas ou a energia nuclear. Mas, como o setor foi privatizado, o pre\u00e7o n\u00e3o \u00e9 baseado no custo da hidrel\u00e9trica. Adota-se o pre\u00e7o internacional. E o pre\u00e7o que prevalece no mundo \u00e9 baseado naquilo que o mundo produz, en\u00e9rgica termoel\u00e9trica movida a carv\u00e3o, justamente a que custa mais caro. Essa \u00e9 a refer\u00eancia para o que chamam de \u201cpre\u00e7o teto\u201d da energia. Aqui, adota-se o pre\u00e7o teto, o mais alto do mundo, com o custo de produ\u00e7\u00e3o mais baixo, de modo que a taxa de lucratividade \u00e9 alt\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: Quem se beneficia do modelo atual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: Os bancos e fundos financeiros fizeram uma enorme movimenta\u00e7\u00e3o para controlar o setor el\u00e9trico brasileiro e extrair lucros extraordin\u00e1rios. Houve uma estrat\u00e9gia de endividamento das companhias energ\u00e9ticas\u2014hoje, s\u00e3o empresas superendividadas, pagando taxas de juro alt\u00edssimas. E esse custo tamb\u00e9m \u00e9 jogado na conta de luz. Ent\u00e3o, h\u00e1 dois mecanismos que garantem alt\u00edssimas taxas de lucro: o endividamento das companhias e a conta de luz em si. \u00c9 o capital parasit\u00e1rio que extrai riqueza de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Os pre\u00e7os e as tarifas energ\u00e9ticas s\u00e3o centrais para o controle e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza nacional: funcionam como mecanismos de extra\u00e7\u00e3o de riqueza de uma grande massa atrav\u00e9s do pagamento das contas de luz. No Brasil, h\u00e1 80 milh\u00f5es de unidades consumidoras residenciais: fam\u00edlias que pagam conta de luz. Se adot\u00e1ssemos uma pol\u00edtica de pre\u00e7o real, condizente com o sistema brasileiro, o povo pagaria muito mais barato. N\u00e3o haveria essa extra\u00e7\u00e3o de riqueza de suas m\u00e3os. Com uma pol\u00edtica energ\u00e9tica que garante os pre\u00e7os altos, parte do sal\u00e1rio dos trabalhadores \u00e9 expropriada para se concentrar nas m\u00e3os dos bancos e dos fundos financeiros que controlam o setor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: Em 2012, Dilma Rousseff editou a Medida Provis\u00f3ria n. 579 para alterar, precisamente, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o do setor energ\u00e9tico. Voc\u00ea pode explicar o contexto em que isso aconteceu e o motivo pelo qual a proposta n\u00e3o prosperou?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: As grandes hidroel\u00e9tricas do Brasil foram constru\u00eddas na d\u00e9cada de 1970. Os contratos de concess\u00e3o de 60% delas estavam vencendo por volta de 2012. Isso significa que, a partir daquele ano, essas usinas n\u00e3o teriam mais d\u00edvida a pagar em fun\u00e7\u00e3o do custo de investimento. Os trinta anos de concess\u00e3o quitaram a d\u00edvida formada na constru\u00e7\u00e3o das usinas. Como n\u00e3o havia mais d\u00edvida a pagar, a proposta era oferecer ao pa\u00eds energia a pre\u00e7o de custo acrescido de uma taxa de lucro m\u00e9dia. Essa foi a medida do governo Dilma. O problema \u00e9 que nesse modelo n\u00e3o haveria mais incid\u00eancia de juros sobre o endividamento, o que provocou uma forte rea\u00e7\u00e3o dos banqueiros no Brasil. Os dois componentes da extra\u00e7\u00e3o de mais valia foram colocados em xeque pelo governo: o pre\u00e7o da conta de luz e o pagamento de juros pelo endividamento das empresas. A presidenta comprou uma briga enorme com o capital financeiro por isso. N\u00e3o \u00e0 toa o capital financeiro foi um dos articuladores do processo de impeachment. O resultado foi o golpe de 2016. A Dilma Rousseff queria oferecer ao pa\u00eds a energia a custo real de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o povo brasileiro j\u00e1 tinha pagado por hidroel\u00e9tricas ao longo de 30 anos de concess\u00e3o. E o que aconteceu depois do golpe? Novas d\u00edvidas foram criadas, como se as hidroel\u00e9tricas antigas estivessem sendo constru\u00eddas novamente.<a data-contents=\"Ver: Maggi, L. B. (2013). Contribui\u00e7\u00f5es de Itaipu no processo de integra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica regional. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) &#8211; Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia. Presidente Prudente: [s.n.]; Cervinski, G (2019). Em alta tens\u00e3o: atores e conflitos no contexto da renova\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico brasileiro atrav\u00e9s da MP 579\/2012. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Energia) &#8211; Universidade Federal do ABC. Not\u00edcia recente mostra como tal estrat\u00e9gia de endividamento tem afetado a Eletrobras ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o: (<)a href='https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2023\/11\/08\/divida-da-eletrobras-aumenta-com-captacoes-e-consolidacao-de-passivo-de-hidreletricas.ghtml'(>)https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2023\/11\/08\/divida-da-eletrobras-aumenta-com-captacoes-e-consolidacao-de-passivo-de-hidreletricas.ghtml(<)\/a(>)\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Ver: Maggi, L. B. (2013). Contribui\u00e7\u00f5es de Itaipu no processo de integra\u00e7\u00e3o el\u00e9trica regional. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) &#8211; Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia. Presidente Prudente: [s.n.]; Cervinski, G (2019). Em alta tens\u00e3o: atores e conflitos no contexto da renova\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico brasileiro atrav\u00e9s da MP 579\/2012. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Energia) &#8211; Universidade Federal do ABC. Not\u00edcia recente mostra como tal estrat\u00e9gia de endividamento tem afetado a Eletrobras ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o: (<)a href='https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2023\/11\/08\/divida-da-eletrobras-aumenta-com-captacoes-e-consolidacao-de-passivo-de-hidreletricas.ghtml'(>)https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2023\/11\/08\/divida-da-eletrobras-aumenta-com-captacoes-e-consolidacao-de-passivo-de-hidreletricas.ghtml(<)\/a(>)<\/span> Cada uma delas agora tem uma nova d\u00edvida e est\u00e1 pagando juros por isso, pagando novamente o investimento de sua produ\u00e7\u00e3o. E quem \u00e9 o dono das d\u00edvidas? O sistema financeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: A privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobr\u00e1s tamb\u00e9m fez parte dessa rea\u00e7\u00e3o do capital financeiro. Quais foram as implica\u00e7\u00f5es disso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: Ap\u00f3s o golpe de 2016, come\u00e7ou uma movimenta\u00e7\u00e3o para privatizar a \u00faltima grande estatal brasileira. A Eletrobr\u00e1s det\u00e9m a propriedade de 48 hidroel\u00e9tricas do pa\u00eds\u2014as de melhor qualidade, com d\u00edvidas amortizadas. O capital, evidentemente, n\u00e3o queria pagar o valor dessas hidroel\u00e9tricas. Ent\u00e3o a privatiza\u00e7\u00e3o foi operacionalizada pela transfer\u00eancia do controle da empresa por um valor muito abaixo do que custaria vender as hidrel\u00e9tricas. Essa privatiza\u00e7\u00e3o foi escandalosa. Hoje, o governo consegue controlar apenas 10% da Eletrobr\u00e1s. O restante est\u00e1 nas m\u00e3os do capital financeiro. Foi um processo de pilhagem de riqueza nacional: 48 hidroel\u00e9tricas transferidas da noite para o dia para o controle do capital privado, sem necessidade. E n\u00f3s j\u00e1 vemos o resultado disso: mais aumentos nas tarifas e nas contas de luz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: O que uma mudan\u00e7a de matriz energ\u00e9tica para enfrentar a crise clim\u00e1tica significa em um pa\u00eds com essas caracter\u00edsticas?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: O debate ambiental \u00e9 feito no mundo, pelo menos, desde os anos 1970. A Eco 92 foi tamb\u00e9m um marco importante. Ainda assim, houve aumento crescente e linear no consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, de petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s desde ent\u00e3o, seguido por uma trajet\u00f3ria paralela de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os combust\u00edveis f\u00f3sseis que causam as emiss\u00f5es de gases: aqui no Brasil a principal causa \u00e9 a atividade agropecu\u00e1ria. Eles chamam de agroneg\u00f3cio, n\u00f3s chamamos de burguesia agr\u00e1ria. Eles produzem e querem ampliar as \u00e1reas para soja, boi, celulose e cana de a\u00e7\u00facar, e para isso desejam desmatar tanto a Amaz\u00f4nia quanto o Cerrado, as \u00e1reas do pa\u00eds que ainda t\u00eam florestas em p\u00e9. S\u00e3o essas as duas frentes de a\u00e7\u00e3o, portanto, que correspondem \u00e0s necessidades da transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. No caso brasileiro, devemos combinar a mudan\u00e7a de matriz energ\u00e9tica com a conten\u00e7\u00e3o da sanha da burguesia agr\u00e1ria pela destrui\u00e7\u00e3o das florestas. Precisamos conter o desmatamento, o que implica altera\u00e7\u00e3o profunda na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. E quando falamos da mudan\u00e7a de matriz n\u00e3o \u00e9 mudan\u00e7a de fonte de energia el\u00e9trica, e sim da pol\u00edtica energ\u00e9tica. \u00c9 isso que precisa mudar: a pol\u00edtica de pre\u00e7os e o controle da produ\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m das fontes de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: No caso espec\u00edfico da produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, quais seriam as mudan\u00e7as necess\u00e1rias?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: O Brasil talvez tenha a melhor condi\u00e7\u00e3o mundial de gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel. Tem grande potencial hidr\u00e1ulico. Mas isso est\u00e1 na Amaz\u00f4nia, e os grandes propriet\u00e1rios das usinas querem retomar a constru\u00e7\u00e3o de grandes lagos de hidroel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia. Isso significa alagar milhares de hectares, o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o renov\u00e1vel assim&#8230; O Brasil possui 230 mil cavalos de pot\u00eancia instalada em usinas constru\u00eddas nos \u00faltimos cem anos. E tem essa mesma quantidade em potencial na produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica em alto mar. Possu\u00edmos tamb\u00e9m regi\u00f5es de radia\u00e7\u00e3o solar alt\u00edssima, equivalente \u00e0s des\u00e9rticas, al\u00e9m dos potenciais de biomassa e hidr\u00e1ulico. Ou seja, o Brasil tem as melhores condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, mesmo dispondo dessas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, os grandes empres\u00e1rios do setor energ\u00e9tico querem retomar a constru\u00e7\u00e3o de enormes hidroel\u00e9tricas de acumula\u00e7\u00e3o com grandes lagos na Amaz\u00f4nia. Isso significa alagar milhares de hectares de \u00e1reas de floresta. E por que esse interesse? A resposta est\u00e1 na pol\u00edtica energ\u00e9tica, para qu\u00ea e para quem \u00e9 essa eletricidade, e na produ\u00e7\u00e3o em l\u00f3gica especulativa. \u00c9 isso que precisamos combater. Mesmo tendo energia renov\u00e1vel \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, o povo brasileiro \u00e9 penalizado. Temos que mudar a pol\u00edtica energ\u00e9tica nacional, a pol\u00edtica de pre\u00e7os, o controle sobre a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o. O problema ambiental \u00e9 grave, mas a solu\u00e7\u00e3o que o capital financeiro apresenta \u00e9 financeiriza\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, est\u00e3o propondo privatizar as florestas aqui. E o que \u00e9 privatiza\u00e7\u00e3o das florestas? \u00c9 entregar para os grandes fazendeiros e para os bancos a explora\u00e7\u00e3o das florestas. N\u00e3o \u00e9 preserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 aumentar a propriedade privada sobre as \u00e1reas de reserva. As iniciativas de financeiriza\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o do clima s\u00e3o uma falsifica\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o. O que temos feito \u00e9 denunciar que a privatiza\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o do clima n\u00e3o reverter\u00e3o o problema clim\u00e1tico. Pelo contr\u00e1rio. Quem ganha com os cr\u00e9ditos carbono aqui? S\u00e3o justamente os fazendeiros e os donos de usina. Ou seja, \u00e9 um mecanismo financeiro que beneficia, em nome da prote\u00e7\u00e3o da natureza e da revers\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, exatamente quem est\u00e1 causando o problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: Como se d\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o do MAB nesse cen\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: O MAB tem uma hist\u00f3ria relacionada com os impactos das hidroel\u00e9tricas, h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. O movimento \u00e9 constitu\u00eddo por pessoas que foram expulsas pela constru\u00e7\u00e3o de usinas, sem indeniza\u00e7\u00f5es e repara\u00e7\u00f5es, em v\u00e1rias partes do Brasil. Ao longo do tempo nos nacionalizamos. O nome \u00e9 Movimento dos Atingidos por Barragens, mas houve uma mudan\u00e7a nos \u00faltimos anos, porque n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os atingidos pelas usinas de energia el\u00e9trica, mas tamb\u00e9m atingidos por duas situa\u00e7\u00f5es novas que s\u00e3o muito parecidas: o rompimento de barragens de rejeitos de min\u00e9rios de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. H\u00e1 v\u00e1rias outras que romperam em diferentes partes do Brasil. Essas pessoas atingidas se organizam no MAB. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, de alguns anos para c\u00e1, h\u00e1 o que chamamos de atingidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como foi o caso das pessoas atingidas pelas chuvas no litoral de S\u00e3o Paulo e, agora, o caso mais emblem\u00e1tico das grandes enchentes que alagaram Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul. A luta \u00e9 tanto pelos direitos das pessoas atingidas de indeniza\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o quanto por um projeto energ\u00e9tico popular, de transforma\u00e7\u00e3o do modelo prevalente. Nossa hist\u00f3ria est\u00e1 imbricada na quest\u00e3o energ\u00e9tica, por isso analisamos o setor, discutimos publicamente esses aspectos e lutamos para transformar a pol\u00edtica energ\u00e9tica nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: Como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o dos atingidos em Mariana e Brumadinho?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: Em 2024, completa-se nove anos de rompimento da barragem em Mariana. At\u00e9 hoje as fam\u00edlias n\u00e3o foram reparadas. A barragem rompeu no estado de Minas Gerais, perto de Belo Horizonte. A lama t\u00f3xica caiu numa bacia hidrogr\u00e1fica formada pelo Rio Doce, que corre por 670 quil\u00f4metros de extens\u00e3o at\u00e9 o litoral do Esp\u00edrito Santo. Todo o rio foi destru\u00eddo pela lama, que ent\u00e3o invadiu o oceano e chegou at\u00e9 Abrolhos, na Bahia. Estamos organizando o povo em toda essa regi\u00e3o. Somente agora, em raz\u00e3o da sensibilidade do governo Lula, que est\u00e1 fazendo uma cobran\u00e7a maior, um grande acordo de indeniza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias vem sendo discutido com as empresas. Para se ter uma ideia, 700 mil pessoas est\u00e3o movendo um processo em Londres contra as empresas, porque a Justi\u00e7a brasileira se colocou, de certa forma, a favor dos donos das empresas. As fam\u00edlias moveram um processo fora do pa\u00eds para tentar repara\u00e7\u00e3o, e isso est\u00e1 ajudando, inclusive, a acelerar o acordo de agora. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de Brumadinho, a lama atingiu outra bacia hidrogr\u00e1fica, a do rio S\u00e3o Francisco. Tamb\u00e9m s\u00e3o milhares de pessoas atingidas. O acordo foi realizado h\u00e1 pouco tempo, mas as fam\u00edlias ainda n\u00e3o receberam as indeniza\u00e7\u00f5es, de modo que a luta agora \u00e9 pelo cumprimento do acordo e pela reconstru\u00e7\u00e3o da bacia. E esse povo est\u00e1 organizado no movimento, lutando pelos seus direitos. S\u00e3o v\u00e1rias frentes de atua\u00e7\u00e3o, porque o problema atingiu as pessoas, as comunidades, o pr\u00f3prio rio, as vegeta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 o mar. \u00c9 um processo muito complexo, e o MAB est\u00e1 priorizando principalmente a quest\u00e3o dos atingidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">hF<\/span>: E como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"sans blue\">GC<\/span>: Na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre h\u00e1 seis bacias. Todas descem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 capital do Rio Grande do Sul. Em maio, chegou a chover 900 mil\u00edmetros em cinco dias. A m\u00e9dia na regi\u00e3o \u00e9 de 170 mil\u00edmetros mensais. Essa \u00e1gua toda arrastou o rio, que saltou de 13 para 33 metros de altura. A \u00e1gua levou tudo, derrubou casas e bairros inteiros. Morreram mais de 200 pessoas afogadas porque a \u00e1gua foi muito r\u00e1pida. Ao todo, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas foram atingidas no estado. Porto Alegre tinha um sistema de prote\u00e7\u00e3o de muros para n\u00e3o alagar, porque \u00e9 uma cidade no n\u00edvel do Rio Gua\u00edba. A responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o desse sistema \u00e9 da prefeitura, mas, nos \u00faltimos anos, os prefeitos de caracter\u00edsticas fascistas e neoliberais sucatearam o sistema, que n\u00e3o funcionou quando necess\u00e1rio. Porto Alegre e a regi\u00e3o metropolitana ficaram alagadas por 21 dias em raz\u00e3o disso. As pessoas perderam tudo o que tinham, perderam as casas, os m\u00f3veis, tudo. Ent\u00e3o, em alguns lugares, a luta \u00e9 pela reconstru\u00e7\u00e3o das casas, e para que as fam\u00edlias consigam voltar para onde moravam. Estamos organizando todas essas fam\u00edlias. O pessoal se identificou com o movimento: reunimos quem perdeu uma casa por enchente, por lama ou pelo lago da hidroel\u00e9trica, a luta \u00e9 a mesma. \u00c9 preciso reparar os direitos das fam\u00edlias e, evidentemente, no centro da nossa cobran\u00e7a est\u00e3o os governos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor energ\u00e9tico de baixo carbono do Brasil \u00e9 frequentemente destacado nos f\u00f3runs internacionais que debatem resolu\u00e7\u00f5es para a emerg\u00eancia clim\u00e1tica mundial. Enquanto o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria extrativista s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es poluentes no pa\u00eds, na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica que abastece instala\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, domic\u00edlios e ind\u00fastrias prevalecem as fontes renov\u00e1veis, sobretudo a h\u00eddrica. Mas, ainda que o setor el\u00e9trico brasileiro seja considerado amplamente \u201climpo\u201d, h\u00e1 aspectos do seu modelo de organiza\u00e7\u00e3o produtiva que n\u00e3o podem ser ignorados num projeto de transi\u00e7\u00e3o verdadeiramente justo.<\/p>\n","protected":false},"author":240,"featured_media":20988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[733],"tags":[762,763,764,788],"issue":[],"newsletter":[],"region":[1012,1203],"sector":[],"theme":[1075,1081],"series":[],"class_list":["post-20987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-br","tag-brasil","tag-clima-pt-br","tag-desenvolvimento","tag-shortform-pt-br","region-america-latina-e-caribe","region-brasil-pt-br","theme-clima-energia","theme-comercio"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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