{"id":19773,"date":"2024-09-26T15:34:19","date_gmt":"2024-09-26T15:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/?p=19773"},"modified":"2024-09-30T19:27:43","modified_gmt":"2024-09-30T19:27:43","slug":"teoria-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/","title":{"rendered":"Condicionalidades perif\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 antes de 2008 era preciso reorganizar os pilares da governan\u00e7a global para acomodar a ascens\u00e3o da China. Com a crise financeira, somou-se a essa outra exig\u00eancia: a de remodelar o pr\u00f3prio capitalismo. A pandemia de Covid-19 representou um momento estrat\u00e9gico para avan\u00e7ar nessa dupla tarefa. Uma d\u00e9cada depois do an\u00fancio da fal\u00eancia do Lehman Brothers, a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria foi ocasi\u00e3o para que parte das elites globais lan\u00e7assem seu <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2020\/10\/coronavirus-covid19-recovery-capitalism-environment-economics-equality\/\">apelo por uma nova ordem mundial p\u00f3s-neoliberal<\/a>, apelo que veio acompanhado do chamamento \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o da governan\u00e7a global e, em particular, da sua dimens\u00e3o econ\u00f4mica: a constru\u00e7\u00e3o de um <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/News\/Articles\/2020\/10\/15\/sp101520-a-new-bretton-woods-moment\">\u201cnovo Bretton Woods<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em compara\u00e7\u00e3o com a crise do liberalismo de cem anos atr\u00e1s, a crise do neoliberalismo e o chamado \u00e0 nova ordem atuais n\u00e3o contam com uma alternativa ao capitalismo como aquela representada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Independentemente da classifica\u00e7\u00e3o que se fa\u00e7a da China, fato \u00e9 que, ao contr\u00e1rio da antiga URSS, o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 epicentro de um movimento internacional amplo e bem implantado em variados Estados e regi\u00f5es. Apesar de ter seguido o modelo sovi\u00e9tico por ao menos tr\u00eas d\u00e9cadas, a partir do final dos anos 1970 a China adotou um caminho pr\u00f3prio e peculiar que lhe permitiu sobreviver ao colapso do bloco sovi\u00e9tico sem abrir m\u00e3o de seu projeto.<a data-contents=\"Isabella Weber, Como a China escapou da teoria de choque, S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2023.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Isabella Weber, Como a China escapou da teoria de choque, S\u00e3o Paulo, Boitempo, 2023.<\/span> Na particularidade da presente crise, o mundo globalizado depende da China sob muitos aspectos, mas nem por isso o pa\u00eds surge como um modelo imit\u00e1vel ou export\u00e1vel.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de uma alternativa p\u00f3s-capitalista implantada e export\u00e1vel n\u00e3o significa, entretanto, que hoje n\u00e3o estejam presentes, como h\u00e1 cem anos, tens\u00f5es geopol\u00edticas graves. E n\u00e3o exclui a presen\u00e7a de modelos de capitalismo pretensamente export\u00e1veis e em competi\u00e7\u00e3o de vida ou morte, como h\u00e1 cem anos foram os capitalismos de tipo fascista ou de tipo New Deal. A possibilidade de que a crise atual leve \u00e0 ruptura dr\u00e1stica de uma guerra globalizada n\u00e3o est\u00e1 fora da mesa. Da\u00ed vem, justamente, o sentido fundamental do chamamento para um \u201cnovo Bretton Woods\u201d: reorganizar a governan\u00e7a global para que a passagem a uma ordem p\u00f3s-neoliberal n\u00e3o cruze com a trag\u00e9dia e a incerteza de um conflito b\u00e9lico generalizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O duplo convite para uma reforma do capitalismo e de seu modelo de governan\u00e7a se configura em termos da convers\u00e3o a um novo credo. O conte\u00fado desse credo ainda precisa de ser fixado, uma vez que sua dire\u00e7\u00e3o e amplitude envolvem uma batalha j\u00e1 em curso no interior do establishment neoliberal. Qualquer que seja o resultado da batalha, no entanto, a autorreforma n\u00e3o deixa de ter como objetivo final vir a ser um novo credo, algo que desde a era neoliberal costuma ser chamado de \u201cconsenso\u201d. Um \u201cnovo consenso\u201d, como <a href=\"https:\/\/www.brookings.edu\/events\/the-biden-administrations-international-economic-agenda-a-conversation-with-national-security-advisor-jake-sullivan\/\">afirmou<\/a> Jake Sullivan em abril de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que pare\u00e7a paradoxal, o modelo proposto para essa transi\u00e7\u00e3o dentro da ordem rumo ao p\u00f3s-neoliberalismo pretende mimetizar o da pr\u00f3pria ascens\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do neoliberalismo, pelo menos segundo um certo senso comum de como isso aconteceu. Nessa vers\u00e3o da hist\u00f3ria, o neoliberalismo teria surgido a partir da formula\u00e7\u00e3o de um novo paradigma econ\u00f4mico, com teoria e preceitos de pol\u00edtica econ\u00f4mica pr\u00f3prios e vis\u00e3o pr\u00f3pria de sociedade e de geopol\u00edtica. Em seguida, o projeto teria passado \u00e0 fase de implementa\u00e7\u00e3o, ilustrada tanto pela tomada das institui\u00e7\u00f5es quanto nas disputas culturais e eleitorais que levaram ao estabelecimento desse novo paradigma como hegem\u00f4nico.<a data-contents=\"Independentemente da inten\u00e7\u00e3o de seu autor, n\u00e3o se deve subestimar a import\u00e2ncia do livro de Quinn Slobodian ((<)em(>)Globalists. The End of Empire and the Birth of Neoliberalism(<)\/em(>), Harvard: Harvard UP, 2018) no estabelecimento do quase lugar comum da compreens\u00e3o do neoliberalismo nesses termos. Dito de maneira sum\u00e1ria: segundo um esquema interpretativo em que a formula\u00e7\u00e3o de um (<)em(>)projeto(<)\/em(>) inicial teria sido seguida de uma progressiva(<)em(>) implementa\u00e7\u00e3o(<)\/em(>) por meio da disputa cultural-ideol\u00f3gica e eleitoral e da ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os institucionais estrat\u00e9gicos. De um lado, esse esquema serve bem ao projeto de parte das elites globais de uma transi\u00e7\u00e3o dentro da ordem rumo a uma regula\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal. De outro, entretanto, entender os processos de transi\u00e7\u00e3o em curso nesses termos obscurece a compreens\u00e3o do que est\u00e1 efetivamente ocorrendo. Ao contr\u00e1rio desse esquema interpretativo e assim como ocorreu no momento de decl\u00ednio dos modelos do New Deal e do Welfare State (ver por exemplo,&nbsp;Fran\u00e7ois Denord, (<)em(>)N\u00e9o-lib\u00e9ralisme version fran\u00e7aise: Histoire d&#8217;une id\u00e9ologie politique(<)\/em(>), Paris: Demopolis, 2007; Colin Crouch, (<)em(>)The Strange Non-Death of Neoliberalism(<)\/em(>), Cambridge: Polity Press, 2011 e Hagen Schulz-Forberg, \u201cCrisis and continuity: Robert Marjolin, transnational policy-making and neoliberalism, 1930s\u201370s\u201d, in: (<)em(>)European Review of History(<)\/em(>), vol. 26, no. 4, 2019), tamb\u00e9m no atual decl\u00ednio do neoliberalismo grandes players globais v\u00eam introduzindo e testando corre\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 foram consignadas at\u00e9 mesmo em livros did\u00e1ticos de economia, ainda que em ritmo lento (por exemplo, Jane Ihrig &amp; Scott Wolla, \u201cLet\u2019s Close the Gap: Revising Teaching Materials to Reflect How the Federal Reserve Implements Monetary Policy,\u201d Working Paper, Board of Governors of the Federal Reserve System, Finance and Economics Discussion Series (FEDS), October 2020).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Independentemente da inten\u00e7\u00e3o de seu autor, n\u00e3o se deve subestimar a import\u00e2ncia do livro de Quinn Slobodian ((<)em(>)Globalists. The End of Empire and the Birth of Neoliberalism(<)\/em(>), Harvard: Harvard UP, 2018) no estabelecimento do quase lugar comum da compreens\u00e3o do neoliberalismo nesses termos. Dito de maneira sum\u00e1ria: segundo um esquema interpretativo em que a formula\u00e7\u00e3o de um (<)em(>)projeto(<)\/em(>) inicial teria sido seguida de uma progressiva(<)em(>) implementa\u00e7\u00e3o(<)\/em(>) por meio da disputa cultural-ideol\u00f3gica e eleitoral e da ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os institucionais estrat\u00e9gicos. De um lado, esse esquema serve bem ao projeto de parte das elites globais de uma transi\u00e7\u00e3o dentro da ordem rumo a uma regula\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal. De outro, entretanto, entender os processos de transi\u00e7\u00e3o em curso nesses termos obscurece a compreens\u00e3o do que est\u00e1 efetivamente ocorrendo. Ao contr\u00e1rio desse esquema interpretativo e assim como ocorreu no momento de decl\u00ednio dos modelos do New Deal e do Welfare State (ver por exemplo,&nbsp;Fran\u00e7ois Denord, (<)em(>)N\u00e9o-lib\u00e9ralisme version fran\u00e7aise: Histoire d&#8217;une id\u00e9ologie politique(<)\/em(>), Paris: Demopolis, 2007; Colin Crouch, (<)em(>)The Strange Non-Death of Neoliberalism(<)\/em(>), Cambridge: Polity Press, 2011 e Hagen Schulz-Forberg, \u201cCrisis and continuity: Robert Marjolin, transnational policy-making and neoliberalism, 1930s\u201370s\u201d, in: (<)em(>)European Review of History(<)\/em(>), vol. 26, no. 4, 2019), tamb\u00e9m no atual decl\u00ednio do neoliberalismo grandes players globais v\u00eam introduzindo e testando corre\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 foram consignadas at\u00e9 mesmo em livros did\u00e1ticos de economia, ainda que em ritmo lento (por exemplo, Jane Ihrig &amp; Scott Wolla, \u201cLet\u2019s Close the Gap: Revising Teaching Materials to Reflect How the Federal Reserve Implements Monetary Policy,\u201d Working Paper, Board of Governors of the Federal Reserve System, Finance and Economics Discussion Series (FEDS), October 2020).<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O racioc\u00ednio que sustenta a adapta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do projeto passado se estrutura mais ou menos assim: o neoliberalismo despontou em um contexto de Guerra Fria e, no mundo capitalista, conseguiu se consolidar sem uma ruptura b\u00e9lica generalizada. Analogamente, para alguns pa\u00edses centrais, o atual momento de desglobaliza\u00e7\u00e3o seria caracterizado por uma nova forma de Guerra Fria que, permanecendo fria, permitiria a transi\u00e7\u00e3o para uma nova ordem p\u00f3s-neoliberal nos moldes da ascens\u00e3o do pr\u00f3prio neoliberalismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a proposta n\u00e3o seria vi\u00e1vel se fosse lastreada somente no poder institucional e econ\u00f4mico dessas elites globais. H\u00e1 pelo menos dois outros trunfos que tornam o projeto plaus\u00edvel, ainda que n\u00e3o se concretize. Primeiro, a irredutibilidade das transforma\u00e7\u00f5es sociais provocadas pelo neoliberalismo objetivamente inviabilizou um programa que pretenda \u201cvoltar atr\u00e1s\u201d: hoje, a proposta de retomar uma regula\u00e7\u00e3o de tipo keynesiano n\u00e3o \u00e9 mais que voluntarismo pol\u00edtico ilus\u00f3rio. Segundo, a consolida\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o pol\u00edtica de vida e morte, resultado da pr\u00f3pria crise do neoliberalismo, serve bem a um projeto de transi\u00e7\u00e3o dentro da ordem porque mobiliza a vit\u00f3ria da extrema direita como amea\u00e7a para for\u00e7ar a modera\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mais \u00e0 esquerda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A geopol\u00edtica domesticada <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de ser uma regula\u00e7\u00e3o meramente econ\u00f4mica e superficial, o neoliberalismo estabeleceu ra\u00edzes sociais profundas.<a data-contents=\"Como mostraram, em diferentes contextos, Ver\u00f3nica Gago ((<)em(>)La raz\u00f3n neoliberal: Econom\u00edas barrocas y pragm\u00e1tica popular(<)\/em(>), Madri: Traficantes de Sue\u00f1os, 2015), Carlos Alba Vega et al. ((<)em(>)La globalizaci\u00f3n desde abajo, la otra econom\u00eda mundial(<)\/em(>), Mexico City: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica\/El Colegio de M\u00e9xico, 2015) e Arlie R. Hochschild ((<)em(>)Strangers in their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), N. York: The New Press, 2016), apenas para mencionar alguns trabalhos de refer\u00eancia.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Como mostraram, em diferentes contextos, Ver\u00f3nica Gago ((<)em(>)La raz\u00f3n neoliberal: Econom\u00edas barrocas y pragm\u00e1tica popular(<)\/em(>), Madri: Traficantes de Sue\u00f1os, 2015), Carlos Alba Vega et al. ((<)em(>)La globalizaci\u00f3n desde abajo, la otra econom\u00eda mundial(<)\/em(>), Mexico City: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica\/El Colegio de M\u00e9xico, 2015) e Arlie R. Hochschild ((<)em(>)Strangers in their Own Land: Anger and Mourning on the American Right(<)\/em(>), N. York: The New Press, 2016), apenas para mencionar alguns trabalhos de refer\u00eancia.<\/span> Seu sucesso em desmantelar mecanismos universais de solidariedade exacerbou disputas distributivas, provocando efeitos destrutivos e autodestrutivos. A marcada divis\u00e3o pol\u00edtica que se manifesta em diversas realidades dom\u00e9sticas atualmente \u00e9 resultado desse processo. Hoje, nos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, essa divis\u00e3o se d\u00e1 entre uma direita sem medo de se aliar \u00e0 extrema direita e um novo progressismo que pretende reformar o neoliberalismo, afastando-se de suas vers\u00f5es mais extremistas. Trata-se de uma aut\u00eantica divis\u00e3o, e n\u00e3o de mera \u201cpolariza\u00e7\u00e3o\u201d, em que, segundo a met\u00e1fora, os dois lados pertenceriam a um mesmo \u201ccampo magn\u00e9tico\u201d.<a data-contents=\"Sobre isso, ver Marcos Nobre: Limites da Democracia: de junho de 2013 ao governo Bolsonaro, ed. Todavia, 2022.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-list-4\">4<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sobre isso, ver Marcos Nobre: Limites da Democracia: de junho de 2013 ao governo Bolsonaro, ed. Todavia, 2022.<\/span> Os campos n\u00e3o apenas s\u00e3o distintos, mas inconcili\u00e1veis. S\u00e3o dois \u201cprojetos de mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ritmo das analogias, seria poss\u00edvel sustentar que divis\u00e3o semelhante se formou cem anos atr\u00e1s: n\u00e3o havia terreno comum entre o capitalismo do New Deal, o nazismo e o fascismo e o socialismo sovi\u00e9tico. Mas, para al\u00e9m da aus\u00eancia de uma alternativa ao capitalismo, a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 diferente porque os dois campos constitu\u00eddos partilham, sim, um terreno comum. E esse n\u00e3o \u00e9 o terreno da democracia, ou do que ela deveria ser, mesmo que nos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos de hoje, diferente do que aconteceu h\u00e1 cem anos, a extrema direita se apresente como campe\u00e3 da democracia. O terreno partilhado \u00e9 o pr\u00f3prio neoliberalismo e sua heran\u00e7a. O objeto principal das disputas \u00e9 o que preservar e o que descartar do per\u00edodo neoliberal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada um \u00e0 sua maneira, ambos os representantes da divis\u00e3o atual s\u00e3o herdeiros leg\u00edtimos do neoliberalismo. S\u00e3o dois lados da mesma moeda. Os termos em que Gary Gerstle<a data-contents=\"Gary Gerstle, (<)em(>)The Rise and Fall of the Neoliberal Order: America and the World in the Free Market Era(<)\/em(>), Oxford: Oxford University Press, 2022\" class=\"footnote\" id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-list-5\">5<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Gary Gerstle, (<)em(>)The Rise and Fall of the Neoliberal Order: America and the World in the Free Market Era(<)\/em(>), Oxford: Oxford University Press, 2022<\/span> descreveu a configura\u00e7\u00e3o da disputa nos Estados Unidos aclaram os detalhes do processo sucess\u00f3rio: um dos lados lado \u00e9 herdeiro do \u201cneovitorianismo\u201d (o neoliberalismo conservador de Ronald Reagan na d\u00e9cada de 1980), o outro \u00e9 herdeiro do \u201ccosmopolitismo\u201d (o neoliberalismo progressista consolidado a partir da gest\u00e3o de Bill Clinton nos anos 1990). A diferen\u00e7a da nova gera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o \u00e9 que em muitos lugares a direita sem medo, produto do neovitorianismo, \u00e9 controlada pela extrema direita com a viol\u00eancia expl\u00edcita e brutal que a caracteriza. O novo progressismo, por sua vez, \u00e9 hoje o pr\u00f3prio establishment em boa parte dos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amea\u00e7a autorit\u00e1ria da direita sem medo, se por um lado permite ao novo progressismo a manuten\u00e7\u00e3o da base que o sustenta como establishment, por outro, imp\u00f5e a preserva\u00e7\u00e3o do m\u00e1ximo poss\u00edvel de quadros antes devotados \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de programas neoliberais. \u00c9 justamente do establishment que vem o chamamento para um \u201cnovo Bretton Woods\u201d, outra peculiaridade da situa\u00e7\u00e3o atual: para o novo progressismo, n\u00e3o h\u00e1 necessidade do movimento custoso de tomar as institui\u00e7\u00f5es. Prosseguindo nas analogias, o contrafactual hist\u00f3rico para uma reforma do neoliberalismo desde dentro seria uma ordem keynesiana que tivesse conseguido se autorreformar de modo a evitar ser suplantada pela ordem neoliberal \u201cantissistema\u201d. Na disputa pelo esp\u00f3lio do neoliberalismo, \u00e9 a direita sem medo quem se apresenta como \u201cantissistema\u201d e pretende tomar as institui\u00e7\u00f5es. O que lembra que o apelo para um novo Bretton Woods, embora feito pelo campo do novo progressismo, envolve muito mais do que a forma\u00e7\u00e3o de blocos entre pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos. Para ser bem-sucedido, o convite tem que ser estendido tamb\u00e9m \u00e0s autocracias consolidadas e aos pa\u00edses com governo de partido \u00fanico. E aos pa\u00edses em vias de se tornarem uma coisa ou outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande divis\u00e3o entre a direita sem medo e o novo progressismo organiza os espa\u00e7os pol\u00edticos nacionais em pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, mas n\u00e3o tem contrapartida em alinhamentos internacionais. Quando governos do novo progressismo adotam pol\u00edticas de com\u00e9rcio exterior como o <a href=\"https:\/\/ustr.gov\/about-us\/policy-offices\/press-office\/speeches-and-remarks\/2023\/june\/ambassador-katherine-tais-remarks-national-press-club-supply-chain-resilience\"><em>friendshoring<\/em><\/a>, a \u201camizade\u201d geopol\u00edtica n\u00e3o demanda de seus parceiros uma defesa qualquer da democracia. O pano de fundo da disputa pela nova ordem \u00e9 o descasamento entre embates nacionais e globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em boa medida, esse descasamento est\u00e1 na base da dificuldade em negociar novos padr\u00f5es de governan\u00e7a global. Como, do lado dos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, a disputa de vida ou morte que os divide prossegue, como n\u00e3o h\u00e1 alinhamentos geopol\u00edticos consolidados entre esses pa\u00edses nem mesmo no Norte Global, tamb\u00e9m uma interlocu\u00e7\u00e3o eficaz para alcan\u00e7ar acordos globais fica adiada por tempo indeterminado. E nada indica at\u00e9 agora que essa disputa entre a direita sem medo e o novo progressismo ir\u00e1 se resolver em um curto per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem por isso devem ser abandonadas as tentativas de negocia\u00e7\u00e3o em curso. Alcan\u00e7ar novos padr\u00f5es de governan\u00e7a global pode significar a diferen\u00e7a entre a guerra e a paz. E, para muitos pa\u00edses do Sul Global, um \u201cnovo Bretton Woods\u201d pode significar tamb\u00e9m certo al\u00edvio de suas d\u00edvidas e algum financiamento para a obten\u00e7\u00e3o das tecnologias necess\u00e1rias para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica efetiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que nem mesmo isso, que j\u00e1 \u00e9 bastante otimista, \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso lembrar que, nos termos presentes, o horizonte da nova ordem em negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o de uma aut\u00eantica transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e socialmente justa, ainda que as desigualdades mundiais sejam insustent\u00e1veis e o meio ambiente esteja \u00e0 beira do colapso. Por mais que o discurso corrente da reorganiza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica gire em torno dessa premissa, os tr\u00eas pa\u00edses que mais emitem carbono no planeta dep\u00f5em em sentido contr\u00e1rio: os Estados Unidos de Joe Biden aumentaram a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e pisaram fundo no acelerador do <em>fracking<\/em>, a China avisou que s\u00f3 inverter\u00e1 sua curva de emiss\u00f5es, talvez, depois de 2030, adiando a neutralidade das emiss\u00f5es at\u00e9, ao menos, 2060, e a \u00cdndia n\u00e3o demorou em se pronunciar no mesmo sentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que os esfor\u00e7os de reforma de institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, o Banco Mundial ou a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio tenham sucesso em algum momento, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o estabelecimento das bases tecnol\u00f3gicas e produtivas para uma transi\u00e7\u00e3o meramente energ\u00e9tica. E, ainda que limitada a esses termos, \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o que s\u00f3 dever\u00e1 se completar em tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas, caso efetivamente aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os pa\u00edses do Sul Global, de uma forma ou de outra, a conta n\u00e3o sair\u00e1 barata. A reforma pode implicar exig\u00eancias proibitivas de alinhamento geopol\u00edtico, mesmo que os pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos do Sul n\u00e3o possam pagar por isso. O pre\u00e7o ser\u00e1 especialmente alto se o \u201cnovo consenso\u201d n\u00e3o ampliar sua margem de a\u00e7\u00e3o para enfrentar a pobreza e as desigualdades. Para muitos desses pa\u00edses, \u00e9 um pre\u00e7o que pode custar a sa\u00edda da armadilha neoextrativista<a data-contents=\"Alcan\u00e7ar uma descri\u00e7\u00e3o de conjunto da (<)em(>)armadilha(<)\/em(>) neoextrativista exige investigar a fundo coaliz\u00f5es sociais e pol\u00edticas, hegemonias culturais, tend\u00eancias demogr\u00e1ficas, condicionantes econ\u00f4micas. \u00c9 a proposta que ser\u00e1 apresentada, em suas grandes linhas, em um pr\u00f3ximo texto a ser publicado pela Phenomenal World.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-list-6\">6<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Alcan\u00e7ar uma descri\u00e7\u00e3o de conjunto da (<)em(>)armadilha(<)\/em(>) neoextrativista exige investigar a fundo coaliz\u00f5es sociais e pol\u00edticas, hegemonias culturais, tend\u00eancias demogr\u00e1ficas, condicionantes econ\u00f4micas. \u00c9 a proposta que ser\u00e1 apresentada, em suas grandes linhas, em um pr\u00f3ximo texto a ser publicado pela Phenomenal World.<\/span> que sufoca sua autonomia dom\u00e9stica e constrange sua inser\u00e7\u00e3o internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00edtica dom\u00e9stica globalizada<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos do Sul Global n\u00e3o podem se dar ao luxo da desvincula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de parceiros autocratas ou de partido \u00fanico. No movimento de desglobaliza\u00e7\u00e3o atual, o desacoplamento \u00e9 limitado \u00e0s na\u00e7\u00f5es que podem pagar por ele. O <em>friendshoring<\/em> como pol\u00edtica de com\u00e9rcio e seguran\u00e7a nacional est\u00e1 reservado a quem pode escolher seus amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A globaliza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio das \u201cvantagens comparativas\u201d na divis\u00e3o do trabalho reprimarizou e desindustrializou pa\u00edses de economia dependente. Na Am\u00e9rica Latina, por exemplo, o resultado foi a transforma\u00e7\u00e3o da maior parte deles em sociedades e economias neoextrativistas,<a data-contents=\"Uma importante tentativa de s\u00edntese do ponto de vista das lutas sociais contra os efeitos delet\u00e9rios dessa \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d pode ser encontrada em Svampa (2019).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-list-7\">7<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma importante tentativa de s\u00edntese do ponto de vista das lutas sociais contra os efeitos delet\u00e9rios dessa \u201cmudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d pode ser encontrada em Svampa (2019).<\/span> ainda que uma s\u00e9rie de governos de esquerda tenha formulado programas contra o neoliberalismo. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para atribuir inten\u00e7\u00f5es neoliberais a governos que as rejeitam explicitamente. Mas \u00e9 necess\u00e1rio distinguir suas pretens\u00f5es das pr\u00e1ticas que, diante do car\u00e1ter inescap\u00e1vel do neoliberalismo como regula\u00e7\u00e3o global do capitalismo, foram e s\u00e3o obrigados a adotar para viabilizar seus projetos pol\u00edticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica \u00e0 divis\u00e3o entre a direita sem medo e o novo progressismo n\u00e3o deixou espa\u00e7o para terceiras vias, no discurso ou na pr\u00e1tica. Hoje, tanto em termos nacionais quanto globais, governos de esquerda ou governos simplesmente progressistas integram o campo do novo progressismo. Como ordem global, o neoliberalismo suplantou inten\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e reestabeleceu as margens de a\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis aos pa\u00edses perif\u00e9ricos. \u201cResistir\u201d ao neoliberalismo significa, nesse caso, explorar brechas de a\u00e7\u00e3o em um quadro geral pouco el\u00e1stico. Ou pelo menos assim parece quando os efeitos da ordem neoliberal em muitos pa\u00edses perif\u00e9ricos s\u00e3o comparados com aqueles de formas anteriores de regula\u00e7\u00e3o do capitalismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina, ap\u00f3s o final da Segunda Guerra Mundial, consolidou-se uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento que aspirava a mais autonomia e autossufici\u00eancia produtiva, cujo emblema foi a chamada \u201cindustrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es\u201d. Em suas m\u00faltiplas configura\u00e7\u00f5es, o princ\u00edpio da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es foi protagonista de diversos projetos nacionais voltados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um mercado consumidor interno relevante e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o ou supera\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia t\u00edpica de economias fundadas na exporta\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o assentamento da ordem neoliberal, a globaliza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio das \u201cvantagens comparativas\u201d esgotou a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es como projeto nacional. As ditas \u201cvantagens\u201d da Am\u00e9rica Latina levaram \u00e0 explora\u00e7\u00e3o superintensiva de min\u00e9rios e produtos agropecu\u00e1rios, que suplantaram em grande medida o que havia de participa\u00e7\u00e3o industrial complexa nos PIBs nacionais. Os pa\u00edses latino-americanos foram progressivamente confinados na armadilha neoextrativista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, ainda que essa armadilha reduza ao m\u00ednimo a margem de a\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da regi\u00e3o, n\u00e3o significa que a sa\u00edda seja voltar ao projeto desenvolvimentista anterior. O retorno n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e nem desej\u00e1vel. As condi\u00e7\u00f5es materiais n\u00e3o est\u00e3o mais postas, e os projetos nacionais industrializantes do passado foram marcados tamb\u00e9m pelo autoritarismo, pela destrui\u00e7\u00e3o ambiental e pelo refor\u00e7o das desigualdades que n\u00e3o devem servir de modelo para ambi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, hoje, como ontem, a tarefa \u00e9 buscar refer\u00eancias para o desenvolvimento dom\u00e9stico e a inser\u00e7\u00e3o internacional que permitam o mais amplo exerc\u00edcio de autonomia poss\u00edvel. Dessa vez, sem que isso aumente desigualdades ou imponha barreiras \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. E sem que ameace a democracia onde for poss\u00edvel mant\u00ea-la ou instaur\u00e1-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, \u00e9 preciso que as quatro d\u00e9cadas de armadilha neoextrativista criadas pelo neoliberalismo n\u00e3o sejam reduzidas a um problema econ\u00f4mico, mas entendidas em sua multidimensionalidade. O pr\u00f3prio neoliberalismo \u00e9 um aut\u00eantico modelo de sociedade, n\u00e3o somente um conjunto de preceitos econ\u00f4micos \u2013 sua manifesta\u00e7\u00e3o na periferia do mundo globalizado deve ser lida atrav\u00e9s dessa mesma lente. Isso vale, ainda, para o atual chamamento \u00e0 transi\u00e7\u00e3o para o p\u00f3s-neoliberalismo: os termos em que a nova ordem \u00e9 planejada e as diferentes tend\u00eancias de desenvolvimento que implicar\u00e1 ao redor do mundo precisam ser esquadrinhados em toda sua complexidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer a especificidade da situa\u00e7\u00e3o atual envolve tamb\u00e9m entender que a armadilha neoextrativista n\u00e3o se arma da mesma maneira em todos os lugares. Identificar as variadas configura\u00e7\u00f5es de escombros que a globaliza\u00e7\u00e3o das \u201cvantagens comparativas\u201d deixou pelo mundo \u00e9, na verdade, a primeira tarefa te\u00f3rica no entendimento da posi\u00e7\u00e3o do Sul Global no decl\u00ednio da ordem neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de muitos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos do Sul, a dimens\u00e3o pol\u00edtica da armadilha presente se manifesta nos termos da divis\u00e3o fundamental entre a direita sem medo e o novo progressismo. No Brasil, por exemplo, a armadilha neoextrativista aprisiona o pa\u00eds entre o colapso clim\u00e1tico global e a possibilidade de conter a extrema direita em territ\u00f3rio nacional. A explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de recursos naturais sem qualquer reserva ou obst\u00e1culo faz parte do programa da extrema direita. O abandono do extrativismo predat\u00f3rio rumo a uma sociedade de baixo carbono, por outro lado, faz parte do programa do novo progressismo. Mas, se quiser continuar a derrotar a direita sem medo em elei\u00e7\u00f5es e a manter seu programa de combate a desigualdades, tamb\u00e9m o novo progressismo n\u00e3o poder\u00e1 abrir m\u00e3o do neoextrativismo. Assim se arma a armadilha neoextrativista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que vem depois do neoliberalismo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos termos em que a transi\u00e7\u00e3o dentro da ordem se apresenta hoje, duas tend\u00eancias de desenvolvimento parecem estar em jogo a m\u00e9dio e longo prazo. De um lado, os movimentos de desglobaliza\u00e7\u00e3o em curso oferecem uma oportunidade \u00fanica para que muitos pa\u00edses do Sul Global mudem os atuais padr\u00f5es de depend\u00eancia no sentido de aumentar sua autonomia e margem de a\u00e7\u00e3o. Este processo levaria tempo e n\u00e3o implicaria uma dissocia\u00e7\u00e3o completa de parceiros comerciais tradicionais, mas poderia impactar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em bases nacionais e permitir a sobreviv\u00eancia de alguma democracia, desafiando as diversas configura\u00e7\u00f5es da armadilha neoextrativista. De outro lado, \u00e9 poss\u00edvel que os pa\u00edses em armadilha neoextrativista fiquem presos ao neoliberalismo, e que neoliberalismo e p\u00f3s-neoliberalismo coexistam em condi\u00e7\u00f5es desiguais durante muito tempo, estratificados de acordo com o poder e a liberdade relativos de cada pa\u00eds. Talvez a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tome o caminho arriscado de acontecer em ritmo desigual entre os pa\u00edses do Norte e do Sul.<a data-contents=\"Nesse contexto, n\u00e3o haveria como convencer o Brasil ou qualquer outro pa\u00eds em armadilha neoextrativista a deixar seu petr\u00f3leo (ou outro produto de impacto semelhante) no ch\u00e3o, sem ser explorado.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-list-8\">8<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Nesse contexto, n\u00e3o haveria como convencer o Brasil ou qualquer outro pa\u00eds em armadilha neoextrativista a deixar seu petr\u00f3leo (ou outro produto de impacto semelhante) no ch\u00e3o, sem ser explorado.<\/span> Sem mencionar a conviv\u00eancia prov\u00e1vel entre ordens neoliberais ainda democr\u00e1ticas e autorit\u00e1rias e entre ordens p\u00f3s-neoliberais democr\u00e1ticas e autorit\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O imperativo categ\u00f3rico de evitar solu\u00e7\u00f5es b\u00e9licas para conflitos internacionais a qualquer custo se confunde, nos pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos, com a defesa do novo progressismo. Na atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, somente uma vit\u00f3ria generalizada do novo progressismo poder\u00e1 preservar alguma democracia em solo nacional e permitir a cria\u00e7\u00e3o de blocos geopol\u00edticos capazes de negociar uma coexist\u00eancia o quanto poss\u00edvel pac\u00edfica. A manuten\u00e7\u00e3o mais ou menos generalizada e duradoura da paz, por sua vez, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o inescap\u00e1vel para a efic\u00e1cia de qualquer acordo global voltado a enfrentar a urg\u00eancia ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de um horizonte de a\u00e7\u00e3o extremamente rebaixado. Em pa\u00edses do Norte Global, a camisa de for\u00e7a pol\u00edtica do novo progressismo certamente constrange em alguma medida os tr\u00e2nsfugas neoliberais que abriga, mas constrange ainda mais o seu campo esquerdo. Em pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos do Sul, o constrangimento da esquerda dentro do novo progressismo \u00e9 agravado pela limita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de sua posi\u00e7\u00e3o dependente e a consequente diminuta margem de a\u00e7\u00e3o no terreno global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os blocos geopol\u00edticos do futuro n\u00e3o ser\u00e3o homog\u00eaneos, mas caracterizados por grandes assimetrias de poder e rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o entre quem quer que venha a comp\u00f4-los. Nesse cen\u00e1rio, pa\u00edses ainda democr\u00e1ticos do Sul Global podem e devem negociar os termos da sua participa\u00e7\u00e3o com pa\u00edses autocr\u00e1ticos e de regime de partido \u00fanico. Interessa a estes manter v\u00ednculos com um poss\u00edvel novo bloco geopol\u00edtico progressista, enquanto \u00e0queles n\u00e3o interessa \u201cdesacoplar\u201d suas economias de pa\u00edses que n\u00e3o se alinharem a esse bloco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O constrangimento imposto aos pa\u00edses do Sul, ainda que algum al\u00edvio internacional chegue e que uma transi\u00e7\u00e3o \u2013 ao menos \u2013 energ\u00e9tica tenha in\u00edcio, n\u00e3o se limita \u00e0 depend\u00eancia de financiamento externo e transfer\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de tecnologia. Mesmo que acessem determinado refor\u00e7o financeiro, estar\u00e3o desprovidos de ferramentas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas para explorar o quanto for poss\u00edvel a margem de a\u00e7\u00e3o que o novo cen\u00e1rio pode abrir: t\u00e3o desprovidos quanto estavam h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, quando o neoliberalismo ascendeu. E as coisas tendem a continuar assim, ao menos que a luta por uma reforma efetiva da governan\u00e7a global venha acompanhada de um esfor\u00e7o para produzir essas ferramentas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel que um \u201cnovo Bretton Woods\u201d n\u00e3o aconte\u00e7a, como \u00e9 poss\u00edvel que a armadilha neoextrativista permane\u00e7a armada ainda por um longo tempo. Mas h\u00e1 algo que o Sul Global pode fazer mesmo assim: j\u00e1 que as analogias est\u00e3o na moda, que o convite para um novo Bretton Woods venha acompanhado do chamamento para uma nova teoria da depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1960, a teoria da depend\u00eancia buscou compreender a posi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que pa\u00edses em desenvolvimento ocupavam na economia e na pol\u00edtica mundial. No caso da Am\u00e9rica Latina, esteve intimamente associada ao princ\u00edpio da industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e ao \u201cestruturalismo\u201d t\u00edpico do pensamento econ\u00f4mico da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina, a Cepal, posteriormente ampliada para incluir o Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um caminho para produzir as ferramentas necess\u00e1rias ao momento atual \u00e9 renovar a teoria da depend\u00eancia \u2013 caminho que pode partir do desenvolvimento de uma nova teoria econ\u00f4mica, mas n\u00e3o pode se reduzir a ela se quiser compreender realmente o neoliberalismo e discernir com precis\u00e3o as tend\u00eancias de uma reconfigura\u00e7\u00e3o p\u00f3s-neoliberal do capitalismo. As ferramentas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas que o momento atual exige n\u00e3o podem ser produzidas sem um esfor\u00e7o interdisciplinar e colaborativo.<a data-contents=\"\u00c9 evidente que essa defici\u00eancia de ferramentas, instrumentos e projetos estruturantes n\u00e3o se aplica \u00e0 China, seja l\u00e1 como se pretenda posicionar esse pa\u00eds no amplo campo do que hoje \u00e9 considerado o Sul Global. Um ind\u00edcio a mais de que uma teoria da depend\u00eancia renovada ter\u00e1 de levar em conta tamb\u00e9m as formas de depend\u00eancia Sul-Sul. E tamb\u00e9m da necessidade de distinguir entre composi\u00e7\u00e3o de blocos geopol\u00edticos e os padr\u00f5es de depend\u00eancia.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-9\" href=\"#footnote-list-9\">9<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">\u00c9 evidente que essa defici\u00eancia de ferramentas, instrumentos e projetos estruturantes n\u00e3o se aplica \u00e0 China, seja l\u00e1 como se pretenda posicionar esse pa\u00eds no amplo campo do que hoje \u00e9 considerado o Sul Global. Um ind\u00edcio a mais de que uma teoria da depend\u00eancia renovada ter\u00e1 de levar em conta tamb\u00e9m as formas de depend\u00eancia Sul-Sul. E tamb\u00e9m da necessidade de distinguir entre composi\u00e7\u00e3o de blocos geopol\u00edticos e os padr\u00f5es de depend\u00eancia.<\/span> E esse esfor\u00e7o n\u00e3o pode se limitar ao trabalho de um \u00fanico grupo de pesquisa, nem de uma \u00fanica regi\u00e3o do mundo. Igualmente, n\u00e3o pode implicar a adapta\u00e7\u00e3o de formula\u00e7\u00f5es caducas a circunst\u00e2ncias atuais. Para come\u00e7ar, deve levar em conta n\u00e3o apenas as cr\u00edticas feitas \u00e0 teoria da depend\u00eancia em sua vers\u00e3o original, mas as autocr\u00edticas registradas por seus te\u00f3ricos, notadamente a partir da d\u00e9cada de 1980.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No momento das negocia\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, a possibilidade da industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e a teoria da depend\u00eancia n\u00e3o existiam. Hoje, da mesma forma, faltam instrumentos para que o Sul Global negocie sua participa\u00e7\u00e3o num eventual novo modelo de governan\u00e7a global. Na busca de uma refer\u00eancia hist\u00f3rica para semelhante a\u00e7\u00e3o colaborativa, pode ser que o movimento de 1974, quando o esfor\u00e7o conjunto de pa\u00edses em desenvolvimento culminou nas resolu\u00e7\u00f5es da Nova Ordem Econ\u00f4mica Internacional (NOEI), seja mais interessante para o Sul do que 1944.&nbsp; \u00c0 \u00e9poca da NOEI, a teoria da depend\u00eancia j\u00e1 era uma ferramenta dispon\u00edvel e foi efetivamente utilizada nas propostas apresentadas \u00e0 ONU. Mesmo assim, \u00e9 preciso lembrar que as formula\u00e7\u00f5es de 1974 foram, j\u00e1 cinquenta anos atr\u00e1s, tardias: seu arcabou\u00e7o de tipo keynesiano era invi\u00e1vel para os pa\u00edses perif\u00e9ricos de ent\u00e3o, como parece ser para o mundo globalizado de agora.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num presente marcado pela superposi\u00e7\u00e3o de crises e fragilidades, formular os par\u00e2metros de interpreta\u00e7\u00e3o e de a\u00e7\u00e3o que atendam \u00e0s particularidades de diferentes geografias do mundo globalizado \u00e9 tarefa inadi\u00e1vel. Pode ser que um esfor\u00e7o mundial para produzir esses instrumentos demore a tomar corpo, como ocorreu tanto nas negocia\u00e7\u00f5es de Bretton Woods quanto na elabora\u00e7\u00e3o das propostas da NOEI. Mas, por maior que seja a dist\u00e2ncia entre a timidez da a\u00e7\u00e3o e a ostensividade da urg\u00eancia, por intimidante que seja a magnitude do esfor\u00e7o de encontrar respostas adequadas a tantas perguntas simult\u00e2neas, proibitivo de fato \u00e9 n\u00e3o fazer nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\"><em>A primeira vers\u00e3o deste texto foi publicado na The Ideas Letter (18 de abril de 2024) com o t\u00edtulo \u201c<a href=\"https:\/\/theideasletter.substack.com\/p\/a-new-dependency-theory-moment\">A New Dependency Theory Moment<\/a>\u201d. Uma vers\u00e3o reduzida e modificada foi publicada com o t\u00edtulo <a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/o-que-vem-depois-do-neoliberalismo\/\">\u201cO que vem depois do neoliberalismo? A armadilha neoextrativista do Sul Global pode ser uma oportunidade para renovar a teoria da depend\u00eancia\u201d<\/a> pela revista&nbsp;piau\u00ed (n. 213, junho de 2024).<br><\/em><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span id=\"docs-internal-guid-2513ed7b-7fff-65c1-cb67-89aef9432cf6\"><div><span style=\"font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; background-color: transparent; font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-position: normal; vertical-align: baseline;\"><\/span><\/div><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 hora de uma nova teoria da depend\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":290,"featured_media":19781,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[730],"tags":[762,763,765,766,895],"issue":[],"newsletter":[],"region":[1012,1203],"sector":[],"theme":[1075,1102,1096,1087],"series":[],"class_list":["post-19773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analises","tag-brasil","tag-clima-pt-br","tag-longform-pt-br","tag-politica-pt-br","tag-teoria-da-dependencia","region-america-latina-e-caribe","region-brasil-pt-br","theme-clima-energia","theme-geopolitica","theme-governanca-e-politica-partidaria","theme-macroeconomia"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Condicionalidades perif\u00e9ricas - Marcos Nobre<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Condicionalidades perif\u00e9ricas | Marcos Nobre\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00c9 hora de uma nova teoria da depend\u00eancia\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Phenomenal World\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-09-26T15:34:19+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-09-30T19:27:43+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1000\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"500\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Marcos Nobre\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Condicionalidades perif\u00e9ricas | Marcos Nobre\" \/>\n<meta name=\"twitter:description\" content=\"\u00c9 hora de uma nova teoria da depend\u00eancia\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Marcos Nobre\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Marcos Nobre\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908\"},\"headline\":\"Condicionalidades perif\u00e9ricas\",\"datePublished\":\"2024-09-26T15:34:19+00:00\",\"dateModified\":\"2024-09-30T19:27:43+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/\"},\"wordCount\":4903,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\",\"keywords\":[\"Brasil\",\"clima\",\"longform\",\"pol\u00edtica\",\"teoria da depend\u00eancia\"],\"articleSection\":[\"An\u00e1lises\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/\",\"name\":\"Condicionalidades perif\u00e9ricas - Marcos Nobre\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\",\"datePublished\":\"2024-09-26T15:34:19+00:00\",\"dateModified\":\"2024-09-30T19:27:43+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg\",\"width\":1000,\"height\":500},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/analises\\\/teoria-dependencia\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Condicionalidades perif\u00e9ricas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"description\":\"A publication focused on political economy.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"width\":1738,\"height\":163,\"caption\":\"Phenomenal World\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/WorldPhenomenal\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908\",\"name\":\"Marcos Nobre\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Marcos Nobre\"},\"description\":\"Professor of political philosophy at the State University of Campinas (Unicamp) and director of the Center for Critical Imagination (CCI), based at the Brazilian Center for Analysis and Planning (Cebrap).\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/author\\\/marcos_nobre\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Condicionalidades perif\u00e9ricas - Marcos Nobre","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Condicionalidades perif\u00e9ricas | Marcos Nobre","og_description":"\u00c9 hora de uma nova teoria da depend\u00eancia","og_url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/","og_site_name":"Phenomenal World","article_published_time":"2024-09-26T15:34:19+00:00","article_modified_time":"2024-09-30T19:27:43+00:00","og_image":[{"width":1000,"height":500,"url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Marcos Nobre","twitter_card":"summary_large_image","twitter_title":"Condicionalidades perif\u00e9ricas | Marcos Nobre","twitter_description":"\u00c9 hora de uma nova teoria da depend\u00eancia","twitter_image":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","twitter_creator":"@WorldPhenomenal","twitter_site":"@WorldPhenomenal","twitter_misc":{"Escrito por":"Marcos Nobre","Est. tempo de leitura":"19 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/"},"author":{"name":"Marcos Nobre","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908"},"headline":"Condicionalidades perif\u00e9ricas","datePublished":"2024-09-26T15:34:19+00:00","dateModified":"2024-09-30T19:27:43+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/"},"wordCount":4903,"publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","keywords":["Brasil","clima","longform","pol\u00edtica","teoria da depend\u00eancia"],"articleSection":["An\u00e1lises"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/","name":"Condicionalidades perif\u00e9ricas - Marcos Nobre","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","datePublished":"2024-09-26T15:34:19+00:00","dateModified":"2024-09-30T19:27:43+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#primaryimage","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/marcos_nobre_condicionalidades_perifericas.jpg","width":1000,"height":500},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/teoria-dependencia\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Condicionalidades perif\u00e9ricas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","name":"Phenomenal World","description":"A publication focused on political economy.","publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization","name":"Phenomenal World","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","width":1738,"height":163,"caption":"Phenomenal World"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/WorldPhenomenal"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/91ca3dc6965ed46622ef3f781bc86908","name":"Marcos Nobre","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/24a7ddeea89f0b20c1f367245f84c2352dc0f9980c056bbfeb3f0cdc8223861f?s=96&d=mm&r=g","caption":"Marcos Nobre"},"description":"Professor of political philosophy at the State University of Campinas (Unicamp) and director of the Center for Critical Imagination (CCI), based at the Brazilian Center for Analysis and Planning (Cebrap).","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/author\/marcos_nobre\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/290"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19773"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19773\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19891,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19773\/revisions\/19891"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19773"},{"taxonomy":"issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/issue?post=19773"},{"taxonomy":"newsletter","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/newsletter?post=19773"},{"taxonomy":"region","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/region?post=19773"},{"taxonomy":"sector","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/sector?post=19773"},{"taxonomy":"theme","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/theme?post=19773"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=19773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}