{"id":18329,"date":"2024-06-13T10:06:00","date_gmt":"2024-06-13T10:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/nao-categorizado\/martin-sanchez-sibony\/"},"modified":"2024-07-01T14:49:50","modified_gmt":"2024-07-01T14:49:50","slug":"martin-sanchez-sibony","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/","title":{"rendered":"Ideologias de mercado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o de oleodutos pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em toda a Europa Ocidental concedeu \u00e0 superpot\u00eancia acesso aos mercados\u2014e ao capital\u2014europeus. Em seu novo livro, <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/books\/soviet-union-and-the-construction-of-the-global-market\/B0D0D14FAD034EB785B3F9CBCC5F66F2\"><em>The Soviet Union and the Construction of the Global Market<\/em> <\/a>[A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a constru\u00e7\u00e3o do mercado global, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas], Oscar Sanchez-Sibony demonstra como essa jogada desafiou o dom\u00ednio dos EUA sobre as institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods e acabou provocando uma reformula\u00e7\u00e3o ainda mais ampla das rela\u00e7\u00f5es entre Estado e mercado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na seguinte conversa, Sanchez-Sibony e Jamie Martin analisam a evolu\u00e7\u00e3o do sistema financeiro global e investigam a constru\u00e7\u00e3o e a desconstru\u00e7\u00e3o da ordem global do s\u00e9culo XX. Sanchez-Sibony \u00e9 professor associado de hist\u00f3ria na Universidade de Hong Kong e pesquisa a sobreposi\u00e7\u00e3o de infraestruturas do poder global, com foco na maneira como o mundo contempor\u00e2neo foi moldado pela rela\u00e7\u00e3o entre os arranjos dom\u00e9sticos e internacionais da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do Ocidente. Seu \u00faltimo livro narra a dissolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods sob a \u00f3tica da produ\u00e7\u00e3o de energia, das finan\u00e7as e dos conflitos entre as grandes pot\u00eancias. Jamie Martin \u00e9 professor assistente de hist\u00f3ria e de estudos sociais na Universidade de Harvard. Pesquisa as bases institucionais da economia pol\u00edtica global, expondo seus emaranhamentos com a guerra, com o mercado e com o imperialismo. Seu livro mais recente,<a href=\"https:\/\/www.hup.harvard.edu\/books\/9780674976542\"><em>The Meddlers: Sovereignty, Empire, and the Birth of Global Economic Governance<\/em><\/a>[Os Mediadores: Soberania, Imp\u00e9rio e o Nascimento da Governan\u00e7a Econ\u00f4mica Global, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas], examina as origens do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sanchez-Sibony e Martin refletem sobre as consequ\u00eancias inesperadas da luta por hegemonia entre os EUA e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a rela\u00e7\u00e3o entre interesse material e ideologia. O debate revela os impactos contraintuitivos que os controles de capital, os mercados de petr\u00f3leo e a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio produziram no Sul Global e para al\u00e9m dele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma conversa entre Jamie Martin e Oscar Sanchez-Sibony<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">Jamie martin<\/span><\/strong>: O seu novo livro conta uma hist\u00f3ria instigante que revisita a economia pol\u00edtica internacional da Guerra Fria a partir da perspectiva sovi\u00e9tica. Aqui, como na obra de 2014, <a href=\"https:\/\/www.academicstudiespress.com\/9781644697672\/\"><em>Red Globalization<\/em><\/a> [Globaliza\u00e7\u00e3o Vermelha, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas], voc\u00ea prop\u00f5e uma leitura alternativa que enxerga a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica como um agente profundamente envolvido na economia mundial. Isso traz um aspecto-chave sobre a forma como os sovi\u00e9ticos navegaram no sistema capitalista global, por dentro e por fora. Seu objetivo parece ser o de nos fazer repensar e ampliar a nossa perspectiva sobre a natureza da economia mundial e do pr\u00f3prio capitalismo globalizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">oscar sanchez-sibony<\/span><\/strong>: Sem d\u00favida. Uma continuidade entre os dois livros \u00e9 o fato de que eu destaco a amplitude da integra\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e as ideologias que incentivaram essa integra\u00e7\u00e3o. Tento repensar as categorias que normalmente mobilizamos para entender a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que s\u00e3o, em grande parte, ideol\u00f3gicas. Quando observamos a forma como a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se inseria no mundo, percebemos que existe uma incompatibilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem dela que costumamos ter\u2014a de protetora do controle estatal sobre os mercados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E voc\u00ea tem raz\u00e3o, o principal objetivo desse novo livro \u00e9 olhar especificamente para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo no momento de decl\u00ednio de Bretton Woods, n\u00e3o tanto para levantar quest\u00f5es sobre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica especificamente, mas para perguntar qual o poder que estava realmente transformando o mundo. Espero que o livro possa trazer uma nova contribui\u00e7\u00e3o ao entendimento desse momento, apresentando a perspectiva sovi\u00e9tica. Argumento que, durante esse per\u00edodo, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u2014como muitos outros pa\u00edses da periferia\u2014estava tentando romper os limites que a impediam de acessar o capital. Sob Bretton Woods, esse capital era rigidamente controlado pelos Estados Unidos, que especificamente proibiam o acesso \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica come\u00e7ou a negociar com pa\u00edses europeus que tamb\u00e9m tentavam quebrar determinados monop\u00f3lios dos EUA. Por meio da constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas de energia, ou seja, de uma s\u00e9rie de oleodutos, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica garantiu acesso ao capital e passou por cima todo tipo de restri\u00e7\u00e3o imposta por Bretton Woods. Por meio da constru\u00e7\u00e3o de oleodutos, a URSS criou uma esp\u00e9cie de esteira de transmiss\u00e3o de d\u00edvidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, o livro posiciona o capital como uma entidade que atraiu a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o Sul Global a participarem de um modelo de relacionamento espec\u00edfico com o Ocidente. Esse relacionamento eventualmente se provou hier\u00e1rquico, mas n\u00e3o lhes foi imposto \u00e0 for\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jamie, que tipo de di\u00e1logo voc\u00ea v\u00ea aqui com seu trabalho?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">JM<\/span><\/strong>: <em>The Meddlers<\/em> [Os Mediadores] narra o primeiro e o segundo ato de uma hist\u00f3ria. Narra o primeiro ato na medida em que delineia a ascens\u00e3o de um novo tipo de poder global: o surgimento das primeiras institui\u00e7\u00f5es internacionais com grande autoridade sobre a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas relacionadas aos aspectos mais centrais da soberania e riqueza nacionais. Essas institui\u00e7\u00f5es se diferenciavam muito daqueles \u00f3rg\u00e3os de coopera\u00e7\u00e3o internacional do s\u00e9culo XIX, que eram relativamente fracos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse novo tipo de poder global surgiu no final da Primeira Guerra Mundial, uma guerra que foi travada com novas e extraordin\u00e1rias inst\u00e2ncias de coordena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre as principais pot\u00eancias aliadas. E o mais importante \u00e9 que isso ocorreu cerca de 25 anos antes do ponto de partida convencional da governan\u00e7a econ\u00f4mica global, a Confer\u00eancia de Bretton Woods.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos dos recursos que hoje associamos \u00e0 governan\u00e7a econ\u00f4mica global\u2014 resgates financeiros via empr\u00e9stimos, canaliza\u00e7\u00f5es de capital para projetos de desenvolvimento por meio de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, coordena\u00e7\u00e3o entre bancos centrais independentes, governan\u00e7a de commodities \u00e0 la OPEP\u2014surgiram na esteira da Primeira Guerra Mundial, principalmente entre os imp\u00e9rios aliados vitoriosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os problemas pol\u00edticos que eles enfrentaram ao estrear esse novo tipo de poder figuravam entre os grandes desafios postos \u00e0 pr\u00f3pria modernidade. Como os Estados fariam para coordenar solu\u00e7\u00f5es internacionais de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que implicavam a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas dom\u00e9sticas referentes a tarifas, gastos p\u00fablicos, tributa\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica monet\u00e1ria, e assim por diante? Al\u00e9m disso, como poderiam compatibilizar isso com as novas realidades pol\u00edticas da era da autodetermina\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica de massas que, a essa altura, se voltavam cada vez mais para a pol\u00edtica econ\u00f4mica? No final do s\u00e9culo XIX, exercer autonomia sobre quest\u00f5es dom\u00e9sticas de economia pol\u00edtica era uma das mais firmes demonstra\u00e7\u00f5es de soberania existentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia modelos anteriores de interven\u00e7\u00e3o internacional nessas quest\u00f5es, mas eles estavam longe do ideal. Por exemplo, os empr\u00e9stimos para estabiliza\u00e7\u00e3o financeira feitos aos pa\u00edses da Europa Central e Oriental durante a d\u00e9cada de 1920 foram modelados de acordo com as t\u00e9cnicas semicoloniais de administra\u00e7\u00e3o de d\u00edvida criadas no s\u00e9culo XIX por investidores e imp\u00e9rios europeus e estadunidenses no norte da \u00c1frica, nos B\u00e1lc\u00e3s e na Am\u00e9rica Latina. Havia continuidades profundas e evidentes entre essas ferramentas de imp\u00e9rio financeiro informal do s\u00e9culo XIX e as novas institui\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica internacional estabelecidas no per\u00edodo entreguerras. Essas continuidades persistiram durante o per\u00edodo p\u00f3s-1945. \u00c9 a partir dessa hist\u00f3ria que meu livro reconta o desenvolvimento de Bretton Woods.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia da Confer\u00eancia de Bretton Woods em 1944 houve um breve retorno a esse estilo antigo de diplomacia banqueira intervencionista. A principal diferen\u00e7a foi que esse sistema de governan\u00e7a econ\u00f4mica global passou a ser comandado pelos Estados Unidos. A quantidade e a qualidade dos Estados que tinham algum tipo de autonomia no sistema eram bastante restritas. E muitos integrantes do novo sistema de Bretton Woods enfrentaram arranjos institucionais bastante semelhantes \u00e0queles de um per\u00edodo muito anterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o segundo ato: o que, no final do s\u00e9culo XX, parece ser o surgimento repentino do FMI \u00e0 moda do Consenso de Washington \u00e9, na verdade, outra coisa: um momento de expans\u00e3o de um conjunto de poderes latentes em uma institui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 performava esse antigo estilo de diplomacia banqueira do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, ambos tentamos reformular o entendimento comum sobre o que aconteceu em meados do s\u00e9culo XX e, especificamente, em Bretton Woods. Eu defendo que o nascimento da governan\u00e7a econ\u00f4mica global n\u00e3o deve ser entendido nos termos de uma narrativa triunfalista sobre a ascens\u00e3o do globalismo dos EUA e do <em>New Deal<\/em>, ou do internacionalismo liberal esclarecido, mas sim como um processo <em>ad hoc<\/em> de improvisa\u00e7\u00e3o institucional. As novas realidades pol\u00edticas for\u00e7aram os imp\u00e9rios a improvisar arranjos p\u00fablico-privados bastante confusos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De certa forma, eu apresento uma nova maneira de entender o caminho que levou a Bretton Woods e voc\u00ea apresenta um novo modo de entender o caminho para sair de Bretton Woods.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">oss<\/span><\/strong>: Essa \u00e9 uma das coisas que mais gosto no seu livro, e acho que tamb\u00e9m compartilhamos a ideia de que as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o encontradas na pr\u00e1tica e n\u00e3o em modelos. \u00c9 importante ressaltar que os sovi\u00e9ticos particularmente buscavam solu\u00e7\u00f5es para problemas espec\u00edficos, como a vontade dos italianos de se desvincilhar do monop\u00f3lio estadunidense sobre seu setor petrol\u00edfero. Os europeus, em geral, depois de serem subitamente for\u00e7ados a concorrer uns com os outros com o Tratado de Roma de 1957 e a institui\u00e7\u00e3o da Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, buscavam se aproximar da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e testavam novas maneiras de se relacionar com o bloco socialista. Os sovi\u00e9ticos, por sua vez, procuravam maneiras de resolver seu problema de acesso ao capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como seu livro nos ajuda a entender o neoliberalismo como uma ideologia que antecedeu em muito a d\u00e9cada de 1980 e at\u00e9 mesmo a sociedade Mont P\u00e8lerin?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">JM<\/span><\/strong>: Uma das coisas que nossos livros compartilham \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que ideologia e restri\u00e7\u00f5es materiais n\u00e3o perfazem uma competi\u00e7\u00e3o de soma zero. Acho que nenhum de n\u00f3s gostaria de descartar totalmente a import\u00e2ncia da ideologia, mas ambos damos tanta anten\u00e7\u00e3o ao que as pessoas faziam quanto ao que diziam. Uma caracter\u00edstica impressionante do seu trabalho \u00e9 notar como os diplomatas sovi\u00e9ticos efetivamente atuavam como empres\u00e1rios habilidosos. Eles tinham uma intui\u00e7\u00e3o apurada acerca do funcionamento dos mercados e pressionavam seus colegas capitalistas a serem capitalistas melhores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu livro, a maioria dos protagonistas eram economistas internacionalistas de orienta\u00e7\u00e3o liberal que queriam reconfigurar as rela\u00e7\u00f5es internacionais para promover um tipo espec\u00edfico de coopera\u00e7\u00e3o baseado em ideais wilsonianos. Acredito que esses ideais foram importantes em termos causais. Mas os efeitos da ideologia internacionalista liberal em face das restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e materiais variavam caso a caso. Na pr\u00e1tica, muitas vezes prevaleceu uma tomada de decis\u00e3o muito mais dura e pragm\u00e1tica, que se afastava desses ideais declarados. E, no final das contas, a partir de determinado n\u00famero de desvios que se faz de uma ideologia, ela come\u00e7a a ficar pouco convincente. Se voc\u00ea se afirma como internacionalista liberal mas pratica imperialismo, as pessoas acabar\u00e3o achando que voc\u00ea \u00e9 imperialista. E provavelmente estar\u00e3o certas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O neoliberalismo \u00e9 importante como ideologia e obviamente \u00e9 importante no \u00e2mbito da pol\u00edtica. Mas a minha interven\u00e7\u00e3o nesses debates \u00e9 dupla. Um dos lados consiste em, como voc\u00ea disse, demonstrar que as pr\u00e1ticas que associamos ao FMI n\u00e3o surgiram da noite para o dia no final do s\u00e9culo XX. Uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica n\u00e3o era necess\u00e1ria para que os agentes financeiros buscassem justificativas para fazer o que queriam. Se, ao inv\u00e9s de olharmos para os intelectuais ou para os tecnocratas formuladores de pol\u00edticas, olharmos para os atores que buscavam garantir lucro e participa\u00e7\u00e3o no mercado, encontraremos uma periodiza\u00e7\u00e3o e uma hist\u00f3ria causal diferentes sobre o surgimento do neoliberalismo. Muito do que associamos ao neoliberalismo emergiu de um ambiente pr\u00e9vio de intera\u00e7\u00e3o de entidades privadas com o mundo e com os Estados no sentido de quebrar as barreiras a sua liberdade, remover os canais de contesta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e0s suas decis\u00f5es economicas, transformar quest\u00f5es de governan\u00e7a em problemas de precifica\u00e7\u00e3o e mercado, e assim por diante. Uma das coisas que o neoliberalismo ofereceu foi uma nova arquitetura intelectual e de legitima\u00e7\u00e3o para pr\u00e1ticas mais antigas. De certa forma, o abandono dessas pr\u00e1ticas ap\u00f3s a Grande Depress\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria t\u00e3o interessante quanto o seu retorno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha segunda interven\u00e7\u00e3o \u00e9 dizer que o t\u00e3o discutido desvio contempor\u00e2neo do neoliberalismo em termos intelectuais n\u00e3o implica necessariamente uma transforma\u00e7\u00e3o na forma como as institui\u00e7\u00f5es realmente atuam. Temos hoje uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica, mas o FMI segue fazendo basicamente o que sempre fez. Portanto, se ingressamos na era p\u00f3s-neoliberal, resta saber o que isso realmente significar\u00e1, por exemplo, para a pol\u00edtica de d\u00edvida global. A China \u00e9 um credor neoliberal? Provavelmente n\u00e3o, mas ser\u00e1 a China um credor menos exigente para as economias de baixa renda e para os mercados emergentes?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como seu livro define o que \u00e9 neoliberalismo? Uma poss\u00edvel m\u00e1-interpreta\u00e7\u00e3o seria concluir que os sovi\u00e9ticos queriam algo parecido com uma ordem mundial neoliberal, mas o meu entendimento \u00e9 de que voc\u00ea descreve isso como uma consequ\u00eancia n\u00e3o intencional das restri\u00e7\u00f5es enfrentadas por uma Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica privada de d\u00f3lares.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qual \u00e9 o poder da ideologia na sua hist\u00f3ria? Em que momento, no contexto da formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sovi\u00e9tica, a ideologia dos atores que fazem parte dela deixa de ser convincente para eles pr\u00f3prios ou para os outros?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">OSS<\/span><\/strong>: Uma das coisas que tento fazer \u00e9 identificar as concep\u00e7\u00f5es relevantes para a pr\u00e1tica sovi\u00e9tica \u2013 fora desse espectro do que \u00e9 esquerda e direita, marxista e n\u00e3o marxista, que se mostra um pouco in\u00fatil na pr\u00e1tica. As concep\u00e7\u00f5es de mercado s\u00e3o muito relevantes para o meu trabalho. A ado\u00e7\u00e3o de um discurso de mercado se tornou uma ferramenta muito importante para que os sovi\u00e9ticos se movimentassem e adquirissem espa\u00e7o na economia mundial. Eles se dirigiam a uma mir\u00edade de entidades\u2014banqueiros, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, diretores de empresas\u2014e diziam: se voc\u00eas n\u00e3o venderem para mim, comprarei de outro pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agiam dessa forma porque os mercados internacionais n\u00e3o estavam institucionalizados naquele momento de Bretton Woods. Por exemplo, enquanto o Ocidente estava organizando a produ\u00e7\u00e3o e o controle do estanho no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, em 1928 os dirigentes de diferentes corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas (as chamadas <em>Big Sisters<\/em>) j\u00e1 haviam formado um cartel para obstruir esse mercado e tornar o petr\u00f3leo lucrativo. Esse foi um prel\u00fadio do que a OPEP faria trinta anos depois. Eu concebo os mercados e as pr\u00e1ticas capitalistas como arenas de poder nas quais diferentes entidades tentam desenvolver modelos de poder e influ\u00eancia para alcan\u00e7ar objetivos espec\u00edficos e n\u00e3o, digamos, objetivos ideol\u00f3gicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia sovi\u00e9tica, o que vejo \u00e9 um respeito palp\u00e1vel pelo discurso de mercado e pelos mercados em si. N\u00e3o \u00e9 que os sovi\u00e9ticos acreditassem que poderiam controlar os mercados, mas eles queriam participar deles e us\u00e1-los como ferramenta na sua pr\u00f3pria formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. Eles se engajaram nisso como qualquer pa\u00eds do mundo capitalista. Isso nos empurra para fora do binarismo entre economia de planifica\u00e7\u00e3o e livre mercado. O que se encontra na pr\u00e1tica \u00e9 o oposto desse binarismo: a ideologia sovi\u00e9tica e o mercado n\u00e3o eram antit\u00e9ticos e, na verdade, os sovi\u00e9ticos ativamente buscaram criar mercados, o que muitas vezes foi barrado pela a\u00e7\u00e3o dos EUA. O elemento do neoliberalismo com o qual precisamos lidar \u00e9 o fato de que o respeito pela autoridade dos mercados perpassou todo o espectro pol\u00edtico. N\u00e3o foi algo simplesmente imposto por figuras como Thatcher e Reagan. A atra\u00e7\u00e3o que ele exerceu sobre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 testemunha da sua for\u00e7a pr\u00e1tica e ideol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">JM<\/span><\/strong>: Uma forma de colocar isso \u00e9 dizer que pouca gente realmente deseja que os mercados existam por raz\u00f5es inerentes ao seu funcionamento. A mobiliza\u00e7\u00e3o de um discurso pr\u00f3-mercado muitas vezes foi \u00fatil para alcan\u00e7ar determinados objetivos, mas esse discurso pode ser descartado assim que perder sua utilidade. Setores como o de energia e da produ\u00e7\u00e3o de commodities prim\u00e1rias s\u00e3o exemplos claros disso: muito frequentemente, essas empresas se mostraram \u00e1vidas para romper completamente com a l\u00f3gica de mercado a fim de assegurar sua fatia de participa\u00e7\u00e3o e seus lucros. O planejamento n\u00e3o era uma exclusividade da esquerda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O setor energ\u00e9tico \u00e9, de fato, importante para a sua hist\u00f3ria. O aprofundamento da depend\u00eancia europeia do petr\u00f3leo russo nessa \u00e9poca foi, em certo aspecto, um facilitador da estrat\u00e9gia sovi\u00e9tica. Acho o seu argumento de que isso nos obriga a repensar a economia sovi\u00e9tica muito convincente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">oss<\/span><\/strong>: Qualquer estudo sobre a economia capitalista do p\u00f3s-guerra e a evolu\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as globais precisa integrar o setor de energia. Matthew Huber escreveu um <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/ecge.12006\">artigo<\/a> incr\u00edvel argumentando que a organiza\u00e7\u00e3o do setor petrol\u00edfero \u00e9 uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a evolu\u00e7\u00e3o do fordismo no mundo desenvolvido. Isso foi estabelecido atrav\u00e9s de um violento processo de carteliza\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1930, os Estados Unidos eram o maior produtor de petr\u00f3leo do mundo. A Comiss\u00e3o Ferrovi\u00e1ria do Texas foi criada para gerenciar os pre\u00e7os e a distribui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds (o que n\u00e3o foi feito sem um tanto de viol\u00eancia contra os trabalhadores do setor petrol\u00edfero do Arkansas e do Texas). Isso criou uma base firme para conter a infla\u00e7\u00e3o, base sobre a qual a era de Bretton Woods foi estruturada: o Plano Marshall, o FMI e o Banco Mundial. No in\u00edcio dos anos 1970, a fratura no sistema de precifica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o global acabou derrubando o sistema de Bretton Woods.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda pe\u00e7a desse quebra-cabe\u00e7as, especialmente no que diz respeito \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, \u00e9 o Plano Marshall. A hist\u00f3ria consensual \u00e9 a de que o plano se tratava de um aux\u00edlio para o desenvolvimento e para uma reconstru\u00e7\u00e3o nova e cooperativa da economia europeia. \u00c9 uma \u00f3tima hist\u00f3ria, mas o trabalho de David Painter <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/14682740902871851\">nos mostra<\/a> que uma parte significativa do Plano Marshall era, na verdade, voltada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura na Europa para uma economia movida a petr\u00f3leo. Tanto \u00e9 que 10% do Plano Marshall simplesmente voltam diretamente para os EUA por meio da compra de petr\u00f3leo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria petroqu\u00edmica da It\u00e1lia virou muito importante porque foi o ponto de apoio que permitiu a abertura de um novo relacionamento com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para todos os europeus. Toda essa ind\u00fastria italiana foi constru\u00edda com dinheiro do Plano Marshall, e os italianos inovaram nas transa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo via sistema de dutos, o que acabou se tornando um vetor de abertura de mercados de capitais para os sovi\u00e9ticos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo dos EUA construiu a economia do petr\u00f3leo na Europa, o que acabou gerando o efeito de atrair os sovi\u00e9ticos para l\u00e1. Esses arranjos internacionais foram a fonte da instabilidade dos anos 1960 e do pr\u00f3prio questionamento dos fundamentos de Bretton Woods, inclusive dos controles de capitais. O interesse da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o era desmantelar Bretton Woods completamente\u2014eles se opunham especificamente aos controles de capital que os impediam de participar do com\u00e9rcio liberalizado na Europa Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">JM<\/span><\/strong>: O seu livro \u00e9 uma excelente demonstra\u00e7\u00e3o do poder exercido pelos controles de capital no sistema de Bretton Woods. Mas o que \u00e9 mais fascinante na hist\u00f3ria \u00e9 o fato de que quem lutava contra esses controles de capital n\u00e3o era somente Wall Street, mas tamb\u00e9m os diplomatas sovi\u00e9ticos. Nesse esfor\u00e7o de desmistificar Bretton Woods, vale a pena pensar em que medida ele foi de fato relevante como um sistema de estrutura\u00e7\u00e3o internacional. Podemos chegar ao ponto de afirmar que Bretton Woods teve uma import\u00e2ncia breve somente \u00e0 medida que promoveu uma aceita\u00e7\u00e3o mais ampla do uso de controles de capital?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">oss<\/span><\/strong>: O que \u00e9 interessante sobre a trajet\u00f3ria sovi\u00e9tica no contexto de Bretton Woods \u00e9 notar que, em grande medida, os sovi\u00e9ticos s\u00f3 queriam voltar para o lugar onde pareciam estar chegando no final dos anos 1920. No rescaldo da Primeira Guerra Mundial, n\u00e3o havia capital dispon\u00edvel, os sovi\u00e9ticos tinham acabado de ser invadidos por tr\u00eas pot\u00eancias ocidentais diferentes e, em seguida, ostracizados por se recusarem a pagar a d\u00edvida czarista. Estavam famintos por capital e s\u00f3 conseguiram fazer neg\u00f3cios depois que o Plano Dawes come\u00e7ou a circular capital pela Europa Ocidental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Alemanha ofereceu um grande empr\u00e9stimo. Isso deixou os estadunidenses furiosos, porque os EUA tinham acabado de emprestar aos alem\u00e3es que, em seguida, estenderam a oferta aos sovi\u00e9ticos. Mas, j\u00e1 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, os EUA acabaram aderindo ao plano, porque a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era o \u00fanico pa\u00eds que ainda estava construindo alguma coisa. Em 1933, sob o comando de Roosevelt, os EUA abriram rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Mas a\u00ed, claro, vieram as consequ\u00eancias da Grande Depress\u00e3o, e a circula\u00e7\u00e3o de capital morreu. Uma das formas de ler Bretton Woods \u00e9 como uma recupera\u00e7\u00e3o gerenciada da liberaliza\u00e7\u00e3o, sendo a liberaliza\u00e7\u00e3o de capital um dos resultados defendidos por m\u00faltiplos grupos sociais e lideran\u00e7as dom\u00e9sticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 interessante olhar para pa\u00edses pequenos que n\u00e3o desejavam a liberaliza\u00e7\u00e3o, como a \u00c1ustria. H\u00e1 um trecho no livro que descreve como os sovi\u00e9ticos argumentavam que tanto eles quanto o FMI pediam \u00e0 \u00c1ustria que se liberalizasse. A \u00c1ustria n\u00e3o queria, naturalmente, porque estava em uma situa\u00e7\u00e3o na qual podia trocar sapatos por petr\u00f3leo. Se a \u00c1ustria come\u00e7asse a fazer com\u00e9rcio em marcos ou em d\u00f3lares, os sovi\u00e9ticos poderiam pegar o dinheiro e comprar da Alemanha. O que voc\u00ea acha? Em que termos devemos pensar o que foi Bretton Woods?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">jm<\/span><\/strong>: Um dos argumentos do meu livro \u00e9 que, em muitas das decis\u00f5es tomadas pelas institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, a ideia de um liberalismo integrado como princ\u00edpio organizador real da economia mundial foi desconsiderada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca houve um per\u00edodo em que os Estados sul-americanos, por exemplo, n\u00e3o fossem pressionados a se ajustar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods para ter acesso a recursos. No final da d\u00e9cada de 1940 e no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, os pa\u00edses latino-americanos foram efetivamente instru\u00eddos a adotar pol\u00edticas anti-inflacion\u00e1rias e de ajuste fiscal se quisessem contar com recursos do FMI. Se tratarmos da totalidade dos pa\u00edses-membro do Fundo, n\u00e3o encontramos muita evid\u00eancia de que o FMI tenha sido inspirado por qualquer princ\u00edpio keynesiano ou derivado do New Deal de respeito \u00e0 autonomia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se quisermos pensar no liberalismo integrado como uma esp\u00e9cie de ideal normativo orientador, estaremos falando principalmente da Europa e da Am\u00e9rica do Norte. O pr\u00f3prio Keynes disse que Bretton Woods, mesmo em sua vers\u00e3o mais limitada, com a qual ele acabou concordando ap\u00f3s suas demandas originais terem sido descartadas pela press\u00e3o dos EUA, n\u00e3o funcionaria como ele havia idealizado. Keynes morreu bastante insatisfeito com esse sistema, reconhecendo que seria dominado pelos EUA e, mais especificamente, dada a aus\u00eancia de barreiras \u00e0s a\u00e7\u00f5es do FMI, que seria dif\u00edcil evitar uma evolu\u00e7\u00e3o para uma esp\u00e9cie de m\u00e1quina de condicionalidades, o que de fato acabou acontecendo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria que voc\u00ea conta ilustra como os controles de capital sob Bretton Woods eram poderosos, mas tamb\u00e9m como nem sempre eram capazes de atingir os objetivos normativos que poderiam ser atribu\u00eddos a eles. Se a miss\u00e3o do libralismo integrado era proporcionar algum tipo de autonomia para que os Estados fizessem experimentos com a economia pol\u00edtica nacional, o Estado mais experimental de todos, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, n\u00e3o queria isso! Os que os sovi\u00e9ticos buscaram era remover os controles de capital que restringiam sua capacidade de atingir determinados objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em algum sentido, acho voc\u00ea pode combinar as hist\u00f3rias que contamos para dizer que eu vejo o liberalismo integrado como algo que, se existiu de fato, foi bastante limitado geogr\u00e1fica e temporalmente; e voc\u00ea o v\u00ea como algo que existiu, mas que, pelo menos nesse caso, produziu os efeitos pol\u00edticos opostos \u00e0queles que poder\u00edamos pressupor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso nos leva de volta ao in\u00edcio de nossa conversa: o capital n\u00e3o domina a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas a atrai. Quero levantar duas poss\u00edveis leituras equivocadas do seu argumento e ver como voc\u00ea responde a elas. Uma delas seria afirmar algo como: a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aprende a operar as ferramentas do Ocidente capitalista de uma forma que \u00e9, no limite, projetada para aumentar o poder sovi\u00e9tico e, com isso, desfazer os v\u00ednculos do capitalismo por completo. Ou seja, os sovi\u00e9ticos procuraram atuar no interior dos v\u00ednculos da estrutura de poder que tentavam derrubar. A segunda seria entregar seu livro a um falc\u00e3o liberal da Guerra Fria, como Francis Fukuyama, que diria que ele \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o incr\u00edvel da inevitabilidade da vit\u00f3ria do capitalismo global: a ades\u00e3o \u00e0 logica do operacional do capitalismo por parte daquele que, ao menos convencionamente, \u00e9 considerado o maior desafio em forma de Estado j\u00e1 posto ao capitalismo global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><span class=\"sans blue\">oss<\/span><\/strong>: Esses s\u00e3o dois \u00f3timos equ\u00edvocos. Eles nos remetem ao que convers\u00e1vamos antes, sobre como o capitalismo se desenvolve na pr\u00e1tica, e como essa pr\u00e1tica \u00e9 uma luta por poder. Acho que Fukuyama, liberal que \u00e9, deveria ter muito cuidado, porque uma das raz\u00f5es pelas quais tais atores muito autocr\u00e1ticos s\u00e3o atra\u00eddos por esses sistemas de circula\u00e7\u00e3o de capital e troca de mercadorias \u00e9 porque eles permitem esse tipo de poder autocr\u00e1tico. Esses sistemas eram atraentes n\u00e3o apenas para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. H\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o do livro na qual registro o momento em que alguns pa\u00edses latino-americanos come\u00e7aram, muitas vezes por meio de bancos brit\u00e2nicos, a se aproximar do com\u00e9rcio e do aux\u00edlio financeiro sovi\u00e9tico. Isso inclu\u00eda o Brasil, que na \u00e9poca era governado por uma junta militar fascista, presumivelmente inimiga dos sovi\u00e9ticos. Quando os sovi\u00e9ticos de fato estabeleceram rela\u00e7\u00f5es com o Brasil, os cubanos protestaram. Mas isso de forma alguma dissuadiu os sovi\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os v\u00ednculos banqueiros brit\u00e2nicos na Am\u00e9rica Latina, que remontam a centenas de anos, foram substitu\u00eddos pelos estadunidenses entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1950, levando os bancos brit\u00e2nicos a se unirem aos sovi\u00e9ticos. O que tornava a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ligeiramente diferente do Sul Global era o fato de que ela tinha produtos para vender de forma competitiva. Eles n\u00e3o estavam competindo no setor qu\u00edmico, mas podiam construir uma represa t\u00e3o boa quanto qualquer outro pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi isso que eles fizeram na Am\u00e9rica Latina. Capitalizaram esses modelos de projetos e formaram uma esp\u00e9cie de alian\u00e7a com os banqueiros brit\u00e2nicos. Quando o Brasil entrou em uma armadilha de d\u00edvidas com os bancos europeus, isso se deveu em parte \u00e0 ajuda dos sovi\u00e9ticos no financiamento e na constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura para a qual esses empr\u00e9stimos foram emitidos. Com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, Quinn Slobodian descreveu o lamento dos banqueiros estadunidenses pelo exato motivo que voc\u00ea apontou: estamos na d\u00e9cada de 1970, e aquela hierarquia \u00edngreme que vinha junto com o liberalismo integrado se desintegrou. Na d\u00e9cada de 1950, eles podiam dizer ao Brasil o que fazer; na d\u00e9cada de 1970, o Brasil podia tomar emprestado todo o dinheiro que quisesse sem seguir as ordens dos EUA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que essa cr\u00edtica vem acompanhada de todo tipo de linguagem racista, de que os tomadores de empr\u00e9stimos no Sul s\u00e3o crian\u00e7as irrespons\u00e1veis e assim por diante. \u00c9 impressionante o quanto o imperialismo e as constru\u00e7\u00f5es culturais que o acompanham simplesmente nunca morrem. As finan\u00e7as e a cultura t\u00eam as mesmas ra\u00edzes.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o de oleodutos pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em toda a Europa Ocidental concedeu \u00e0 superpot\u00eancia acesso aos mercados e ao capital europeus. Em seu novo livro, The Soviet Union and the Construction of the Global Market [A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a constru\u00e7\u00e3o do mercado global, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas], Oscar Sanchez-Sibony demonstra como essa jogada desafiou o dom\u00ednio dos EUA sobre as institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods e acabou provocando uma reformula\u00e7\u00e3o ainda mais ampla das rela\u00e7\u00f5es entre Estado e mercado.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":271,"featured_media":17906,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[733],"tags":[789,765],"issue":[],"newsletter":[],"region":[],"sector":[],"theme":[1108],"series":[],"class_list":["post-18329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-br","tag-historia-pt-br","tag-longform-pt-br","theme-historia-economica"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ideologias de mercado - Jamie Martin &amp; Oscar Sanchez-Sibony<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ideologias de mercado | Jamie Martin &amp; Oscar Sanchez-Sibony\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Phenomenal World\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-06-13T10:06:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-07-01T14:49:50+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1206\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1326\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jamie Martin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Ideologias de Mercado | Jamie Martin &amp; Oscar Sanchez-Sibony\" \/>\n<meta name=\"twitter:description\" content=\"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods\" \/>\n<meta name=\"twitter:image\" content=\"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@WorldPhenomenal\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jamie Martin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"20 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jamie Martin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/c8cf47e64a2deea85ec2cee0c3664a23\"},\"headline\":\"Ideologias de mercado\",\"datePublished\":\"2024-06-13T10:06:00+00:00\",\"dateModified\":\"2024-07-01T14:49:50+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/\"},\"wordCount\":4902,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/06\\\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\",\"keywords\":[\"hist\u00f3ria\",\"longform\"],\"articleSection\":[\"Entrevistas\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/\",\"name\":\"Ideologias de mercado - Jamie Martin & Oscar Sanchez-Sibony\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/06\\\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\",\"datePublished\":\"2024-06-13T10:06:00+00:00\",\"dateModified\":\"2024-07-01T14:49:50+00:00\",\"description\":\"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/06\\\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/06\\\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png\",\"width\":1206,\"height\":1326},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/entrevistas-br\\\/martin-sanchez-sibony\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ideologias de mercado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"description\":\"A publication focused on political economy.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"Phenomenal World\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/08\\\/pw-logo.png\",\"width\":1738,\"height\":163,\"caption\":\"Phenomenal World\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/x.com\\\/WorldPhenomenal\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/c8cf47e64a2deea85ec2cee0c3664a23\",\"name\":\"Jamie Martin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jamie Martin\"},\"description\":\"Jamie Martin is Assistant Professor of History and of Social Studies at Harvard University. His most recent book is The Meddlers: Sovereignty, Empire, and the Birth of Global Economic Governance.\",\"url\":\"https:\\\/\\\/phenomenalworld.org\\\/pt-br\\\/author\\\/jamie-martin\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ideologias de mercado - Jamie Martin & Oscar Sanchez-Sibony","description":"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Ideologias de mercado | Jamie Martin & Oscar Sanchez-Sibony","og_description":"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods","og_url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/","og_site_name":"Phenomenal World","article_published_time":"2024-06-13T10:06:00+00:00","article_modified_time":"2024-07-01T14:49:50+00:00","og_image":[{"width":1206,"height":1326,"url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","type":"image\/png"}],"author":"Jamie Martin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_title":"Ideologias de Mercado | Jamie Martin & Oscar Sanchez-Sibony","twitter_description":"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods","twitter_image":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","twitter_creator":"@WorldPhenomenal","twitter_site":"@WorldPhenomenal","twitter_misc":{"Escrito por":"Jamie Martin","Est. tempo de leitura":"20 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/"},"author":{"name":"Jamie Martin","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/c8cf47e64a2deea85ec2cee0c3664a23"},"headline":"Ideologias de mercado","datePublished":"2024-06-13T10:06:00+00:00","dateModified":"2024-07-01T14:49:50+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/"},"wordCount":4902,"publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","keywords":["hist\u00f3ria","longform"],"articleSection":["Entrevistas"],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/","name":"Ideologias de mercado - Jamie Martin & Oscar Sanchez-Sibony","isPartOf":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","datePublished":"2024-06-13T10:06:00+00:00","dateModified":"2024-07-01T14:49:50+00:00","description":"A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a queda de Bretton Woods","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#primaryimage","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/market-ideologies-oscar-sanchez-sibony-jamie-martin-phenomenal-world-jain-family-institute.png","width":1206,"height":1326},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/entrevistas-br\/martin-sanchez-sibony\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ideologias de mercado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","name":"Phenomenal World","description":"A publication focused on political economy.","publisher":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#organization","name":"Phenomenal World","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","contentUrl":"https:\/\/phenomenalworld.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/pw-logo.png","width":1738,"height":163,"caption":"Phenomenal World"},"image":{"@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/WorldPhenomenal"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/#\/schema\/person\/c8cf47e64a2deea85ec2cee0c3664a23","name":"Jamie Martin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/2b479be14be2067f2453d1585333fbb70eac85031e37de18bd1034ebe74826fe?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jamie Martin"},"description":"Jamie Martin is Assistant Professor of History and of Social Studies at Harvard University. His most recent book is The Meddlers: Sovereignty, Empire, and the Birth of Global Economic Governance.","url":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/author\/jamie-martin\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/271"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18329"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18337,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18329\/revisions\/18337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18329"},{"taxonomy":"issue","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/issue?post=18329"},{"taxonomy":"newsletter","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/newsletter?post=18329"},{"taxonomy":"region","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/region?post=18329"},{"taxonomy":"sector","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/sector?post=18329"},{"taxonomy":"theme","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/theme?post=18329"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=18329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}