{"id":17280,"date":"2022-07-16T06:00:00","date_gmt":"2022-07-16T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/nao-categorizado\/development-engines\/"},"modified":"2024-05-23T19:43:34","modified_gmt":"2024-05-23T19:43:34","slug":"motores-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/analises\/motores-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Motores do desenvolvimento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em dezembro de 2021, o presidente Joe Biden anunciou uma <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/markets\/rates-bonds\/biden-electric-vehicle-push-hits-setback-us-senate-2021-12-19\/\">proposta de incentivos fiscais<\/a> para a compra de ve\u00edculos el\u00e9tricos (EVs, na sigla em ingl\u00eas) produzidos por trabalhadores sindicalizados da ind\u00fastria automotiva dos EUA.<a data-contents=\"Por meio dessa proposa, Biden definiu o caminho para alcan\u00e7ar tr\u00eas objetivos do plano \u201cBuild Back Better\u201d, atualmente estagnado: 1) a promo\u00e7\u00e3o de um setor de produ\u00e7\u00e3o de energia que zere as emiss\u00f5es de carbono at\u00e9 2035; 2) a cria\u00e7\u00e3o de empregos protegidos por regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas; e 3) o fortalecimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica dos EUA com tecnologias nacionais.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Por meio dessa proposa, Biden definiu o caminho para alcan\u00e7ar tr\u00eas objetivos do plano \u201cBuild Back Better\u201d, atualmente estagnado: 1) a promo\u00e7\u00e3o de um setor de produ\u00e7\u00e3o de energia que zere as emiss\u00f5es de carbono at\u00e9 2035; 2) a cria\u00e7\u00e3o de empregos protegidos por regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas; e 3) o fortalecimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica dos EUA com tecnologias nacionais.<\/span> Os incentivos prometem apoiar a transi\u00e7\u00e3o para as \u201ctecnologias verdes\u201d, reduzir a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e \u201cdescarbonizar\u201d a economia. E comprometem-se a fazer tudo isso enquanto fortalecem a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o coletiva dos trabalhadores depois de d\u00e9cadas de enfraquecimento dos sindicados por meio de esfor\u00e7os liderados pelo Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como era de se esperar, a proposta foi recebida com cr\u00edticas. Nos EUA, Honda, Kia, Nissan, Hyundai e Tesla <a href=\"https:\/\/www.cnbc.com\/2021\/09\/14\/tesla-toyota-and-honda-criticize-4500-tax-credit-for-union-made-evs.html\">se opuseram<\/a> ao projeto de lei em raz\u00e3o do incentivo \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o, que beneficia principalmente a <a href=\"https:\/\/aflcio.org\/UnionCars\">Ford, a General Motors e a Chrysler<\/a>: as tr\u00eas gigantes automotivas de Detroit que notoriamente empregam for\u00e7a de trabalho sindicalizada. Se a quest\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, questionaram os analistas de neg\u00f3cios, por que n\u00e3o expandir o cr\u00e9dito para as empresas que j\u00e1 est\u00e3o produzindo carros el\u00e9tricos? O plano tamb\u00e9m fomentou acusa\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/opinion\/articles\/2021-12-14\/biden-s-electric-vehicle-tax-credits-are-a-gift-to-unions\">protecionismo<\/a>. O governo mexicano <a href=\"https:\/\/thehill.com\/policy\/energy-environment\/584616-mexico-compares-biden-electric-car-tax-credits-to-trumps-tariff?rl=1\">argumentou<\/a> que os incentivos fiscais violam o Acordo Estados Unidos \u2013 M\u00e9xico \u2013 Canad\u00e1 (USMCA, na sigla em ingl\u00eas) &#8220;pela concess\u00e3o de vantagem indevida a ve\u00edculos produzidos nos EUA&#8221;.&nbsp; Como o cr\u00e9dito fiscal para ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 uma forma de subs\u00eddio, seria contr\u00e1rio \u00e0s <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/opinion\/articles\/2021-12-14\/biden-s-electric-vehicle-tax-credits-are-a-gift-to-unions\">normas<\/a> da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. A Comiss\u00e3o Europeia tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.autosdriveamerica.org\/_default_upload_bucket\/EV%20Incentive%20LTR%20EU%2012%206%2021.pdf\">se op\u00f4s<\/a> aos incentivos, afirmando que o projeto discrimina as f\u00e1bricas de autom\u00f3veis e autope\u00e7as da Uni\u00e3o Europeia, que empregam mais de 420 mil trabalhadores nos EUA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rea\u00e7\u00e3o ruidosa aos incentivos fiscais para EVs exp\u00f4s as tens\u00f5es entre a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas dom\u00e9sticas e as regras de livre com\u00e9rcio no contexto de uma economia regional altamente integrada. Pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o do emprego destinadas a uma parcela espec\u00edfica dos trabalhadores da regi\u00e3o potencialmente refor\u00e7ariam a inseguran\u00e7a empregat\u00edcia de outras parcelas da for\u00e7a de trabalho na ind\u00fastria automotiva da Am\u00e9rica do Norte \u2013 incluindo a do M\u00e9xico, onde essa ind\u00fastria representa <a href=\"https:\/\/www.trade.gov\/country-commercial-guides\/mexico-automotive-industry\">20% do PIB<\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA, na sigla em ingl\u00eas), as pol\u00edticas dom\u00e9sticas regulamentavam o setor automotivo do M\u00e9xico. Previs\u00f5es de n\u00edvel nacional e local visavam a constru\u00e7\u00e3o de um setor manufatureiro intensivo em capital e trabalho, servindo, assim, como fonte de cria\u00e7\u00e3o de empregos. Esse cen\u00e1rio mudou nos anos 1990. Com a forma\u00e7\u00e3o do bloco geoecon\u00f4mico da Am\u00e9rica do Norte em 1994, a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis passou a envolver a pol\u00edtica externa, os acordos comerciais e suas regras, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e os sindicatos internacionais. Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis \u00e9 muito mais complexa do que a mera instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica em determinado local. Tra\u00e7ar a hist\u00f3ria da ind\u00fastria automotiva mexicana ao longo de seis d\u00e9cadas esclarece como o setor automotivo norte-americano combina atualmente interesses regionais, dom\u00e9sticos e globais, e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias provocadas por cada um deles para os trabalhadores, as pol\u00edticas industriais e, agora, para as estrat\u00e9gias clim\u00e1ticas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A constru\u00e7\u00e3o do setor automobil\u00edstico do M\u00e9xico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apostando no fortalecimento do desenvolvimento industrial, o governo mexicano decretou, em 1962, que 60% de cada carro vendido no pa\u00eds deveria ser produzido em \u00e2mbito dom\u00e9stico.<a data-contents=\"Desde a d\u00e9cada de 1920, o M\u00e9xico montava carros da Ford e da General Motors, inicialmente produzidos em Detroit e exportados em partes completamente n\u00e3o montadas (completely-knocked-down, CDK na sigla em ingl\u00eas). Ver: Jorge Acevedo Mart\u00ednez e Armando Heredia Gonz\u00e1lez, \u201cHistoria de la Ford Motor Company de Mexico, SA de CV.\u201d em (<)em(>)La Cultura Industrial Mexicana(<)\/em(>). Sergio Niccolai e Humberto Morales (eds.). Pp. 387-397 (Puebla: Benem\u00e9rita Universidad Aut\u00f3noma de Puebla, 2003).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Desde a d\u00e9cada de 1920, o M\u00e9xico montava carros da Ford e da General Motors, inicialmente produzidos em Detroit e exportados em partes completamente n\u00e3o montadas (completely-knocked-down, CDK na sigla em ingl\u00eas). Ver: Jorge Acevedo Mart\u00ednez e Armando Heredia Gonz\u00e1lez, \u201cHistoria de la Ford Motor Company de Mexico, SA de CV.\u201d em (<)em(>)La Cultura Industrial Mexicana(<)\/em(>). Sergio Niccolai e Humberto Morales (eds.). Pp. 387-397 (Puebla: Benem\u00e9rita Universidad Aut\u00f3noma de Puebla, 2003).<\/span> Isso exigia que as corpora\u00e7\u00f5es automotivas multinacionais firmassem parcerias com&nbsp; neg\u00f3cios locais para instalar f\u00e1bricas de autom\u00f3veis, fortalecendo concomitantemente a oligarquia mexicana e o desenvolvimento da ind\u00fastria nacional de ve\u00edculos.<a data-contents=\"Para uma an\u00e1lise mais detalhada das pol\u00edticas que moldaram a ind\u00fastria automotiva mexicana durante a era da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, conferir as obras de Douglas C. Bennett e Kenneth Evan Sharpe, (<)em(>)Transnational Corporation versus the State: The Political Economy of the Mexican Auto-Industry(<)\/em(>) (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1985) e Rhys Owen Jenkins, (<)em(>)Dependent Industrialization in Latin America: The Automotive Industry in Argentina, Chile, and Mexico(<)\/em(>) (New York: Praeger, 1977).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para uma an\u00e1lise mais detalhada das pol\u00edticas que moldaram a ind\u00fastria automotiva mexicana durante a era da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, conferir as obras de Douglas C. Bennett e Kenneth Evan Sharpe, (<)em(>)Transnational Corporation versus the State: The Political Economy of the Mexican Auto-Industry(<)\/em(>) (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1985) e Rhys Owen Jenkins, (<)em(>)Dependent Industrialization in Latin America: The Automotive Industry in Argentina, Chile, and Mexico(<)\/em(>) (New York: Praeger, 1977).<\/span> Uma ind\u00fastria automobil\u00edstica&nbsp; nacional era essencial ao projeto de industrializa\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos era diretamente ligada \u00e0s ind\u00fastrias de a\u00e7o, ferro, petr\u00f3leo, borracha, pl\u00e1stico e vidro.<a data-contents=\"Edur Velasco Arregui, \u201cIndustrial Restructuring in Mexico During the 1980s.\u201d In (<)em(>)The Political Economy of North American Free Trade(<)\/em(>). Ricardo Grinspun e Maxwell A. Cameron (eds.). Pp. 163-175 (Montreal &amp; Kingston: McGill-Queen University Press, 1993).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-list-4\">4<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Edur Velasco Arregui, \u201cIndustrial Restructuring in Mexico During the 1980s.\u201d In (<)em(>)The Political Economy of North American Free Trade(<)\/em(>). Ricardo Grinspun e Maxwell A. Cameron (eds.). Pp. 163-175 (Montreal &amp; Kingston: McGill-Queen University Press, 1993).<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pol\u00edticas dom\u00e9sticas privilegiaram a ind\u00fastria em vez da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de pequena escala. A industrializa\u00e7\u00e3o induzida pelo Estado beneficiava as corpora\u00e7\u00f5es do setor automobil\u00edstico por meio de pol\u00edticas protecionistas, incentivos fiscais e investimento em infraestrutura (como as rodovias), \u00e0 luz do modelo econ\u00f4mico de industrializa\u00e7\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es (ISI). O governo tamb\u00e9m garantiu \u00e0s montadoras o acesso barato a terras expropriadas de camponeses por meio da declara\u00e7\u00e3o de que as f\u00e1bricas eram de interesse p\u00fablico. A Volkswagen M\u00e9xico, situada em Puebla, a aproximadamente 130 km do sul da Cidade do M\u00e9xico, foi beneficiada por tr\u00eas decretos de expropria\u00e7\u00e3o de terras.<a data-contents=\"Manlio Barbosa Cano, \u201cEl decreto expropiatorio de las tierras de Ocotl\u00e1n es contrario al inter\u00e9s p\u00fablico.\u201d (<)em(>)Cr\u00edtica Revista de la Universidad Auton\u00f3ma de Puebla(<)\/em(>) (1984,21:55-65) e Elsa Patino Tovar, \u201cPeriferia Poblana: la desigualdad del crecimiento.\u201d (<)em(>)Papeles de Poblaci\u00f3n(<)\/em(>), Universidad Auton\u00f3ma del Estado de M\u00e9xico (2004 10(2): 125-151).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-list-5\">5<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Manlio Barbosa Cano, \u201cEl decreto expropiatorio de las tierras de Ocotl\u00e1n es contrario al inter\u00e9s p\u00fablico.\u201d (<)em(>)Cr\u00edtica Revista de la Universidad Auton\u00f3ma de Puebla(<)\/em(>) (1984,21:55-65) e Elsa Patino Tovar, \u201cPeriferia Poblana: la desigualdad del crecimiento.\u201d (<)em(>)Papeles de Poblaci\u00f3n(<)\/em(>), Universidad Auton\u00f3ma del Estado de M\u00e9xico (2004 10(2): 125-151).<\/span> O Estado tamb\u00e9m cumpriu um papel central em direcionar a produ\u00e7\u00e3o: em 1969, por exemplo, o governo passou a exigir que as empresas aumentassem as exporta\u00e7\u00f5es para equilibrar as importa\u00e7\u00f5es de componentes de seus ve\u00edculos.<a data-contents=\"Douglas C. Bennett e Kenneth Evan Sharpe, (<)em(>)Transnational Corporation versus the State: The Political Economy of the Mexican Auto-Industry(<)\/em(>) (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1985).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-list-6\">6<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Douglas C. Bennett e Kenneth Evan Sharpe, (<)em(>)Transnational Corporation versus the State: The Political Economy of the Mexican Auto-Industry(<)\/em(>) (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1985).<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria automotiva impulsionou a ascens\u00e3o de uma classe trabalhadora assalariada qualificada e majoritariamente masculina no M\u00e9xico. O desenvolvimento da ind\u00fastria nos anos 1960 coincidiu com o aumento do provimento de bens e servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 sa\u00fade p\u00fablica, cr\u00e9dito imobili\u00e1rio e subs\u00eddios a estabelecimentos do setor aliment\u00edcio \u2013 voltados aos trabalhadores da ind\u00fastria automobil\u00edstica e seus dependentes. Enquanto a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica era um direito b\u00e1sico de todos os cidad\u00e3os, os servi\u00e7os de sa\u00fade e o cr\u00e9dito imobili\u00e1rio eram acess\u00edveis apenas para aqueles formalmente empregados pelos setores p\u00fablico ou privado do pa\u00eds.<a data-contents=\"At\u00e9 2021, os trabalhadores terceirizados empregados em ambos setores eram exclu\u00eddos desses direitos garantidos pelo c\u00f3digo trabalhista mexicano. Ver: Alejandra Gonz\u00e1lez Jim\u00e9nez, \u201c(<)a href='https:\/\/nacla.org\/mexico-labor-reform-outsourcing-autoworkers'(>)Mexico\u2019s Labor Reform May not be Enough for Auto Logistics Workers(<)\/a(>)\u201d.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-list-7\">7<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">At\u00e9 2021, os trabalhadores terceirizados empregados em ambos setores eram exclu\u00eddos desses direitos garantidos pelo c\u00f3digo trabalhista mexicano. Ver: Alejandra Gonz\u00e1lez Jim\u00e9nez, \u201c(<)a href='https:\/\/nacla.org\/mexico-labor-reform-outsourcing-autoworkers'(>)Mexico\u2019s Labor Reform May not be Enough for Auto Logistics Workers(<)\/a(>)\u201d.<\/span> Esse sistema de servi\u00e7os p\u00fablicos suplantava os baixos sal\u00e1rios \u2013 os trabalhadores frequentemente adotavam turnos duplos ou triplos para cobrir o custo de vida \u2013, e permitia mobilidade social aos empregados da ind\u00fastria automotiva. O sistema de prote\u00e7\u00e3o social priorizava claramente os trabalhadores industriais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles empregados em outros setores, como os camponeses. Sob a ado\u00e7\u00e3o da ISI, a pol\u00edtica nacional beneficiou empresas privadas e estatais e uma for\u00e7a de trabalho majoritariamente masculina dos setores petrol\u00edfero, automotivo e el\u00e9trico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Os trabalhadores exerciam pouca influ\u00eancia sobre a pol\u00edtica industrial. Desde os anos 1930, sindicatos aliados ao Estado dominavam o movimento trabalhista do M\u00e9xico e, quando se tratava da ind\u00fastria automotiva, apoiavam contratos majoritariamente favor\u00e1veis aos interesses empresariais, desmobilizando quaisquer agita\u00e7\u00f5es da for\u00e7a de trabalho que questionassem isso. O sindicalismo independente emergiu no setor automotivo<a data-contents=\"Ian Roxborough, (<)em(>)Unions and Politics of Mexico. The Case of the Automobile Industry(<)\/em(>) (Cambridge: Cambridge University Press).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-list-8\">8<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Ian Roxborough, (<)em(>)Unions and Politics of Mexico. The Case of the Automobile Industry(<)\/em(>) (Cambridge: Cambridge University Press).<\/span> nos anos 1970, incentivando a democracia sindical e o controle sindical sobre as negocia\u00e7\u00f5es trabalhistas de ch\u00e3o de f\u00e1brica. Esses sindicatos, no entanto, eram exclu\u00eddos dos debates sobre pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao setor automotivo. Ainda assim, em ciclos pol\u00edticos de governos trabalhistas, a classe trabalhadora organizada obteve vit\u00f3rias.<a data-contents=\"Joseph U. Lenti, (<)em(>)Redeeming the Revolution(<)\/em(>) (Lincoln: University of Nebraska Press 2017).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-9\" href=\"#footnote-list-9\">9<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Joseph U. Lenti, (<)em(>)Redeeming the Revolution(<)\/em(>) (Lincoln: University of Nebraska Press 2017).<\/span>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1970, o M\u00e9xico trocou a estrat\u00e9gia de ISI pela de industrializa\u00e7\u00e3o orientada para a exporta\u00e7\u00e3o (IOE). F\u00e1bricas pertencentes a corpora\u00e7\u00f5es transnacionais conhecidas como <em>maquiladoras<\/em> seguiram sendo beneficiadas pela pr\u00e1tica de ISI por ceder instala\u00e7\u00f5es para empresas que ingressavam no pa\u00eds. A mudan\u00e7a nas <em>maquiladoras<\/em>, no entanto, foi a determina\u00e7\u00e3o de que os componentes provenientes dos EUA seriam montados no M\u00e9xico e ent\u00e3o exportados novamente aos EUA para comercializa\u00e7\u00e3o.<a data-contents=\"Nesses espa\u00e7os, os empregos eram direcionados especialmente \u00e0 for\u00e7a de trabalho feminina. Veja mais sobre a dimens\u00e3o de g\u00eanero do setor manufatureiro das (<)em(>)maquiladoras (<)\/em(>)em: Norma Iglesias Prieto, (<)em(>)Beautiful Flowers of the Maquiladora(<)\/em(>) (Austin: University of Texas Press 1997) e Patricia Fern\u00e1ndez-Kelly, (<)em(>)For We are Sold, I and my People: Women and Industry in Mexico\u2019s Frontier(<)\/em(>) (Albany: State University Press, 1983).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-10\" href=\"#footnote-list-10\">10<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Nesses espa\u00e7os, os empregos eram direcionados especialmente \u00e0 for\u00e7a de trabalho feminina. Veja mais sobre a dimens\u00e3o de g\u00eanero do setor manufatureiro das (<)em(>)maquiladoras (<)\/em(>)em: Norma Iglesias Prieto, (<)em(>)Beautiful Flowers of the Maquiladora(<)\/em(>) (Austin: University of Texas Press 1997) e Patricia Fern\u00e1ndez-Kelly, (<)em(>)For We are Sold, I and my People: Women and Industry in Mexico\u2019s Frontier(<)\/em(>) (Albany: State University Press, 1983).<\/span> A ascen\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de IOE foi concomitante \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de medidas de austeridade pelo FMI no rescaldo da crise de d\u00edvida externa mexicana dos anos 1980. Consequentemente, entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, o M\u00e9xico cortou subs\u00eddios p\u00fablicos e privatizou empresas estatais e servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. A pol\u00edtica dom\u00e9stica se voltou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de empregos mal remunerados, submetidos \u00e0 din\u00e2mica do mercado, e ao desmonte do sistema de prote\u00e7\u00e3o social e provimento de servi\u00e7os p\u00fablicos que marcou a era de ISI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A virada do NAFTA&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a ado\u00e7\u00e3o da IOE tenha materialmente encerrado a era da pol\u00edtica de ISI nos anos 1970, o abandono deste modelo s\u00f3 foi formalizado em 1989, pela edi\u00e7\u00e3o de um decreto que criava as bases jur\u00eddicas para a ado\u00e7\u00e3o do NAFTA a n\u00edvel nacional. A formaliza\u00e7\u00e3o do NAFTA, em 1992, assentou a maior zona de livre com\u00e9rcio do mundo, em linha com o nascimento de uma ordem multilateral de com\u00e9rcio na qual os acordos comerciais efetivamente positivavam a &#8220;<a href=\"https:\/\/unctad.org\/press-material\/unctad-and-wto-common-goal-global-economy\">constitui\u00e7\u00e3o de uma \u00fanica economia global<\/a>&#8220;. Nesse momento, o modelo das <em>maquiladoras <\/em>era dominante na ind\u00fastria automobil\u00edstica.<a data-contents=\"Teresa Healy, (<)em(>)Gendered Struggles Against Globalisation in Mexico(<)\/em(>) (Aldershot: Ashgate 2008).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-11\" href=\"#footnote-list-11\">11<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Teresa Healy, (<)em(>)Gendered Struggles Against Globalisation in Mexico(<)\/em(>) (Aldershot: Ashgate 2008).<\/span>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implementa\u00e7\u00e3o do NAFTA e a ado\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o <em>just-in-time <\/em>no setor automotivo fomentaram a especializa\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e reduziram os custos de produ\u00e7\u00e3o. Assim, a ind\u00fastria foi fragmentada em tr\u00eas processos altamente diferenciados: a produ\u00e7\u00e3o de componentes ou autope\u00e7as, a distribui\u00e7\u00e3o e a montagem dos ve\u00edculos.<a data-contents=\"Deborah Cowen, (<)em(>)The Deadly Life of Logistics: Mapping the Violence of Global Trade(<)\/em(>). Minneapolis: University of Minnesota Press 2014).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-12\" href=\"#footnote-list-12\">12<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Deborah Cowen, (<)em(>)The Deadly Life of Logistics: Mapping the Violence of Global Trade(<)\/em(>). Minneapolis: University of Minnesota Press 2014).<\/span> O modelo <em>just-in-time <\/em>reestruturou drasticamente a produ\u00e7\u00e3o e o regime de trabalho. As f\u00e1bricas de autom\u00f3veis continuaram a montar os ve\u00edculos, mas terceirizaram grande parte do processo produtivo para centenas de empresas ligadas \u00e0 manufatura de autope\u00e7as, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de componentes e a atividades indiretamente relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carros, como zeladoria e servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o do transporte de carga.&nbsp;Atualmente, os segmentos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que empregam a maior parte da for\u00e7a de trabalho. Essa din\u00e2mica produtiva abriu o caminho para o acentuamento da flexibiliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho: ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, rob\u00f4s industriais \u2013 que n\u00e3o requerem nenhum operador humano \u2013 passaram a substituir trabalhadores do setor automotivo. Segundo um <a href=\"https:\/\/www.cigionline.org\/articles\/nafta-isnt-cure-all-mexicos-auto-sector\/\">relat\u00f3rio de 2018<\/a> produzido por Stephen Woodman para o Center for International Governance Innovation, \u201cem 2011 havia 83 trabalhadores mexicanos no setor automotivo para cada rob\u00f4 (&#8230;) Em 2015, a raz\u00e3o caiu para 19 para 1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implementa\u00e7\u00e3o do modelo <em>just-in-time<\/em> tamb\u00e9m tirou dos sindicatos independentes o controle sobre o processo produtivo, especialmente no que diz respeito \u00e0 sua capacidade de influenciar as taxas de produ\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o dos empregados e as garantias trabalhistas e salariais. A n\u00edvel nacional, tanto os sindicatos independentes quanto os aliados ao Estado perderam o limitado espa\u00e7o que tinham na negocia\u00e7\u00e3o de acordos, ainda que os independentes tenham mantido maior propens\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de greves.<a data-contents=\"Kevin Middlebrook, \u201cUnion Democratization in the Mexican Automobile Industry: A Reappraisal.\u201d (<)em(>)Latin American Research Review(<)\/em(>), 1989(<)em(>) (<)\/em(>)24(2):69-93.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-13\" href=\"#footnote-list-13\">13<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Kevin Middlebrook, \u201cUnion Democratization in the Mexican Automobile Industry: A Reappraisal.\u201d (<)em(>)Latin American Research Review(<)\/em(>), 1989(<)em(>) (<)\/em(>)24(2):69-93.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o setor automotivo do M\u00e9xico \u00e9 frequentemente tratado como um grande sucesso do NAFTA. Foi uma ind\u00fastria que, de fato, gerou empregos e absorveu a participa\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o mais jovem no mercado de trabalho nas fileiras da economia formal. A era p\u00f3s-NAFTA levou a novas oportunidades de emprego nos setores de engenharia, administra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o. Em regi\u00f5es com alta concentra\u00e7\u00e3o de transnacionais do setor, foram implementadas p\u00fablicas voltadas \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de candidatos a vagas de trabalho preenchidas por testes padronizados. Os <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2013\/11\/19\/world\/americas\/in-the-middle-of-mexico-a-middle-class-is-rising.html\">governos locais<\/a> tamb\u00e9m come\u00e7aram a pagar um pequeno b\u00f4nus para incentivar as empresas a enviarem trabalhadores mexicanos para treinamento no exterior. Empregos bem pagos, entretanto, n\u00e3o foram criados no mesmo ritmo, e a maioria dos postos de trabalho abertos no setor automotivo segue marcada pela precariza\u00e7\u00e3o e baixa remunera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A era da ISI criou as bases para um modelo de desenvolvimento que dependia do investimento privado para a gera\u00e7\u00e3o de empregos e do Estado para a expropria\u00e7\u00e3o de terras, e o NAFTA consolidou esse modelo. Mesmo sob o NAFTA, o governo mexicano seguiu fornecendo isen\u00e7\u00f5es e incentivos fiscais para atrair investimentos na ind\u00fastria automotiva.<a data-contents=\"(<)a href='https:\/\/automotivepolicy.ca\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/promexico-aprc-report-final.pdf'(>)Essas pr\u00e1ticas tamb\u00e9m s\u00e3o observadas nos EUA e no Canad\u00e1(<)\/a(>).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-14\" href=\"#footnote-list-14\">14<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">(<)a href='https:\/\/automotivepolicy.ca\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/promexico-aprc-report-final.pdf'(>)Essas pr\u00e1ticas tamb\u00e9m s\u00e3o observadas nos EUA e no Canad\u00e1(<)\/a(>).<\/span> Segundo um <a href=\"https:\/\/automotivepolicy.ca\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/promexico-aprc-report-final.pdf\">relat\u00f3rio de 2016<\/a>, produzido pelo Automotive Policy Research Center, os governos estaduais e federal concederam milh\u00f5es de d\u00f3lares para a Toyota, Kia, Mazda, Honda, Volkswagen, Audi e para a Pirelli, multinacional de pneus. A Kia e a Audi tamb\u00e9m receberam doa\u00e7\u00f5es de terrenos do governo \u2013 533 e 460 hectares, respectivamente. Em Nuevo Le\u00f3n, o governo concedeu \u00e0 Kia US$ 115 milh\u00f5es em incentivos indiretos, a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento por 20 anos e mais US$ 197 milh\u00f5es em gastos com infraestrutura para a apoiar a constru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es. O terreno destinado \u00e0 f\u00e1brica da Audi, composto por um parque industrial que abriga os fornecedores e uma nova cidade pr\u00f3xima \u00e0 f\u00e1brica, foi expropriado de camponeses. Al\u00e9m de terras, quantidades sem precedentes de \u00e1gua foram desviadas da popula\u00e7\u00e3o rural para a economia automotiva do M\u00e9xico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A n\u00edvel nacional, as empresas privadas ainda exercem um papel central para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico. S\u00e3o as principais fontes de emprego e, portanto, de acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade e moradia. Na era da ISI, a rela\u00e7\u00e3o com a gera\u00e7\u00e3o de emprego era semelhante, mas o Estado mexicano cumpria um papel mais significativo no desenho da pol\u00edtica industrial. Na era da produ\u00e7\u00e3o orientada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, em escala global, s\u00e3o as leis que estruturam e regulam o livre com\u00e9rcio que determinam a din\u00e2mica da ind\u00fastria, liderada pelas corpora\u00e7\u00f5es. O NAFTA foi o primeiro acordo comercial a estabelecer o <a href=\"https:\/\/www.international.gc.ca\/trade-agreements-accords-commerciaux\/topics-domaines\/disp-diff\/nafta.aspx?lang=eng\">sistema de arbitragem de lit\u00edgios investidor-Estado<\/a> (ISDS, na sigla em ingl\u00eas), permitindo aos investidores processar um pa\u00eds por eventual \u201c<a href=\"https:\/\/www.italaw.com\/sites\/default\/files\/case-documents\/italaw16362.pdf\">descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es<\/a>\u201d que lhe tenha causado perdas.<a data-contents=\"Por meio dessa cl\u00e1usula, empresas processaram pa\u00edses em raz\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o de medidas de prote\u00e7\u00e3o ambiental sob o argumento de que seriam prejudiciais \u00e0s opera\u00e7\u00f5es e investimentos correntes e sabotariam a expectativa de lucros futuros. Mais sobre o poder corporativo em: Joshua Barkan, (<)em(>)Corporate Sovereignty: Law and Government under Capitalism(<)\/em(>) (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013) e Dinah Rajak, (<)em(>)In Good Company: An Anatomy of Corporate Social Responsibility(<)\/em(>) (Stanford: University of California Press, 2011).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-15\" href=\"#footnote-list-15\">15<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Por meio dessa cl\u00e1usula, empresas processaram pa\u00edses em raz\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o de medidas de prote\u00e7\u00e3o ambiental sob o argumento de que seriam prejudiciais \u00e0s opera\u00e7\u00f5es e investimentos correntes e sabotariam a expectativa de lucros futuros. Mais sobre o poder corporativo em: Joshua Barkan, (<)em(>)Corporate Sovereignty: Law and Government under Capitalism(<)\/em(>) (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013) e Dinah Rajak, (<)em(>)In Good Company: An Anatomy of Corporate Social Responsibility(<)\/em(>) (Stanford: University of California Press, 2011).<\/span> Durante a vig\u00eancia do NAFTA, o papel do governo era majoritariamente o de promover o investimento enquanto mantinha a for\u00e7a de trabalho o trabalho sob controle.<a data-contents=\"Em 2007, o ent\u00e3o Presidente do M\u00e9xico, Felipe Calder\u00f3n Hinojosa, criou o (<)a href='https:\/\/datos.gob.mx\/busca\/organization\/promexico'(>)ProM\u00e9xico(<)\/a(>), uma subdivis\u00e3o da Secretaria da Economia para promover investimentos no pa\u00eds.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-16\" href=\"#footnote-list-16\">16<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Em 2007, o ent\u00e3o Presidente do M\u00e9xico, Felipe Calder\u00f3n Hinojosa, criou o (<)a href='https:\/\/datos.gob.mx\/busca\/organization\/promexico'(>)ProM\u00e9xico(<)\/a(>), uma subdivis\u00e3o da Secretaria da Economia para promover investimentos no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O trabalho na era do Acordo Estados Unidos-M\u00e9xico-Canad\u00e1 (USMCA)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, o NAFTA foi substitu\u00eddo pelo USMCA. Diferente de seu predecessor, o novo acordo aborda diretamente quest\u00f5es relativas ao trabalho, afetando amplamente a regulamenta\u00e7\u00e3o trabalhista e a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no M\u00e9xico. Os trabalhadores do pa\u00eds j\u00e1 foram positivamente impactados pela garantia de direitos individuais e coletivos prevista no cap\u00edtulo 23 do acordo. J\u00e1 em 2021, houve uma reivindica\u00e7\u00e3o de que o governo avaliasse potenciais viola\u00e7\u00f5es de direitos trabalhistas em uma f\u00e1brica da GM em Silao e em uma f\u00e1brica de autope\u00e7as localizada na cidade fronteiri\u00e7a de Matamoros. Em fevereiro de 2022, os trabalhadores da GM do norte do M\u00e9xico elegeram um novo sindicato independente. O <a href=\"https:\/\/www.detroitnews.com\/story\/business\/autos\/general-motors\/2022\/02\/01\/gm-workers-mexico-choosing-union-test-labor-rights\/9299534002\/\">presidente do UAW<\/a> (<em>United Auto Workers<\/em>, sindicato dos trabalhadores automotivos dos EUA), Ray Curry, e o maior sindicato do setor privado no Canad\u00e1,<a data-contents=\"Para conferir um exemplo de solidariedade al\u00e9m-fronteira entre os trabalhadores da ind\u00fastria automotiva no M\u00e9xico, Canad\u00e1 e EUA, assista ao v\u00eddeo \u201c$(<)a href='https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2AYs8HA6DwQ'(>)4 a Day? No Way! Joining Hands Across the Border.\u201d(<)\/a(>)\" class=\"footnote\" id=\"footnote-17\" href=\"#footnote-list-17\">17<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para conferir um exemplo de solidariedade al\u00e9m-fronteira entre os trabalhadores da ind\u00fastria automotiva no M\u00e9xico, Canad\u00e1 e EUA, assista ao v\u00eddeo \u201c$(<)a href='https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2AYs8HA6DwQ'(>)4 a Day? No Way! Joining Hands Across the Border.\u201d(<)\/a(>)<\/span> o <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/autos-transportation\/gm-workers-mexico-vote-scrap-union-contract-labor-ministry-2021-08-19\/\">Unifor<\/a>, declararam apoio \u00e0 vit\u00f3ria.&nbsp;O USMCA traz tamb\u00e9m uma cl\u00e1usula de garantia salarial, exigindo que \u201c40% a 45% dos componentes de um autom\u00f3vel sejam produzidos por trabalhadores que recebem pelo menos US$ 16 por hora\u201d. Apesar de ser um requisito promissor, ainda n\u00e3o existe clareza sobre sua efic\u00e1cia para os trabalhadores do ch\u00e3o de f\u00e1brica. At\u00e9 agora, segundo Jes\u00fas Seade Kuri, o principal articulador mexicano do USMCA, o requerimento de US$ 16 por hora vem sendo cumprido para os sal\u00e1rios de <a href=\"https:\/\/expansion.mx\/economia\/2020\/07\/10\/cuando-vendran-los-mejores-salarios-gracias-t-mec\">engenheiros e&nbsp; de cargos administrativos<\/a>.<a data-contents=\"Para responder \u00e0s exig\u00eancias trabalhistas convencionadas pelo USMCA, o M\u00e9xico encerrou legalmente,(<)a href='https:\/\/www.jornada.com.mx\/2021\/04\/21\/politica\/003n1pol'(>) ainda em 2021, a pr\u00e1tica de subcontrata\u00e7\u00e3o(<)\/a(>). Esse mecanismo de terceiriza\u00e7\u00e3o havia se tornado uma forma bastante comum de emprego no pa\u00eds. Na ind\u00fastria de autom\u00f3veis, a nova legisla\u00e7\u00e3o sobre subcontrata\u00e7\u00e3o de 2021 ter\u00e1 efeitos no setor de produ\u00e7\u00e3o de autope\u00e7as, mas n\u00e3o no setor de servi\u00e7os log\u00edsticos, uma vez que a entrega de componentes (bem como os servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e limpeza) n\u00e3o s\u00e3o consideradas (<)a href='https:\/\/expansion.mx\/empresas\/2020\/12\/10\/outsourcing-el-automotriz-pide-tiempo-y-cambiar-reparto-de-utilidades-por-bonos'(>)atividades centrais(<)\/a(>) da produ\u00e7\u00e3o automotiva.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-18\" href=\"#footnote-list-18\">18<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para responder \u00e0s exig\u00eancias trabalhistas convencionadas pelo USMCA, o M\u00e9xico encerrou legalmente,(<)a href='https:\/\/www.jornada.com.mx\/2021\/04\/21\/politica\/003n1pol'(>) ainda em 2021, a pr\u00e1tica de subcontrata\u00e7\u00e3o(<)\/a(>). Esse mecanismo de terceiriza\u00e7\u00e3o havia se tornado uma forma bastante comum de emprego no pa\u00eds. Na ind\u00fastria de autom\u00f3veis, a nova legisla\u00e7\u00e3o sobre subcontrata\u00e7\u00e3o de 2021 ter\u00e1 efeitos no setor de produ\u00e7\u00e3o de autope\u00e7as, mas n\u00e3o no setor de servi\u00e7os log\u00edsticos, uma vez que a entrega de componentes (bem como os servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e limpeza) n\u00e3o s\u00e3o consideradas (<)a href='https:\/\/expansion.mx\/empresas\/2020\/12\/10\/outsourcing-el-automotriz-pide-tiempo-y-cambiar-reparto-de-utilidades-por-bonos'(>)atividades centrais(<)\/a(>) da produ\u00e7\u00e3o automotiva.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O USMCA preserva a integra\u00e7\u00e3o dos setores automotivos do M\u00e9xico, dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, o s\u00edmbolo da era NAFTA. De acordo com um relat\u00f3rio de 2021 desenvolvido pelo <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/opinion\/articles\/2021-12-14\/biden-s-electric-vehicle-tax-credits-are-a-gift-to-unions\">Congressional Research Service<\/a> dos EUA, por meio desse sistema, \u201ccentenas de fornecedores produzem partes que cruzam fronteiras sete ou oito vezes antes de serem montadas na forma final de um carro\u201d. Anteriormente, o NAFTA exigia que 62,5% do valor l\u00edquido de um ve\u00edculo e 60% do custo de suas partes deveriam ser originados na regi\u00e3o geoecon\u00f4mica da Am\u00e9rica do Norte para obten\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios de livre-com\u00e9rcio. O USMCA eleva o valor do conte\u00fado regional a um intervalo de 70% a 75%, dependendo do autom\u00f3vel, e <a href=\"https:\/\/mexico-now.com\/the-usmca-brings-challenges-for-the-border-automotive-industry\/\">divide<\/a> essa exig\u00eancia de conte\u00fado em tr\u00eas grandes grupos: partes estruturais (como o motor), partes principais (como a rede el\u00e9trica) e partes complementares (como o sistema de freios). Ao alterar os valores da exig\u00eancia de conte\u00fado regional, o USMCA amplia ainda mais a influ\u00eancia sobre a organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, criando maior depend\u00eancia m\u00fatua entre os setores automotivos de cada pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O NAFTA, e agora o USMCA, transformaram a ind\u00fastria automotiva em um motor de cria\u00e7\u00e3o de empregos e de crescimento econ\u00f4mico nos tr\u00eas pa\u00edses signat\u00e1rios. Em 2020, o setor representava <a href=\"https:\/\/www.thebalance.com\/economic-impact-of-automotive-industry-4771831\">3% do PIB<\/a> estadunidense, empregando aproximadamente 4,1 milh\u00f5es de pessoas. No M\u00e9xico, gerava <a href=\"https:\/\/www.thebalance.com\/economic-impact-of-automotive-industry-4771831\">US$78 bilh\u00f5es<\/a> em receitas anuais, empregando mais de 1 milh\u00e3o de pessoas, o que faz deste o maior setor produtivo liderado por fabricantes de equipamento original (na sigla em ingl\u00eas, OEMs \u2013 Original Equipment Manufacturers) do pa\u00eds. No <a href=\"https:\/\/www.ic.gc.ca\/eic\/site\/auto-auto.nsf\/eng\/home\">Canad\u00e1<\/a>, a ind\u00fastria automotiva foi respons\u00e1vel por CAN$ 12,5 bilh\u00f5es do PIB e empregou diretamente mais de 117 mil pessoas, al\u00e9m de outras 371.400 de forma indireta. Os tr\u00eas pa\u00edses est\u00e3o entre os maiores produtores automotivos do mundo: os EUA s\u00e3o o segundo maior produtor global de carros e o segundo maior produtor e exportador de autope\u00e7as; o M\u00e9xico \u00e9 o sexto e o quinto colocado, respectivamente; e o Canad\u00e1 se encontra entre os <a href=\"https:\/\/www.ic.gc.ca\/eic\/site\/auto-auto.nsf\/eng\/home\">doze maiores produtores<\/a> mundiais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A era dos carros el\u00e9tricos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, os ve\u00edculos de emiss\u00f5es zero inauguraram um novo cap\u00edtulo no setor automotivo norte-americano, mas a era do livre com\u00e9rcio vem sendo desafiada pela competi\u00e7\u00e3o em torno da energia limpa. Uma vez que os carros el\u00e9tricos s\u00e3o vistos como um caminho para a redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de combust\u00edveis f\u00f3sseis, fabricantes de autom\u00f3veis sediadas no M\u00e9xico se comprometeram a abandonar gradualmente, nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, os motores de combust\u00e3o interna e os carros h\u00edbridos. A promessa guiou grandes investimentos: a Ford investiu US$ 420 milh\u00f5es em uma f\u00e1brica de Cuautitl\u00e1n atualmente destinada \u00e0 montagem de carros el\u00e9tricos; em abril de 2022, a <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/autos-transportation\/general-motors-make-1-bln-electric-auto-investment-mexico-2021-04-29\/\">GM anunciou um investimento<\/a> de US$ 1 bilh\u00e3o para modernizar sua f\u00e1brica em Ramos Arizpe, Coahuila, e come\u00e7ar a produzir ve\u00edculos el\u00e9tricos em 2023; em mar\u00e7o de 2022 o grupo Volkswagen anunciou um investimento de <a href=\"https:\/\/cleantechnica.com\/2022\/03\/22\/volkswagen-plans-7-billion-investment-to-build-electric-cars-in-north-america\/\">US$ 7,1 bilh\u00f5es<\/a> para a produ\u00e7\u00e3o de carros movidos a bateria em a Am\u00e9rica do Norte. A GM tamb\u00e9m divulgou um investimento de US$ 9 bilh\u00f5es nas f\u00e1bricas sediadas nos EUA para a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos e c\u00e9lulas de bateria.<a data-contents=\"Mesmo assim, o vice-presidente do sindicato United Auto Workers (UAW) reagiu ao investimento em ve\u00edculos el\u00e9tricos da GM no M\u00e9xico como sendo um \u201ctapa na cara, n\u00e3o apenas dos membros da UAW e de seus familiares, mas de todos os contribuintes e trabalhadores estadunidenses\u201d.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-19\" href=\"#footnote-list-19\">19<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Mesmo assim, o vice-presidente do sindicato United Auto Workers (UAW) reagiu ao investimento em ve\u00edculos el\u00e9tricos da GM no M\u00e9xico como sendo um \u201ctapa na cara, n\u00e3o apenas dos membros da UAW e de seus familiares, mas de todos os contribuintes e trabalhadores estadunidenses\u201d.<\/span> A moderniza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas da Volkswagen tamb\u00e9m se dar\u00e1 em ambos lados da fronteira. Com investimentos concomitantes, as empresas parecem estar comprometidas com a distribui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis por todo territ\u00f3rio norte-americano, e n\u00e3o com a recondu\u00e7\u00e3o completa da produ\u00e7\u00e3o para um \u00fanico local.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A manufatura de autope\u00e7as no M\u00e9xico tamb\u00e9m foi incrementada: em 2019, o pa\u00eds produziu mais de <a href=\"https:\/\/mexico-now.com\/mexico-will-manufacture-electric-vehicles\/#:~:text=MEXICO%20%E2%80%93%20Recently%2C%20Ford%20announced%20its,the%20second%20half%20of%202020\">US$ 8 bilh\u00f5es<\/a> em componentes automotivos el\u00e9tricos, um aumento de 8,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Os investimentos tamb\u00e9m expandiram ao longo cadeia produtiva. A empresa chinesa Ganfeng Lithium, fornecedora da Tesla, anunciou a constru\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/dialogochino.net\/en\/climate-energy\/38594-ganfeng-announces-lithium-battery-recycling-plant-in-mexico\/\">f\u00e1brica de reciclagem de baterias<\/a> de \u00edon de l\u00edtio em Sonora. J\u00e1 a chinesa Contemporary Amperex Technology Co. (CALT) \u2013 a segunda maior produtora global de baterias para ve\u00edculos el\u00e9tricos \u2013 vem considerando investir <a href=\"https:\/\/mexico-now.com\/catl-could-manufacture-electric-cars-in-mexico\/\">US$ 5 bilh\u00f5es<\/a> no M\u00e9xico, no Canad\u00e1 ou nos EUA. A constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e reciclagem de baterias \u00e9 central para o cumprimento dos requisitos de conte\u00fado local do USMCA, uma vez que, at\u00e9 o momento, a maior parte das baterias \u00e9 fabricada na \u00c1sia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o M\u00e9xico, a virada em dire\u00e7\u00e3o aos carros movidos a energia limpa ilustra uma oportunidade de recuperar alguma parte do controle p\u00fablico sobre recursos naturais que foi perdido ao longo dos 25 anos de NAFTA. Em mar\u00e7o de 2022, o Presidente L\u00f3pez Obrador <a href=\"https:\/\/www.mining.com\/mexico-passes-mining-reform-nationalizing-lithium\/\">nacionalizou<\/a> o l\u00edtio \u2013 essencial para a produ\u00e7\u00e3o de baterias de carros el\u00e9tricos \u2013, por se tratar de \u201cmineral estrat\u00e9gico\u201d para o pa\u00eds. Com essa medida, o governo mexicano pretende construir um <a href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/2021\/10\/amlo-morena-cfe-federal-commission-lithium-nationalization-energy-independence\">setor p\u00fablico de energia<\/a> firme e acess\u00edvel. O an\u00fancio gerou controv\u00e9rsias. Kenneth Smith Ramos, que liderou as negocia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para cria\u00e7\u00e3o do USMCA, <a href=\"https:\/\/www.mining.com\/mexico-passes-mining-reform-nationalizing-lithium\/\">declarou<\/a> que a proposta contraria o acordo.<a data-contents=\"Em resposta a essa preocupa\u00e7\u00e3o, o governo mexicano se comprometeu a respeitar o contrato da&nbsp; brit\u00e2nica Bacanora Lithium em parceiria com a chinesa Ganfeng Lithium, (<)a href='https:\/\/www.jacobinmag.com\/2021\/10\/amlo-morena-cfe-federal-commission-lithium-nationalization-energy-independence'(>)estipulando(<)\/a(>) que a concess\u00e3o seja ativamente utilizada e n\u00e3o meramente especulativa.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-20\" href=\"#footnote-list-20\">20<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Em resposta a essa preocupa\u00e7\u00e3o, o governo mexicano se comprometeu a respeitar o contrato da&nbsp; brit\u00e2nica Bacanora Lithium em parceiria com a chinesa Ganfeng Lithium, (<)a href='https:\/\/www.jacobinmag.com\/2021\/10\/amlo-morena-cfe-federal-commission-lithium-nationalization-energy-independence'(>)estipulando(<)\/a(>) que a concess\u00e3o seja ativamente utilizada e n\u00e3o meramente especulativa.<\/span> J\u00e1 Katherine Thai, representante comercial dos EUA, <a href=\"https:\/\/www.barnesrichardson.com\/lithiumnationalization-action-by-mexico-may-run-afoul-of-usmca-protections\">alegou<\/a> que a legisla\u00e7\u00e3o mexicana sobre o l\u00edtio \u00e9 \u201canticoncorrencial e contr\u00e1ria \u00e0s prote\u00e7\u00f5es e provis\u00f5es do USMCA\u201d, al\u00e9m de dificultar a elabora\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas por impedir que os tr\u00eas pa\u00edses signat\u00e1rios trabalhem conjuntamente no desenvolvimento de <a href=\"https:\/\/www.barnesrichardson.com\/lithiumnationalization-action-by-mexico-may-run-afoul-of-usmca-protections\">energias limpas<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O incentivo fiscal para EVs de Biden e a nacionaliza\u00e7\u00e3o do l\u00edtio de L\u00f3pez Obrador evidenciam uma competi\u00e7\u00e3o emergente entre os EUA e o M\u00e9xico em torno de bilh\u00f5es de d\u00f3lares de investimentos verdes em potencial para o setor automotivo. Sob o imp\u00e9rio do livre com\u00e9rcio, no entanto, essa competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa simplesmente a concess\u00e3o de incentivos fiscais, infraestrutura e disponibilidade de m\u00e3o de obra qualificada, mas tamb\u00e9m a complica\u00e7\u00e3o no cumprimento dos acordos comerciais. O emerge disso \u00e9 um terreno irregular de rela\u00e7\u00f5es de poder, moldado pela hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es exteriores e do poder empresarial de cada um dos pa\u00edses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esfor\u00e7os para &#8220;repatriar\u201d componentes da produ\u00e7\u00e3o automotiva demonstram como o setor envolve a negocia\u00e7\u00e3o entre interesses locais, nacionais e globals: pol\u00edticas de garantias ao trabalho adotadas por determinado pa\u00eds comprometem interesses trabalhistas e corporativos de outro. Ainda assim, h\u00e1 uma continuidade entre a origem do setor automotivo mexicano e seu estado atual. O modelo de crescimento adotado pelo governo do M\u00e9xico, centrado na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, na depend\u00eancia do investimento privado e no corte de gastos sociais, foi o que permitiu a progressiva precariza\u00e7\u00e3o que prevalece no setor atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, o fortalecimento da for\u00e7a de trabalho \u2013 evidenciado pelas recentes vit\u00f3rias conquistadas pelos sindicatos independentes \u2013 pode indicar uma nova dire\u00e7\u00e3o. O cap\u00edtulo 23 do USMCA e as <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/10714839.2019.1650507\">novas reformas trabalhistas<\/a> no M\u00e9xico, que preveem contrata\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e elei\u00e7\u00f5es sindicais diretas, permitiram aos trabalhadores mexicanos desafiar os sindicatos corrompidos. Ainda que os cone\u00e1rios de reconcilia\u00e7\u00e3o de diferentes interesses nacionais estejam em aberto, as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista em diversos n\u00edveis de governan\u00e7a s\u00e3o acenos esperan\u00e7osos \u00e0s possibilidades de sindicaliza\u00e7\u00e3o emergentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro de 2021, o presidente Joe Biden anunciou uma proposta de incentivos fiscais para a compra de ve\u00edculos el\u00e9tricos (EVs, na sigla em ingl\u00eas) produzidos por trabalhadores sindicalizados da ind\u00fastria automotiva dos EUA. Os incentivos prometem apoiar a transi\u00e7\u00e3o para as \u201ctecnologias verdes\u201d, reduzir a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e \u201cdescarbonizar\u201d a economia. E comprometem-se a fazer tudo isso enquanto fortalecem a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o coletiva dos trabalhadores depois de d\u00e9cadas de enfraquecimento dos sindicados por meio de esfor\u00e7os liderados pelo Estado.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":11764,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[730],"tags":[764,789,765,835,776],"issue":[],"newsletter":[],"region":[1012,1243],"sector":[],"theme":[1081,1108,1084],"series":[],"class_list":["post-17280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analises","tag-desenvolvimento","tag-historia-pt-br","tag-longform-pt-br","tag-mexico-pt-br","tag-trabalho-pt-br","region-america-latina-e-caribe","region-mexico-pt-br-2","theme-comercio","theme-historia-economica","theme-trabalho-movimentos-sociais"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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