{"id":15615,"date":"2022-07-28T08:50:00","date_gmt":"2022-07-28T08:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenalworld.org\/nao-categorizado\/sound-finance\/"},"modified":"2024-04-04T16:24:15","modified_gmt":"2024-04-04T16:24:15","slug":"sensatez-financas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenalworld.org\/pt-br\/resenhas\/sensatez-financas\/","title":{"rendered":"Os \u00faltimos dias da sensatez nas finan\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/www.wiley.com\/en-us\/Engine+of+Inequality%3A+The+Fed+and+the+Future+of+Wealth+in+America-p-9781119726746\">Engine of Inequality: The Fed and the Future of Wealth in America<\/a><br>De Karen Petrou<br>Wiley, 2021<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o Federal Reserve recorreu a pol\u00edticas monet\u00e1rias pouco convencionais em 2008, muitos temiam que logo ver\u00edamos um retorno a uma espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7o, como aconteceu nos anos 1970. A combina\u00e7\u00e3o de gastos deficit\u00e1rios e flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria levantou o antigo espectro da monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, na qual o Tesouro vende sua d\u00edvida diretamente ao Banco Central em vez do mercado de t\u00edtulos, liberando-se, assim, de obriga\u00e7\u00f5es de juros da disciplina de mercado. (Pejorativamente, isso \u00e9 chamado de \u201cimprimir dinheiro\u201d). No entanto, embora a flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa (QE, na sigla em ingl\u00eas) tenha envolvido a compra em massa de t\u00edtulos do Tesouro pelo Federal Reserve, o Fed estava comprando esses t\u00edtulos de institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas, n\u00e3o do pr\u00f3prio Tesouro. Ao inv\u00e9s de abrir uma linha direta do Banco Central para o Tesouro (que \u00e9 uma entidade p\u00fablica e, teoricamente, democr\u00e1tica), a opera\u00e7\u00e3o de &#8220;impress\u00e3o de dinheiro&#8221; do Fed conduzia o Tesouro a criar novas reservas nos registros dos bancos revendedores prim\u00e1rios.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso foi, na melhor das hip\u00f3teses, uma forma indireta de monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. Entretanto, os defensores da conten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o recorreram aos roteiros bem conhecidos dos anos 1970, a fim de entender o que estava acontecendo. Ao reduzir as taxas de juros sobre o endividamento futuro do governo, eles alertaram que o QE incentivaria gastos sociais imprudentes e libertaria os trabalhadores da disciplina do mercado. Os sal\u00e1rios inevitavelmente subiriam em detrimento dos lucros.<a data-contents=\"Richard W. Fisher, President, \u201c(<)a href='https:\/\/www.dallasfed.org\/news\/speeches\/fisher\/2010\/fs101108.cfm'(>)Recent Decisions of the Federal Open Market Committee: A Bridge to Fiscal Sanity? (Acknowledging Henry B. Gonzalez and Winston Churchill): Remarks before the Association for Financial Professionals(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of Dallas, November 8 (2010).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-1\" href=\"#footnote-list-1\">1<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Richard W. Fisher, President, \u201c(<)a href='https:\/\/www.dallasfed.org\/news\/speeches\/fisher\/2010\/fs101108.cfm'(>)Recent Decisions of the Federal Open Market Committee: A Bridge to Fiscal Sanity? (Acknowledging Henry B. Gonzalez and Winston Churchill): Remarks before the Association for Financial Professionals(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of Dallas, November 8 (2010).<\/span> Eles n\u00e3o precisavam se preocupar. Come\u00e7ando com o Programa de Al\u00edvio de Ativos Problem\u00e1ticos ou TARP, que resgatou institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas enquanto deixava as fam\u00edlias endividadas em dificuldades, o est\u00edmulo fiscal do per\u00edodo p\u00f3s-crise evitou o colapso no consumo, mas contribui pouco para compensar a surpreendente concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e renda no topo.<a data-contents=\"Veja neste site a an\u00e1lise de Ho-fung Hung sobre o impacto dos gastos estimulados pelo coronav\u00edrus nos lucros e sal\u00e1rios da Amazon, respectivamente. Ho-fung Hung, \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/repressing-labor-empowering-china\/'(>)Repressing Labor, Empowering China(<)\/a(>),\u201d Phenomenal World July 2 (2021). Ho-fung Hung avan\u00e7a com uma &#8220;teoria trabalhista sobre a infla\u00e7\u00e3o&#8221; pertinente para a que estou sugerindo aqui, para explicar o motivo pelo qual n\u00e3o vimos um aumento significativo nos sal\u00e1rios, apesar dos vultosos gastos do governo durante a pandemia do coronav\u00edrus.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-2\" href=\"#footnote-list-2\">2<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Veja neste site a an\u00e1lise de Ho-fung Hung sobre o impacto dos gastos estimulados pelo coronav\u00edrus nos lucros e sal\u00e1rios da Amazon, respectivamente. Ho-fung Hung, \u201c(<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/repressing-labor-empowering-china\/'(>)Repressing Labor, Empowering China(<)\/a(>),\u201d Phenomenal World July 2 (2021). Ho-fung Hung avan\u00e7a com uma &#8220;teoria trabalhista sobre a infla\u00e7\u00e3o&#8221; pertinente para a que estou sugerindo aqui, para explicar o motivo pelo qual n\u00e3o vimos um aumento significativo nos sal\u00e1rios, apesar dos vultosos gastos do governo durante a pandemia do coronav\u00edrus.<\/span> Por todos esses motivos, al\u00e9m de outros, a experi\u00eancia do Federal Reserve com a impressora de dinheiro ao longo de uma d\u00e9cada (e contando) falhou em ressuscitar a infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor impulsionada pelos sal\u00e1rios do in\u00edcio dos anos 1970.<a data-contents=\"Embora a espiral salarial-lucro-pre\u00e7o ao consumidor do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 tenha sido bastante real, os economistas do Federal Reserve encontraram poucas evid\u00eancias de que a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida estivesse em jogo naquela \u00e9poca. Daniel L. Thornton, &#8220;(<)a href='https:\/\/files.stlouisfed.org\/files\/htdocs\/publications\/review\/84\/12\/Monetizing_Dec1984.pdf'(>)Monetizing the Debt(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of St. Louis (1984): 30-43.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-3\" href=\"#footnote-list-3\">3<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Embora a espiral salarial-lucro-pre\u00e7o ao consumidor do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 tenha sido bastante real, os economistas do Federal Reserve encontraram poucas evid\u00eancias de que a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida estivesse em jogo naquela \u00e9poca. Daniel L. Thornton, &#8220;(<)a href='https:\/\/files.stlouisfed.org\/files\/htdocs\/publications\/review\/84\/12\/Monetizing_Dec1984.pdf'(>)Monetizing the Debt(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of St. Louis (1984): 30-43.<\/span> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os defensores da expans\u00e3o econ\u00f4mica proclamam que &#8220;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2022\/06\/14\/opinion\/inflation-stagflation-economy.html\">isso n\u00e3o \u00e9 um retorno aos anos 1970<\/a>&#8220;, a frase tinha um significado reconfortante. Deveria ser, por\u00e9m? Pode-se argumentar que o final dos anos 1960 e o in\u00edcio dos anos 1970 representaram o desafio principal \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de riqueza no extenso s\u00e9culo XX e o ponto mais pr\u00f3ximo que os Estados Unidos j\u00e1 estiveram de uma revolu\u00e7\u00e3o fiscal. <a data-contents=\"Nos Estados Unidos, Edward Wolff relata um decl\u00ednio relativamente constante na concentra\u00e7\u00e3o de riqueza entre o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1920 e meados da d\u00e9cada de 1970. A parcela da riqueza total detida pelo top 1% atingiu seu ponto mais baixo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. A desigualdade de riqueza come\u00e7ou a aumentar novamente a partir de meados da d\u00e9cada de 1970. Edward N. Wolff, A Century of Wealth in America (Cambridge, MA: Belknap Press, 2017), 148-54. Para resultados compar\u00e1veis, consulte Thomas Piketty, Capital in the Twenty-First Century (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017), 291-94. Sobre o isolamento relativo de trabalhadores sindicalizados e benefici\u00e1rios de programas sociais dos efeitos da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor da d\u00e9cada de 1970, gra\u00e7as a ajustes autom\u00e1ticos de custo de vida, consulte Edward N. Wolff, &#8220;The Distributional Effects of the 1969\u201375 Inflation on the Holdings of Household Wealth in the United States,&#8221; Review of Income and Wealth 25, no. 2 (1979), 21-43, Joseph J. Minarik, &#8220;The Distributional Effects of Inflation and Their Implications,&#8221; in Stagflation: The Causes, Effects and Solutions (Washington, DC: Joint Economic Committee, U.S. Congress, 1980), 225\u201377, e Douglas A. Hibbs, Jr. The American Political Economy: Macroeconomics and Electoral Politics (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1987), 90-92. Wolff, que conduziu um estudo investigando os efeitos da infla\u00e7\u00e3o sobre a riqueza das fam\u00edlias entre 1969 e 1974, chegou ao ponto de argumentar que a infla\u00e7\u00e3o &#8220;atuou como um imposto progressivo, levando a uma maior igualdade na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza&#8221; (207).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-4\" href=\"#footnote-list-4\">4<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Nos Estados Unidos, Edward Wolff relata um decl\u00ednio relativamente constante na concentra\u00e7\u00e3o de riqueza entre o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1920 e meados da d\u00e9cada de 1970. A parcela da riqueza total detida pelo top 1% atingiu seu ponto mais baixo no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. A desigualdade de riqueza come\u00e7ou a aumentar novamente a partir de meados da d\u00e9cada de 1970. Edward N. Wolff, A Century of Wealth in America (Cambridge, MA: Belknap Press, 2017), 148-54. Para resultados compar\u00e1veis, consulte Thomas Piketty, Capital in the Twenty-First Century (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017), 291-94. Sobre o isolamento relativo de trabalhadores sindicalizados e benefici\u00e1rios de programas sociais dos efeitos da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor da d\u00e9cada de 1970, gra\u00e7as a ajustes autom\u00e1ticos de custo de vida, consulte Edward N. Wolff, &#8220;The Distributional Effects of the 1969\u201375 Inflation on the Holdings of Household Wealth in the United States,&#8221; Review of Income and Wealth 25, no. 2 (1979), 21-43, Joseph J. Minarik, &#8220;The Distributional Effects of Inflation and Their Implications,&#8221; in Stagflation: The Causes, Effects and Solutions (Washington, DC: Joint Economic Committee, U.S. Congress, 1980), 225\u201377, e Douglas A. Hibbs, Jr. The American Political Economy: Macroeconomics and Electoral Politics (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1987), 90-92. Wolff, que conduziu um estudo investigando os efeitos da infla\u00e7\u00e3o sobre a riqueza das fam\u00edlias entre 1969 e 1974, chegou ao ponto de argumentar que a infla\u00e7\u00e3o &#8220;atuou como um imposto progressivo, levando a uma maior igualdade na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza&#8221; (207).<\/span> Em contraste, a pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o convencional, mesmo quando reduziu o desemprego, s\u00f3 intensificou a desigualdade. Em vez de crescimento salarial, tivemos infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de ativos e, ap\u00f3s os choques de oferta globais da pandemia de coronav\u00edrus, a infla\u00e7\u00e3o isolada de pre\u00e7os ao consumidor. N\u00e3o houve uma redistribui\u00e7\u00e3o descendente, mas uma vertiginosa redistribui\u00e7\u00e3o ascendente. Historiadores econ\u00f4micos frequentemente argumentaram que pandemias, guerras e outros choques ex\u00f3genos tendem a fortalecer o trabalho e reduzir as disparidades de renda.<a data-contents=\"O argumento repousa na suposi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida, por\u00e9m otimista, de que a morte em massa criar\u00e1 escassez de m\u00e3o de obra e, assim, poder\u00e1 empoderar os trabalhadores sobreviventes. Proponentes recentes desse argumento incluem Walter Scheidel, em &#8220;The Great Leveler: Violence and the History of Inequality from the Stone Age to the Twenty-First Century&#8221; (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2018), e Thomas Piketty, em &#8220;Capital in the Twenty-First Century&#8221; (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-5\" href=\"#footnote-list-5\">5<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">O argumento repousa na suposi\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida, por\u00e9m otimista, de que a morte em massa criar\u00e1 escassez de m\u00e3o de obra e, assim, poder\u00e1 empoderar os trabalhadores sobreviventes. Proponentes recentes desse argumento incluem Walter Scheidel, em &#8220;The Great Leveler: Violence and the History of Inequality from the Stone Age to the Twenty-First Century&#8221; (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2018), e Thomas Piketty, em &#8220;Capital in the Twenty-First Century&#8221; (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2017).<\/span> Essa previs\u00e3o n\u00e3o se concretizou durante a crise do coronav\u00edrus, quando bancos centrais ao redor do mundo repetiram suas compras de ativos em larga escala e, de forma previs\u00edvel, elevaram os pre\u00e7os dos ativos a novos patamares. Entre o primeiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021, o 1% mais rico dos Estados Unidos registrou ganhos m\u00e9dios de riqueza l\u00edquida de US$ 3,5 milh\u00f5es por pessoa, em compara\u00e7\u00e3o com US$ 5.300 entre os 50% mais pobres.<a data-contents=\"UN DESA, (<)em(>)(<)a href='https:\/\/www.un.org\/development\/desa\/dpad\/wp-content\/uploads\/sites\/45\/publication\/PB_129_FINAL.pdf' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)The Monetary Policy Response to COVID-19: The Role of Asset Purchase Programmes: Policy Brief No. 129(<)\/a(>)(<)\/em(>) (New York: United Nations Department of Economic and Social Affairs, 2021), 5.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-6\" href=\"#footnote-list-6\">6<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">UN DESA, (<)em(>)(<)a href='https:\/\/www.un.org\/development\/desa\/dpad\/wp-content\/uploads\/sites\/45\/publication\/PB_129_FINAL.pdf' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)The Monetary Policy Response to COVID-19: The Role of Asset Purchase Programmes: Policy Brief No. 129(<)\/a(>)(<)\/em(>) (New York: United Nations Department of Economic and Social Affairs, 2021), 5.<\/span> A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante quando consideramos que um a cada cinco americanos \u00e9 um locat\u00e1rio vital\u00edcio. Com o fim dos morat\u00f3rios relacionados ao coronav\u00edrus, a r\u00e1pida infla\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos im\u00f3veis deixou milh\u00f5es de fam\u00edlias (de forma desproporcional, lideradas por minorias e mulheres) enfrentando aumento de alugu\u00e9is e despejo.<a data-contents=\"Consulta o Consumer Financial Protection Bureau, (<)a href='https:\/\/files.consumerfinance.gov\/f\/documents\/cfpb_Housing_insecurity_and_the_COVID-19_pandemic.pdf'(>)Housing insecurity and the COVID-19 Pandemic(<)\/a(>) (Washington, DC: CFPB, 2021), e Faith Weekly, \u201c(<)a href='https:\/\/www.stlouisfed.org\/on-the-economy\/2022\/feb\/addressing-housing-affordability-crisis-covid-19'(>)Addressing the Housing Affordability Crisis as COVID-19\u2019s Impact Continues(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of St-Louis February 24 (2022)\" class=\"footnote\" id=\"footnote-7\" href=\"#footnote-list-7\">7<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Consulta o Consumer Financial Protection Bureau, (<)a href='https:\/\/files.consumerfinance.gov\/f\/documents\/cfpb_Housing_insecurity_and_the_COVID-19_pandemic.pdf'(>)Housing insecurity and the COVID-19 Pandemic(<)\/a(>) (Washington, DC: CFPB, 2021), e Faith Weekly, \u201c(<)a href='https:\/\/www.stlouisfed.org\/on-the-economy\/2022\/feb\/addressing-housing-affordability-crisis-covid-19'(>)Addressing the Housing Affordability Crisis as COVID-19\u2019s Impact Continues(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of St-Louis February 24 (2022)<\/span> Justo quando eventos clim\u00e1ticos catastr\u00f3ficos est\u00e3o se tornando uma realidade, o abrigo b\u00e1sico tornou-se um bem de luxo.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00faltimos tr\u00eas presidentes do Federal Reserve dos Estados Unidos t\u00eam relutado em reconhecer qualquer liga\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas monet\u00e1rias n\u00e3o convencionais e a crescente desigualdade. Outros funcion\u00e1rios de bancos centrais t\u00eam sido surpreendentemente sol\u00edcitos. Em 2012, um relat\u00f3rio an\u00f4nimo no boletim trimestral do Banco da Inglaterra admitiu que o aumento nos pre\u00e7os dos ativos beneficiou esmagadoramente os 5% mais ricos das fam\u00edlias devido \u00e0 sua parcela desproporcional de ativos financeiros, como a\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos, em seus portf\u00f3lios de riqueza.<a data-contents=\"Anonymous, \u201c(<)a href='https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/-\/media\/boe\/files\/quarterly-bulletin\/2012\/the-distributional-effects-of-asset-purchases.pdf' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)The&nbsp;Distributional Effects of Asset Purchases(<)\/a(>),\u201d (<)em(>)Bank of England Quarterly Bulletin(<)\/em(>) 52, no. 3, (2012): 254-266.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-8\" href=\"#footnote-list-8\">8<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Anonymous, \u201c(<)a href='https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/-\/media\/boe\/files\/quarterly-bulletin\/2012\/the-distributional-effects-of-asset-purchases.pdf' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)The&nbsp;Distributional Effects of Asset Purchases(<)\/a(>),\u201d (<)em(>)Bank of England Quarterly Bulletin(<)\/em(>) 52, no. 3, (2012): 254-266.<\/span> Embora mais evasivos sobre a quest\u00e3o de sua pr\u00f3pria responsabilidade, tanto o ex-chefe do Banco, Mark Carney, quanto o ex-economista-chefe Andrew Haldane reconheceram o papel desempenhado pelo QE em agravar a concentra\u00e7\u00e3o extrema de riqueza.<a data-contents=\"Emily Cadman, \u201c(<)a href='https:\/\/www.ft.com\/content\/acecac0c-e5ba-11e3-a7f5-00144feabdc0'(>)Mark Carney Warns of Dangers of Growing Inequality,(<)\/a(>)\u201d Financial Times May 28 (2014)(<)a href='https:\/\/www.ft.com\/content\/acecac0c-e5ba-11e3-a7f5-00144feabdc0'(>) (<)\/a(>)e Andrew G Haldane, \u201c(<)a href='https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/-\/media\/boe\/files\/speech\/2014\/unfair-shares.pdf?la=en&amp;hash=3BC3A92F41516079F0DB3645071108F72AA10CB7'(>)Unfair Shares,(<)\/a(>)\u201d Diretor Executivo e de Estabilidade Financeira e membro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Financeira, Bristol Festival of Ideas, 21 de maio de 2014\" class=\"footnote\" id=\"footnote-9\" href=\"#footnote-list-9\">9<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Emily Cadman, \u201c(<)a href='https:\/\/www.ft.com\/content\/acecac0c-e5ba-11e3-a7f5-00144feabdc0'(>)Mark Carney Warns of Dangers of Growing Inequality,(<)\/a(>)\u201d Financial Times May 28 (2014)(<)a href='https:\/\/www.ft.com\/content\/acecac0c-e5ba-11e3-a7f5-00144feabdc0'(>) (<)\/a(>)e Andrew G Haldane, \u201c(<)a href='https:\/\/www.bankofengland.co.uk\/-\/media\/boe\/files\/speech\/2014\/unfair-shares.pdf?la=en&amp;hash=3BC3A92F41516079F0DB3645071108F72AA10CB7'(>)Unfair Shares,(<)\/a(>)\u201d Diretor Executivo e de Estabilidade Financeira e membro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Financeira, Bristol Festival of Ideas, 21 de maio de 2014<\/span> Outros, incluindo economistas internos do Federal Reserve e do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais, acrescentaram suas vozes ao coro, enquanto, ao mesmo tempo, um grupo reduzido de economistas acad\u00eamicos empreendeu o trabalho lento de demonstrar as conex\u00f5es causais entre taxas de juros ultrabaixas, compras de ativos pelos bancos centrais e os volumosos portf\u00f3lios de ativos das fam\u00edlias mais ricas.<a data-contents=\"Veja, por exemplo, Stephen D. Williamson, \u201cQuantitative Easing: How Well Does This Tool Work?\u201d Federal Reserve Bank of St. Louis August 18 (2017), dispon\u00edvel em e Dietrich Domanski, Michela Scatigna, and Anna Zabai, \u201cWealth Inequality and Monetary Policy,\u201d BIS Quarterly Review March (2016): 45-64. Sobre os diferentes efeitos distributivos dos aumentos nos pre\u00e7os de im\u00f3veis e a\u00e7\u00f5es, consulte Moritz Kuhn, Moritz Schularick e Ulrike Steins, &#8220;Income and Wealth Inequality in America, 1949-2016,&#8221; Journal of Political Economy, vol. 128, no. 9 (2020), 3469-519.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-10\" href=\"#footnote-list-10\">10<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Veja, por exemplo, Stephen D. Williamson, \u201cQuantitative Easing: How Well Does This Tool Work?\u201d Federal Reserve Bank of St. Louis August 18 (2017), dispon\u00edvel em e Dietrich Domanski, Michela Scatigna, and Anna Zabai, \u201cWealth Inequality and Monetary Policy,\u201d BIS Quarterly Review March (2016): 45-64. Sobre os diferentes efeitos distributivos dos aumentos nos pre\u00e7os de im\u00f3veis e a\u00e7\u00f5es, consulte Moritz Kuhn, Moritz Schularick e Ulrike Steins, &#8220;Income and Wealth Inequality in America, 1949-2016,&#8221; Journal of Political Economy, vol. 128, no. 9 (2020), 3469-519.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estrat\u00e9gia de Pre\u00e7os de Ativos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerada como um todo, essa literatura \u00e9 condenat\u00f3ria em sua avalia\u00e7\u00e3o sobre os motivos do fracasso institucional por parte dos bancos centrais e autoridades fiscais. Em grande parte, por\u00e9m, ela carece da dimens\u00e3o panor\u00e2mica que a colocaria de forma contundente na agenda p\u00fablica. &#8220;Engine of Inequality&#8221; de Karen Petrou \u00e9 o primeiro estudo a investigar sistematicamente o impacto distributivo da pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o convencional do Federal Reserve e a faz\u00ea-lo com o objetivo expl\u00edcito de promover alternativas. Embora esteja intimamente envolvido com uma literatura tecnicamente desafiadora, o livro \u00e9 acess\u00edvel a um p\u00fablico leitor mais amplo. Isso representa uma contribui\u00e7\u00e3o bastante importante para o debate sobre a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e as institui\u00e7\u00f5es que estimulam o fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Petrou descreve de forma apropriada as compras em larga escala de ativos e as taxas de juros ultrabaixas do Fed como uma esp\u00e9cie de pol\u00edtica monet\u00e1ria de &#8220;gotejamento descendente&#8221;. Em teoria, a queda no pre\u00e7o do dinheiro se destina a incentivar os bancos a aumentarem seus empr\u00e9stimos para fam\u00edlias e empresas, cujo perfil de risco mais elevado, de outra forma, as privaria do acesso ao cr\u00e9dito. Por sua vez, esse novo cr\u00e9dito poderia possibilitar a expans\u00e3o do consumo pessoal e do investimento empresarial. Como resultado, novos empregos seriam gerados em toda a economia. As coisas, por\u00e9m, n\u00e3o sa\u00edram como planejado. Em vez de direcionar a liquidez para baixo, os bancos mostraram-se altamente relutantes em liberar empr\u00e9stimos para fam\u00edlias de baixa e m\u00e9dia renda. Os fluxos de cr\u00e9dito para o setor empresarial e corporativo privilegiaram investimentos financeiros como recompra de a\u00e7\u00f5es e neg\u00f3cios de private equity, cujo principal prop\u00f3sito \u00e9 elevar os pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es. Se isso \u00e9 uma pol\u00edtica &#8220;do lado da oferta&#8221;, \u00e9 apenas no sentido de que expandiu o fornecimento de cr\u00e9dito que serve \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o de ativos. Houve muito pouco aumento no tipo de investimento de capital de longo prazo que favoreceria empregos bem remunerados ou capacitaria os trabalhadores. Enquanto o gotejamento em queda falhou em se materializar, as carteiras de alto n\u00edvel continuaram a se valorizar. \u00c0 medida que um fornecimento baixo de cr\u00e9dito eleva o pre\u00e7o dos ativos financeiros, os benef\u00edcios s\u00e3o sentidos por aqueles cuja riqueza est\u00e1 na forma de a\u00e7\u00f5es, private equity e afins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Onde alguns veem consequ\u00eancias que n\u00e3o teriam sido intencionais, Petrou nos lembra que aumentar os pre\u00e7os dos ativos era o objetivo expl\u00edcito do Fed. Quatro anos ap\u00f3s o in\u00edcio do QE, Ben Bernanke ainda contava com &#8220;rendimentos decrescentes e pre\u00e7os de ativos em alta&#8221; para &#8220;aliviar as condi\u00e7\u00f5es financeiras gerais e estimular a atividade econ\u00f4mica&#8221; em todos os setores.<a data-contents=\"Ben Bernanke, \u201c(<)a href='https:\/\/www.federalreserve.gov\/newsevents\/speech\/bernanke20120831a.htm' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)Monetary Policy since the Onset of the Crisis(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of Kansas City Economic Symposium, Jackson Hole, Wyoming, August 31 (2012).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-11\" href=\"#footnote-list-11\">11<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Ben Bernanke, \u201c(<)a href='https:\/\/www.federalreserve.gov\/newsevents\/speech\/bernanke20120831a.htm' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)Monetary Policy since the Onset of the Crisis(<)\/a(>),\u201d Federal Reserve Bank of Kansas City Economic Symposium, Jackson Hole, Wyoming, August 31 (2012).<\/span> Petrou corretamente rastreia essa diretriz at\u00e9 o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, que, de meados da d\u00e9cada de 1990 a 2006, presidiu um boom hist\u00f3rico nos pre\u00e7os dos ativos.<a data-contents=\" Em suas m\u00e3os, o efeito riqueza tornou-se uma esp\u00e9cie de keynesianismo distorcido. \u00c0 medida que os valores dos ativos aumentavam, os domic\u00edlios mais ricos expandiriam seu consumo. Alavancando seus ativos existentes, poderiam tomar empr\u00e9stimos (e gastar) ainda mais, e assim por diante, em uma vers\u00e3o regressiva e financeirizada do efeito multiplicador. (<)\/p(>)\n\n\n\n(<)p class='wp-block-paragraph'(>)A aposta de Greenspan deu certo no final dos anos 1990, quando um mercado em alta sem d\u00favida estimulou um aumento nos gastos do consumidor de alta renda, e no in\u00edcio dos anos 2000, quando os crescentes valores do patrim\u00f4nio imobili\u00e1rio tiveram o mesmo efeito sobre os propriet\u00e1rios de im\u00f3veis. Esse consumo impulsionado pela riqueza tamb\u00e9m criou empregos, mas crucialmente o fez sem fortalecer os trabalhadores. Em acentuado contraste com a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/built-trades\/'(>)economia de alta press\u00e3o do final dos anos 1960 e in\u00edcio dos anos 1970(<)\/a(>), quando os sindicatos da constru\u00e7\u00e3o civil eram temidos como instigadores da infla\u00e7\u00e3o salarial generalizada, o boom na constru\u00e7\u00e3o residencial dos anos 2000 viu os pre\u00e7os das casas subirem constantemente, enquanto os sal\u00e1rios na constru\u00e7\u00e3o declinavam.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-12\" href=\"#footnote-list-12\">12<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\"> Em suas m\u00e3os, o efeito riqueza tornou-se uma esp\u00e9cie de keynesianismo distorcido. \u00c0 medida que os valores dos ativos aumentavam, os domic\u00edlios mais ricos expandiriam seu consumo. Alavancando seus ativos existentes, poderiam tomar empr\u00e9stimos (e gastar) ainda mais, e assim por diante, em uma vers\u00e3o regressiva e financeirizada do efeito multiplicador. (<)\/p(>)\n\n\n\n(<)p class='wp-block-paragraph'(>)A aposta de Greenspan deu certo no final dos anos 1990, quando um mercado em alta sem d\u00favida estimulou um aumento nos gastos do consumidor de alta renda, e no in\u00edcio dos anos 2000, quando os crescentes valores do patrim\u00f4nio imobili\u00e1rio tiveram o mesmo efeito sobre os propriet\u00e1rios de im\u00f3veis. Esse consumo impulsionado pela riqueza tamb\u00e9m criou empregos, mas crucialmente o fez sem fortalecer os trabalhadores. Em acentuado contraste com a (<)a href='https:\/\/phenomenalworld.org\/analysis\/built-trades\/'(>)economia de alta press\u00e3o do final dos anos 1960 e in\u00edcio dos anos 1970(<)\/a(>), quando os sindicatos da constru\u00e7\u00e3o civil eram temidos como instigadores da infla\u00e7\u00e3o salarial generalizada, o boom na constru\u00e7\u00e3o residencial dos anos 2000 viu os pre\u00e7os das casas subirem constantemente, enquanto os sal\u00e1rios na constru\u00e7\u00e3o declinavam.<\/span> A base desse boom foi o chamado &#8220;Greenspan put&#8221;, uma garantia oculta de que o Federal Reserve protegeria os mercados de ativos contra riscos em queda, garantindo aos detentores de riqueza que seus portf\u00f3lios se valorizariam. <a data-contents=\"Marc Doussard, Degraded Work: The Struggle at the Bottom of the Labor Market (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013), 144. Para as den\u00fancias anteriores de Greenspan sobre os poderosos sindicatos da constru\u00e7\u00e3o: Alan Greenspan, \u201cThe Escalation of Wages in Construction,\u201d District Court Jurisdiction Over Unfair Labor Practice Cases Hearings Before the Subcommittee on Separation of Powers of the Committee on the Judiciary, United States Senate, Ninety-First Congress, Second Session on S. 3671, July 21, 22, 23 (Washington, DC: United States Congress, 1970), 247-277\" class=\"footnote\" id=\"footnote-13\" href=\"#footnote-list-13\">13<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Marc Doussard, Degraded Work: The Struggle at the Bottom of the Labor Market (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013), 144. Para as den\u00fancias anteriores de Greenspan sobre os poderosos sindicatos da constru\u00e7\u00e3o: Alan Greenspan, \u201cThe Escalation of Wages in Construction,\u201d District Court Jurisdiction Over Unfair Labor Practice Cases Hearings Before the Subcommittee on Separation of Powers of the Committee on the Judiciary, United States Senate, Ninety-First Congress, Second Session on S. 3671, July 21, 22, 23 (Washington, DC: United States Congress, 1970), 247-277<\/span>Embora compartilhasse a tradicional hostilidade do agente \u00e0 subida salarial, Greenspan via a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos ativos como um efeito positivo. Greenspan ficou de bra\u00e7os cruzados e deixou que a &#8220;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/1997\/02\/27\/business\/job-insecurity-of-workers-is-a-big-factor-in-fed-policy.html\">inseguran\u00e7a dos trabalhadores<\/a>&#8221; fizesse o resto.<a data-contents=\"Sebastian Mallaby, (<)em(>)The Man Who Knew: The Life and Times of Alan Greenspan(<)\/em(>) (London: Bloomsbury, 2016), 49-52; 208-214.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-14\" href=\"#footnote-list-14\">14<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sebastian Mallaby, (<)em(>)The Man Who Knew: The Life and Times of Alan Greenspan(<)\/em(>) (London: Bloomsbury, 2016), 49-52; 208-214.<\/span> O trabalho figurava em seu c\u00e1lculo pol\u00edtico apenas na medida em que os trabalhadores tamb\u00e9m pudessem se tornar propriet\u00e1rios de ativos. Se todos pudessem possuir (ou aspirar a possuir) uma casa, os trabalhadores seriam menos propensos a reagir contra sal\u00e1rios estagnados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa abordagem democr\u00e1tica da estrat\u00e9gia de pre\u00e7os de ativos, sempre problem\u00e1tica, n\u00e3o est\u00e1 mais em pauta. As taxas de propriedade de im\u00f3veis ca\u00edram mais de 5% ap\u00f3s a crise dos subprimes de 2007, e os pre\u00e7os das casas est\u00e3o agora fora do alcance de assalariados de classe m\u00e9dia em muitas cidades importantes. Como Petrou demonstra, o cr\u00e9dito banc\u00e1rio de baixo custo tornou-se ainda menos acess\u00edvel para os chamados lares &#8220;subprime&#8221;, apesar dos trilh\u00f5es de d\u00f3lares do QE que foram destinados para estimular esse tipo de empr\u00e9stimo. Mesmo com taxas de juros historicamente baixas, os pobres em renda e ativos tornaram-se ainda mais dependentes de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e empr\u00e9stimos extorsivos de pagamento r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma caixa de ferramentas limitada?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Petrou esclarece os impactos distributivos da pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o convencional. No entanto, suas propostas para sair do impasse s\u00e3o menos convincentes. Ela argumenta que precisamos agir com firmeza e rapidez para interromper o \u00edmpeto da infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos ativos, insistindo que o \u00fanico instrumento em que podemos confiar \u00e9 a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Se o Fed criou essa bagun\u00e7a em primeiro lugar, ent\u00e3o apenas o Fed pode nos tirar daqui. Assim, ela v\u00ea o despejo do abarrotado balan\u00e7o patrimonial do Federal Reserve, juntamente com um aumento constante nas taxas de juros, como o melhor rem\u00e9dio para o trabalho. Em contraste, ela descarta categoricamente solu\u00e7\u00f5es fiscais, incluindo um imposto sobre a riqueza, um aumento nos gastos federais com educa\u00e7\u00e3o e a assist\u00eancia social, ou um programa federal de infraestrutura. Para Petrou, todas essas interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o in\u00fateis, dadas as demoras do processo or\u00e7ament\u00e1rio e a in\u00e9rcia do sistema existente de transfer\u00eancias governamentais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o da decep\u00e7\u00e3o esmagadora do primeiro ano de Biden no cargo, \u00e9 f\u00e1cil entender os motivos pelos quais reformadores pragm\u00e1ticos podem querer abandonar completamente o que se pode chamar de caixa de ferramentas fiscal. Vivemos em uma \u00e9poca em que at\u00e9 as manobras mais conservadoras de Keynes parecem ut\u00f3picas. Assim, realistas recorrem \u00e0s corre\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da pol\u00edtica monet\u00e1ria do banco central como a sa\u00edda mais f\u00e1cil. No entanto, a falha de Petrou em conceber uma agenda de gastos p\u00fablicos mais ambiciosa \u00e9 motivada por mais do que o pragmatismo. Em certo ponto, ela rejeita qualquer &#8220;proposta abertamente redistributiva&#8221; para equalizar a riqueza, alegando que &#8220;prejudicaria o que resta da classe m\u00e9dia dos EUA&#8221;. Em outros momentos, ela ressuscita a cl\u00e1ssica tese do &#8220;crowding out&#8221;, antes querida pelos conservadores fiscais. Em uma invers\u00e3o curiosa da f\u00f3rmula que antes via o gasto deficit\u00e1rio do governo como capaz de deslocar o investimento privado, Petrou argumenta que &#8220;os crescentes d\u00e9ficits federais [destru\u00edram] a riqueza p\u00fablica&#8221; (\u00eanfase adicionada). Supostamente, &#8220;quanto mais o d\u00e9ficit cresce, menos riqueza l\u00edquida os contribuintes dos EUA possuem coletivamente e, assim, menos h\u00e1 n\u00e3o apenas para distribuir, mas tamb\u00e9m para dedicar a pol\u00edticas progressistas&#8221;. A l\u00f3gica \u00e9 pouco clara, sendo at\u00e9 incoerente: por que o investimento p\u00fablico financiado pelo d\u00e9ficit n\u00e3o pode aumentar a &#8220;riqueza&#8221; p\u00fablica? Al\u00e9m disso, os princ\u00edpios cont\u00e1beis significam que um d\u00e9ficit do governo deve corresponder a um super\u00e1vit em algum balan\u00e7o patrimonial privado &#8211; o oposto do conflito de soma zero imaginado aqui. Petrou parece n\u00e3o estar ciente ou n\u00e3o se preocupar que a experi\u00eancia recente (dez anos de gastos deficit\u00e1rios p\u00f3s-crise financeira, seguidos por gastos p\u00fablicos generosos, ainda que tempor\u00e1rios, durante a crise do coronav\u00edrus) tenha refutado de forma poderosa as antigas ortodoxias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o ponto indicado por Petrou \u00e9 que as rea\u00e7\u00f5es das elites ao gasto deficit\u00e1rio v\u00e3o variar dependendo de como (e para quem) o dinheiro est\u00e1 sendo gasto, ela est\u00e1 correta. As restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias refletem a luta pelo poder, n\u00e3o a implac\u00e1vel for\u00e7a das supostas leis econ\u00f4micas. No entanto, Petrou parece genuinamente &#8211; at\u00e9 mesmo de forma antiquada &#8211; dedicada \u00e0s conven\u00e7\u00f5es financeiras que poucos outros est\u00e3o seguindo. Assim como Bill Clinton, que retratou os Novos Democratas como republicanos de Eisenhower combatendo os excessos dos republicanos de Reagan, Petrou \u00e9 uma centro-esquerdista insistentemente ligada ao conservadorismo de ontem. Tendo delineado as transgress\u00f5es ultrajantes do QE \u00e0s regras de finan\u00e7as e suas contribui\u00e7\u00f5es para a desigualdade, ela mostra pouco apetite para quebrar essas mesmas regras em prol da redistribui\u00e7\u00e3o. Ela rejeita n\u00e3o apenas a Teoria Monet\u00e1ria Moderna (TMM), que autoriza a monetiza\u00e7\u00e3o permanente da d\u00edvida, mas at\u00e9 mesmo o &#8220;dinheiro do helic\u00f3ptero&#8221;, a forma mais limitada de cria\u00e7\u00e3o de dinheiro de emerg\u00eancia pelo banco central defendida por Milton Friedman e (em determinado momento) Ben Bernanke.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso deixa Petrou com um rol limitado de op\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e regulat\u00f3rias para escolher. Em \u00faltima an\u00e1lise, ela busca o aperto monet\u00e1rio e a conten\u00e7\u00e3o fiscal para segurar os pre\u00e7os dos ativos e reabastecer as contas de poupan\u00e7a de uma &#8220;classe m\u00e9dia&#8221; que est\u00e1 diminuindo em alta velocidade. No entanto, ela n\u00e3o explica como as fam\u00edlias de baixa e m\u00e9dia renda, que j\u00e1 est\u00e3o &#8220;lutando para gerenciar o consumo di\u00e1rio&#8221;, podem, ao mesmo tempo, manter seus padr\u00f5es de vida, aumentar a taxa de poupan\u00e7a, deixar de ter acesso ao cr\u00e9dito ao consumidor e enfrentar encargos de juros mais altos sobre d\u00edvidas existentes. O fato \u00e9 que a pol\u00edtica monet\u00e1ria por si s\u00f3 \u00e9 impotente para abordar as grandes desigualdades de nosso tempo, a menos que as alavancas fiscais de gastos e tributa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sejam acionadas. Como Gerald Epstein e Juan Montecino observam, a paradoxo de nossa conjuntura atual \u00e9 que &#8220;tanto a pol\u00edtica monet\u00e1ria mais frouxa quanto a mais r\u00edgida s\u00e3o suscet\u00edveis de serem descriminat\u00f3rias&#8221;. <a data-contents=\"Juan Montecino e Gerald Epstein, \u201c(<)a href='http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.2692637'(>)Did Quantitative Easing Increase Income Inequality?(<)\/a(>)\u201d Institute for New Economic Thinking Working Paper Series No. 28, October (2015): 24.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-15\" href=\"#footnote-list-15\">15<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Juan Montecino e Gerald Epstein, \u201c(<)a href='http:\/\/dx.doi.org\/10.2139\/ssrn.2692637'(>)Did Quantitative Easing Increase Income Inequality?(<)\/a(>)\u201d Institute for New Economic Thinking Working Paper Series No. 28, October (2015): 24.<\/span> Dado esse dilema, a falta de uma vis\u00e3o &#8220;ut\u00f3pica&#8221; acaba sendo uma responsabilidade pr\u00e1tica. Sem uma pol\u00edtica fiscal mais criativa, Petrou s\u00f3 pode oferecer uma vers\u00e3o progressista da sensatez no universo das finan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Abandonando o &#8220;crescimento compartilhado&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chamada de Petrou por uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais restritiva foi respondida pelo Federal Reserve de Jerome Powell, que, <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/business\/2022\/07\/27\/fed-rate-hike\/\">em julho de 2022 elevou as taxas de juros<\/a> em 0,75%, a maior porcentagem em d\u00e9cadas, pelo segundo m\u00eas consecutivo. Essa mudan\u00e7a de pol\u00edtica representa uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada e fatal do cen\u00e1rio econ\u00f4mico. O aumento atual nos pre\u00e7os ao consumidor \u00e9 impulsionado pelas dificuldades nas cadeias de suprimentos da pandemia de coronav\u00edrus, pela invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e pelos aumentos de pre\u00e7os motivados pelo lucro por parte das empresas, e n\u00e3o por um retorno \u00e0 espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7o dos anos 1970.<a data-contents=\"Domash e Summers preveem &#8220;crescimento extremamente r\u00e1pido nos sal\u00e1rios nominais&#8221; no pr\u00f3ximo ano. Alex Domash e Lawrence H. Summers, &#8220;How Tight are U.S. Labor Markets?&#8221; (National Bureau of Economic Research Working Paper 29739, fevereiro de 2022): 32. Para uma refuta\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o e uma considera\u00e7\u00e3o dos impulsionadores do lado da oferta da atual infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor, consulte Servaas Storm, &#8220;Inflation in a Time of Corona and War&#8221; (INET Institute for New Economic Thinking, 6 de junho de 2022). Inspirados por Lawrence Summers, jornalistas na Austr\u00e1lia receberam a elei\u00e7\u00e3o do governo de centro-esquerda liderado por Anthony Albanese com a previs\u00e3o de que o pa\u00eds em breve ver\u00e1 um retorno ao tipo de espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7o visto pela \u00faltima vez sob o governo de esquerda de Gough Whitlam nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1970. Matthew Knott, &#8220;&#8216;Perfect Storm&#8217;: Is the Australian Economy Heading Back to the 1970s?&#8221; (Sydney Morning Herald, 18 de junho de 2022). Para uma an\u00e1lise mais convincente, que aponta que os recentes aumentos do sal\u00e1rio m\u00ednimo ficam atr\u00e1s da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor, consulte Greg Jericho, &#8220;Workers and their Wages are the Collateral Damage of the War on Inflation&#8221; (Guardian, Austr\u00e1lia, 16 de junho de 2022).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-16\" href=\"#footnote-list-16\">16<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Domash e Summers preveem &#8220;crescimento extremamente r\u00e1pido nos sal\u00e1rios nominais&#8221; no pr\u00f3ximo ano. Alex Domash e Lawrence H. Summers, &#8220;How Tight are U.S. Labor Markets?&#8221; (National Bureau of Economic Research Working Paper 29739, fevereiro de 2022): 32. Para uma refuta\u00e7\u00e3o dessa vis\u00e3o e uma considera\u00e7\u00e3o dos impulsionadores do lado da oferta da atual infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor, consulte Servaas Storm, &#8220;Inflation in a Time of Corona and War&#8221; (INET Institute for New Economic Thinking, 6 de junho de 2022). Inspirados por Lawrence Summers, jornalistas na Austr\u00e1lia receberam a elei\u00e7\u00e3o do governo de centro-esquerda liderado por Anthony Albanese com a previs\u00e3o de que o pa\u00eds em breve ver\u00e1 um retorno ao tipo de espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7o visto pela \u00faltima vez sob o governo de esquerda de Gough Whitlam nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1970. Matthew Knott, &#8220;&#8216;Perfect Storm&#8217;: Is the Australian Economy Heading Back to the 1970s?&#8221; (Sydney Morning Herald, 18 de junho de 2022). Para uma an\u00e1lise mais convincente, que aponta que os recentes aumentos do sal\u00e1rio m\u00ednimo ficam atr\u00e1s da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os ao consumidor, consulte Greg Jericho, &#8220;Workers and their Wages are the Collateral Damage of the War on Inflation&#8221; (Guardian, Austr\u00e1lia, 16 de junho de 2022).<\/span> Um aumento nas taxas de juros n\u00e3o resolver\u00e1 esses problemas nas cadeias de suprimentos e, certamente, n\u00e3o ajudar\u00e1 aos trabalhadores de baixa renda, os desempregados ou os endividados cr\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A convic\u00e7\u00e3o do Fed de que os trabalhadores com sal\u00e1rios baixos precisam ser punidos por uma demanda excessivamente exuberante \u00e9 grotesca, mas \u00e9 internamente coerente. Powell reconhece que o objetivo de uma maior restri\u00e7\u00e3o ao dinheiro \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.federalreserve.gov\/mediacenter\/files\/FOMCpresconf20220615.pdf\">reduzir os investimentos empresariais e &#8220;moderar o crescimento&#8221;<\/a>. Essa desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica garantir\u00e1 que supostas &#8220;press\u00f5es salariais retrocedam&#8221;, corrigindo o &#8220;desequil\u00edbrio real nas negocia\u00e7\u00f5es salariais&#8221; que Powell agora v\u00ea como uma consequ\u00eancia perigosa do dinheiro f\u00e1cil. Contrastando com isso, Petrou afirma que um dinheiro mais restrito ir\u00e1 aumentar os investimentos e o emprego: &#8220;Quanto mais baixas [as taxas], menos as empresas gastam em investimento, mais dif\u00edcil \u00e9 para os trabalhadores com habilidades mais baixas encontrar empregos&#8221;. Ela reconhece que o investimento \u00e9 liderado pela demanda (&#8220;Quanto menos o pa\u00eds gasta com o consumo geral de bens e servi\u00e7os, menos necessidade as empresas t\u00eam de investir em novas instala\u00e7\u00f5es e infraestrutura para atender \u00e0 demanda&#8221;), mas acredita que, de alguma forma, um dinheiro mais restrito significar\u00e1 mais demanda. Essas constru\u00e7\u00f5es sob tortura refletem uma recusa obstinada em aceitar o que Powell admite livremente: a pol\u00edtica monet\u00e1ria simplesmente n\u00e3o pode reverter a hiperconcentra\u00e7\u00e3o de riqueza nem reviver o que Petrou chama de &#8220;crescimento compartilhado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale a pena lembrar os contornos hist\u00f3ricos reais do &#8220;crescimento compartilhado&#8221;. A \u00faltima vez que vimos uma queda significativa da desigualdade de riqueza e renda foi no p\u00f3s-guerra, quando governos federais e estaduais despejaram dinheiro em projetos de constru\u00e7\u00e3o p\u00fablica e subsidiaram generosamente o setor manufatureiro &#8220;privado&#8221;. Taxas vigorosas de crescimento significavam que os sal\u00e1rios poderiam aumentar sem amea\u00e7ar a participa\u00e7\u00e3o dos lucros na renda nacional. Era assim que o keynesianismo limitado do New Deal deveria, supostamente, funcionar. O per\u00edodo ap\u00f3s 1965 viu uma expans\u00e3o significativa dos gastos p\u00fablicos sociais e redistributivos em rela\u00e7\u00e3o aos gastos com defesa e um aumento na milit\u00e2ncia trabalhista em todos os setores, privado e p\u00fablico. Quando os sal\u00e1rios continuaram a crescer, mesmo com os lucros industriais amea\u00e7ados pela concorr\u00eancia estrangeira e pelos crescentes pre\u00e7os do petr\u00f3leo, os empregadores industriais e detentores de ativos financeiros perderam rapidamente o interesse em manter a paz keynesiana. N\u00e3o mais um parceiro respeitado, o trabalho sindicalizado se revelou como inimigo do sistema de livre empresa e, por meio da &#8220;infla\u00e7\u00e3o salarial&#8221;, tornou-se a principal causa dos problemas econ\u00f4micos da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A infla\u00e7\u00e3o impulsionada por sal\u00e1rios poderia muito bem ter sido apelidada de infla\u00e7\u00e3o por press\u00e3o de lucro, uma vez que o aumento nos pre\u00e7os ao consumidor refletia uma luta cont\u00ednua entre trabalhadores e empres\u00e1rios, em vez da vit\u00f3ria total dos sindicatos. Entretanto, o fato de a distribui\u00e7\u00e3o de renda poder se deslocar, mesmo que momentaneamente, a favor dos trabalhadores, foi o suficiente para dissolver qualquer compromisso por parte dos neg\u00f3cios com o crescimento compartilhado. (Em 1974, um jovem Alan Greenspan disse a um grupo de burocratas de servi\u00e7os sociais que os corretores da bolsa de Wall Street foram mais duramente atingidos &#8220;percentualmente&#8221; pela infla\u00e7\u00e3o do que os pobres &#8211; uma declara\u00e7\u00e3o pouco diplom\u00e1tica que revelou o que realmente significava &#8220;combater&#8221; a infla\u00e7\u00e3o).<a data-contents=\"Richard D. Lyons, \u201c(<)a href='https:\/\/www.nytimes.com\/1974\/09\/20\/archives\/fears-of-h-e-w-cuts-spur-protests-at-inflation-parley-fears-of-h-ew.html' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)Fears of H.E.W. Cuts Spur Protests at Inflation Parley(<)\/a(>),\u201d (<)em(>)New York Times(<)\/em(>) September 20 (1974): 81.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-17\" href=\"#footnote-list-17\">17<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Richard D. Lyons, \u201c(<)a href='https:\/\/www.nytimes.com\/1974\/09\/20\/archives\/fears-of-h-e-w-cuts-spur-protests-at-inflation-parley-fears-of-h-ew.html' target='_blank' rel='noreferrer noopener'(>)Fears of H.E.W. Cuts Spur Protests at Inflation Parley(<)\/a(>),\u201d (<)em(>)New York Times(<)\/em(>) September 20 (1974): 81.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edtica monet\u00e1ria e o estado fiscal<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A longa contrarrevolu\u00e7\u00e3o do \u00faltimo meio s\u00e9culo, que viu bancos centrais atacarem implacavelmente qualquer sinal m\u00ednimo de crescimento salarial enquanto fazem todo o poss\u00edvel para promover a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos ativos, n\u00e3o teria surpreendido Micha\u0142 Kalecki. Em um famoso ensaio de 1943, o economista polon\u00eas previu que esfor\u00e7os sustentados do governo para subsidiar servi\u00e7os p\u00fablicos, bem-estar e sal\u00e1rios, em algum momento, liberariam os trabalhadores do medo do desemprego e, portanto, poderia gerar uma poderosa coaliz\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o entre industriais e rentistas.<a data-contents=\"Micha\u0142 Kalecki, \u201cPolitical Aspects of Full Employment,\u201d (<)em(>)The Political Quarterly (<)\/em(>)14, no. 4 (1943), 322-330.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-18\" href=\"#footnote-list-18\">18<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Micha\u0142 Kalecki, \u201cPolitical Aspects of Full Employment,\u201d (<)em(>)The Political Quarterly (<)\/em(>)14, no. 4 (1943), 322-330.<\/span> Mais do que diagnosticar os dilemas do pleno emprego, o ensaio perspicaz de Kalecki sugere que o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o pode passar atrav\u00e9s e al\u00e9m do estado fiscal. Quando os gastos sociais e a redistribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o levados longe demais, industriais e detentores de riqueza se unem em oposi\u00e7\u00e3o. O que significaria, por\u00e9m empurrar deliberadamente o keynesianismo al\u00e9m desses limites, bem como al\u00e9m dos limites familiares, raciais, nacionais e baseados em classe nos quais o estado de bem-estar historicamente foi confinado? Em outras palavras, \u00e9 poss\u00edvel considerar que a perspectiva do comunismo, hoje, \u00e9 desprovida de uma proposta sobre como coletivizar o processo de cria\u00e7\u00e3o de dinheiro e d\u00edvida?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os marxistas contempor\u00e2neos negligenciaram essas alternativas. Com muita frequ\u00eancia, eles invocam uma compreens\u00e3o estranhamente filol\u00f3gica da revolu\u00e7\u00e3o, sintonizada com uma era anterior ao estado fiscal e ao banco central moderno, na qual os trabalhadores apenas tinham que assumir o controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o enquanto militantes tomavam os poderes executivos do estado.<a data-contents=\"Uma importante exce\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 James O&#8217;Connor, que acreditava que a &#8220;crise fiscal&#8221; do Estado capitalista nos anos 1970 poderia ser resolvida, em um cen\u00e1rio, por uma transi\u00e7\u00e3o para uma socializa\u00e7\u00e3o completa dos poderes fiscais do Estado. James O&#8217;Connor, &#8220;The Fiscal Crisis of the State&#8221; (Nova York, St. Martin&#8217;s Press, 1973).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-19\" href=\"#footnote-list-19\">19<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Uma importante exce\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 James O&#8217;Connor, que acreditava que a &#8220;crise fiscal&#8221; do Estado capitalista nos anos 1970 poderia ser resolvida, em um cen\u00e1rio, por uma transi\u00e7\u00e3o para uma socializa\u00e7\u00e3o completa dos poderes fiscais do Estado. James O&#8217;Connor, &#8220;The Fiscal Crisis of the State&#8221; (Nova York, St. Martin&#8217;s Press, 1973).<\/span> No entanto, qualquer desafio radical ao capitalismo hoje tamb\u00e9m precisaria tomar posse dos meios de cria\u00e7\u00e3o de dinheiro, gastos coletivos e da pr\u00f3pria tributa\u00e7\u00e3o. Quando economistas marxistas descartam a Teoria Monet\u00e1ria Moderna (TMM) como uma medida de meio-termo keynesiana, est\u00e3o afirmando o \u00f3bvio. H\u00e1 valor real na afirma\u00e7\u00e3o da TMM de que as a\u00e7\u00f5es fiscais e monet\u00e1rias devem ser julgadas por seus efeitos no mundo real, em vez de se distanciar das supostas leis econ\u00f4micas. Mas, em outros aspectos, ela permanece comprometida com o projeto keynesiano de media\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, com todos os seus amortecedores embutidos &#8211; a distin\u00e7\u00e3o entre trabalho produtivo e improdutivo, o confinamento da social democracia dentro das fronteiras nacionais e o medo do crescimento salarial excessivo.<a data-contents=\"Sobre o Keynesianismo como uma forma de Hegelianismo, consulte Geoff Mann, &#8220;In the Long Run We&#8217;re All Dead: Keynes, Political Economy, and Revolution&#8221; (Nova York: Verso, 2017).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-20\" href=\"#footnote-list-20\">20<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sobre o Keynesianismo como uma forma de Hegelianismo, consulte Geoff Mann, &#8220;In the Long Run We&#8217;re All Dead: Keynes, Political Economy, and Revolution&#8221; (Nova York: Verso, 2017).<\/span> Que isso \u00e9 um projeto limitado, \u00e9 \u00f3bvio. O objetivo do keynesianismo \u00e9 moderar a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e capital, para que a cria\u00e7\u00e3o de dinheiro pelo banco central e o poder do estado de tributar e gastar nunca levem \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o plena das finan\u00e7as. \u00c9 f\u00e1cil ver a raz\u00e3o pela qual Petrou &#8211; uma liberal social com uma pol\u00edtica fiscal distintamente pouco ambiciosa &#8211; evitaria a promessa da TMM de dissolver as restri\u00e7\u00f5es financeiras. Mas, para os marxistas, o tempo gasto ensaiando antigas cr\u00edticas ao reformismo significa estar longe de tarefas mais urgentes. At\u00e9 desenvolvermos nossa pr\u00f3pria pol\u00edtica de finan\u00e7as coletivas, a esquerda enfrentar\u00e1 uma escolha insatisfat\u00f3ria entre celebrar o QE ou adotar uma postura agressiva que, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 dif\u00edcil de distinguir do saudosismo pela razoabilidade do dinheiro.<a data-contents=\"Para cr\u00edticas marxistas proeminentes \u00e0 Teoria Monet\u00e1ria Moderna (MMT), consulte Doug Henwood, &#8220;Modern Monetary Theory Isn&#8217;t Helping,&#8221; Jacobin, 21 de fevereiro de 2019, Paul Mattick, &#8220;Money Magic,&#8221; The Brooklyn Rail, outubro de 2020, e Michael Roberts, &#8220;Modern Monetary Theory: A Marxist Critique,&#8221; Class, Race and Corporate Power, vol. 7, n\u00ba 1, 2019. Embora esses cr\u00edticos destaquem de maneira \u00fatil a rela\u00e7\u00e3o entre dinheiro e conflito de classes, eles permanecem fi\u00e9is \u00e0 an\u00e1lise do dinheiro mercadoria de Marx do s\u00e9culo XIX (onde dinheiro \u00e9 igual a ouro, e o valor do ouro \u00e9 tratado como se fosse determinado, como qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho necess\u00e1rio para sua produ\u00e7\u00e3o). Essa fidelidade, em \u00faltima an\u00e1lise, os impede de enxergar as possibilidades e complexidades das lutas em torno do dinheiro e da cria\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas hoje, quando o dinheiro \u00e9 criado pelos estados e pelos bancos privados. A liga\u00e7\u00e3o ao dinheiro mercadoria est\u00e1 expressa na protesta incr\u00e9dula de Paul Mattick: &#8220;parece improv\u00e1vel que o dinheiro possa ser impresso e distribu\u00eddo indefinidamente sem problemas.&#8221; Al\u00e9m disso, as cr\u00edticas marxistas \u00e0 MMT muitas vezes negligenciam a diferen\u00e7a entre a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida a servi\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o salarial (o espectro que assombra os anos 1970) e a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida a servi\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de ativos (a realidade do QE). Assim, interpretam erroneamente o QE como uma implementa\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica dos princ\u00edpios da MMT e condenam ambos por violar as leis sensatas das finan\u00e7as.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-21\" href=\"#footnote-list-21\">21<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Para cr\u00edticas marxistas proeminentes \u00e0 Teoria Monet\u00e1ria Moderna (MMT), consulte Doug Henwood, &#8220;Modern Monetary Theory Isn&#8217;t Helping,&#8221; Jacobin, 21 de fevereiro de 2019, Paul Mattick, &#8220;Money Magic,&#8221; The Brooklyn Rail, outubro de 2020, e Michael Roberts, &#8220;Modern Monetary Theory: A Marxist Critique,&#8221; Class, Race and Corporate Power, vol. 7, n\u00ba 1, 2019. Embora esses cr\u00edticos destaquem de maneira \u00fatil a rela\u00e7\u00e3o entre dinheiro e conflito de classes, eles permanecem fi\u00e9is \u00e0 an\u00e1lise do dinheiro mercadoria de Marx do s\u00e9culo XIX (onde dinheiro \u00e9 igual a ouro, e o valor do ouro \u00e9 tratado como se fosse determinado, como qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho necess\u00e1rio para sua produ\u00e7\u00e3o). Essa fidelidade, em \u00faltima an\u00e1lise, os impede de enxergar as possibilidades e complexidades das lutas em torno do dinheiro e da cria\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas hoje, quando o dinheiro \u00e9 criado pelos estados e pelos bancos privados. A liga\u00e7\u00e3o ao dinheiro mercadoria est\u00e1 expressa na protesta incr\u00e9dula de Paul Mattick: &#8220;parece improv\u00e1vel que o dinheiro possa ser impresso e distribu\u00eddo indefinidamente sem problemas.&#8221; Al\u00e9m disso, as cr\u00edticas marxistas \u00e0 MMT muitas vezes negligenciam a diferen\u00e7a entre a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida a servi\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o salarial (o espectro que assombra os anos 1970) e a monetiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida a servi\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de ativos (a realidade do QE). Assim, interpretam erroneamente o QE como uma implementa\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica dos princ\u00edpios da MMT e condenam ambos por violar as leis sensatas das finan\u00e7as.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, as propostas mais criativas t\u00eam vindo de grupos ativistas como o Strike Debt! ou da New Economics Foundation e Positive Money, mais focada na defesa legal. Cada um deles recorreu a toda a gama de alternativas monet\u00e1rias e fiscais para advogar por uma pol\u00edtica econ\u00f4mica mais redistributiva. Embora dificilmente excepcionais pelos padr\u00f5es hist\u00f3ricos do pensamento keynesiano (ou at\u00e9 monetarista), suas demandas &#8211; por uma agenda de gastos sociais mais expansiva, perd\u00e3o em massa de d\u00edvidas ou um &#8220;Quantitative Easing for the People&#8221; &#8211; t\u00eam muito mais promessa do que o retorno \u00e0 razoabilidade financeira promovido por centristas como Petrou, bem como por marxistas ocasionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os c\u00e9ticos est\u00e3o certos sobre uma coisa, \u00e9 que esses experimentos nunca ser\u00e3o implementados em larga escala sem um processo de luta. A pol\u00edtica macroecon\u00f4mica n\u00e3o \u00e9, e nem deve ser, um assunto exclusivamente tecnocr\u00e1tico ou parlamentar. O estado fiscal \u00e9 t\u00e3o capaz quanto o ch\u00e3o de f\u00e1brica de incitar conflitos transformadores. O aumento da milit\u00e2ncia do setor p\u00fablico, durante uma d\u00e9cada, \u00e9 um exemplo de uma luta trabalhista que toca diretamente nas alavancas das finan\u00e7as p\u00fablicas e, assim, representa um ambiente crucial de interven\u00e7\u00e3o fiscal.<a data-contents=\"Eric Blanc, &#8220;Red State Revolt: The Teachers Strike Wave and Working-Class Politics&#8221; (Nova York: Verso, 2019). O aumento das greves no setor p\u00fablico n\u00e3o se limita aos Estados Unidos. Sobre a recente onda de greves no setor p\u00fablico australiano, que ocorreu apesar de um teto salarial legislado, consulte Mihajla Gavin, &#8220;Public Sector Strikes are Back, With a Vengeance,&#8221; Sydney Morning Herald, 7 de dezembro de 2021. Essas greves inclu\u00edram professores de escolas p\u00fablicas, enfermeiras e trabalhadores de transporte.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-22\" href=\"#footnote-list-22\">22<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Eric Blanc, &#8220;Red State Revolt: The Teachers Strike Wave and Working-Class Politics&#8221; (Nova York: Verso, 2019). O aumento das greves no setor p\u00fablico n\u00e3o se limita aos Estados Unidos. Sobre a recente onda de greves no setor p\u00fablico australiano, que ocorreu apesar de um teto salarial legislado, consulte Mihajla Gavin, &#8220;Public Sector Strikes are Back, With a Vengeance,&#8221; Sydney Morning Herald, 7 de dezembro de 2021. Essas greves inclu\u00edram professores de escolas p\u00fablicas, enfermeiras e trabalhadores de transporte.<\/span> O sindicalismo do setor p\u00fablico, \u00e0s vezes, \u00e9 rejeitado como sendo perif\u00e9rico em rela\u00e7\u00e3o ao verdadeiro trabalho da luta anticapitalista. Isso se baseia na suposi\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica de que o cerne das rela\u00e7\u00f5es de poder capitalistas est\u00e1 no setor privado lucrativo. Essa suposi\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica interpreta mal o \u00faltimo s\u00e9culo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que viu a produ\u00e7\u00e3o de mais-valia no &#8220;setor privado&#8221; massivamente subsidiada pelo Estado, seja por meio de subven\u00e7\u00f5es diretas, isen\u00e7\u00f5es fiscais ou contratos governamentais. Assim, deixa de perceber as afinidades ocultas entre o sindicalismo dos setores p\u00fablico e privado. Tamb\u00e9m negligencia o medo genu\u00edno que os trabalhadores do setor p\u00fablico s\u00e3o capazes de gerar nas elites pol\u00edticas, como quando o presidente do Fed, Arthur Burns, descreveu a greve selvagem dos correios de 1970 como &#8220;uma insurrei\u00e7\u00e3o contra o governo&#8221;.<a data-contents=\"Sam Gindin e Leo Panitch, &#8220;The Making of Global Capitalism: The Political Economy of American Empire&#8221; (Nova York: Verso, 2012), 141.\" class=\"footnote\" id=\"footnote-23\" href=\"#footnote-list-23\">23<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Sam Gindin e Leo Panitch, &#8220;The Making of Global Capitalism: The Political Economy of American Empire&#8221; (Nova York: Verso, 2012), 141.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia relativa dos sindicatos do setor p\u00fablico no movimento trabalhista atual n\u00e3o deve ser lamentada. Como um movimento que inclui um grande n\u00famero de trabalhadoras e de minorias, por exemplo, a agremia\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico tem o potencial de transcender as escolhas de pauta baseadas em g\u00eanero e ra\u00e7a de insurg\u00eancias trabalhistas anteriores. A depend\u00eancia vis\u00edvel do setor no suporte governamental, historicamente vista como uma vulnerabilidade, tamb\u00e9m oferece oportunidades \u00fanicas. Os movimentos no setor p\u00fablico s\u00e3o instados a expor problemas que geralmente est\u00e3o nas entrelinhas: a rela\u00e7\u00e3o entre renda do trabalho, pre\u00e7os de ativos e gastos do governo; as apostas distributivas de tributa\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito; as determina\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias de reproduzir uma sociedade cada vez mais desigual. O fato de os desafios no setor p\u00fablico poderem se tornar fontes de for\u00e7a \u00e9 demonstrado por iniciativas como a Bargaining for the Common Good Network, que constr\u00f3i coaliz\u00f5es entre trabalhadores do setor p\u00fablico em greve e seus &#8220;clientes&#8221; (estudantes, pais, pacientes, passageiros, etc.), enquanto tamb\u00e9m coordena campanhas que conectam os pontos entre o or\u00e7amento do governo e a austeridade cotidiana. Para ter uma ideia de qu\u00e3o abrangentes essas campanhas podem ser, a United Teachers Los Angeles (UTLA) lutou para remover o limite de imposto sobre propriedade comercial no financiamento escolar; converter terras escolares desocupadas em habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel; e conter o poder dos fundos de private equity que exploram inquilinos (por meio de seus portf\u00f3lios imobili\u00e1rios) e tamb\u00e9m professores (por meio de pol\u00edticas fiscais estaduais que privilegiam ganhos de capital em detrimento do financiamento para escolas).<a data-contents=\"Samir Sonti, \u201cThe Crisis of US Labor, Past and Present,\u201d Socialist Register 122 (2022): 153-54 e Sarah Jaffe, \u201cThe Radical Organizing that Paved the Way for the LA Teachers\u2019 Strike,\u201d The Nation, 19 January (2019).\" class=\"footnote\" id=\"footnote-24\" href=\"#footnote-list-24\">24<\/a><span class=\"p-absolute d-none footnote-full has-white-background-color\">Samir Sonti, \u201cThe Crisis of US Labor, Past and Present,\u201d Socialist Register 122 (2022): 153-54 e Sarah Jaffe, \u201cThe Radical Organizing that Paved the Way for the LA Teachers\u2019 Strike,\u201d The Nation, 19 January (2019).<\/span> Este \u00e9 um modelo para sindicalistas, tanto no setor p\u00fablico quanto no privado. Mais do que isso, representa uma forma pela qual as r\u00e9deas do poder fiscal e monet\u00e1rio podem ser tomadas de baixo para cima.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Esse artigo foi traduzido do ingl\u00eas por Andr\u00e9 Lucena.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o Federal Reserve recorreu a pol\u00edticas monet\u00e1rias pouco convencionais em 2008, muitos temiam que logo ver\u00edamos um retorno a uma espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7o, como aconteceu nos anos 1970. <\/p>\n","protected":false},"author":138,"featured_media":11780,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[737],"tags":[775,774,765,771,772],"issue":[],"newsletter":[],"region":[],"sector":[],"theme":[1090,1096],"series":[],"class_list":["post-15615","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas","tag-economia-pt-br","tag-financas-pt-br","tag-longform-pt-br","tag-mais-lidos-pt-br","tag-politica-pt-br-2","theme-financiamento-desenvolvimento","theme-governanca-e-politica-partidaria"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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