Análises
Desenrola Brasil
BYD e o neo-fordismo chinês
Em diversos aspectos, as operações da companhia parecem muito um revival elétrico da lógica fordista da produção em massa, com um processo produtivo francamente intensivo em trabalho, um vasto exército de operários e métodos tayloristas de organização científica da produção.
Pobres por dívida
Tesouro em alto-mar
Desde a descoberta, em 2015, de reservas de petróleo que estão entre as maiores do mundo, a Guiana ingressou em um período de reconfiguração econômica e geoestratégica.
O G20 olha para o Sul
Desde 1º de dezembro de 2023, o Brasil preside o G20. O mandato de um ano, que culminará na cúpula anual de novembro no Rio de Janeiro, sucede duas presidências do Sul Global—Indonésia (2022) e Índia (2023)—e antecede mais uma—África do Sul (2025). No momento em que a condução do espaço foi transmitida a Lula pelo primeiro ministro indiano Narendra Modi, a nova presidência brasileira anunciou três eixos prioritários: i) o combate à fome, à pobreza e à desigualdade; ii) a transição energética e o desenvolvimento sustentável em suas três dimensões (econômica, social e ambiental); e iii) a reforma do sistema de governança internacional. As propostas foram bem acolhidas internacionalmente e, agora, é o momento de construir agendas concretas para a cúpula de novembro.
Anarcocapitalismo
Desde o início da década de 2000, o financiamento do desenvolvimento argentino passou por uma profunda transformação. Em meio a inadimplências cíclicas da dívida e negociações intermináveis com investidores ocidentais e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os empréstimos chineses para investimentos no exterior foram paulatinamente ganhando destaque.
Um novo não-alinhamento
Motores do desenvolvimento
Em dezembro de 2021, o presidente Joe Biden anunciou uma proposta de incentivos fiscais para a compra de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) produzidos por trabalhadores sindicalizados da indústria automotiva dos EUA. Os incentivos prometem apoiar a transição para as “tecnologias verdes”, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e “descarbonizar” a economia. E comprometem-se a fazer tudo isso enquanto fortalecem a capacidade de negociação coletiva dos trabalhadores depois de décadas de enfraquecimento dos sindicados por meio de esforços liderados pelo Estado.
A política dos preços
Em 1959, os líderes da então OCEE, atual OCDE, nomearam um Grupo de Especialistas Independentes "para estudar a experiência do aumento de preços" na história recente dos países capitalistas avançados. Entre o final da Segunda Guerra Mundial e o término da Guerra da Coreia, os planejadores econômicos haviam tolerado o aumento dos preços como consequência insuperável da reconstrução pós-guerra e da especulação de commodities induzida pela guerra. Esses governos esperavam que a inflação acabasse na medida em que as economias se readaptassem após o conflito na Coreia. "No entanto," escreveu o Grupo de Especialistas Independentes em seu relatório final, "o aumento dos preços provou ser um problema contínuo”. O relatório da OCDE classificou quatro causas para a inflação dos anos 1950: aumento dos salários, precificação monopolista, demanda excessiva e o que chamaram de "preços especiais": aqueles influenciados, por exemplo, por outros países, por más colheitas ou pela suspensão dos controles governamentais de preços.
Mudança de Regime?
O efeito mais importante da resposta econômica do Ocidente à invasão e bombardeio da Ucrânia pela Rússia, após o choque e a surpresa, foi o congelamento dos ativos do Banco Central russo. Na edição de 7 de março de sua newsletter Global Money Dispatch, o estrategista de investimentos do Credit Suisse, Zoltan Pozsar, escreve que o confisco das reservas cambiais da Rússia pelo G7 marca uma mudança de regime no sistema monetário global. Pozsar enuncia esse novo regime de Bretton Woods III. Ele antecipa que soberanos asiáticos, temendo que suas reservas estrangeiras em dólares e euros estejam em risco de expropriação em caso de futuros conflitos de política externa, vão colocar seus fundos excedentes fora do alcance das autoridades financeiras do Ocidente. Para Pozsar, isso anuncia o surgimento de "moedas lastreadas em commodities no Oriente" e sinaliza o desfecho da hegemonia do dólar.
Dólar e império
Mark Schwartz comenta artigo de Yakov Feygin e Dominik Leusder sobre as características do "privilégio exorbitante" da hegemonia do dólar: na prática, quem perde e quem ganha?
A Política de Classe do Sistema Dólar
O sistema global do dólar tem poucos vencedores a nível nacional. Na perspectiva ordinária, compreender o dólar dos EUA significa entender o “privilégio excessivo” que ele confere à América.