Análises

Levar o dinheiro a sério

A relação entre o mundo do dinheiro e o mundo social e material concreto é questão presente de longa data, ainda que nem sempre de modo explícito, na história do pensamento econômico. Somos rodeados de preços e pagamentos em dinheiro. Mas eles têm vida própria independente e distinta dos objetos aos quais estão vinculados? As coisas que acontecem no mundo do dinheiro podem afetar o mundo real?

O curral do mundo

Na era da emergência climática, as desvantagens da especialização em exportações primárias para o desenvolvimento são ainda mais acentuadas. Além das barreiras à ascensão na cadeia global de valor, o custo econômico de se tornar o curral do mundo é agravado pelos impactos ambientais, tanto em termos de emissões de gás carbônico quanto de perda de biodiversidade.

A economia política da inflação brasileira

O combate a um processo de inflação salarial por meio do aumento substancial e duradouro do desemprego como medida de redução do poder de barganha dos trabalhadores é, no fim das contas, uma política de renda disfarçada, e não uma política neutra ou técnica de controle de preços.

Por que tão alta? 

O entrave entre Lula e Campos Neto indica o quão complexa e controversa é a fixação da taxa básica de juros no Brasil.

Interdependência estratégica

Apesar da turbulência nas relações Estados Unidos-China, é improvável que o desacoplamento das economias ocorra tão logo. Em vez disso, a conquista de resiliência na cadeia de suprimentos exige buscar novas maneiras de cooperação diante da proliferação de barreiras.

Termos e condições do investimento

Na ausência de reformas complementares para resolver o desequilíbrio de poder entre locadores e locatários, o IRA não promoverá resiliência climática para essas comunidades. O caminho para descarbonizar imóveis residenciais alugados nos EUA depende da priorização dos inquilinos como protagonistas da transição justa: um compromisso para que a descarbonização não se traduza em mais despejos.

Dirigindo o capital

Apesar de celebrado como o primeiro acordo de livre comércio comprometido com o fortalecimento de direitos trabalhistas, o USMCA corrobora amplamente o poder corporativo ao passo que ignora a legislação trabalhista mexicana de 2019.

Caminhando sobre gelo fino

A trajetória ideológica, política e econômica construída ao longo de décadas que hoje obriga o governo Lula 3 a adotar um figurino fiscalista.

BYD e o neo-fordismo chinês

Em diversos aspectos, as operações da companhia parecem muito um revival elétrico da lógica fordista da produção em massa, com um processo produtivo francamente intensivo em trabalho, um vasto exército de operários e métodos tayloristas de organização científica da produção.

Tesouro em alto-mar

Desde a descoberta, em 2015, de reservas de petróleo que estão entre as maiores do mundo, a Guiana ingressou em um período de reconfiguração econômica e geoestratégica.

O G20 olha para o Sul

Desde 1º de dezembro de 2023, o Brasil preside o G20. O mandato de um ano, que culminará na cúpula anual de novembro no Rio de Janeiro, sucede duas presidências do Sul Global—Indonésia (2022) e Índia (2023)—e antecede mais uma—África do Sul (2025). No momento em que a condução do espaço foi transmitida a Lula pelo primeiro ministro indiano Narendra Modi, a nova presidência brasileira anunciou três eixos prioritários: i) o combate à fome, à pobreza e à desigualdade; ii) a transição energética e o desenvolvimento sustentável em suas três dimensões (econômica, social e ambiental); e iii) a reforma do sistema de governança internacional. As propostas foram bem acolhidas internacionalmente e, agora, é o momento de construir agendas concretas para a cúpula de novembro.

Anarcocapitalismo

Desde o início da década de 2000, o financiamento do desenvolvimento argentino passou por uma profunda transformação. Em meio a inadimplências cíclicas da dívida e negociações intermináveis com investidores ocidentais e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os empréstimos chineses para investimentos no exterior foram paulatinamente ganhando destaque.

Motores do desenvolvimento

Em dezembro de 2021, o presidente Joe Biden anunciou uma proposta de incentivos fiscais para a compra de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) produzidos por trabalhadores sindicalizados da indústria automotiva dos EUA. Os incentivos prometem apoiar a transição para as “tecnologias verdes”, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e “descarbonizar” a economia. E comprometem-se a fazer tudo isso enquanto fortalecem a capacidade de negociação coletiva dos trabalhadores depois de décadas de enfraquecimento dos sindicados por meio de esforços liderados pelo Estado. 

A política dos preços

Em 1959, os líderes da então OCEE, atual OCDE, nomearam um Grupo de Especialistas Independentes "para estudar a experiência do aumento de preços" na história recente dos países capitalistas avançados. Entre o final da Segunda Guerra Mundial e o término da Guerra da Coreia, os planejadores econômicos haviam tolerado o aumento dos preços como consequência insuperável da reconstrução pós-guerra e da especulação de commodities induzida pela guerra. Esses governos esperavam que a inflação acabasse na medida em que as economias se readaptassem após o conflito na Coreia. "No entanto," escreveu o Grupo de Especialistas Independentes em seu relatório final, "o aumento dos preços provou ser um problema contínuo”. O relatório da OCDE classificou quatro causas para a inflação dos anos 1950: aumento dos salários, precificação monopolista, demanda excessiva e o que chamaram de "preços especiais": aqueles influenciados, por exemplo, por outros países, por más colheitas ou pela suspensão dos controles governamentais de preços.

Mudança de Regime?

O efeito mais importante da resposta econômica do Ocidente à invasão e bombardeio da Ucrânia pela Rússia, após o choque e a surpresa, foi o congelamento dos ativos do Banco Central russo. Na edição de 7 de março de sua newsletter Global Money Dispatch, o estrategista de investimentos do Credit Suisse, Zoltan Pozsar, escreve que o confisco das reservas cambiais da Rússia pelo G7 marca uma mudança de regime no sistema monetário global. Pozsar enuncia esse novo regime de Bretton Woods III. Ele antecipa que soberanos asiáticos, temendo que suas reservas estrangeiras em dólares e euros estejam em risco de expropriação em caso de futuros conflitos de política externa, vão colocar seus fundos excedentes fora do alcance das autoridades financeiras do Ocidente. Para Pozsar, isso anuncia o surgimento de "moedas lastreadas em commodities no Oriente" e sinaliza o desfecho da hegemonia do dólar.

Dólar e império

Mark Schwartz comenta artigo de Yakov Feygin e Dominik Leusder sobre as características do "privilégio exorbitante" da hegemonia do dólar: na prática, quem perde e quem ganha?