Análises
Orçamento em disputa
A natureza dos gastos cortados não só tem as piores consequências distributivas, mas também macroeconômicas, reduzindo ainda mais o espaço fiscal futuro. Uma vez que os gatos sujeitos a cortes são justamente os que teriam maior impacto no PIB ao longo do tempo, a manutenção do RFS depende de medidas que ameaçam o seu próprio cumprimento no longo prazo.
Reconstruindo o reino
A Visão Saudita 2030 do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman promete transformar a economia e a sociedade do petroestado. O plano provocou um boom de construção civil: em apenas alguns anos, a Arábia Saudita está prestes a se tornar o maior mercado de construção do mundo. Esse projeto gigantesco tem implicações significativas para as relações de classe, os mercados financeiros e o lugar da Arábia Saudita no mundo.
Depois de Sevilha
O multilateralismo sobreviveu a Sevilha.O próximo teste será em novembro, na COP30, em Belém.
Fentanil, abacate e tarifas
Na estreia do fentanil no mercado ilegal americano, os cartéis mexicanos atuavam mais como intermediadores do que como produtores: entre 2016 e 2018, 97% do fentanil apreendido nos Estados Unidos tinha origem chinesa. A transição de papel dos cartéis foi possibilitada pelas medidas do governo chinês para limitar o tráfico de fentanil, que abriram espaço para a entrada de novos concorrentes no mercado.
Tecnolatinas
A última década testemunhou a proliferação de novas empresas de tecnologia voltadas para o consumidor em toda a América Latina. No entanto, apesar do significativo crescimento do mercado, essas “tecnolatinas” continuam dependendo em grande parte das infraestruturas digitais pertencentes e operadas por empresas como Google, Amazon e Alibaba. Isso produziu profundas assimetrias tecnológicas e de mercado que, em última análise, reforçam os antigos desequilíbrios de poder econômico entre Norte e Sul.
BRICS em 2025
Estado de bem-estar e seus descontentes
Ajay Banga, presidente do Grupo Banco Mundial, repetiu na cerimônia de abertura da quarta Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FfD4): “A pobreza é um estado mental”
Multilateralismo em Sevilha
O documento final do processo ofereceu algumas pistas sobre o rumo que o consenso estava tomando. Em particular, fica claro que o processo de Sevilha continua prisioneiro do modelo dos bilhões. Apesar da seção do documento dedicada à mobilização de recursos nacionais, os compromissos com a redução do risco estão presentes em todo o documento.
O desmonte de um gigante
A iniciativa do governo de Rodrigo Chaves na Costa Rica para privatizar a energia enfrentou resistência social baseada em uma história singular de soberania energética no país centro-americano. Embora tenha sido temporariamente suspensa, a Lei 23.414 é um projeto latente que busca conceder às empresas privadas um papel mais proeminente no setor energético do país.
A verdadeira armadilha da dívida
Depois de endossar publicamente as conquistas econômicas de Javier Milei, o FMI aprovou um novo pacote de resgate financeiro à Argentina no valor de US$ 20 bilhões—apesar de o país não ter pagado um único dólar dos 45 bilhões emprestados em 2018. O que os dois empréstimos tem em comum é o alinhamento político do Fundo com os ocupantes da Casa Rosada. Enquanto isso, a oposição não parece ter ideia de como construir um caminho de desenvolvimento alternativo para o país.
Outono braudeliano nos EUA
A jabuticaba financeira
A hegemonia financeira que rege o país resulta de uma trajetória institucional singular em relação às práticas usuais de outros países, a ponto de se dizer que somos uma jabuticaba. Imagem de Vinicius Gerheim, jabuticaba olho de boi, 2021.
Elos frágeis
Para o México, a guerra tarifária de Trump revela a dependência excessiva do país de um único parceiro comercial e a necessidade de diversificar tecnológica e geograficamente sua oferta comercial
É preciso dar um jeito, meu amigo
Na década de 1960, luta dos trabalhadores brasileiros por direitos havia atingido seu ápice. Mas o inédito espaço político conquistado por lideranças sindicais incomodava e amedrontava as elites. A ditadura militar acabou com isso. O golpe de 1964 teve apoio vital tanto do governo dos EUA quanto da burguesia nacional. Foi, antes de tudo e sobretudo, um golpe contra a classe trabalhadora.
A transição que não cabe no portfólio
Olhar para o panorama completo de como os fluxos de financiamento climático se relacionam com os setores e demandas materiais da transição verde nos permite exergar as limitações fundamentais do atual regime de governança climática.
Planejamento indicativo verde
A história das economias mistas herdadas da Grande Depressão e da Segunda Guerra mostra que o planejamento econômico e a coordenação intersetorial são possíveis em sociedades liberal-democráticas que administram economias majoritariamente capitalistas. Agora, a tarefa é investigar como esses instrumentos podem servir para o imperativo da transição verde.
Coordenação no caos
Os primeiros 100 dias do segundo governo Trump indicaram que os próximos meses, talvez anos, serão marcados uma crescente fragmentação política e econômica. Mas, apesar das incertezas, políticas industriais “verdes” provavelmente vieram para ficar e permanecerão sob um guarda-chuva mais amplo de incentivo industrial dos governos nacionais à construção de capacidade tecnológica.
Abril é o mais cruel dos meses
BYD global
Diante do declínio acelerado da hegemonia americana, um arranjo geoeconômico.e geopolítico alternativo vem surgindo: uma globalização com características chinesas e movida a baterias. A BYD já ultrapassou a Tesla em vendas globais de veículos elétricos. Em um ambiente cada vez mais protecionista, qual será o destino do domínio chinês no setor?
Reconstruir o multilateralismo
Diante do crescente protecionismo e da ameaça tarifária dos EUA, defensores da ordem internacional clamam por um “retorno à normalidade”. Mas a escalada de um ambiente econômico global hostil antecede Trump. O multilateralismo não depende de um retorno a essa suposta normalidade, mas de uma reformulação da ordem com base em interesses públicos, não privados.
A armadilha neoextrativista brasileira
Enquanto o campo da direita sem medo se sente à vontade com o neoextrativismo, o campo do novo progressismo perpetua esse modelo consciente de que se trata de uma contradição flagrante com seu próprio programa. É na disputa entre a coerência neoextrativista da direita sem medo e as contradições do novo progressismo que se jogará o futuro do país.
Moléculas da liberdade
Após acontecimentos como a guerra da Rússia na Ucrânia, o comércio entre o Golfo e a UE interrompido pelos Houthis, e a implantação das vendas de GNL como moeda de troca da guerra comercial, estamos inundados de histórias de crises de segurança energética causadas por combustíveis fósseis. No centro de tudo, está o mercado global de gás natural liquefeito, que é uma cabeça de Hidra.
Capitalismo Militarizado
O México exemplifica uma forma de capitalismo altamente militarizada e brutalizada, em que as linhas entre empresas criminosas e legais se confundem, e os militares assumem um papel importante na readequação dos espaços às necessidades do capital, oscilando entre ser um ator disciplinador e econômico. Durante o governo de López Obrador (2018-2024), antecessor de Sheinbaum e fundador do Morena, o Estado concedeu aos militares um papel primordial nos negócios - em infraestrutura, transporte e construção. Como resultado, o poder executivo do México se tornou mais dependente dos militares do que nunca.