Análises
A jabuticaba financeira
A hegemonia financeira que rege o país resulta de uma trajetória institucional singular em relação às práticas usuais de outros países, a ponto de se dizer que somos uma jabuticaba. Imagem de Vinicius Gerheim, jabuticaba olho de boi, 2021.
Elos frágeis
Para o México, a guerra tarifária de Trump revela a dependência excessiva do país de um único parceiro comercial e a necessidade de diversificar tecnológica e geograficamente sua oferta comercial
É preciso dar um jeito, meu amigo
Na década de 1960, luta dos trabalhadores brasileiros por direitos havia atingido seu ápice. Mas o inédito espaço político conquistado por lideranças sindicais incomodava e amedrontava as elites. A ditadura militar acabou com isso. O golpe de 1964 teve apoio vital tanto do governo dos EUA quanto da burguesia nacional. Foi, antes de tudo e sobretudo, um golpe contra a classe trabalhadora.
A transição que não cabe no portfólio
Olhar para o panorama completo de como os fluxos de financiamento climático se relacionam com os setores e demandas materiais da transição verde nos permite exergar as limitações fundamentais do atual regime de governança climática.
Planejamento indicativo verde
A história das economias mistas herdadas da Grande Depressão e da Segunda Guerra mostra que o planejamento econômico e a coordenação intersetorial são possíveis em sociedades liberal-democráticas que administram economias majoritariamente capitalistas. Agora, a tarefa é investigar como esses instrumentos podem servir para o imperativo da transição verde.
Coordenação no caos
Os primeiros 100 dias do segundo governo Trump indicaram que os próximos meses, talvez anos, serão marcados uma crescente fragmentação política e econômica. Mas, apesar das incertezas, políticas industriais “verdes” provavelmente vieram para ficar e permanecerão sob um guarda-chuva mais amplo de incentivo industrial dos governos nacionais à construção de capacidade tecnológica.
Abril é o mais cruel dos meses
BYD global
Diante do declínio acelerado da hegemonia americana, um arranjo geoeconômico.e geopolítico alternativo vem surgindo: uma globalização com características chinesas e movida a baterias. A BYD já ultrapassou a Tesla em vendas globais de veículos elétricos. Em um ambiente cada vez mais protecionista, qual será o destino do domínio chinês no setor?
Reconstruir o multilateralismo
Diante do crescente protecionismo e da ameaça tarifária dos EUA, defensores da ordem internacional clamam por um “retorno à normalidade”. Mas a escalada de um ambiente econômico global hostil antecede Trump. O multilateralismo não depende de um retorno a essa suposta normalidade, mas de uma reformulação da ordem com base em interesses públicos, não privados.
A armadilha neoextrativista brasileira
Enquanto o campo da direita sem medo se sente à vontade com o neoextrativismo, o campo do novo progressismo perpetua esse modelo consciente de que se trata de uma contradição flagrante com seu próprio programa. É na disputa entre a coerência neoextrativista da direita sem medo e as contradições do novo progressismo que se jogará o futuro do país.
Moléculas da liberdade
Após acontecimentos como a guerra da Rússia na Ucrânia, o comércio entre o Golfo e a UE interrompido pelos Houthis, e a implantação das vendas de GNL como moeda de troca da guerra comercial, estamos inundados de histórias de crises de segurança energética causadas por combustíveis fósseis. No centro de tudo, está o mercado global de gás natural liquefeito, que é uma cabeça de Hidra.
Capitalismo Militarizado
O México exemplifica uma forma de capitalismo altamente militarizada e brutalizada, em que as linhas entre empresas criminosas e legais se confundem, e os militares assumem um papel importante na readequação dos espaços às necessidades do capital, oscilando entre ser um ator disciplinador e econômico. Durante o governo de López Obrador (2018-2024), antecessor de Sheinbaum e fundador do Morena, o Estado concedeu aos militares um papel primordial nos negócios - em infraestrutura, transporte e construção. Como resultado, o poder executivo do México se tornou mais dependente dos militares do que nunca.
A Europa chega à idade dos metais
Trânsitos turbulentos
Quando os EUA transmitiram às autoridades locais o mando sobre o Canal do Panamá, não previram que a via se tornaria rota de trânsito de 5% do comércio global. O modelo de desenvolvimento panamenho baseado no Canal, no entanto, é permeado de armadilhas.
Ajuda externa segundo Wall Street
Por mais que o segundo governo Trump pareça caótico, parte de sua agenda é coerente. É a era do Consenso de Wall Street turbinado: administrado pelo capital privado para favorecer o capital privado.
Refém do antigo consenso
A transição verde possível
A transição para uma economia verde significa uma janela histórica de oportunidade para que o Brasil promova uma mudança estrutural efetiva.
Estado e desenvolvimento
O desenvolvimento chinês gerou impactos contraditórios para o Brasil, contribuindo para a configuração de um modelo de crescimento distinto do que marcou a fase mais industrializante do país—sobretudo na década de 1970—, mais convergente com o seu padrão histórico, assentado na especialização primário-exportadora. Esse padrão vem perseverando em que pesem as diversas políticas industriais introduzidas—ainda que de forma fragmentada—em todos os governos do PT.
Deslegitimado pela lei, abandonado pela base?
Transferência e transição
Transferências tecnológicas globais consistem na redistribuição do conhecimento: sua efetivação é política. Mas, diante da ameaça climática, barrar o progresso tecnológico não só é sinônimo de barrar o desenvolvimento, mas também de impedir a solução de um problema que, ao contrário da propriedade intelectual, não respeita fronteiras.
Ramificações Energéticas
Transformações na Petróleos de Venezuela e realinhamentos geopolíticos
Protegido: Globalização e dependência
O “greenwashing” dos ajustes estruturais
Em um sistema financeiro global sustentado pelo dólar, aumentos na taxa de juros do Fed podem deixar grande parte dos países do Sul global à beira de impetuosas crises de dívida. O elevado nível de exposição dos países do Sul a riscos externos e a necessidade de que contraiam dívidas denominadas em dólar são resultado de uma arquitetura financeira internacional corrompida e desigual—diante da crise climática, tamanha assimetria na inserção internacional pode gerar consequências de longo prazo para uma transição energética global.